sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cadê o Pai?



(by Cinthya)

Hoje em dia a gente não precisa andar muito para se esbarrar numa mãe solteira a criar seu filho, seja por opção, seja por deslize, seja por cafajestagem, não importa o motivo, muitas são as mulheres que metem a cara no dia-a-dia e dão sangue para fazer de seus filhos pessoas de bem.
Comigo não é diferente. Conheço à fundo a maternidade solo e sei como ninguém o que é criar um filho sem a presença do pai. Muitas e muitas vezes eu me sinto esgotada porque tenho que fazer os dois papéis, o do pai que impõe, que regra, que diz em bom e alto tom o que é certo e o que é errado e o da mãe amorosa que abraça carinhosamente e ensina pelas leis do amor e da ternura.
Eu reclamo com o meu filho de forma séria e eu mesmo sinto doer no peito a dor que toda mãe sente quando vê alguém arrancar lágrimas de seu filho, seja por qual motivo for. Se a festa é do Dia das Mães, lá estou eu a chorar de emoção com meu rapazinho cantando pra mim. Se a festa é do Dia dos Pais lá vou eu chorar também em meio aos pais “normais”. E assim vamos levando nossas vidas.
A figura do pai na vida do meu filho é apenas ilustrativa, um telefonema, uma fotografia, encontros mensais. No dia-a-dia o pai sou eu. Quem constrói os degraus da moral do meu filho sou eu e quem fiscaliza para ver se ele está subindo direito a escada da evolução, também sou eu. Se ele cair e se machucar, quem vai cuidar do seu machucado sou eu e, depois de sarado, quem vai dar a velha lição de moral nele também sou eu.
Então eu trago em mim a rigidez moral que um pai tem que ter e amorosidade que é nata das mães. E uma coisa que foi difícil no início foi justamente saber controlar o coração materno quando a praticidade e rigidez paternas precisaram tomar a cena, quando o NÃO precisou ser a palavra da vez, quando precisei ser enérgica e, por que não, vestir a “insensibilidade” masculina. Foi difícil conciliar isso dentro de mim, mas aprendi. Se é para impor, eu imponho. Se é para cobrar, eu cobro. Se é para abraçar, eu abraço. E nessa dança da vida eu vou alternando os papéis na busca incansável de entregar ao mundo o melhor que eu puder fazer: Um Homem De Bem!
E eu vou inovando em mais esse assunto na minha vida. Diferente do dito “normal” eu vou seguindo em frente e fazendo a diferença com as armas que eu tenho em mãos: Amor, Moral, Dignidade, Boa Vontade e a certeza de que vencerei m ais essa. Certeza de que eu tenho capacidade de fazer bem feito, que eu estou no caminho certo na criação do meu filho, até porque não existem cartilhas, a base é e sempre será o equilíbrio.
Então todas as felicitações do Dia dos Pais serão merecidamente minhas. Em vez de cuecas para presente, compra-se uma lingerie, afinal de contas, além do papel de pai e da missão de mãe, eu sou Mulher! Uma mulher inteligente o bastante para saber que a vida não para, que o tempo me espera para fazer acontecer.
Feliz Dia dos Pais para todas as mães solteiras que, com maestria, assumem os dois papéis.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Limites



Nos dias atuais está cada vez mais difícil educar uma criança. A rotina super corrida, a jornada dupla, as vezes até tripla impossibilitam os pais de acompanhar a educação e orientação dos seus filhos, acabam tranferindo a responsabilidade para os professores, babás e as vezes até algum parente próximo...

Muitos se tornam pai e mãe sem querer, por um "acidente" de percurso e a falta de experiência é atribuída ao fato de não estarem preparados. Como se houvesseum curso que ensinasse a ser pai ou mãe. Alguns buscam desesperadamente uma fórmula ou um programa que possam ajudá-los nessa tarefa nada fácil, outros nem se dão conta de que precisam de ajuda. Frequentemente tenho me deparado com situações no mínimo embaraçosas, onde os filhos dominam totalmente os pais e fazem exatamente o que querem. Pais que não orientam, não ensinam, não impõe regras e limites. Não ensinam o que é se ter obediência e respeito aos mais velhos. 

Crianças que crescem sob a condecendência e permissividade dos pais. Pais que permitem coisas absurdas por não quereren contrariar o filho ou só para não ouvir o choro insitente e melindroso da criança. Não foram poucas vezes que eu senti vergonha alheia, por ver crianças dominando a situação e botando pra quebrar nos pais. Esses, reclusos à inércia e à omissão, assistem e aceitam passivamente o chilique dos filhos sem o menor remorso. Nem imaginam que a conta vem depois. Sempre vem.

Criança que cresce achando que pode tudo, quando se tornar adulto vai fazer o que lher der na telha. Não terá discernimento para julgar certo e errado, mesmo que tenha não usará, a arte de ponderar não fará parte da sua vida e não se enquadrará as leis e às normas impostas pela sociedade. Valores que não aprenderam na infância, não levarão para a vida adulta, óbvio! Vivemos uma realidade onde os valores morais estão em declínio, há uma distorção nesses valores. É necessario que se tenha muito cuidado ao educar uma criança.

Aí os mais questionadores podem indagar "Que embasamento você tem para discorrer sobre esse assunto se não é mãe?" E pacientemente eu respondo: Não precisa ser mãe para saber o que está certo e errado. Não precisa ser mãe para ter a sensibilidade de notar que algo não está dando certo ao nosso redor. Não precisa ser mãe para ter valores morais e éticos aprendidos ainda na infância.

Dando toda a orientação ao filho, mostrando a ele o caminho que leve ao certo ou ao errado, ensinando pra ele que devemos respeitar as pessoas e às suas diferenças, deixando claro que não pode pegar o lápis do coleguinha sem que esse permita, sendo firme ao dar um não, impondo regras e limites... Fazendo todas essas coisas, não temos garantias de que ao crescer ele se tornará um cidadão de bem, imagina se não o fizermos?

Verônica

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sem Garantias




(by Cinthya)

O amor é, sem dúvidas, um dos sentimentos mais poderosos que já vi, ouvi, senti. Não existe exatidão de nada. Não adianta buscar uma certeza concreta e indissolúvel quando o campo é o amor. Não é aconselhável vasculhar tudo à procura de coisas estáticas, imutáveis e que não possam se transformar.
A gente entra num relacionamento, aceita o outro e assume junto com ele o compromisso de construir algo, uma história, uma vida. Entramos com a cara, a coragem, o amor e mais nada. Nada de certeza de que dali há uma semana ainda seremos um casal. Nada de exatidão quanto a durabilidade da relação, do amor, da vontade de ficar lado a lado.
Ninguém pode garantir que os sentimentos se congelem e permaneçam como estão, sem arranhões, sem machucados, sem lágrimas. Nada e nem ninguém pode nos confirmar que as coisas não mudarão. Que o arco-íris não perderá a cor, que o inverno frio não vá chegar trazendo junto dele tempestades com ventos fortes.
Ninguém pode me dar um documento assinado com firma reconhecida em cartório, informando que me é garantido que jamais irei acordar numa certa manhã, olhar para o lado e ver que não é mais naquele leito que meu coração quer repousar, que não me encontro mais naqueles olhos ou que aquele abraço não mais me aquece.
Não existe a certeza de que o desejo vá permanecer aceso por toda a vida, de que a vontade de andar de mãos dadas na beira da praia traga o rosto dele agregado a si, de que os planos e sonhos e loucuras compartilhados continuem tendo validade, vigor e vontade de acontecer. Que a parceria se perpetue e a química não se desfaça. Não. Não busque essa certeza.
Ou você ousa e se joga, se permitindo viver o que der pra viver, o que for possível viver, ou você se encolhe num canto e deixa as oportunidades passarem enquanto você permanece no seu campo seguro. A escolha é sua: ou se vive o improvável e incerto e assim enche a vida de cores, histórias e amores, ou se permanece presa nas grades de uma certeza que, por muitas vezes, pode parecer acinzentada e sem vida.
Se tiver coragem, se joga, vive, cresce, ama. Mas, jamais espere do amor o que ele não pode dar. O amor não tem garantias.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Abundância de Escassez



A vida dele, olhando assim de longe, parece perfeita. Aos olhos dos desavisados chega a ser a vida que todo homem pediu aos céus.

Ele ostenta um padrão de vida elevado, cercado por belas mulheres e vários amigos, é inteligente, descolado e divertido. Frequenta os melhores lugares e está presente em todas as festas. É a imagem perfeita do homem conteporâneo.

Coleciona histórias de amor com pessoas sem rosto, extrai e doa altas doses de prazer a mulheres que dias depois sequer lembra-se do nome. Beija bocas de mulheres que são incapazes de pronunciar uma palavra que o faça sentir melhor. Ele é extenso e raso como um rio assoreado que está com seus dias de existência contados.

Há quem diga que ele é frio, superficial e egoísta não gosta de ninguém a não ser dele mesmo, eu acho que ele é vítima das próprias escolhas. Possui um coração desabitado e despreparado para o amor, seus sentimentos mais sinceros e profundos caíram em desuso.

Vestiu a fantasia de homem insensível e vive encenando uma peça criada por ele mesmo no teatro da existência. A rotatividade sob seus lençóis é inversamente proporcional ao número de pessoas que conseguem alcançar seu coração.

As horas de diversão ao lado de pessoas que mal sabem a sua história ou seus gostos são apagadas pelas horas de tristeza, solidão e vazio que sente ao chegar em casa e se dar conta da sua real situação.

Ele é sozinho em meio a multidão. Vive permanentemente em um excesso de falta. Rodeado e espremido por um infindável vazio.

Verônica

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um tempo Para O Amor



(by Cinthya)
Há poucos dias eu falei aqui no Divã sobre o caso de uma aluna minha que sofria por não ter do pai a atenção que gostaria, por ter recebido em toda sua vida apenas um único abraço dele e que nesse dia ficou tão emocionada que sentiu seu coração pequeno pra tanta emoção. E é isso mesmo o que acontece. A gente convive com as pessoas que nos cercam, que moram em nossos corações, que amamos, mas... Que muitas e muitas vezes esquecemo-nos de falar, de expressar, de dizer o que sentimos.
Amamos em silêncio e acreditamos que o simples fato de amarmos é o suficiente para a pessoa sentir-se bem, querida, protegida. Acreditamos que, embora venhamos a dar atenção a outras coisas, as pessoas que amamos saberão o tamanho de sua importância em nossas vidas. E nisso o tempo vai passando. Outros assuntos vão se infiltrando entre nós e as pessoas que amamos. Assuntos urgentes, prioritários e que acabam por tomar todo o nosso tempo e nossa atenção. Mas nos nossos corações estão vivos aqueles que amamos. Embora não o vejamos, não tenhamos tempo para eles, não tenhamos o hábito de falar sobre esse amor.
A gente chega em casa tão exausto e sugado pelos assuntos prioritários do trabalho e da correria da vida externa que acabamos por sabotar mais uma vez a chance de darmos afeto a quem de fato merece e carece. E nesse ciclo, os dias vão passando apressados e levando com a mesma pressa todas as chances que tínhamos para declarar nosso amor. O silêncio se torna rotina. Até que, a vida dá o golpe fatal e nos tira a chance de rever o que realmente tem importância, o que de fato, tem peso e consistência no nosso caminho.
E depois da partida, deve ser imenso o desespero por não termos dito o “eu te amo” que sentimos. Por não termos dado o abraço que tanto foi desejado, o beijo no rosto que muitas e muitas vezes passou em branco e ficou no desejo apenas. Depois da partida perceberemos que nem a despedida foi possível e o choro e ador, certamente, tomarão proporções imensas. E nos tornaremos vítimas de nossas escolhas.
Abrace quem você ama. Beije quem você ama. Diga “Eu Te Amo” a quem você ama. Não há correria nesse mundo que mereça mais atenção do que as pessoas que Deus lhes deu de presente para proteger, cuidar, amar. Não há nada maior do que o elo familiar, do que a importância de quem nos quer bem, apenas por sermos quem somos e como somos.
A vida é uma caixinha de surpresas e essas surpresas nem sempre são agradáveis, mas trazem sempre com elas algum aprendizado. Então, antes que a vida lhe faça aprender com a dor, saia de casa somente depois de abraçar, beijar e dizer “eu te amo”. Dessa forma, pode ter a mais absoluta certeza, o seu dia vai começar muito melhor. E você vai fazer o dia do outro ter um melhor início também.
No final das contas o que levamos conosco é apenas o que somos e o que temos dentro de nós. Então, por que não nos emprenharmos e ter mais tempo para o amor, e assim, juntarmos tesouros interiores?

sábado, 4 de agosto de 2012

Ter Fé




Ter fé não é uma tarefa fácil, num mundo cético onde as pessoas acreditam apenas no que vêm, não é fácil crer no invisível, no sobre natural.

Mas, para quem tem fé o Autor da existência, tem recompensas incríveis.

Vou relatar um fato que aconteceu na minha casa.

Há uns meses atrás, minha mãe sofreu um pequeno acidente doméstico, ela caiu numa calçada e machucou o joelho. Tratou com alguns paliativos, mas esse joelho continuou doendo. Com a idade avançada, quase 65 anos, o excesso de peso e a falta de atividade física eram apenas alguns dos muitos agravantes, a dor não passou. De umas semanas pra cá as dores só pioravam, a ponto de fazê-la andar puxando a perna. Foi então que ela resolveu procurar um ortopedista. Na consulta, com os exames preliminares e com sua vasta experiência o médico detectou lesão no menisco, pediu uma ressonância só para ter noção da dimensão da lesão. Mainha fez a ressonância, e numa consulta ontem levou pro médico avaliar e quando ele olhou as "fotos" e o laudo ficou surpreso. Com surpresa ele falou:
- Dona Antônia, aqui no laudo consta que a parte lesionada do seu menisco foi amputada num processo natural do organismo, é como se a senhora tivesse sido operada, fizeram o que ia fazer, não há mais nada a ser feito no seu joelho não.

Com um sorriso no rosto mainha respondeu:
- Doutor, eu fui operada. Jesus Cristo me curou! Eu orei muito e pedi a DEUS que me curasse, que operasse esse milagre em minha vida e Ele me atendeu.

O médico sorriu e assentiu.

E mainha saiu do consultório feliz da vida e liberada pelo médico para fazer caminhadas e hidro ginástica!

Estávamos tão apreensivos! Por mais simples que seja, uma cirurgia requer uma dose extra de cuidado, quando se trata de uma paciente já idosa então... A felicidade foi geral lá em casa, claro! Não podia ser diferente! Ver o poder de DEUS se manifestar em nossas vidas é uma graça e tanto!

Isso se chama FÉ. Ou você tem, ou você não tem!

Independente da orientação religiosa que você tenha, independente da religião que siga, acredite que há uma Força maior que pode mais que nós. Que cura nossas feridas e resolve nossos problemas. A fé move montanhas!

Obrigada, Senhor!!!

Verônica


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Convite



(by Cinthya)

Então deixa eu te explicar uma coisa, a vida é linda e jamais perdeu o brilho. Ela continua intensa da mesma forma que era quando você gozava os anos de sua juventude. A vida não mudou, pode acreditar em mim. Se algo está diferente é o que está dentro de você e não o que está ao seu redor. Talvez a sua forma de agir e reagir ao que lhe acontece tenha feito você sofrermodificações, talvez você tenha se endurecido diante de algumas tribulações, talvez você tenha se frustrado com alguns fracassos sofridos. Mas a vida em si, continua a pulsar da mesma forma e com a mesma intensidade.
Talvez você tenha acumulado tantas funções, tanto trabalho, galgado montanhas tão altas que agora não consegue se livrar da agenda e simplesmente se jogar no mar, sem que seja preciso um planejamento de meses de antecedência. Talvez você tenha se doado demais ao trabalho e tenha se esquecido dos amigos. Talvez as reuniões de negócio tenham lhe tomado todo o tempo que antes você dedicava à família, mas que agora, não existe mais (não?).
O trabalho traz o dinheiro e o dinheiro traz a vontade de ter mais dinheiro e é bom ter dinheiro. Quanto mais se trabalha, mais dinheiro se acumula. E então, a gente procura o tempo para curtir o que essa grana toda pode nos proporcionar e .... Não encontramos esse tempo, porque continuamos trabalhando para ganhar mais e mais dinheiro que nunca usaremos como deveríamos. Esse é um ciclo vicioso e viciante.
A proposta é que você reflita sobre o que te acontece, o que te cerca, o que tem te deixado tão vulnerável, o que tem te levado a precisar de medicamentos para manter um equilíbrio e domínio sobre você mesmo. Por que não voltar a ser irresponsável de vez em quando? Sair sem hora pra voltar e sem lugar certo para ir. Apenas sair, caminhar, conversar, dar risada. Ficar na companhia de alguém eu te faz bemsem precisar ter um cronograma montado para esse encontro.
Sair de noite pra tomar suco (já que os remédios não te deixam beber) e comer pastel de queijo, ou comer pipoca, sentados na praça do coreto, jogando conversa fora, sem olhar para o relógio, sem pensar no que tem que ser feito amanhã, nas reuniões ou viagens inadiáveis. Apenas viver o momento, percebendo como é gostoso sentir a brisa tocar o rosto, emaranhar os cabelos.
Falar, falar e falar reviver coisas que ficaram guardadas no passado, mas que fazem bem pra alma sempre que são relembradas. Momentos importantes, pessoas importantes, aventuras da mocidade. Falar de um tempo onde você viva uma plenitude que se perdeu, uma liberdade que se esvaiu, escorrendo entre seus dedos. Dos amigos que dividiram com você momentos de uma juventude bem vivida onde a falta de dinheiro não significava falta de vida, de alegria e diversão.
O convite é para que você dê leveza aos fatos, atenção a quem te cerca. Que você se presenteie com um mergulho no mar, que você aprenda a esvaziar a cabeça que vive cheia de problemas e volte a sorrir com vontade, a gargalhar com a alma. Que você trabalhe quando estiver no trabalho e, fora dele, que você viva pra você. Que você volte a priorizar o que te faz bem e sinta a paz retornando ao seu íntimo.
O convite é para que você se permita ser feliz.