segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eu Me Amo!



(by Cinthya)

Então, o dia nasceu e o sol chegou para me acordar e dar o prazer de levantar da cama e curtir mais um dia! Que venha o trabalho, que venham os amigos, que venham os desafios da vida! Eu estou pronta. Aliás, prontíssima! A minha roda gigante parou em cima e estou aqui só curtindo a vida, vendo tudo do alto.
Quando me sinto assim, pouca coisa (ou quase nada) me abala. Uma força imensa me acompanha e o dom de dar leveza a tudo reina absoluto. Então essa leveza reflete na minha áurea e eu me torno uma pessoa muito melhor. O espelho me agrada, me acaricia e me puxa o saco. E eu adoooro! Qualquer roupa cai bem, qualquer maquiagem fica perfeita (e sem maquiagem também fico bem).
É muito mais gostoso viver quando me sinto assim. A minha pele fica melhor, o meu cabelo fica melhor, o meu sorriso fica mais feliz. Eu saio com os amigos e me divirto muito, danço, canto, bebo, converso, namoro. Tudo na boa, tudo na paz, sem cobranças, sem inseguranças, sem estresse. Apenas quero viver, apenas quero curtir cada dia, cada hora, cada minuto aqui. Não me preocupo com aprovações alheias, apenas quero ser eu mesma. E só. Goste quem gostar.
Essa sou eu. Essa é a minha essência. Não importa se estou em casa, se estou na festa, se estou no trabalho. Eu estou feliz e é isso que importa. Não importa se vou dormir as 04h da manhã e levantar as 05h40min para trabalhar. Não importa. Eu levanto e levanto feliz, pode ter certeza.
Com muito custo eu consegui virar páginas que me incomodavam, que interferiam na minha vida de forma negativa. Eu venci mais uma e hoje saboreio o delicioso pólen da liberdade. Dessa alma minha que sempre viveu para a liberdade. E assim eu estou hoje, graças a Deus, feliz, livre, inteira, forte.
Eu me amo. Amo mesmo. Me acho massa! Me acho arretada! Me acho caceteira (como dizem aqui no nordeste). Tenho tirado de letra os obstáculos que me aparecem. Tenho levanto depois de cada tombo. Tenho conseguido escalar os poços onde me afundo. Tenho limpado toda lama que por muitas e muitas vezes me suja. E tudo isso me faz forte, cada dia mais forte. Porque é exatamente como disse Nietzsche “Tudo aquilo que não me destrói, me fortalece!”.
E por isso eu sou quem sou. Porque nenhuma dor foi forte o bastante para me deixar caída por muito tempo. Eu levantei, sempre. E hoje sigo mais dura e mais forte, mais sábia e mais cautelosa. Não tenho medo da vida. Me jogo e vivo. Sou intensa e nada mudará isso.
Eu me amo! Ame-se também.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A arte de fazer sorrir


O poder do sorriso é impressionante. Você consegue sair do estado de mal humor para o ápice de uma gargalhada. O riso é terapêutico, refrigera a alma e desopila a mente cansada. Rubem Braga, meu cronista favorito fala do poder do riso. Como compartilho da mesma opinião que ele, vou dividir um texto lindo com vocês. A dica do dia é: Sorria!

Verônica


Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

Rubem Braga

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sofrimento




Noites insone. Dores físicas pelo corpo. Lágrimas.

É isso que você provoca em mim. Um sofrimento leve, superficial, contínuo, chato e incomodativo. Queria tanto me livrar de você e dessa instabilidade que você me traz.

Não é a primeira vez que sinto isso por sua causa. Não é a primeira vez que passo um dia improdutivo no trabalho, pensando e remoendo a dor que estou sentindo. E certamente não será a última.

A indisposição é mais forte que a minha vontade de trabalhar, ler, estudar, estar com meus amigo... Enfim.

Quando você chega a tristeza se estabelece. Você me desconcerta. Não consigo me concentrar. Não consigo formar um raciocínio lógico. Não consigo ponderar.

Chorar não é a minha praia, mas não há forma melhor de desabafar. Chega uma hora que eu não aguento o tranco. Ser forte cansa.

A noite que passei insone me custará a produção no trabalho, mas o desassossego que se estabeleceu não me permitiu um sono tranquilo. Não foi porque eu quis...

Eu já procurei até ajuda especializada, mas a saída que o médico me mostrou não me pareceu eficaz. Desisti.

Fica estampado na minha cara quando eu não estou bem.  Fica escrito no meu olhar. Todos percebem e afirmam que tristeza não combina comigo, mas eu não consigo evitar. Não consigo disfarçar.

Eu vou tomar uma providência, vou fazer o que for preciso para me livrar de você. Não vou mais ficar alimentando sofrimento. Não faz meu estilo. Não vou ficar nessa.

Decidi que depois de tanto tempo de sofrimento chegou a hora de fazer algo por mim. Afinal, a responsabilidade de cuidar de mim é minha e de mais ninguém.

Não pedi para ter você em minha vida e não vou aceitar isso passivamente.

Vou me livrar de você, cólica maldita!!!

Verônica

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Velhos Amigos


(by Cinthya)

O texto hoje é de Martha Medeiros e fala sobre a multiplicidade cultural que as amizades podem trazer. Abram-se para o novo.


VELHOS AMIGOS, NOVOS AMIGOS

Quem é seu melhor amigo(a)? Deixe ver se adivinho: estuda na mesma escola ou cursinho, tem a mesma idade (talvez um ano a mais ou a menos), freqüenta o mesmo clube ou a mesma praia.
Se errei, foi por pouco. Não é vidência: minha melhor amiga também foi minha colega tanto na escola quanto na faculdade e nascemos no mesmo ano. São amizades extremamente salutares, pois podemos dividir com eles angústias e alegrias próprias do momento que se está vivendo. Mas fique esperto. Fechar a porta para pessoas diferentes de você é sinal de inteligência precária.
Durante a adolescência, é vital repartir nossas experiências com pessoas que pensem como nós e que tenham o mesmo pique: é importante sentir-se incluído num grupo, de pertencer a uma turma. Perde-se, no entanto, o convívio com pessoas de outras idades e de outros "planetas", que muito poderiam lapidar a nossa visão de mundo.
Entre iguais, tudo é igual. A vida ganha movimento é na diferença. Se você é rato de biblioteca, iria se divertir ouvindo as histórias contadas por um alpinista experiente.
Se você tem muita grana, ficaria surpreso em saber como dá duro o cara que trabalha de dia para poder estudar à noite e o quanto ele precisa economizar para tomar dois chopes no sábado. Se você curte música, seria bacana conversar com quem curte teatro.
Se você é derrotista, seria uma boa bater um papo com quem já sofreu de verdade.
Você, que se acha uma velha aos 27 anos, iria se divertir muito com os relatos de uma cinqüentona irada. E você, beirando os 60, se surpreenderia com a maturidade de um garoto de 18.
Para os de meia-idade, nada melhor do que ter amigos nos dois extremos: da garotada que lhe arrasta para dançar até aqueles que estão numa marcha mais lenta, que já viveram de tudo e de tudo podem falar.
A cabeça da gente comporta rafting e música lírica, videoclipes e dança flamenca, ficar com alguém por uma noite e ficar para sempre.
É importante cultivar afinidades, mas as desafinações ensinam bastante. No mínimo, nos fazem dar boas risadas.
Vale amizade com executivo e com office-boy, com solteiros e casados, meninas e mulheraços, gente que torce para outro time e vota em outro partido.
Vale sempre que houver troca. Vale inclusive pai e mãe.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Silêncio




Quando não sabemos, ao certo o que dizer, a melhor escolha é o silêncio.

O silêncio é bom, faz a outra pessoa refletir, nos concede o benefício da dúvida e muitas vezes, fala mais que uma enxurrada de palavras.

Calar, ao invés de falar, é mais sábio, demonstra respeito e uma alta dose de alto-controle.

Ao invés de usar as palavras a seu favor e correr o risco de o feitiço virar contra o feiticeiro, é mais adequado ponderar, refletir e silênciar.

O silêncio é infalível, sempre passa a mensagem que queremos.

Desabafar na hora da raiva ou da dor é perigoso, uma palavra dita, tal qual uma pedra lançada não volta atrás e as vezes causa danos irreparáveis.

Estou pondo em prática a sabedoria do silêncio. Desabafo de outro modo, chorando, rindo, lendo, conversando... Dependendo do caso, até um grito forte serve para desopilar.

Depois que a raiva passa, depois que a mágoa passa, depois que a dor passa, depois que a tristeza passa as palavras se tornam desnecessárias.

Uma coisa eu aprendi: Em alguns casos, silenciar é melhor que falar!

Façamos silêncio então...

Verônica

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Importante É Ser Feliz




(by Cinthya)

Eu poderia estar cheia de olheiras, morta de cansada, com a cabeça doendo, os pés doendo, enfim, todas as características de quem brincou o melhor São João do mundo com uma energia inesgotável de quem ama essa festa maravilhosa, dessa região maravilhosa, desse povo maravilhoso.
Então, as olheiras os meus cosméticos resolveram. O cansaço eu nem sinto porque a euforia e a sensação de satisfação superam qualquer coisa que não seja bom, que não seja feliz, que não seja festivo.  Pele renovada, cabelo mais bonito, sorriso de canto a canto, muito papo pra ser colocado em dia, as resenhas, as paqueras... Ligar para as amigas e contar tudo e saber tudo delas também. É muito bom.
É muito ir para uma festa, com amigos, com família. Se divertir, dançar, beber, cantar, dar muita risada. Tudo isso sem fazer mal pra ninguém, sem prejudicar ninguém, sem fazer uso de nenhuma substância química que me leve ao nirvana. Agradeço a Deus todos os dias por não precisar de droga para me divertir, para me sentir nas alturas, para me sentir viva.
Eu gosto da vida. Gosto de viver a vida. Gosto do que preenche minha alma com boas sensações. Sair com os amigos para se divertir é uma dessas coisas. As pessoas gostam da minha companhia porque sabem que ao meu lado ninguém fica triste, sabem que eu pulo, danço, canto e não tenho problema nenhum em pagar mico sendo feliz.
O gostoso da vida é isso! O gostoso da vida é você se permitir ser leve, ser feliz, ser você mesma sem precisar de máscaras, sem precisar inventar uma personagem apenas para agrado alheio. Não! O bom da vida é sermos quem somos, mudando apenas quando nos convier mudar, tirando o peso, deixando a leveza de quem  tem um único objetivo na vida: ser feliz!
Eu sou leve, eu sou divertida, eu sou querida, eu sou amiga, eu sou amada, eu sou mãe, eu tenho um emprego, eu tenho inteligência, eu tenho saúde, eu tenho amigos e uma família linda, eu sou feliz! Sou grata e sinceramente, não dá para sustentar em mim outra coisa que não seja uma felicidade cristalina como essa que está aqui hoje. Uma felicidade simples, sem complicações, sem explicações, apenas felicidade. Leve, sutil e deliciosa.
O São João acabou, que pena! Mas deixou em mim um mar de coisas boas, sorrisos e mais sorrisos, lembranças e mais lembranças, histórias e mais histórias, músicas e mais músicas. Que saudade que eu já sinto! Que saudade! Os visitantes partindo e levando na bagagem as melhores lembranças, nossa cidade aos poucos vai retomando a sua rotina, mas o povo está diferente. Tem um brilho diferente no ar. Indiferente de ter sido (ou não) uma jogada política, a festa que oferecemos esse ano foi de dar orgulho mesmo. Que se repita sempre, pois o retorno é imensurável.
E para sempre: Viva São João!

sábado, 30 de junho de 2012

Amor à distância...



Já tinha decidido não escrever hoje. Não me encontro nos meus melhores dias, cabeça não está boa, coração não está tranquilo e compartilhar angústia não é o meu forte. Decidi então ouvir uma boa música, para acalmar a alma. Coloquei Alceu Valença pra tocar e Alceu citou Rubem Braga que me fez recordar de um texto que amo. Aliás, eu amo Rubem Braga. Já falei aqui, já até compartilhei um texto dele. Esse texto que compartilho hoje fala sobre amor à distância. Rubem aconselha a não amar à distância. A mensagem que eu captei dessas belas linhas é que o amor à distância não é bom, as vezes moramos na mesma cidade que a pessoa amada, pode ser até na mesma casa, no mesmo bairro. Enfim, você pode estar ao lado da pesso, mas ama à distância. Parece que um oceano os afasta. Uma barreira os impede de se aproximarem. Uma multidão os separa. Pode ser um oceano de dúvidas. Uma barreiras de hábitos, uma multidão de pessoas que nada agregam, só afastam. Enfim, que possamos compreender que a questão "distância" está muito além da geografia.

A seguir, o texto!

Bom final de semana!

Verônica



Não ameis à distância

Em uma cidade há um milhão e meio de pessoas, em outra há outros milhões; e as cidades são tão longe uma da outra que nesta é verão quando naquela é inverno. Em cada uma dessas cidades há uma pessoa, e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor a distância?
Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita? A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu a semana passada... e as semanas passam de maneira assustadora os domingos se precipitam mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando - "outra semana!" e as quartas já tem um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto...
Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muitas vez ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência - e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direis que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las!
Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria pessoa amada mesma, o seu vero cabelo, e o vero pêlo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui - e isso não há.
Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor à distância.
Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos...
Não ameis à distância, não ameis, não ameis!

Rubem Braga