(by Cinthya)
A gente entra numa relação afetiva e se entrega de forma tão gostosa. É tudo tão harmonioso. As coisas simplesmente fluem. A gente chega a pensar... Aliás, a gente não chega a pensar que um dia aquilo pode, simplesmente, acabar. E seguimos vivendo e curtindo as delícias de se entregar e de receber.
Até que o tempo se encarrega de acidentar os caminhos, de erodir os sentimentos. O que era bonito, já não é mais. O que era gostoso, já não tem sabor. E a gente vê a euforia de outrora se transformando, dia após dia, numa angustia. O coração fica pesado, receoso. Ou atacamos ou nos defendemos. Não há diálogo. As trocas de palavras resumem-se em ataque e defesa.
A gente procura um lugar para ficar só, pra deixar vazar essa dor que aperta aqui dentro. E choramos e soluçamos ali sozinhas no nosso cantinho. E são tantas perguntas sem respostas “onde nos perdemos?”, “será que não tem jeito de arrumar tudo de novo?”. Pensamos nas tantas brigas, tantas palavras desnecessárias foram jogadas para fora fazendo sangrar um amor, machucando um ego. E nosso choro não passa, mas à medida que avança, o choro vai nos tranqüilizando, nos lavando por dentro.
Os olhos pousam na mala e a gente busca forças para retirar nossas coisas do armário onde já não nos cabe mais. Parece que alguém enfia as mãos em nosso peito e vai arrancando pedaço por pedaço. Mas a gente permanece firme e segue.
Os dias passam, ou melhor, se arrastam. A gente sofre, come o pão que o diabo amassou. Quer sumir de tudo. Quer se esconder de todos. Se pudesse não mais falar, nem sorrir, nem acordar. Mas a gente não pode. E tem que seguir.
De repente (Tá! Nem tão de repente assim!) olhamos no espelho e sentimos aquele estalo. A mudança começa. A gente se permite viver novamente. A gente busca acreditar de novo, sorrir de novo, sonhar sonhos novos.
De coração refeito outra história aparece e a gente se vê limpa e pronta para amar. E pensamos que valeu enfrentar a dor e ser mais forte que ela.
Um dia, uma música nos faz voltar no tempo... E aí percebemos que aquele amor acabado tornou-se uma lembrança. Foi uma parte de nós. Uma lição. Um pedaço de nossa história. Foram páginas escritas de um livro chamado “Minha Vida”. Páginas que precisaram ser escritas, pois nelas nós crescemos, amadurecemos, vivemos coisas boas e ruins, mas, o mais importante de tudo é que VIVEMOS, preenchemos o tempo de nossa existência, de fato, EXISTINDO.
E assim sorrimos, enfim, certas de que histórias são pra sempre. Sem esquecer, claro, que o “Pra Sempre” sempre acaba e nós existimos além dos nossos amores.
Sejamos felizes e, quem sabe, nos vemos na estrada... Estou indo de volta pra casa (pra minha casa).






