sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ela Se Acha



(by Cinthya)

É. Definitivamente não tem pra ninguém. Quando ela chega os holofotes se voltam para ela. Quase que automaticamente ela atrai os olhares, as pessoas, os interesses. Ela tem uma sabedoria de vida adquirida durante anos de observação e vivência. Ela aprendeu, com a vida, a ouvir, a calar, a respeitar sempre a opinião do outro, ainda que essa opinião se choque com a sua. E com isso as pessoas acabam por gostar de sua presença.
Ela foge de julgamentos e busca entender sempre os motivos que levam as pessoas a tomarem determinado rumo na vida. Ela mede suas ações por saber que as reações são certeiras e rápidas. Ela sabe o que não quer pra si e evita, com todo seu empenho. Não costuma fugir da responsabilidade. Não costuma reclamar muito do que não tem. Prefere agradecer pelo que recebeu.
Ela é do bem. Tem seu estilo próprio, tem personalidade marcante, tem uma autoestima nas alturas. Ela é alto astral, é intensa, é inteira. Ela é destemida, é resolvida e tira leite de pedra. Quando quer algo, corre atrás, vai onde tiver que ir, mas consegue. Quando ela acredita em algo, vai até o fim para que seu desejo se concretize. Ela é força.
Espontânea, ela adora deixar os homens sem jeito. Dona da situação, ela não se intimida, mete a cara e faz acontecer. Se ela quiser, vai atrás. Se não quiser, a vaca pode tossir que ela não cede. Se a festa está boa ela dança e bebe, se a festa está ruim, ela bebe e dança, e acaba descobrindo que não existe festa ruim que não possa ficar boa.
Ela é mais ela em qualquer situação e mesmo assim, ela não passa por cima de ninguém. Honesta com os seus valores, fiel aos que lhe cercam, ela encanta pela sua verdade. Não gosta de brigas, de desunião, de descaso. Não admite que lhe pisem nos calos. Ela simplesmente não permanece na situação, se não estiver se sentindo bem. Não admite viver de aparências. Escolheu viver para si e não para ser o que os outros esperam que ela seja. Narciso perderia o espelho para ela. Ela vive em lua-de-mel consigo. 
Não prende ninguém em gaiolas e, com a mesma verdade, não se permite ser presa. Alma livre, ela voa alto. Fica enquanto se sentir bem, depois busca novos ares. Ela gosta de equilíbrio, mas sempre consegue desestruturar as bases alheias. Ela mescla enigma e clareza numa mistura quase que enlouquecedora. Ela seduz.
Em verdade, ela escolheu ser feliz. E é.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vive la liberté!



Era uma tarde quente de setembro, eles estavam num campo, o que mais parecia um imenso jardim... O sol acariciava a pele de ambos. Eles eram só sorrisos. O amor que emanava deles era lindo e uma delicia de sentir.

Foi então que ela ouviu um barulho na porta que lhe despertou do seu devaneio, estava lembrando dos momentos bons que tinham vivido juntos. Ela estava deitada, fitando o teto, as persianas do quarto estavam fechadas e ela não sabia se ainda era dia, ou se já era noite. Não sabia se tinha dormido, ou se esteve o tempo inteiro acordada. Ela estava numa espécie de transe.


Olhou em volta, sem se levantar, e percebeu o ambiente estava vazio. Ele foi embora. O perfume dele ainda estava no ar e o chaveiro pendurado na porta ainda balançava. Ele se foi há pouco tempo. Sentiu uma coisa estranha dentro dela, um aperto na barriga. É agora que eu vou chorar - Ela pensou. Segundos depois percebeu que era a barriga que roncava. Um protesto por várias e várias horas sem receber alimento. Que estranho, eu não sinto a mínima vontade de chorar - constatou com espanto.

Levantou cambaleando e se dirigiu à cozinha, durante o breve trajeto foi imaginando o que queria comer. Um hambúrguer!! Um sorriso travesso brotou em seus lábios. Então se lembrou que não tinha carne de hambúrguer em casa. Talvez um miojo? Não tem miojo também! Sua frustração era visível. Pro inferno com a dieta! Vou pedir uma pizza. Se movimentou graciosa e desesperadamente até o telefone. Pedido feito. Missão cumprida. Agora é só esperar.

Depois do pedido feito, decidiu tomar um banho. Já no banheiro, percebeu que ele havia esquecido uma camiseta. Ainda estava molhada de suor consequência do treino recente. Ela sentiu uma vontade incontrolável de agarrar-se àquela pequena peça que tanto lembrava ele. Segurou a camiseta com as duas mãos e inspirou profundamente. Um cheiro forte e cortante de suor e saudade invadiu suas narinas e imediatamente se arrependeu de ter feito. Arremessou a camisa depressa no cesto de lixo.

No box, tirou a calcinha. Lavou-a com sabonete e a pendurou no chuveiro. Ele morreria se visse - o pensamento lhe ocorreu de imediato. Tomou um demorado e relaxante banho. Oh, droga! Esqueci a toalha. Foi do banheiro ao quarto deixando um rastro de água por onde passava. Ele também enlouqueceria ao me ver fazer isso. Foi então que ela percebeu o quão neurótico, obsessivo por poder e controlador ele era. Decidiu que faria tudo ao contrário. Só pra sacanear.

Vestiu sua calça de moletom e uma camisa folgada que estava esquecida no armário. Enquanto se vestia começou a lembrar-se de tudo que negligenciara em nome desse amor. Lembrou-se de tudo que teve de abrir mão e das pessoas que teve de se afastar. Quanto sacrifício para viver uma história com um homem autoritário, controlador e ditador. A primeira pessoa de quem se lembrou foi de sua mãe. Decidiu ligar pra ela.

- Alô, mãe?
- Oi, Filha! Que bom ouvir sua voz. Como você está?
- Eu estou bem, mãe! Ele foi embora.
- Oh, filha... Eu sinto muito! Você tem certeza que está bem?
- Tenho sim, mãe! Sinto-me aliviada. Não chorei e nem sinto vontade. É estranho, mas eu me sinto liberta. vou visitá-la no final de semana. Te amo, mãe!
- Eu também te amo, filha. Estou com saudades! Beijos e fique bem.

Não demorou muito e ouviu o interfone.

- Pois não?
- Entrega de pizza para a senhora - disse a voz anasalada do outro lado da linha
- Ah, pode subir.

Seus olhos brilharam ao avistar aquela pizza enorme, com aquele cheiro maravilhoso e o queijo derretido. Lembrou-se das dietas rigorosas a qual se submeteu, em busca do corpo perfeito para agradar o amado. Lembrou-se também das horas de treino, das corridas, suplementos e a quantidade de verduras que teve que ingerir. Encarnar a "Geração Saúde" não fora uma tarefa fácil, mas ela se esforçou. A obsessão dele por um corpo bem moldado, músculos rígidos e abdômen batido não conhecia limites. Era quase um treinamento militar.

Pegou sua pizza e sentou-se em frente a TV. Dexter! Que saudade! Como alguém pode não gostar de Dexter? É simplesmente genial. Ele não gostava de Dexter - ela lembrou. Depois de falar com a sua mãe, comer o que gostava, assistir o que queria ela se sentiu inundada por uma sensação de liberdade.

Percebeu que estava com saudade dela mesma e de tudo que deixou de ser. Ficou feliz em ter seu espaço de volta. Retomar seus hábitos e não se sentir pressionada. Nem obrigada a fazer o que não queria. Celebrou o dia mais feliz de sua vida, até então. Esse é apenas o primeiro - foi seu ultimo pensamento antes de adormecer.


Verônica

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Fogo



(by Cinthya)

Nunca chegamos “aos finalmente”, o máximo que aconteceu entre nós foi um beijo rápido, quase roubado (por mim, claro) depois de uma “cervejada” descontraída. Mas basta que a gente se veja para que os olhos se busquem numa cumplicidade incomum a quem não sabe curtir da vida o que de melhor a vida oferece.
Ele pode até estar carrancudo, brigando com Deus e o mundo, mas basta que me veja para que o sorriso se abra em seus lábios, seu rosto ganhe leveza e seu corpo retome uma postura de quem está aqui apenas para ser feliz. Se o meu telefone toca e é ele do outro lado da linha, pronto! É o suficiente para o alerta soar.
A cada dia que passa os nossos abraços são mais demorados. A cada reencontro os olhares são mais solícitos e tudo fica mais explícito. O cheiro dele eu reconheço de longe. O meu cheiro, ele adora. Os meus cabelos lhe encantam, o sorriso dele me desmonta. Ele adora os meus textos e eu sou fã da sua voz e do seu jeito de andar. Ele viaja nos meus devaneios e eu, adoro deixa-lo sem jeito com minha espontaneidade. Ele abre espaço, eu invisto, ele recua. Sempre aparece um TCC para analisar, uma prova para estudar ou trabalho para concluir. Sempre existe um remédio para tomar, um sono irreparável e um cansaço quase mortal. É. Esse é, definitivamente, um jogo gostoso de se jogar, porque aqui não existem perdedores.
Quando nos tocamos, as faíscas acendem. Um aperto de mãos é o suficiente para esquentar tudo aqui dentro. E quando estamos no mesmo ambiente é impossível um desencontro entre nossos olhares. A gente se dá bem. Conversamos por horas e nem percebemos passar o tempo. É tudo muito encaixado. Afinidades e diferenças mescladas numa empatia imediata.
É assim. Nunca chegamos a algo mais concreto. Mas é muito bom sentir o corpo entrar em curto circuito quando ele se aproxima. E a isso, meus caros amigos, eu chamo VIDA. E mergulho nela, sem medo algum de ser feliz.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Você Está Grávida?? Eu Sou Muito Novo Pra ser Pai!



Eles se conheceram numa festinha lá em casa. Ele amigo do meu primo. Ela prima da minha amiga.

Quando os vi juntos pensei: Que lindos! Formam um belo casal! E formavam mesmo. A química foi perfeita e envolvimento começou naquele dia. Eles se completavam. Ora tão parecidos, ora tão diferentes eram a tampa e a panela.

O namoro já estava bem sério e ela começou a pensar no futuro e constatou que não tinha certeza se queria constituir um futuro com ele. Ela só estudava não trabalhava. Ele só trabalhava não estudava. Na época ela com 17 e ele com 19. Ela resolveu então terminar o namoro para desespero dele.

Não foram poucas as vezes que os pais o viram chorando pelos cantos com saudade da amada. Ele não disfarçava mesmo a tristeza, e deixava bem claro que a amava e estava disposto a reconquistá-la. A comoção foi geral, esse menino se desesperou e mobilizou a família inteira. A família dele e a dela. Todos iam levar uma palavra de conforto e ele pedia que intercedessem junto a ela. Fizesse ela reconsiderar a decisão e voltar pra ele. A vida dele não teria sentido sem ela. Drama típico de um adolescente.

O importante é que funcionou! Ela voltou e ele ficou feliz da vida. Numa dessas voltas que o mundo dá, o destino se encarregou de preparar uma peça pra ambos. O pai dele, funcionário federal, foi transferido para outro estado. Mais uma vez ela resolveu terminar, mais uma vez ele fez das tripas coração para removê-la da idéia. Continuaram o namoro mesmo a distância, fazendo planos de casar e constituir uma família. Agora ela com 19 e ele com 21.

Em mais um girar de ponteiros, o destino caprichoso que só ele, aprontou mais uma e ela engravidou. Peraí, culpar o destino por isso é sacanagem! Vou refazer a frase: por falta de cuidado e proteção e por vacilo de ambos ela engravidou. Agora, o moço antes tão apaixonado, aquele mesmo cuja vida não teria sentido sem a amada, aquele que chorou e mobilizou a família, não sabe se a quer. Não tem certeza dos seus sentimentos, dá pra acreditar?

O pai dela, muito rigoroso e conservador, fez o que qualquer pai ignorante e desinformado faria: virou as costas e a expulsou de casa. A mãe, fez o que qualquer mãe submissa faria: para não se indispor com o marido, não quis contrariá-lo, mesmo sofrendo, acatou a vontade do chefe da família e deixou a menina partir. A família tomou a frente e a acolheu. Tias e primos fazem hoje o papel dos pais e irmãos. O pai dele ao saber de tudo, fez o que qualquer homem honesto e honrado faria: Deu um chega pra lá no filho ireesponsável e o obrigou a arcar com o ônus já que do bônus ele já tinha usufruido.

Agora, a responsabilidade do moço é com ela, porque não trabalha e dependia do pai que lhe virou as costas e com o bebê que dependerá inteiramente dele. O dinheiro antes gasto em roupas de marca e ingressos de festas, será gasto agora com leite e fraldas. As noite de sono perdidas nos bares da vida, agora serão perdidas ninando o bebê.

O clima não está dos melhores. A postura dele não foi a esperada. A reação dos pais dela, embora já fosse a prevista, não foi a mais correta. Mas, como o destino adora mudar tudo de uma hora pra outra eu espero que a paz volte a reinar e que a criança seja concebida num lar repleto de amor e harmonia.

Verônica

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Preço



(by Cinthya)

Carlos Eduardo trabalha numa conceituada empresa de um grupo multinacional. Mas nem sempre foi assim. Há algum tempo, quando ele foi contratado, a empresa era familiar e só depois de alguns anos uma potência do ramo a comprou. A transição foi conturbada e Carlos Eduardo assistiu muitos de seus amigos serem demitidos ou pedirem demissão por conta do assédio moral que aconteceu nesse período turbulento.
Na época, um dos “pais” da empresa foi uma das maiores vítimas de perseguição e foi muito triste para todos os funcionários antigos perceberem o rumo que as coisas tomaram. O grande idealizador do projeto, o criador de todas as máquinas se viu a mercê de um bando de desentendidos que se satisfaziam em humilhá-lo. E, como era esperado, eles acabaram por demiti-lo.
Por conta de todo o assédio moral sofrido, esse fundador da empresa recorreu à justiça, tentando rever algo do que perdera lá dentro, inclusive alguns direitos que deixaram de ser pagos no ato da sua rescisão. E todos os empregados antigos sabiam desses fatos, presenciaram as humilhações e as perseguições às quais o fundador fora submetido. Tanto que, certa vez, o Carlos Eduardo adentrou a sala do fundador e disse ser uma vergonha e uma injustiça o que estavam fazendo a ele.
O tempo passou. Carlos Eduardo galgou muitos degraus dentro da organização. A sua vida melhorara bastante, isso é verdade. Mas os seus amigos já haviam saído em outras direções. Não tiveram estômago para aceitar calados a situação a que foram submetidos seus líderes e eles próprios. Tomaram as dores e decidiram rumar para outros ares. Mas Carlos Eduardo escolheu ficar.
Então, certo dia, sentado na recepção da Justiça do Trabalho, o fundador aguardava a audiência onde requeria seus direitos, requeria uma indenização por conta de tantos e tantos momentos de humilhação, de tanta perseguição e injustiça a que fora submetido. E eis que chega a empresa e traz uma testemunha para desmentir tudo. Para afirmar que nunca houve humilhação, que nunca houve perseguição, que nunca e jamais o fundador fora tratado com desrespeito.
A testemunha entra e ao olhar nos olhos do seu antigo líder, estremece. Sente um calafrio lhe percorrer a espinha, sente um buraco no estômago. Os olhos do fundador se enchem de lágrimas. Lágrimas de decepção. Na mesma hora lhe vem à mente a imagem do Carlos Eduardo entrando na sua sala e lhe dizendo que sentia muito por tudo o que estavam lhe fazendo, pela injustiça e pelas humilhações...
Carlos Eduardo estava ali para testemunhar a favor da empresa e jamais pensou que sentiria tanto nesse reencontro. Não conseguiu mais olhar nos olhos do seu antigo líder. Queria sair dali o mais rápido possível, queria fugir, correr, dizer que era verdade tudo o que o fundador reclamava e que, na verdade, ele merecia ganhar essa ação e muito mais, pois nada apagaria de sua vida as humilhações sofridas.
Carlos Eduardo calou-se, não correu, engoliu a seco e fez o seu papel de funcionário exemplar. E nesse momento ele entendeu, finalmente, porque vários dos seus amigos acabaram por pedir demissão. Chega uma hora na vida em que a gente precisa escolher entre caráter e poder.

sábado, 18 de agosto de 2012

A mulata, o vestidinho e a celeuma

Créditos da imagem Leandro Francisca


A mulata é uma mulher de temperamento forte e pavio bem curtinho. Explode rápido. Tem um namorado ciumento e louco por ela. Namorado de mulher bonita e de gênio forte tem que andar pianinho. Pode se espalhar muito não pra não atiçar a fera.

Dia desses, a mulata e o namorado iam para uma roda de samba, caprichosa que só ela, vaidosa indo e voltando, a mulata se empiriquitou toda: botou um vestidinho, uma maquiagem bafônica, mais cheirosa que filho de barbeiro. Namorado ciumento e cismado, quando viu quele mulherão com as pernas expostas endoidou.
"Vá tirar esse vestido agora, namorada minha não anda semi-nua!" Disse ele aos berros.

A mulata, muito da desaforada não deixou por menos.
"Namorado meu não manda em mim. Namorado pede. Se pedir direitinho eu até faço, mas se mandar eu faço o contrário só pra pirraçar." Foi a resposta da mulata, resposta que ela deu já se retirando e deixando o namorado com cara de pastel. Foi pro sambão com seu vestidinho micro, seu corpão e muita disposição para sambar. 

O namorado, bobo e ciumento, passou a noite bancando o guarda-gosta pra não deixar malandro nenhum tomar ousadia com sua deusa de ébano.

Moral da história 1: Ninguém é dono de ninguém. Não devemos agir como se o fosse. Ao pedir uma coisa, lembre-se: é pedir! Não exija, não imponha.

Moral da história 2: Em boca fechada não entra mosca. Se o namorado ficasse calado, não teria passado a noite brigado com a mulata.

Moral da história 3: Não devemos abrir mão de nossa personalidade para agradar ninguém. Um vestido curto não nos torna mais ou menos digna que ninguém.

Bom sábado, pessoal!!

Verônica

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Alice No País Dos Desencantos


 

(by Cinthya)


Ele existe. Eu não estava louca, ainda bem. Eu não estava sonhando perdida num mundo cruel. Não. Eu não era Alice No País Dos Desencantos! Aquela certeza que sempre esteve aqui tinha um fundamento. Não sou louca. Não sou infantil ao ponto de crer em contos de fadas e me distanciar da realidade.
Aquele amor que eu sempre sonhei existe. E eu presenciei com os meus próprios olhos. Um casal que vive junto há mais de trinta anos numa harmonia gostosa me mostrou que eu não acreditei esse tempo todo no impossível. Há mais de trinta anos eles continuam se escolhendo, todas as manhãs e todas as noites. Eles compartilham de um respeito recíproco que é de emocionar qualquer um. Eles têm uma admiração pelo outro, uma atenção, um carinho que deixam as pessoas encantadas.
Há um tempo eu venho chateada com esse lance de AMOR. Quero nem ouvir falar, me dá náuseas quando vejo um casal meloso se derretendo ao meu lado. Há um tempo eu venho me sentindo assim, completamente desacreditada. No entanto, a vida me presenteou com esse (re)encontro. Bastou um dia na companhia desses amigos, um dia envolvida em sua rotina para que eu descobrisse que o amor é do jeito que eu sonhei e que as coisas que eu encontrei pelo caminho, de repente, não poderiam ter sido tratadas como amor.
Eu não sei se existe Alma Gêmea, Almas Anfins, só sei que a cumplicidade, a intimidade, a preocupação, o afeto, o respeito que eles têm um com o outro é encantador. Enche de ideias qualquer mente poética. Eles se tratam por apelidos carinhosos (e, por incrível que pareça isso está longe de parecer falso, meloso demais ou piegas). O amor deles é concreto. É inquestionável. É transparente.
Eu recebi mais um presente da vida. Num momento onde eu estava quase que completamente desacreditada do amor, eu recebi a sorte de ver que o amor existe, da forma que eu sempre sonhei, do jeito que eu sempre esperei, idealizei. Eu não estava louca, eu não estava querendo o impossível. O amor existe, gente. E é lindo. Amor de almas, amor maduro que não perde o humor, que constrói junto, que a cada dia vê crescer a admiração pelo outro, um amor paciente. Esse amor existe, tão logo, hei de encontrar o meu e sair desse País Dos Desencantos onde joguei minha âncora.