quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pega a Fila, Meu Bem!


(by Cinthya)

Quando um relacionamento termina, normalmente passamos um tempo de mal com o mundo, de mal com o romantismo e tendo a certeza de que aquele namorado da nossa amiga não a ama, está apenas iludindo-a, afinal de contas ele é homem e homem é tudo igual. "É questão de tempo para que ele mostre suas garras", concluímos. E como nos irrita o fato de alguém nos contar coisas melosas de um casal apaixonado! (Argh!). Desenvolvemos verdadeira alergia ao romantismo, namoro, casal, e tudo que seja "dois". "Como pode as pessoas viverem grudadas dessa forma, o tempo todo se falando, o tempo todo se declarando... Chamando de 'Bem', 'Vida', 'Môzinho'... Credo! Não sei como não se enjoam!". Enfim, é intolerável ver em outros casais o que vivíamos com o nosso ex.

Mas isso passa. O tempo passa e carrega com ele as mágoas (ou uma boa parte delas), e passamos a nos sentir revitalizadas. De repente a gente acorda e se percebe cheia de amor, ou pelo menos, cheia de vontade de amar. Cheia de vontade de sonhar, de planejar, de ter alguém com quem dividir momentos agradáveis, alguém pra nos escutar, para se preocupar conosco, alguém para nos mostrar um outro lado das coisas (que nós, quando sozinhas, não enxergamos), alguém para somar mais felicidade aos nossos dias. E aí a gente percebe que está pronta para amar novamente. Voltamos a escutar música romântica, voltamos a ler poesias, ver casais apaixonados apenas atiça o nosso desejo de logo logo se ver naquela situação novamente.

Então mudamos a cor do cabelo, pintamos as unhas de vermelho, escolhemos melhor a roupa. Passamos mais tempo em frente ao espelho, sorrimos mais, sonhamos mais, voltamos a usar as bijouterias, a comprar novos perfumens, cremes, óleos perfumados, mudamos o shampoo para um ainda mais cheiroso, nossa cabeleireira passa a nos ver, pelo menos, três vezes por semana. E com isso nos sentimos lindas. Não, lindas não. Nos sentimos 'o máximo', a 'personificação da beleza'.

E agora, que estamos de bem com a vida novamente, podemos enfim sair com as amigas, dançar, beber, badalar, paquerar e ter a certeza de que temos um coração lindo e todo reformado, prontinho para caber numa relação.


Quando estamos nesse estado de harmonia com nós mesmas, dando leveza a tudo que nos cerca e "nos achando", pode crer, o nosso 'radar' funciona e o amor surge. E vem avassalador, gostoso como só ele sabe ser. A gente se entrega e curte, e ama, e vive intensamente tudo que se há para viver.  Queremos apenas  sorver tudo que há nele. E desejamos ardentemente que ele "seja eterno enquanto dure!" Afinal, o passado passou mesmo. Do amanhã não sabemos quase nada e o que temos de concreto e real é o hoje, o agora.

Sejamos felizes, então! Até que a fila ande novamente (ou não).


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um Príncipe Nada Tradicional

Era uma vez uma princesa que não acreditava em príncipe encantado...

Certo dia essa desacreditada princesa, viajou até uma província distante para assistir a um espetáculo épico, um duelo entre grandes gladiadores. Um dia antes da tão esperada batalha, a princesa que estava ansiosa por chegar o grande dia de apreciar de novo a tal batalha no coliseu dessa província, resolveu degustar as iguarias da localidade, estava acompanhada de mais 3 princesas.

Nesse passeio a princesa conheceu um príncipe, num encontro inusitado, esse príncipe estava longe do que se espera de um príncipe, dito isso de um ponto de vista convencional. Por não acreditar e por ter um ponto de vista diferente do imposto pelas leis do castelo, a princesa viu que ali estava um autêntico príncipe disfarçado de plebeu.

O  moço tinha gosto musical duvidoso, bebia cerveja, dançava de forma engraçada e promovia a gargalhada geral, falava pouco e encantava muito, não parava quieto e parecia ter mais disposição que as 4 princesas juntas, gostava de Bonde do Maluco, Trio da Huana e Black Style, tudo que a mocinha não apreciava, ou não se prendia a ouvir. Mas ela percebeu que ele era gentil, não como um Don Juan, era atencioso, mas era uma atenção despretenciosa, ela percebeu que ele era dedicado, mas não uma dedicação interessada como quem espera algo em troca. Ele era um cara legal!

Foi aí que ela percebeu que príncipes existem sim. Eles estão disfarçados de plebeu ao nosso redor, nós é que não vemos. Passamos batidas. Aprendeu que um conto de fadas pode durar um dia, uma hora, um encontro... Não importa o tempo que dure, o importante é que aconteça.

Conto de fadas é aquela história curtinha ou longa, mas que te tira do eixo e te joga nas nuvens,  te põe a pensar, faz com que você reveja seus conceitos em relação a determinados dogmas. Faz você viver uma situação e depois lembrar, lembrar e dar aquele sorriso de canto de boca com um ar de satisfação onde você pondera e chega a conclusão de que valeu à pena.

E foi assim nesse turbilhão de acontecimentos e história em tempos e localidades embaralhadas que a jovem viu que estava errada. Foi nessa mistura de história que ela conseguiu enxergar a sua própria história e ver que as coisas são bem mais bonitas e simples do que ela imaginara.

A princesa voltou para o sua província, o príncipe permaneceu na dele, disfarçado de plebeu, eles não se viram ou se falaram mais, e foram felizes para sempre...

E o duelo? Ah, o duelo foi fantástico! O gladiador que a princesa foi prestigiar não fez feio e conseguiu a vitória.

Verônica

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Dia Em Que O Poeta "Baixou" Em Mim


(by Cinthya)

Peça integrante do curso de Letras da UPE (FFPP) nunca fui considerada uma aluna comum. Não gostava de fazer tudo igual na mesmice de sempre. Pra mim só tinha encanto se fosse diferente. Subir num carrinho empurrado pelos colegas e convencer outros a subirem também, um deles tocando violão, outro declamando Castro Alves e eu de braços aberto à frente de todos (a la Titanic) dividindo as atenções com a Cassandra (colega de turma e amiga de alma) e nessa 'marmota' sair desfilando pelos corredores da universidade, ou ainda comprar cerveja no barzinho lá fora, enfiar na mochila e beber dentro do pavilhão de Letras, num luau improvisado, para depois jogar as latinhas vazias no lixeiro do pavilhão de Matemática (afinal, o pessoal de Letras jamais beberia cerveja dentro do Campus! Isso é coisa do pessoal de exatas!).

Muitas história... Mas vou compartilhar uma situação ímpar que aconteceu. Estava no sétimo período e a professora de Literatura Brasileira programou uma apresentação teatral para servir de nota para a unidade. A professora era gente boa, mas não tinha uma dinâmica muito atrativa, talvez lhe faltasse uma reciclagem. Dividiu a turma em grupos e deu a cada grupo um autor de nossa literatura para que fosse montada uma apresentação onde houvesse uma entrevista com o tal autor.

Daí os grupos combinaram "entrevista no rádio", "entrevista na TV", "entrevista no jornal". Tudo coisa normal. Mas eu juntei meu grupo e falei:

- Gente o João Cabral de Melo Neto, nosso autor, está morto! E eu tenho uma idéia para essa entrevista, mas não sei se vocês aceitarão. 

- Fala Cinthya. Qual a loucura da vez?

- Me digam, qual a única forma de entrevistar um morto?

Silêncio e incredulidade.

- Não Cinthya. Por favor! - falaram já prevendo o que viria.

- Gente a única forma é "baixando" o espírito dele em alguém.

Apesar de uma relutância inicial, consegui convencer a turma a entrar nessa junto comigo. E então organizamos tudo.

O dia chegou. A roupa e os colares que seriam usados vieram de uma Mãe de Santo 'aposentada' (?) que residia em Senhor do Bonfim/BA (foi nesse dia que descobri que Mãe de Santo se aposenta).  Fechamos a sala, acendemos incensos, velas pretas, vermelhas, derramamos alfazema para "purificar" o ambiente, montamos a mesa com pipocas, flores e imagens de orixás. As meninas de branco, descalças eram as Filhas de Santo e eu, como autora da idéia, era a Mãe de Santo. Um colega posto atrás de um biombo tinha o texto com as respostas para as perguntas feitas por uma das minhas Filhas e respondidas pelo morto através de mim (eu apenas faria o movimento com os lábios).

Pois bem, tudo organizado, a turma já esperava ansiosa para adentrar a sala e assistir a apresentação. Quando a porta se abriu e o Terreiro foi exposto, o susto foi geral. A fumaça das velas e dos incensos, o cheiro da alfazema e o canto das minhas Filhas (Iansã, cadê Ogum? Foi pro mar...) envolveram todos que estavam ali presente. Um silêncio absurdo tomou conta da turma e seus cérebros demoraram um pouco para processar o que viam. O único som que se ouvia era "Sangue de Cristo Tem Poder" ou "Misericórdia" pronunciados por alguns colegas evangélicos que, por sinal, sequer entraram na sala (voltaram todos da porta, mas nós respeitamos. A intenção não era brincar com religião de ninguém!). Passado o susto incial, os CDFs balançavam a cabeça incrédulos, o pessoal do fundão entrou na harmonia do ambiente e a professora... Ah, a professora! Essa quase morria de dar risada.

Quando eu adentrei o Terreiro o riso já corria solto. Comecei a dançar e a fazer movimentos bruscos até que o espírito "baixou". Aí uma das minhas FIlhas me segurou e me ajudou a sentar. Cabeça baixa, cabelo cobrindo o rosto.

- Quem está aí? - Perguntou a Filha de Santo

- Sou eu, João - respondi com a voz grave.

- Que João?

- João Cabral de Melo... Neeeto!

E aí a entrevista aconteceu.

Não demorou muito e as outras turmas apareceram na porta para saber de onde saia aquele cheiro de Terreiro que se espalhava pelo Campus.

Nossa apresentação (apesar das minhas Filhas de Santo passarem o tempo todo lutando contra o riso que não cabia mais nelas) foi um sucesso. Tiramos a nota máxima e eu, claro, abusei do status de ter sido a Mãe de Santo que recebeu um espírito tão ilustre!
"O amor comeu minha paz e minha guerra." - João Cabral de Melo Neto

sábado, 22 de janeiro de 2011

Provas de Fogo


Hoje temos um convidado no Divã!
O texto de hoje é assinado pelo Marcus, um convidado especial que vai expor para vocês o seu pensamento, as suas palavras, a sua opinião sobre o filme Provas de Fogo (dos mesmos criadores de "Desafiando os Gigantes"). Boa Leitura!
Provas de Fogo

Olá caros amigos leitores deste blog! Chamo-me Marcus Laert e estou escrevendo esse texto para as queridas que comandam esse espaço.  Antes de tudo, gostaria de fazer uma pergunta sincera: Vocês já assistiram ao filme “Prova de Fogo”? Se a resposta for sim, parabéns! Caso contrário preste atenção nesse texto.
É um dado estatístico, meio assustador, porém, o número de pessoas que ou se casam ou passam a morar juntas vem crescendo de maneira assombrosa. Da mesma maneira, podemos relacionar isso com a quantidade de casais que estão se separando do nada.  Entre esses termos, fica a seguinte pergunta: O que leva um casal a unir-se e logo em seuida se separarem do nada?
Não é só o amor que conta, pois assim como podemos amar, podemos também odiar nas mesmas proporções. São várias as razões que nos fazem querer construir alguma coisa nessa vida que é breve e longa ao mesmo tempo.  Planejamento a dois, paciência, saber que temos de abrir mão de coisas que gostamos... Tudo isso para fazer dar certa a convivência a dois.
Desde pequenos, tanto o homem quanto a mulher já iniciam uma relação de namoro e começam a conhecer vários valores que poucos dão importância, mas desde cedo, compreendem o real significado por se importarem com o próximo. Nos dias atuais, percebemos que as pessoas não ligam mais para os sentimentos de quem elas realmente gostam e passam a se interessar pelo seu bem próprio. Quando elas param para acordar, se sentem vazias, fúteis e egoístas. O mais engraçado é que no filme citado acima, um dos personagens, após ver o esforço do companheiro (a) para mostrar que o barco é dividido por duas pessoas, fica envergonhada pelo que foi dito e começa a ser mais humilde, corrigindo os erros.
Daí em diante, inicia-se uma provação para mostrar que a cada dia, temos que vencer uma batalha, pular fogueiras e vencer dificuldades para se viver a dois. Quando a protagonista não quer observar o obvio, no filme, deixa-se enganar pelas aparências vistas somente por ela mesma e quando ela resolve acordar, eles ainda ficam juntos, por causa do sinceridade e força do amor dele.
Nada na vida é fácil. A convivência a dois, deveria facilitar muitas coisas, mas finda dificultando e ambos têm que saber abrir mão de coisas que gostam pela felicidade do próximo. Provas de fogo são vividas todos os dias, aonde muitos têm medo, muitos não sabem vencer a batalha e, em consequência, não sabem como sair vitorioso na guerra da vida!
Marcus Laert

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Já Tomei Porres Por Você!"


(by Cinthya)

Eu tenho uma amiga que há muito tempo não vejo, mas que é uma pessoa daquelas que passam e deixam uma leva de lembranças agradáveis na memória da gente. Ela, embora mais nova que eu, tinha uma experiência amorosa muito além da minha. Namorar muito era o hobby dela. Certo dia, terminou com o namorado e nada a faria voltar (palavras dela). Até que...



Ele tomou um porre, pegou o carro e parou em frente a casa dela, ligou o som com a música preferida dos dois ("você é minha luz, estrada, meu caminho...") e só saiu de lá quando ela apareceu lá fora para conversarem. Os vizinhos reclamando, os pais dela reclamando e ela achando tudo "muito romântico". Resultado? Casaram. Tudo bem que bem depois se separaram e ela até já tem outra família (ela realemente é muito além de mim!!!). Foi uma história intensa a deles dois.


Eu, confesso, já tomei porres de amor. Daqueles que deixam uma ressaca física (não maior que a ressaca moral) na gente. Que fazem a gente ligar o som no volume máximo 'assassinando' os ouvidos de quem não bebeu, que fazem a gente repetir a mesma música 10, 20, 100 vezes e chorar em todas elas dizendo "Era essa música que ele cantava pra mim. É a nossa música. Escuta como é linda." É uma dor tão grande no peito, sufocando a gente. Daí a gente abraça as amigas e chora, chora, chora e nada nos consola. A gente só quer chorar e beber e ter ele de volta (não necessariamente nessa ordem).


É bom extravasar, colocar para fora a dor, o 'excesso de falta' que fica engasgando a gente, maltratando nosso ego. Uma vontade de olhar para ele e gritar bem alto que "Eu te amo, seu burro! Não tá vendo a merda que você tá fazendo?". E a gente não entende, não consegue entender onde foi parar tudo o que aconteceu, o que dividimos e construimos juntos. E não adianta ninguém explicar que ninguém é de ninguém, que as pessoas são livres para partirem na hora que quiserem. A gente, num porre de amor, não entende isso. "O mundo é muito injusto", é o que pensamos. "Oh Amiga, liga pra ele." e as amigas, coitadas, tentando contornar a situação, correndo para esconder todos os celulares.

Quando o corpo não aguenta mais, a gente é arremessada no banheiro para uma ducha gelada, seguida de um café amargo e cama (Aliás, Oh cama que roda! É complicado equilibrar-se sobre ela!!!).


Depois, a ressaca, a dor de cabeça, os flashs dos micos que foram pagos... Alguns a gente nem lembra. Damos risada com as amigas contando os detalhes, sentimos vontade de matar a engraçadinha que tirou fotos inusitadas. Até que a reunião termina, elas vão embora e a gente se depara com nosso íntimo. E então percebemos que o porre passou, a ressaca passou, mas o coração... Ah o coração! Esse continua doendo pra caramba.

PS. O Ministério da Saúde Adverte: esse é um post politicamente incorreto. Evitem os excessos. Moderação em tudo, menos no amor que, com ou sem porre, é gostoso demais de ser curtido.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

20 de Janeiro. Uma Data. Muitos Acontecimentos.


No dia 20 de janeiro de 2010 o destino me reservava uma surpresa, uma grata, doce e maravilhosa surpresa. Sem eu saber, cruzaria o meu caminho, exatamente nessa data, uma das pessoas mais incríveis que eu já tive o privilégio de conhecer. Alguém que já fazia parte do meu ciclo de amizades, mas eu nunca tinha notado a presença, assim como nunca havia sido notada por ele. Um comentário sobre uma música da Elis foi o bastante para nos aproximar.  Ele se mostrou uma companhia agradável, um sujeito inteligente com uma cabeça muito boa, um bom papo, muitas risadas e um sorriso largo no rosto. Instantâneamente surgiu uma atração absurda, uma química perfeita, uma paixão ardente. E eu era só sorrisos. Essa fase de êxtase se estendeu até meados de fevereiro, quando eu viajei para curtir o carnaval em Salvador e nós nos afastamos, na volta nada foi como era antes. Foi uma breve e linda história. Foi curta, eu sei, mas foi perfeita, necessária, fascinante e muito gratificante. Hoje não há mais paixão, sedução ou desejo, mas há um enorme carinho, grande admiração, bastante respeito e acima de tudo, muita, muita amizade, cumplicidade e parceria. Hoje faz um ano que eu conheci o cara que mudou a minha forma de ver as pessoas, os relacionamento e sobretudo a relação homem x mulher. Hoje ele é um grande amigo, amigo que ainda arranca sorrisos e suspiros, me deixa encabulada e me dá umas bronquinhas de vez em quando. Será para sempre uma pessoa especial. 20 de janeiro de 2010. Uma data que ficará guardada em minha memória, enquanto vida eu tiver.
O que eu não poderia imaginar, é que, enquanto eu estava sorrindo e me apaixonando, nem tão longe de mim tinha uma pessoa chorando, sofrendo e lamentando uma grande perda em sua vida, um trágico acidente de carro desmembrara uma família, tirava o marido e a alegria de viver da guerreira Marcele Alencar criadora do http://naoquerooutrolugar.blogspot.com/ que tomo a liberdade de citá-la, sem pedir autorização. 20 de janeiro de 2010. Um dia que Marcele nunca vai esquecer. Uma triste data que ficará guardada em sua memória, enquanto vida ela tiver.


Na longínqua década de 70 no mesmo 20 de Janeiro nascia Luciano Alves, uma pessoa diferente, que tinha uma missão, um cara muito alegre, esfuziante e cheio de vida que anos depois se tornaria um grande amigo da minha parceira Cinthya. Um amigo sensível, gentil, sincero e muito querido, alguém que traria muita luz e alegria para a sua vida. Mesmo sem saber nesse dia Cinthya ganhava um presente. Dia 20 de janeiro, uma data que ficará guardada em sua memória, enquanto vida ela tiver.


Quantas pessoas, nesse mundo a fora riem e choram nesse mesmo 20 de janeiro?


Pois é... Uma data. Muitas histórias.


Verônica.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Era Uma Vez Um Carnaval...

(by Cinthya)

Tenho muita história para contar. Graças a Deus, sou abençoada de lindas, cômicas e quase inacreditáveis histórias. Talvez por não ter medo de viver, talvez por saber ser feliz com o que tenho (ainda que seja pouco) coleciono pessoas encantadoras que passaram por minha vida e encantaram um pedacinho dela, tornando-se um pedacinho de mim.

Era carnaval em Salvador e eu, claro, estava lá. Era a última noite de festa. Depois de 4 dias inteiros de sol, eu estava com uma pele que não era minha, creiam. Hoje quando revejo as fotos, além da saudade me pego indignada de como me deixei tostar daquele jeito (?!?).

Enfim, voltando ao começo, era carnaval e eu estava com as amigas no Pelourinho (nunca tive grana pra sair em bloco), brincando, pulando, dando muita risada ("e hoje, sou feliz é te ver, com dinheiro ou sem dinheiro, eu me viro em fevereiro"). Sempre gostei muito de carnaval e não importa se brinco em Olinda ou em Salvador, me divirto do mesmo jeito. Estava eu pulando quando uma amiga me mostra um rapaz muito bonito, branco (quase transparente), estatura mediana, olhos firmes a me olhar. Mas ele me olhava muito fixamente. Não demorou e estávamos conversando, ou pelo menos tentando conversar (ele não falava português).

Ciclista, italiano de Trentino-Alto Ádige (uma região bela no nordeste da Itália), calmo, ele estava a passeio e encantado com o que via. De cara percebemos uma grande afinidade e a conversa se estendeu noite afora. Enquanto os blocos passavam, eu e ele conversávamos sobre Dante Alighieri e sua Beatrice, sobre Rafael, Michelangelo e tantos outros assuntos que me encantam, e a ele também. Quando percebemos, o dia já tinha amanhecido. O Bloco da Limpeza já banhava nossos pés com água e sabão e nós ainda estávamos ali, sentados numa das calçadas do Pelourinho a discorrer sobre a odisséia de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso.

Marcamos de nos ver na praia, mais tarde. Disse apenas a praia que iria e a cor do biquíni que usaria. Não deu outra, ele me encontrou e a conversa teve continuidade. Agora já não apenas trocávamos palavras, mas também beijos e carinhos, aliás, coisa muito normal para uma afinidade tão grande.

O final da tarde chegou e nos encontrou caminhando pela areia molhada. Era Quarta-feira de Cinzas e nós de mãos dadas ("andar de mãos dadas na beira da praia por esse momento eun sempre esperei"), sorriso nos lábios gravávamos na memória tudo o que podiámos gravar daquele encontro. A noite ameaçava cair e precisamos dizer 'Adeus'. Eu pegaria o ônibus naquela noite de volta para casa e ele o vôo de volta à Itália. Entrei no coletivo e o deixei ali, acenando. Lindo. Ele é lindo de corpo e de alma. Inteligente, sensível e engraçado.

Isso aconteceu há uns 6 ou 7 anos. Ontem recebi um e-mail dele dizendo que o tempo passou... Muito tempo passou, mas ele nunca esqueceu daqueles momentos tão agradáveis e sensíveis que fizeram a viagem dele valer a pena.

Foi um Amor de Carnaval, é verdade. Mas um amor diferente, puro e bom o suficiente para ser recordado sempre.

Enfim, um viva para as Histórias que compõe o nosso Livro!
Pedacinhos de felicidade dispostos num mosaico chamado VIDA!