sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Apanhador de Desperdícios

Final de semana é sempre muita diversão. Farra, curtição ou descanso. O mais importante é aproveitar com prazer cada hora do sagrado e merecido final de semana. E eu me divirto muito lendo. E vou tentar, sempre que possivel, dividir com vocês uma leitura que me agrade e me atinja de alguma forma.

O texto é a seguir é explêndido e me fez refletir muito. Espero que, assim como tocou em mim, toque a cada um de vocês. Beijos e ótimo final de semana.

Verônica



O Apanhador De Desperdícios
Por: Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sua Vida Precisa De Você!


(by Cinthya)
Gente e como é gostoso executar com as nossas próprias mãos as tarefas da nossa vida... Quantas vezes compramos as coisas feitas, prontas, acabadas apenas por comodismo ou pela velha justificativa de “falta de tempo”. Quantas vezes entramos na loja em busca de sonhos embalados em papel de presente, ali expostos na prateleira prontos para serem vividos. Buscamos prazer exposto na vitrine apenas esperando que a gente passe o cartão de crédito. Quantas crises de identidade, crises de relacionamento, crises emocionais (crises de toda e qualquer natureza) são “curadas” com o “Volte Sempre” pronunciado pelos operadores de caixa das lojas de roupas dos shoppings por aí afora.
A gente não tem mais paciência para nada. Não temos mais paciência para viver, não temos mais paciência para amar. Entender o outro é algo totalmente fora de cogitação, afinal o tempo corre (rápido demais). Tarefa escolar do filho? Tirar dúvidas sobre determinada matéria da escola? Aula de banca é a solução. Paga-se uma terceira pessoa para cumprir com o papel que os pais não cumprem por estarem sempre muito apressados e sem tempo para nada.
Lembro de algumas festas de aniversário que fui com o meu filho e fiquei a observar as outras famílias. Os pais vão com os filhos e levam a babá. Então ficam sentados à mesa com os amigos e as babás com as crianças no parque ou correndo pela festa. Até nisso a gente acha mais prático pagar uma pessoa para cumprir o dever de dar atenção e participar da vida de nossas crianças. Eu vou pra festinha para me divertir com o meu filho, no mundo dele e depois a gente senta, come, conversa, dança e ri muito. E isso é tão gostoso, nos aproxima tanto, dá vida à relação Mãe & Filho. Não digo que é errado ter uma babá (é bem necessário). Apenas atento para os laços que a gente não firma com os filhos porque não temos tempo para dedicar a eles, porque correr no parque cansa, porque criança chorando é chato, porque dominar as manhas deles é trabalhoso. E a gente finda pagando alguém para fazer isso por nós.
Uma professora da faculdade me fez chorar contanto que certa vez estava trabalhando e recebeu uma ligação da babá do seu filho dizendo que a criança tinha caído e se machucado e que estavam indo para o hospital. A professora saiu louca pra lá e quando chegou o médico estava terminando o atendimento. O menino chorava muito e quando o médico terminou de atendê-lo a professora foi apanhá-lo no colo e ele se esquivou e pediu o colo da babá e ficou abraçado ao pescoço da babá pedindo que ela curasse o dodói dele. A professora disse que lhe faltou o chão naquele momento e chorou o dia e a noite e depois daquele episódio ela repensou a relação com os filhos.
A gente se acostumou tanto a pagar pra ter tudo pronto que se não temos dinheiro suficiente para comprar o ‘pronto’, simplesmente não executamos o plano. Não nos passa pela cabeça comprar o que der pra comprar e fazermos nós mesmos o serviço. No ano que eu pude, encomendei uma baita festa pro meu filho. Apenas chegamos ao local e estava tudo pronto. Tudo muito bonito (o ego da mãe vai lá nas alturas... eu sei, eu sei!). No ano que não pude, comprei o material e fiz eu mesma as lembranças, os enfeites, enchi os balões, fiz os doces e creiam, nos divertimos muito mais na segunda opção. O meu filho participou de tudo, e disse pros amiguinhos: “Minha mãe fez toda a minha festinha. Minha festa ficou linda!”. Para ele, não é o glamour da ornamentação que importa. Ele enxergou "além" porque ainda é uma criança e as crianças são puras, sábias e felizes.
Confeccionar sonhos é tão prazeroso, vê-los sendo moldados pelas nossas próprias mãos e sentindo todo o nosso amor sendo depositado ali dá uma sensação de alegria, de sentido, de se sentir vivo. Vamos meter a mão na massa e moldar a nossa vida ao nosso jeito, tirando daqui, colocando ali, mas sempre participando, construindo, vivendo, enfim... Se puder unir "$" no bolso e vida bem vivida, ótimo. Se não tiver como unir os dois, vamos sendo felizes do jeito que dá. O que não podemos é fazer de nossas vidas um livro de rascunhos rabiscados às pressas (que nem a gente mesmo consegue ler depois) e contendo 'algumas muitas' páginas em branco (pelo simples fato de o autor não ter tido tempo de escrever nelas). Vamos viver de verdade, interagir com nosso destino. Isso não há cartão de crédito que pague e a nossa vida precisa, urgentemente, da nossa presença!

PS: Foto retirada do site www.olhares.com

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As Músicas Que Marcaram A Minha Vida




Hoje é quinta-feira, mas bem que podia ser sexta, né? Meu corpo cansado, agradeceria imensamente. Já que eu não tenho o poder de alterar os dias da semana eu posso modificar a maneira de vê-lo, certo? Certo! Pois é isso mesmo que eu vou fazer...

Hoje será a minha quinta-feira com gosto e jeito de sexta. E pra deixá-la perfeita vou remexer nas minhas memórias musicais e citar músicas que marcaram épocas na minha vida.

Começo pela infância, a música que marcou a minha infância foi O Menino da Porteira. Eu tô falando sério. Claro que teve a Xuxa, a Angélica, a Mara Maravilha e a Eliana. Mas a minha infância e pré-adolescência foram marcadas por Sérgio Reis, minha mãe ouvia muito (e me obrigava a ouvir) eu obviamente odiava.

Lembro de um fato engraçado que aconteceu, ela tinha comprado um CD novo na época e pediu que eu colocasse, o detalhe é que quando eu colocava os CDs no aparelho eu já o colocava pra tocar no mínimo da faixa 8 em diante, só pra acabar logo. Ela ocupada nos afazeres domésticos, muitas vezes nem percebia. Nesse dia deu zebra, ela estranhou porque O Menino da Porteira era a primeira faixa do tal álbum e quando foi conferir viu que estava na décima música. Ficou uma fera comigo e meu plano até então infalível, acabara de ir por água a baixo. Desse dia em diante eu teria de arrumar outro plano pra me livrar daquela tortura. Pois bem, não arrumei e de tanto ouvir acabei gostando. Assim também foi com o nosso saudoso Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Reclamava tanto, bradava tanto, mas acabei me apaixonando a ponto de conhecer Exú (A Terra Natal do Mestre Lula) antes mesmo da minha mãe.

Voltando ao tema...

Em 1996 ano que Renato Russo morreu, eu tinha 13 anos, foi bem nessa época que ele virou mito e lenda. Me encantei por suas músicas e "Hoje a noite não tem luar " Foi a música que me fez suspirar e me fez sonhar dormindo e acordada durante a adolescência. rs

Essas foram as épocas de maior foco. até aí foram essas duas que mais se destacaram, daí em diante uma mistura de rítimos e sons. Uma infinidade de músicas que me trazem doces recordações e fazem brotar um sorriso gostoso no canto dos lábios até hoje. De Djavan, Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia à Ira, O Rappa, Capital Inicial a lista é imensa. Claro que o Rei Roberto Carlos não poderia ficar fora, né? Acreditem, a relação de preferidas e longa, muito longa.

Não vou me aprofundar no tema, mas queria deixar aqui registrado em especial o meu apreço por Pétala e Samurai de Djavan.

E como filosofia de vida (a minha filosofia de vida em vários momentos) eu tenho essa canção. E compartilho com vocês.

Beijos e boa quinta/sexta cheia de música!

Verônica



Tocando em Frente
 Almir Sater
Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

"Palavras Ao Vento"



(by Cinthya)

Ele, com suas mãos firmes, me segurou pelos ombros e disse:
- Fale comigo!
Eu apenas me esquivei e saí.
Ele me seguiu e me encontrou sentada na varanda.
- Fale comigo!
- Amanhã eu falo. Agora preciso ficar em silêncio.
Ele não gostou da resposta. Queria que eu falasse sobre o que ele fez e me desagradou, me magoou. Queria discutir e expor as razões dele. Queria que eu defendesse os meus motivos, queria que ficássemos ali nos desgastando em palavras pesadas e desnecessárias, simplesmente jogadas ao vento. Ele estava nervoso, tenso com algum problema que eu desconhecia.
Calei.
Em outros tempos talvez eu tivesse descarregado a metralhadora de sentimentos confusos, que ferviam junto com o meu sangue. Talvez eu tivesse falado, chorado, xingado ("eu não tenho nada a ver com os seus problemas"). E assim, acionaria o gatilho da dor e deixaria vir à tona todas as mágoas passadas mesmo que nenhuma delas tivesse relação com o fato presente. E deixaria tudo sair e acertá-lo como um punhal. E depois, por mais que pedisse desculpas e por mais que ele desculpasse, as palavras continuariam existindo e, vez ou outra, acenderiam em sua mente.
Os meus 34 anos (quase 35) me fizeram perceber que muitas coisas não precisam ser ditas, que muitas discussões podem ser evitadas e que na verdade elas não resolvem nada, apenas inflamam uma situação que já é delicada.
Quando a gente se irrita a tendência é percorrer (para dentro) o caminho de toda e qualquer mágoa que tenhamos contra aquela pessoa e aí o negócio vai longe. É desarmonia que não acaba mais.
Nessas horas o silêncio se encaixa perfeito. Você, simplesmente, cala para não ferir. Cala por saber que o que tem pra dizer naquela hora não é exatamente o que poderia resolver a situação, muito pelo contrário, apenas a tornaria mais desagradável. Ter a consciência de que palavras ferem (e muito). Que palavras proferidas têm o poder de tornarem-se eternas. Sendo boas, ótimo! Sendo ruins, péssimo!
O silêncio é um dom. E é uma sabedoria exercê-lo. Para silenciar você precisa se despir do orgulho e do sentimento mais primitivo da raiva. Ao tempo em que, silenciar não significa ser omissa, não significa abafar o que se sente, ser submissa. Apenas saber a hora certa de falar, saber o que precisa, de fato, ser falado e como isso se dá. Respeitar o momento de irritação do outro (ou nosso) e esperar o vendaval passar para então, conversar.
Quando se aprende o valor do silêncio, se aprende a viver mais tempo dentro da harmonia, aprende a conhecer-se melhor e a conhecer melhor todos que nos cercam. E em nome do amor, silêncio para todos (na hora certa)!
Voltando ao início do post, ele entendeu que eu calei porque o amo. E se, naquela noite, dormimos envolvidos no silêncio, foi porque o amor ganhou mais uma!
No dia seguinte então, sentamos e conversamos calmamente sobre o ocorrido. Cada um assumiu a parcela de culpa que lhe cabia e pronto. Assunto resolvido. E sem as palavras jogadas ao vento na hora em que os nervos estavam à flor da pele.
“Apague a luz,
E sabia que te amo”
(Renato Russo)


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quando Eu Te Der Um Sorriso... Você Retribui Com Um Sorriso.


Um dia eu ouvi de um poeta anônimo que a melhor maneira pra encurtar a distância entre as pessoas é com um sorriso. Refleti muito a respeito, e não é que o danado tem razão? Na prática eu percebi a diferença.
Pois bem, quem me conhece sabe que sempre fui uma pessoa espontânea e comunicativa, logo, fazer amizades nunca foi muito difícil pra mim.
Bom, isso eu achava antes de me mudar pra Petrolina.

Levei um choque térmico quando vim, com a minha mãe, tentar a vida por aqui. Acostumada com o calor acolhedora na Bahia, onde em 15 minutos de papo você vira amiga de infância daquela pessoa que está ao seu lado no ponto de ônibus, ou, em uma viagem de uma cidade pra outra você fica sabendo da vida daquela pessoa até a terceira geração. Percebi que as coisas por aqui são bem diferentes.
Aqui as pessoas são comedidas e introspectivas. Fazer novas amizades não é uma tarefa muito fácil. Não digo que um povo é melhor que outro, ou que um estado é isso e o outro é aquilo. Falo de diferença cultural, vista claramente.

Mas o foco desse post não é a diversidade cultural do nosso país. Prometo falar em outra oportunidade.
Hoje eu quero falar da chave que abre muitas portas, o gesto que diminui qualquer distância: O sorriso. É sim, o sorriso... Ele mesmo. Aquele visto, compreendido e percebido por todos independentemente da cultura ou idioma.

Pode ser clichê, mas é correto: "gentileza gera gentileza" um gesto sutil, porém delicado, com uma demonstração singela de simpatia você pode transpor barreiras que jamais imaginou. Falo por mim que já tive experiências incríveis, apenas sendo simpática. Tive o privilégio de conhecer pessoas maravilhosas que agregaram tantas coisas boa à minha vida. É a famosa lei do retorno, você planta o bem e colhe o bem, você trata bem e é bem tratado. É como um círculo num processo de constante rotação.

A prova do que eu estou falando é o nosso baby blog. Hoje completamos exatos 93 dias de vida e já reunimos mais de 100 seguidores, temos uma média de 100 acessos diários e já conhecemos pessoas incríveis através desse canal de comunicação. Tudo que nós (Eu e minha parceirona Cinthya) fazemos aqui é com muito amor, cada detalhe é bem pensado, cada tema desenvolvido é feito com muito carinho e cuidado, para tocar o leitor de alguma forma e para agregar algum valor ou experiência à quem está lendo. Confesso, com o coração cheio de felicidade, que nosso objetivo tem sido alcançado. Os números acima, servem para confirmar as minhas afirmações. Nós percebemos que todo amor que depositamos aqui recebemos de volta e em dobro em forma de comentário, email e etc...

Experimenta passar um dia de cara amarrada e mordendo o vento pra ver o que te acontece. No mínimo vai ter um dia de vida perdido.
Se você nunca tentou, faça agora, faça hoje, se permita, dê um sorriso a um estranho, tente ser mais leve e simpático. Você vai ver que experiência incrível você terá. Eu sei que para os tímidos essa missão será um pouco mais difícil, mas não custa nada tentar.

Eu posso afirmar por experiência própria o quão gratificante é essa sensação. Agradeço a Deus todos os dias por ser uma pessoa tão abençoada. Por ter pessoas tão maravilhosas que fazem parte do meu dia-a-dia. Presente de Deus, eu sei. Mas eu sei também que essas pessoas só chegaram a mim, porque eu permiti.

Até vocês que estão por aqui todos os dias, comentando, dando ideias, deixando suas opiniões e acima de tudo, nos cobrindo com tanto carinho são muito especiais, verdadeiros presentes de Deus para essas duas ousadas metidas a escrevedoras de coisas. Nós agradecemos imensamente. E não há melhor maneira de agradecer do que nos dedicando cada dia mais e mais para merecer tanto carinho.

Por tanto, deixo muitos beijos acompanhados de sorrisos à todos.

Verônica

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"A Arte De Sorrir Cada Vez Que Mundo Diz NÃO"


(by Cinthya)

Nem sempre alcançamos o objetivo traçado. Desenhamos tudo na nossa cabeça, todos os caminhos que serão percorridos, todas as falas que serão ditas, todos os planos B, C e D para o caso de o A não dar certo. Até podemos sentir a euforia de tudo que nos acontecerá a 'ansiedade se antecipa', o corpo viaja se adianta e sofre os efeitos colaterais de uma situação de emoção (boa ou ruim).

Com o mapa da situação debaixo do braço seguimos adiante rumo ao “fazer acontecer”. Daí, apesar de nossa vontade e intenção, o plano A não funciona, o plano B vai por água abaixo, o plano C desaba ao chão e o D é levado pelo vento. A gente quer, a gente exige. O mundo não deixa. Simplesmente, nos barra.

E aí? O que fazer?

Você tem duas opções: xingar tudo e todos, se revoltar, se encher de raiva e, mais tarde sofrer com essa raiva pipocando no seu organismo (sim, porque ela vai pipocar. É questão de tempo). Passar a ver tudo cinza, não enxergar lógica no que aconteceu. Reclamar que Deus não te ama como filho, que o mundo é um poço de injustiça e, de tanto reclamar, ver as pessoas se afastando de você (ninguém merece uma pessoa que só reclama!).

A outra opção é você parar, respirar e entender (aceitando) que as coisas nem sempre acontecem como queremos, que infelizmente (ou felizmente) não temos um total controle da nossa vida e que, muitas vezes teremos que “baixar a crista” quando a Força Maior tiver planos distintos dos nossos. Entender que se não deu certo o plano A, o B, o C e o D, o alfabeto não é composto de 04 letras apenas... Se todas as demais letras também não funcionarem, ainda existirão os números e esses são infinitos.

A vida, até onde temos certeza (superficial, é claro), é uma só e por isso cada dia que passamos aqui é único, não volta. Cada dia que passa é um passo que damos ao encontro do final da jornada. E cada vez mais vamos nos limitando de determinadas coisas que podemos fazer hoje, mas daqui a alguns dias, meses ou anos não poderemos mais.

Tanta coisa pra ser vivida. Tanta gente pra ser amada. Tanto sonho pra ser sonhado e realizado. Tanto defeito pra ser trabalhado, tanta virtude para ser exaltada e você vai ficar aí de cara amarrada esperando a morte chegar?

Se olha no espelho e vê como você fica péssimo de cara amarrada. Arrisca um sorriso, coloca a música preferida e dança. Dança sozinho, pula, canta alto, se solta e solta todas essas bruxas que te condenam. Você fica mais bonito quando é feliz. Se a vida te fez de palhaço use isso como motivo para sorrir, afinal de contas, você já viu palhaço triste?

Se você se prende ao que não deu certo, finda não enxergando as infinitas portas que, a todo instante, se abrem para você

Relaxa, muda o foco, e aprende “a arte de sorrir cada vez que mundo diz não”.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Se Eu Tivesse Uma Casa No Campus...

O Texto a seguir é fantástico, um show de conhecimento, trate-se de uma obra prima, na minha humilde opinião. Foi desenvolvida pelo brilhante Julio Cesar de Oliveira, Estudante de filosofia da UFMG, que ficou em primeiro lugar no consurso Coração de Estudante. Não o conhecia, agora, faço questão de compartilhar com vocês.
Eu Fiquei fascinada pelo texto, espero que vocês gostem.

Beijos e bom final de semana!

Verônica




Se eu tivesse uma casa no Campus

Por: Júlio César de Oliveira

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Eu, que nunca fui um aluno exemplar,
Talvez fosse um estudante mais brilhante, ou, pelo menos mais feliz.
Estudaria menos e aprenderia mais,
Pois ergueria minha casa lá onde mora o conhecimento,
E então todo lugar onde estivesse seria um lugar de aprender,
Como quem brinca, como quem curte, como quem vive.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Aprenderia com a convivência, a igualdade e a diferença,
Numa sempre dinâmica e verdadeira universidade.
Aprenderia, talvez, a fazer todas as coisas que ainda só sei saber.
E saberia que saber é viver e viver é mais que conhecer,
Pois a sabedoria freqüenta a ciência, mas vive solta pela vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Daria uma festa de arromba na inauguração.
Convidaria para a farra a razão e a poesia,
A arte e a filosofia, a loucura e a lucidez.
Comeria com Platão no bandejão
E beberia na cantina com Rimbaud,
Brindaria com Voltaire nos corredores
E dançaria com Isadora pelos pátios.
Dormiria com Minerva, sonharia com a utopia e acordaria com você,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Fundaria a Sociedade dos Poetas Imortais,
Conheceria Fernando em pessoa e Moliére em persona,
Seria amigo de Quintana, vizinho de Beethoven,
Confidente dos Inconfidentes, filho de Gandhi,
Irmão do Henfil e companheiro de Che Guevara.

Se eu tivesse uma casa no Campus, ouviria os sonhos de Jung,
Os segredos de Hermes e os mistérios de Clarice.
Plantaria meus sonhos com Nietzsche
E colheria com Marx os frutos do meu trabalho.
Iria ao cinema com Charlie Chaplin e voltaria com Glauber Rocha.
Transformaria a sala de aula em sala de estar
E a sala de estar em sala de ser.
Penduraria uma lua crescente em meu quarto minguante,
Te tomaria pela mão e saltaria do telhado para o alto do Everest,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Pela torneira da banheira passaria um afluente do Amazonas
E desaguaria no inconsciente Freudiano,
Onde eu mergulharia para salvar Salvador Dali.
Soltaria pipa no gramado da reitoria,
Roubaria uma maçã no pomar de Isaaac Newton,
Cercaria de horizontes o corcel da liberdade
E estudaria a veterinária dos medos e a geografia dos desejos
Para chegar mais perto do selvagem coração da vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
De pau a pique, tijolo ou sapé
Eu seria o senhor de meu castelo e servo de minha hóspede, a esperança.
Apresentaria o Pequeno Príncipe a Maquiavel,
Mataria aula de vez em quando para ir pro ceu com Santos Dummond
E aprenderia muito com isso, pois todas as aulas que matei
Com certeza foram pro ceu.
 
Se eu tivesse uma casa no Campus,
Onde o quadrado da hipotenusa não caísse em círculo vicioso,
Duas linhas paralelas se encontrariam no infinito,
E talvez fosse mais isósceles o nosso triangulo amoroso,
Eu, você e o sentido da vida,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

E mesmo que nada disso que imagino viesse realmente a acontecer,
Se eu tivesse uma casa no Campus, ainda assim, tudo seria mais legal,
Pois eu pelo menos teria uma Casa, uma casa singela, uma casa bacana,
...Uma Casa no Campus.