(by Cinthya)
No salão de beleza:
- Cinthya, essa cor que você quer não fica legal para o seu tom de pele.
- Mas é ela que eu quero.
- Mas não vai ficar legal.
- Mas eu quero. Pode pintar.
E ela pintou. E sete dias depois eu cheguei lá novamente:
- Você poderia pintar meu cabelo novamente? De fato, eu não gostei muito dessa cor.
- Eu disse pra você que não ficaria legal.
- Mas eu queria ver e ter a certeza. Pinta logo esse cabelo.
Eu sempre ouvia dizer que quando a gente chega aos trinta, muita coisa muda na nossa cabeça, que a mulher sofre uma reviravolta e que, de longe se percebe o início de uma nova fase em sua vida. Comigo, graças a Deus não foi diferente.
Tudo bem que eu nunca fui dada à convenções, a rebeldia sempre me fez companhia e sempre tive um ponto de vista sobre o mundo que, normalmente difere do ponto de vista defendido pelas demais pessoas. Só que antes eu impunha esse meu jeito de ver as coisas e me incomodava se os outros não entendiam. Eu tinha uma característica que hoje sei não me levava a lugar nenhum, eu era radical por demais.
Chegando os trinta a minha cabeça se abriu para o mundo, abriu-se a minha mente e a alma pôde receber uma enxurrada de coisas novas e belas e eu fui descobrindo que o que eu defendo e acredito é meu. E que cada um escuta se quiser, entende se quiser, aceita se quiser.
Não, eu não tenho trinta anos. Eu tenho “quase” 35 e me considero uma mulher linda e não, eu não tenho a menor modéstia em falar isso. Engravidei aos 31 anos e fui uma grávida muito feliz, embora sozinha, assumi de peito aberto o meu estado de Mãe Solteira e esbanjei beleza e amor durante os oito meses de gestação. Tive e tenho jogo de cintura para não criar e nem alimentar raivas. Nunca cobrei nada do pai e, se hoje ele está conosco é porque quer estar.
Tenho uma linda relação com o meu filho, de parceria mesmo. Tenho a qualidade de vida como prioridade. Abri mão de um emprego que para os outros era “o emprego”, mas que para mim era um mal que me tirava do convívio com o meu filho e minha família. Amo a liberdade e não concordo com nada que me acorrente. Tenho alma livre.
Hoje, aos (ainda) 34 anos eu só namoro com alguém se, de fato, esse alguém me fizer bem. Eu só compro uma roupa se, de fato, eu gostar. Eu só vou para uma festa se, realmente, eu estiver a fim de ir.
Eu me libertei de falsos pudores, não vivo e não sou a imagem do que querem que eu seja, eu sou o que sou e pronto. Se gostar, ótimo. Se não gostar, pode ir passando. Não tenho medo de ficar só, aliás, adoro a minha companhia, adoro o meu espelho e a máquinha fotográfica também.
Me visto da forma que me agrada e não sigo tendência (Beto Binga, infarte! - risos), aliás, normalmente acho terríveis as roupas que a moda diz serem sucesso. O meu charme é moda e essa moda não muda.
Não tenho paciência para conversa mole, não gosto de gente preconceituosa, não sei puxar saco de ninguém e respeito o meu tempo. Tomo porre, se me der vontade. Danço a Xuxa se bater a nostalgia (aliás, por muito tempo eu sonhei em ser Paquita, mas tinha melanina demais para tanto!). Choro com comercial de TV e sonho com um casamento feliz (às vezes). Tenho orgulho da minha vida.
Admito com muita facilidade os meus erros, não tenho vergonha de voltar atrás. Não gosto de teimar com ninguém, afinal ninguém é obrigado a pensar como eu. Me calo para não ofender. Dou risada de mim mesma. Sou doce quando precisa e dou "coice" quando é necessário.
Enfim, hoje eu sei que sou muito feliz. Sei que felicidade não é um estado constante e que ela se apresenta em pedaços, em momentos, como se fossem retalhos. Daí eu posso afirmar que eu faço da minha história um grande e lindo mosaico e não me recordo de ter vivido uma fase tão gostosa quanto essa... E a cada ano me sinto melhor... Isso é vida!





