sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Se Eu Tivesse Uma Casa No Campus...

O Texto a seguir é fantástico, um show de conhecimento, trate-se de uma obra prima, na minha humilde opinião. Foi desenvolvida pelo brilhante Julio Cesar de Oliveira, Estudante de filosofia da UFMG, que ficou em primeiro lugar no consurso Coração de Estudante. Não o conhecia, agora, faço questão de compartilhar com vocês.
Eu Fiquei fascinada pelo texto, espero que vocês gostem.

Beijos e bom final de semana!

Verônica




Se eu tivesse uma casa no Campus

Por: Júlio César de Oliveira

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Eu, que nunca fui um aluno exemplar,
Talvez fosse um estudante mais brilhante, ou, pelo menos mais feliz.
Estudaria menos e aprenderia mais,
Pois ergueria minha casa lá onde mora o conhecimento,
E então todo lugar onde estivesse seria um lugar de aprender,
Como quem brinca, como quem curte, como quem vive.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Aprenderia com a convivência, a igualdade e a diferença,
Numa sempre dinâmica e verdadeira universidade.
Aprenderia, talvez, a fazer todas as coisas que ainda só sei saber.
E saberia que saber é viver e viver é mais que conhecer,
Pois a sabedoria freqüenta a ciência, mas vive solta pela vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Daria uma festa de arromba na inauguração.
Convidaria para a farra a razão e a poesia,
A arte e a filosofia, a loucura e a lucidez.
Comeria com Platão no bandejão
E beberia na cantina com Rimbaud,
Brindaria com Voltaire nos corredores
E dançaria com Isadora pelos pátios.
Dormiria com Minerva, sonharia com a utopia e acordaria com você,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Fundaria a Sociedade dos Poetas Imortais,
Conheceria Fernando em pessoa e Moliére em persona,
Seria amigo de Quintana, vizinho de Beethoven,
Confidente dos Inconfidentes, filho de Gandhi,
Irmão do Henfil e companheiro de Che Guevara.

Se eu tivesse uma casa no Campus, ouviria os sonhos de Jung,
Os segredos de Hermes e os mistérios de Clarice.
Plantaria meus sonhos com Nietzsche
E colheria com Marx os frutos do meu trabalho.
Iria ao cinema com Charlie Chaplin e voltaria com Glauber Rocha.
Transformaria a sala de aula em sala de estar
E a sala de estar em sala de ser.
Penduraria uma lua crescente em meu quarto minguante,
Te tomaria pela mão e saltaria do telhado para o alto do Everest,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Pela torneira da banheira passaria um afluente do Amazonas
E desaguaria no inconsciente Freudiano,
Onde eu mergulharia para salvar Salvador Dali.
Soltaria pipa no gramado da reitoria,
Roubaria uma maçã no pomar de Isaaac Newton,
Cercaria de horizontes o corcel da liberdade
E estudaria a veterinária dos medos e a geografia dos desejos
Para chegar mais perto do selvagem coração da vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
De pau a pique, tijolo ou sapé
Eu seria o senhor de meu castelo e servo de minha hóspede, a esperança.
Apresentaria o Pequeno Príncipe a Maquiavel,
Mataria aula de vez em quando para ir pro ceu com Santos Dummond
E aprenderia muito com isso, pois todas as aulas que matei
Com certeza foram pro ceu.
 
Se eu tivesse uma casa no Campus,
Onde o quadrado da hipotenusa não caísse em círculo vicioso,
Duas linhas paralelas se encontrariam no infinito,
E talvez fosse mais isósceles o nosso triangulo amoroso,
Eu, você e o sentido da vida,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

E mesmo que nada disso que imagino viesse realmente a acontecer,
Se eu tivesse uma casa no Campus, ainda assim, tudo seria mais legal,
Pois eu pelo menos teria uma Casa, uma casa singela, uma casa bacana,
...Uma Casa no Campus.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ridículos E Apaixonados

(by Cinthya)

Eu namorava um rapaz e era apaixonada por ele. A gente tinha muita afinidade. Sabe aqueles relacionamentos onde você passa um bom tempo dando risada (aliás, risada não, gargalhadas)? A gente ria de tudo, inclusive de nós mesmos. A gente era 'pobre pobre' (na verdade eu continuo sendo até os dias de hoje) e jantávamos sempre hambúrguer (que ele comprava pra pagar no final do mês) e cajuína. E creiam, não tinha jantar mais romântico (porque eu acendia velas, claro).

A gente gostava das mesmas músicas, dos mesmos escritores e do mesmo gênero de filme. Todos os outros amigos queriam sair em nossa companhia, pois sempre fazíamos piada de tudo e todo mundo ria junto com a gente. Eles nos batizaram de "Idi" e "Ota"!

Passamos coisas inesquecíveis juntos, tipo dormir em baixo da mesa da cozinha. Namorar no chão do quarto e só depois perceber que a porta tinha uma brecha de quase um palmo de altura do chão (em outras palavras, quem estivesse na sala via tudo o que não devia ver). Enfim, eu gostava mesmo dele.

Mas... O nosso relacionamento foi mudando, ele foi me evitando até que um dia cheguei de surpresa numa festa na casa dele e o vi com outra garota. Procurei o chão e não encontrei. Sai de lá correndo aos prantos pelas ruas da cidade. Ele saiu correndo atrás de mim, me gritando:

- Cinthya! Cinthya! Me espera.

Até que me alcançou (eu estava correndo mesmo) e me puxou pelo braço. E eu aos prantos:

- Me solta! Se não me quer, então me deixa ir embora com a minha dor.

E todo mundo na rua assistindo a palhaçada. Eu me senti uma atriz de cinema. Joguei todo o meu sentimento na cena e ela ficou perfeita (ridícula, mas perfeita). Até o "The End" do nosso relacionamento foi engraçado. Ele acabou deixando a outra garota lá na casa e foi me acompanhar até o ponto de ônibus (a gente era pobre mesmo), contando piadas (tão sem graça) na tentativa de me fazer parar de chorar. Ele dizia:

-Ôh Thynthia, não chora! Por que você chora assim sem parar?

- Choro porque você não me quer e eu ainda gosto de você.

E chorava tudo de novo.

Nunca mais ficamos juntos como namorados. Ele foi embora para outro estado, casou e tem filho. Mas temos uma amizade boa e hoje conversamos bastante e damos muita risada do passado.

Eu respeitei a vontade dele de seguir sem mim. O toco que ele me deu foi o mais infundado que já recebi, mas até disso eu dou risada hoje.

Vale muito a pena a gente dar leveza aos fatos que nos acontecem. E, sinceramente, de quase tudo dá pra se curar... E depois, é só cair na risada (aliás, risada não,  gargalhada).

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores...



Pra não dizer que não falei das flores, também conhecida como "Caminhando e Cantando" é uma canção escrita e interpretada por Geraldo Vandré no ano de 1968. Teve sua execução proibida na época da ditadura permanecendo por anos sem poder ser tocada. A mensagem implícita nos seus versos de rimas fáceis e sua melodia em ritmo de hino facilitando a memorização caindo então nas graças do povo. O sucesso da canção foi tão grande, que passou a ser cantada nas ruas de maneira inocente, mesmo que nas entrelinhas incitasse a resistência. Não deu outra, a afronta levou os militares a proibirem-na com o pretexto de "ofensa" à instituição.

Geraldo Vandré teve na época duas coisas que faltam a muita gente hoje. Primeiro, coragem de passar uma mensagem sabendo ser proibida, porém necessária. Não se intimidou, não se curvou à repressão e desabafou. Soube expor seu ponto de vista e o deixou subentendido. Segundo, ele teve inteligência e maestria para passá-la nas entrelinhas. Sabia que não poderia exagerar e escancarar, tão pouco deveria calar-se ou deixar-se abater. De um jeito simples e discreto, se lançou, arcando com as consequências depois, mas assim o fez.

Houveram vários outros ícones da música que também tiveram canções censuradas. Corajoso tal qual o Vandré foi o Chico. "Apesar de Você" foi só mais uma na lista de proibidas. Ao todo, 32 músicas se não me engano. E não foi só Geraldo Vandré e Chico Buarque que foram os "premiados" e perseguidos, não mesmo! Foram muitos outros. (Mas isso é assunto para outro post)

Pois é, o heroísmo e a sabedoria que sobravam nesses homens à frente de seu tempo, faltam a muitos hoje. O que há é uma escassez de inteligência e atrevimento. Covardia e omissão se fazem presentes até nos gestos mais simples. Fazer vista grossa e adotar o "não é da minha conta" é tão normal. Ah, que saudade que tenho dos heróis disfarçados de homens daquela época. Tão diferentes dos covardes e omissos de hoje.

Mas, pra não dizer que não falei das flores, exponho aquela, a mais bela das flores, a que brota entre as pedras nos lugares mais inusitados, ressalto a fidelidade, a honra, a solidariedade e o senso de justiça que ainda vejo por aí. Raros, mas persitentes, diria até que são sobreviventes.

Lembrando que não existem parâmetros usados por mim para fazer tais afirmações, as faço aleatoriamente e irresponsavelmente. Falo apenas do que vejo e percebo, baseado na minha própria história e analisando as pessoas que me cercam. A sua realidade pode ser outra, e você pode ser um privilegiado(a) que vive rodeado(a) de horóis, se assim for, meus parabéns!

Verônica

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Qual A Tua Prioridade?


(by Cinthya)

Eu tinha um emprego de 08 anos em uma conceituada empresa. Confesso que já estava cansada, precisando de tempo pra mim. Eu morava na empresa, praticamente. Saia de casa muito cedo e chegava muito tarde. Muitos sábados e domingos foram trabalhados para dar conta de entregar tudo dentro do prazo. É certo, nunca perdi um prazo, mas perdi as minhas horas que poderiam ter sido usadas para mim, para o meu filho, para a minha vida. Recebi promoção, mas a insatisfação continuava.
Eu saia de casa e deixava meu filho dormindo (saia muito cedo). Algumas vezes eu ligava pra casa pedindo para minha mãe não deixá-lo dormir antes da minha chegada. Eu me sentia uma monstra. Eu vivia irritada, trancada, carregada de um estresse maldito que não me deixava ver o brilho das coisas.
Um dia as coisas chegaram num ponto que eu parei e perguntei para mim mesma: o que eu estou fazendo da minha vida? Meus dias estão passando, meu filho está sendo criança e eu não estou vendo isso. Ele só será criança uma vez na vida. Eu não o levo pra escola, eu não o pego na escola, eu não dou as refeições dele. O que eu sou dele, então? É justo para nós dois?
Foquei num objetivo. Procurei e encontrei outra oportunidade de emprego, ganhando a metade em relação a salário, mas com muito mais tempo para mim e para minha vida. Pedi desligamento da senzala e saí de lá muito mais leve.
Hoje eu levo o meu filho para a escola todos os dias. Tenho muito tempo para brincarmos, para conversamos. Hoje eu sorrio com muito mais freqüência e com muito mais freqüência eu visito amigos, eu alimento sonhos. Algumas vezes saio com o meu pequeno apenas por sair, para andar, ver gente e descobrir coisas novas que para ele são o máximo (tipo sentar na calçada e ficar vendo os carros passarem na lombada ou comer pastel na pracinha do bairro).
Muitos me taxam de louca por ter dito não a uma multinacional. Mas eu me sinto feliz por ter dito SIM a mim mesma.
PS: Continuo procurando um jeito de ter ainda mais tempo para mim! Por que daqui a pouco, a minha vida chega ao fim e eu não quero levar comigo a sensação de não ter vivido tudo o que eu podia, de não ter amado tanto quanto devia. Enfim. Eu quero levar uma história linda, cheia de amor. Eu quero levar o máximo de lembranças, deixar o mínimo de lacunas. O que me sustém é “vida” e não status.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tempo, Tempo, Tempo...


Tempo. O engolidor de pessoas... Será?

-  Gatinha, você nunca mais me ligou...
- Oi, gatinho! Pois é, é o tempo...

Ou

- Verônica, você fez o que eu te pedi?
- Não, mainha. Não deu tempo.

Mentira! Não fiz porque esqueci... E no diálogo com o gatinho, não liguei porque não me interessei e não senti vontade de ligar.

Essa desculpa de "Oh, eu ando tão sem tempo" é balela, conversa fiada, desculpa esfarrapada. Eu mesma ando mentindo pra mim, de vez em quando. Repito isso pras pessoas e na frente do espelho na vã tentativa de conseguir me enganar. Posso até enganar meu interlocutor, mas a mim eu não engano mesmo. Sempre há tempo para fazer o que se tem vontade. Há em alguns casos, raras exceções, que o tempo é definitivamente escasso, mas, repito: raras exceções. É só colocar na cabeça que quer e a gente faz.
 Quando a vontade é pouca, o tempo entra como protagonista da cena que vamos inventar para tentar convencer a outra pessoa e a nós mesmos de que aquela mentira é uma verdade.

Organizar uma agenda e se possível um cronograma diário, enumerar, relacionar de acordo com a prioridade as coisas que se tem a fazer é muito eficaz, sobretudo no trabalho. Mas na vida pessoal no cotidiano e na relação com os familiares, por mais que tentemos, não conseguimos, essa precisão. Até pra ser metódicos tem um limite a alcançar.

Então, paremos já de culpar o tempo por nossa omissão e negligência, chega dessa conversa pra boi dormir, essa não cola mais.

E pro deleite de todos, deixo uma das minhas músicas favoritas:

Agora, deixa eu correr que eu tô atrasada.

Beijos!!

Verônica


 

Oração Ao Tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Prazer Depois Do Prazer

(by Cinthya)

O tesão pinta e o sexo acontece. E aí entramos naquele processo tão conhecido por todos (e tão deliciosamente curtido por todos). Corpos procuram-se, unem-se, invadem-se. Quanto maior a cumplicidade e afinidade do casal, maior o grau de gostosura do sexo.

Daí o orgasmo chega para um... Chega para o outro... E o sexo acaba.

Epa! Epa! Para tudo! Não é nada disso!!!

Para muitos (inclusive esse é o meu caso) é justamente aí que tem início uma parte interessantíssima do ato sexual: O Depois Do Prazer! E são várias as delícias dessa hora. Sentir o pulsar dele ainda dentro da gente (aquele homem tão amado é tão nosso nesse instante!), o abraço forte, o beijo suave e demorado, o estremecer do corpo, os inúmeros beijinhos na pele (sempre tão doces!), o silêncio poético, o afagar de cabelos, o sorriso de satisfação (o corpo todo sorri), o “eu te amo” olho no olho, a sensação de gratidão pelo prazer recebido e de poder pelo prazer proporcionado.


Em poucos momentos na vida de um casal se vê tanto entrosamento. É um emaranhado no outro. Nessa hora não são corpos penetrados ou penetrando. Nessa hora são almas e áureas que se envolvem e se misturam numa atmosfera de amor que inebria nosso ser.

E tudo o que a gente quer é encostar a cabeça no peito dele e senti-lo acariciando nosso corpo, nosso rosto. Nessas horas sempre tenho a sensação de que nada nesse mundo me fará mal. Acho até que é instinto de fêmea ao se ver protegida pelo seu macho após o acasalamento.

A conversa do "após sexo" é sempre suave, sempre agradável, sempre otimista. O estresse foi descarregado, jogado fora do corpo. As angustias foram expelidas, exorcisadas. Não se pensa em trabalho, ou em obrigações. Acho que a sensação é de plenitude e gratidão.


E ali, corpos abraçados, suados e suaves, adormecem mergulhados nas delícias do depois do prazer. Aliás, “depois” nada... Na continuidade do prazer.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Eu Sou Louca Por Ele, E Daí?

(by Cinthya)

- E então, vocês estão juntos?
- Oi? Hã? Como? (rsrsrs)
- Vocês estão juntos? Estam namorando?
- A gente tá se curtindo...
- Se curtindo?
- É. Por que o espanto?
- Vocês têm um filho e ainda estão se curtindo?
- Ah! E não pode?
- Pense bem... Pense no que você está fazendo da sua vida.
- Olha, a gente tá se curtindo. Mas se um dia eu o ver com outra mulher ou ele me ver com outro homem... Aí, minha amiga. Traga as grades de cerveja, as caixas de uísque e todos os cds de B&M.
- (risos). E isso significa o que mesmo?
- ... (Silêncio. Coração aos pulos)
- Hein, isso significa o que mesmo?
- QUE EU SOU LOUCA POR ELE!

Pronto. Esse diálogo de msn entre amigas mostra uma coisa bem interessante do mundo feminino. A gente tem mania de guardar mágoas. Alguém que nos feriu no passado, que nos fez chorar um monte, por quem tomamos vários porres, que não atendeu aquela nossa ligação, que faltou ao encontro e nos deixou só a esperar. Aquele alguém que sumiu justamente na hora em que a gente mais precisava de sua presença.

Tá, o cara fez tudo isso com você e você o odeia, certo?

Errado. Ele fez tudo isso com você, mas você ainda o ama. E aí, cadê a coragem de assumir isso pra nós mesmas? Cadê a coragem de olhar pra dentro de nosso coraçãozinho ferido e dizer: Ei, não deixo ele sair daí. E a gente segue na estrada, mascarando o sentimento. Mergulhadas num orgulho bobo que nos impede de viver momentos felizes, de escrever páginas lindas no nosso Livro da Vida.

O cara vai se chegando, depois da tormenta. Vai se aproximando, tentando (quem sabe) se redimir das merdas passadas. E você vai deixando porque, afinal de contas, você tira proveito disso. Mas o coração não é santo (e Madre tereza não tem covinhas na bochecha, como disse uma amiga), e você se vê numa vingança diária, uma vingança em coisas sutis que só uma mulher ferida sabe fazer. Você assume a postura do "bate e depois assopra"... E o coração fica tonto sem saber a qual comando atender: amar ou odiar?

Tudo é uma grande confusão porque o orgulho cega a gente e é inimigo assumido da nossa felicidade. Chega uma hora em que você, percebendo-se perdida, pede ajuda de quem está de fora. E aí escuta o que a amiga tem a dizer e então enxerga como as coisas são claras. Enxerga que não é feio e nem errado você continuar amando uma pessoa que te magoou no passado. Você lembra que muitas vezes você o tem magoado no presente e que mesmo assim ele continua ali, tentando te agradar.

É verdade o que ele demonstra, o que ele sente? Você não sabe. Você só sabe o que está dentro de você. Você só sabe que esse sentimento vai crescendo, vai te sufocando até que você o assume.

E ai tudo se tranquiliza. Você decide deixar as mágoas saírem. Você permite que a chuva caia e renove seu íntimo. Afinal, a vida é sua. O amor é seu. Você sorri, e efim, sente o alívio e a delícia que é "se permitir". Você se joga nos braços dele, no amor dele, na vida dele. Olha nos seus olhos e diz: Meu Amor, eu sou louca por você!

Um brinde à vida!