terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Duas bolas, por favor!



Recebi esse texto maravilhoso por e-mail e compartilho com vocês, peço desculpas aos que vieram e não encontraram textinhos novos, vamos nos policiar mais para termos um Divã cada dia melhor. Beijos a quem é de beijos, abraços a quem é de abraços.

Verônica



Duas bolas, por favor – Danuza Leão

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de ‘fácil’).
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão…
Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: ‘Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora’…
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
cinco bolas de sorvete de chocolate,
um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’,
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago  . . .

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sexo Em Cinco Sentidos


(by Cinthya)

Coisa gostosa é uma relação sexual. Corpos ardentes em busca de um saciar, de uma explosão de sensações e delícias (e que delícias!). Mas engana-se quem acredita que sexo é apenas um ir e vir de corpos suados e sedentos, respiração ofegante, gemidos (ora comportados, ora nem tanto). Depois, um pra cada lado e "tchau".

Sexo gostoso é aquele vivido e executado nos cinco sentidos.

O toque suave das mãos inteligentes e pacientes a deslizar pelos corpos. Astuciosas procurando vencer os botões, tecidos e tudo o mais que exista entre a pele de um e a pele do outro. Tudo na hora certa, explorando cada centímetro do corpo, como se tivessem sido estrategicamente treinadas. Tocar os músculos em movimento, em contrações (e descontrações). Sentir a pele arrepiada, viva.

O gosto do beijo. O gosto da pele. O gosto do sexo. O paladar é importante, tudo tem sabor. Um vinho para acompanhar (uma boa pedida!). No sexo até o abstrato tem sabor. Palavras são bebidas deliciosamente. São saboreadas... Degustadas.

Os olhos, normalmente, não exploram o corpo do parceiro, deixando tantos detalhes passarem desapercebidos. Tantas sensações nascem apenas no olhar. Os parceiros se esquecem de olhar para o outro... Para os olhos, para o corpo, para a alma. Que viagem inesquecível podemos fazer com os nossos olhos a percorrer o corpo do outro. E quanto desejo podemos acender! É um prazer recíproco.

Aprenda a ouvir o parceiro. Ouvir os sussurros, os gemidos. Conhecer pelo ‘ouvir’. Os sons de uma relação sexual são belos, mas tão poucos percebem isso! Frases, músicas, poesias. Coisas amáveis, coisas picantes... Algumas palavras são tão desejadas que ao serem pronunciadas, os corpos estremecem. Os músculos reagem. O sangue bombeia mais forte. Frenético. Mas tudo com o tempero certo, no momento certo, na entonação certa.

Por fim, o cheiro... Ah o cheiro! O cheiro do parceiro, não do perfume, mas o cheiro dele, da pele, do suor, das secreções, do desejo... O cheiro da respiração. O cheiro do sexo que impregna o ar, o ambiente. O cheiro do pecado. O cheiro do amor. O cheiro do saciar. O cheiro do abraço gostoso que vem depois do prazer.

Quando se descobre a magia dos sentidos na relação sexual, percebe-se que ela fica muito mais profunda, muito mais sentida. A cumplicidade é maior. O prazer é maior. A relação flui  melhor, mais verdadeira, mais gostosa. Falsos pudores perdem-se no ar e a entrega é total. Aprende-se a saborear a luxúria e descobre-se que isso não significa ser pornográfico.

Enfim, sexo é delicioso! Sexo com sentido é maravilhoso. Sexo com cinco sentidos é Perfeito! Faça sexo aproveitando seus sentidos. Cada um deles. E não esqueça: a responsabilidade e a consciência são fundamentais para o sexo ser um Sucesso! 

(E viva o Amor!)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bebê A Bordo

Calma gente, eu não vou anunciar a gravidez de ninguém. É que ontem eu conheci mais uma habitante do planeta terra, esse louco bizarro e corrompido planeta. Fui conhecer Maria Clara, filha da minha amiga Iane. Como boa enrolona que sou demorei quase um mês para fazer a visita, a gracinha nasceu em 07/12/10 e só agora recebeu a visita da tia Vevel. Antes tarde que mais tarde, né?


Vendo Maria, aquela coisica linda e pequeneninha, ouvindo os relatos da mãe de primeira viagem que já acumula boas histórias ao longo desses quase trinta dias de existência da pequena Maria, me pus a pensar e cheguei a seguinte conclusão: Eu não tenho a menor estrutura pra ser mãe. Falo no geral, nem financeira, nem psicológica e nem estrutura física. Criança é muito, muito bom, mas ser mãe não é uma tarefa nada fácil, e muito menos barata, embora seja sublime e gratificante. Mas, ainda não chegou a minha hora. 
Peguei Maria nos braço, morrendo de medo de quebrar aquele ser tão frágil e assim que a fofinha chorou não contei conversa, entreguei a avó coruja que estava ao lado, observando cada movimento, meu e da pequena. Lembrei quando Pedro (filho da minha amiga e parceira Cinthya) era pequeno, tinha poucos meses e fomos na casa de Cinthya, era aniversário dela, mas o centro da atenções era sem dúvidas Pedro Vicente. Estávamos lá eu, Geane e Cassandra na maior disputa pra ver quem ficava com o gordinho no colo, quando o fofo abriu o berreiro não ficou uma por perto, aí a mãe entrou em cena para amamentar e acalmar o nervoso e faminto Pedro. Foi lindo ver aquela cena de amor, sem dúvidas foi, mas não me imaginei no lugar de Cinthya, nem me imagino no lugar de Iane. 
Criança é uma maravilha, mas criança dos outros. Desejo muita saúde a Maria Clara, e muita sabedoria a Iane e Joame para educá-la. Deus abençoe essa família e todos os corajosos que pensam em constituir familia e povoar o mundo.
Um beijo para Pedro Vicente o príncipe mais lindo de todo reino. Um beijo também para a mãezona dele Cinthya Danielle, minha amiga.


Verônica (a medrosa)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

De Repente, Amigos


No caminho de volta pra casa ontem a noite, estávamos conversando sobre encontros inusitados. Situações aparentemente normais, mas que trazem em si gratas surpresas.
Mila, minha colega de trabalho estava contando sobre uma pessoa que ela não conhece, que  a adicionou no msn. Coincidência ou não, o rapaz a conhece de vista, sabe onde ela estuda e onde trabalha, mas aí o papo não fluiu e a amizade não vingou, ela o excluiu e ficou por isso mesmo, aos olhos dela ele não pareceu interessante e sem mais delongas ela tratou de pôr um ponto final no que mal havia começado. Comigo já aconteceu situações semelhantes, que tiveram um desfecho diferente. Lembrei do meu querido amigo João que mora em Salvador, ao enviar um e-mail pra professora, digitou o meu endereço de e-mail e só precisou disso pra construir-mos uma deliciosa relação. O que começou com um erro se transformou numa linda amizade, com muito respeito, carinho e compreensão. Apesar de estarmos afastados pelo corre-corre do dia-a-dia não perdemos os laços. E não parou por aí, atráves dele conheci pessoas incríveis, como Luciana, sua namorada, seus irmãos Patrícia e Silvinho, e Cremilson noivo da Paty. Bendita hora q ele errou aquele e-mail, ganhei muito com isso. Outro caso estranho foi Marcus, um querido amigo que mora em Feira de Santana e apareceu no meu msn de repente, não me lembro de tê-lo adicionado, tampouco ele se lembra de tê-lo feito, só sei que depois disso não perdemos mais contato. Muitas conversas sobre os mais variados assuntos, inclusive futebol, ele torcedor do São Paulo e eu do Vitória, haja papo. Quem me conhece sabe a facilidade que tenho de me comunicar, e fazer novas amizades, mais que isso, o imenso prazer que sinto ao conquistar uma nova amizade. Espero que a vida me reserve ainda grandes e gostosas surpresas, esse é o tempero especial, aquele que dá o toque mágico. Algumas pessoas entram nas nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Assim, desejo à todos muitos encontros inusitados e muitas surpresas agradáveis.

Verônica.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cinderela, Sonho ou Tormento?



(by Cinthya)

Um desvio psicológico mais comum do que imaginamos, o Complexo de Cinderela é uma ambivalência entre o desejo de ser cuidada e protegida e a necessidade de independência da mulher.
Suas causas são encontradas em memórias e desejos reprimidos, na infância onde éramos criadas para termos sempre uma força masculina a nos socorrer e ajudar nas coisas mais difíceis, como se fôssemos mesmo criadas para depender de um homem, que ao nosso lado nos protegeria de tudo, nos amaria e faria de nós ‘A Princesa’. Essa crença se tornou forte dentro de algumas mulheres, e o fato de não resolver bem essas questões da infância faz com que o Complexo de Cinderela apareça em qualquer fase da sua vida adulta, dando à mulher a sensação de inferioridade e incapacidade, de necessidade de uma força externa para salvá-la do seu caos. Em contrapartida, surge a necessidade de independência, de sua independência. Dá pra imaginar a bomba-relógio que é o íntimo de uma vítima desse Complexo?
As mulheres que desenvolvem esse Complexo, se casadas, tendem a cair no comodismo por acharem que não conseguiriam manter-se ou até viverem sozinhas, construir seus próprios caminhos, sua independência financeira. Do outro lado, a mulher que já conquistou seu espaço e sua independência, sente que tudo isso é um fardo muito pesado, e sonha com o dia em que chegará seu Príncipe para salvá-la.
Cita-se o escapismo como uma das forças que movem esse desvio, assim como acontece na Síndrome de Peter Pan, pois procuramos o homem perfeito, sabendo nós que essa perfeição não existe.
Para salvar-se dessas situações o caminho seria iniciar uma busca dentro de si mesma, pelos seus próprios sonhos e desejos e em cima disso construir sua trajetória e livrar-se do distúrbio. Fácil não é. Já que fomos criadas para reprimirmos nossos desejos em prol de nos tornarmos meninas educadas e agradáveis e, assim, encontrarmos mais à frente o Homem Príncipe que faria de nossas vidas o conto de fadas.
Indico o livro de Colette Dowling, intitulado Complexo de Cinderela para um conhecimento mais aprofundado do assunto que é sem dívida muito interessante e enriquecedor.
Cinderelas ou não, que possamos ser felizes. E que o Príncipe venha, mas apenas como complemento de uma felicidade já construída.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dos Filhos Deste Solo És Mãe Gentil...


(by Cinthya)

Feliz Ano Novo A Todos!

Dois Mil e Onze iniciou diferente.
No dia 1º eu assisti emocionada à posse da Primeira Presidenta do Brasil. Uma festa bonita, regada de protocolos e emoção. Foi muito diferente ver uma figura feminina seguindo o caminho antes só pisado por homens. E, com o desenrolar da festa, os fatos iam me emocionado mais e mais... As Forças Armandas Brasileira batendo continência para uma mulher. A delicadeza dela ao beijar a bandeira.
A sensação de estar presenciando o acontecer da História é prazerosa. Quis ver todos os momentos, ouvir todos os discursos, atentar a todos os detalhes.
Espero que cada brasileiro, despido de suas diretrizes partidárias, ou opiniões próprias sobre esse ou aquele político tenha acompanhado aquele dia tão especial.
E eu não poderia deixar tal fato passar em branco aqui no nosso Divã.
Afinal, agora não é somente o Divã, mas o Brasil é todo Dellas (ou pelo menos Della). E que ela, como mulher que é, atue com a força e a delicadeza dosadas na medida certa. Que tenha a força de uma leoa para guardar sua prole (seu país), ao mesmo tempo em que se revista de carinhos para cuidar dos filhos que choram de dor (a nossa classe mais necessitada).
Parabéns a todas as mulheres de tantas histórias diferentes, de tanta força, de tanta garra, de tanta coragem.
Nós podemos sim realizar nossos sonhos, alcançar nossos objetivos... Aquela tatoo (http://3xtrinta.blogspot.com/2011/01/ode-tattoo.html), a maternidade, um diploma, aquela viagem, aquele emprego, a Presidência do País.
Enfim, o mais alto cargo da nossa República pertence hoje a uma mulher. E espero que a nossa Presidenta faça um excelente governo, o melhor governo. Esse é o pensamento mais inteligente para se ter.

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa)

Vou Viver Tudo Que Há Pra Viver...

Com a chegada de um novo ano, chegam também novas promessas e muita, muita reflexão.
Nesse novo ano eu prometo, logo de cara, cumprir as promessas que fiz no ano passado e não cumpri. Quando olho ao meu redor, percebo que o ano que se inicia, começa, para mim, de um jeito diferente. Sem muitas expectativas e sem muito oba-oba. Tudo ao meu redor continua exatamente igual e sei que as mudanças ocorrerão ao passo em que eu for mudando minhas ações e minha postura.

Para o deleite de todos, deixo aqui como votos de renovação um poema do mestre. Ele que sabe muito sobre o que diz.

Cortar O Tempo

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

Carlos Drummond de Andrade
Feliz 2011.

Verônica.