quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mãe & Filho


(by Cinthya)

Como costumo dizer “pulei etapas” na minha vida. Nunca fui muito dada a regras moralistas (e sem embasamento). Gosto da “liberdade organizada” em que vivo e dentro dessa minha linha de pensamento e postura, sou mãe solteira vivendo as delícias e desafios que essa condição oferece e exige.

À medida que o meu filhos cresce, cresce também o meu comprometimento com a educação dele, com a formação dele, pois, cada vez mais ele se desvincula de mim e se vincula ao mundo lá fora, o mundo que o cerca, o mundo que me faz tremer na base, que me dá calafrios e uma sensação de oco no estômago.

Enquanto ele vive apenas comigo e com a nossa família, é fácil incutir-lhe os valores, os conceitos. É fácil cobrar. E ele muito raramente sairá da linha, pois não vê exemplos desse tipo para seguir. Mas, à medida que ele inicia o convívio fora da família, os outros conceitos, os outros valores começam a aparecer juntamente com os novos coleguinhas.

Cada criança traz uma criação, e nem sempre é da forma que deveria ser e nem sempre condiz com a criação que eu ofereço. Então acontece o choque e a minha criança acaba por absorver um pouco de cada coisa. Nisso começam as reclamações na escola, comportamentos inadequados e, é justamente nessa hora que a reponsabilidade precisa ser dobrada, triplicada.

Depois de um dia inteiro de trabalho, chegar em casa e conversar calmamente com uma criança de quatro anos para saber o porquê dela passar a aula toda mostrando a língua para os coleguinhas se, em casa, ela não vê ninguém fazendo isso. Explicar que, embora quase todas as mães insistam em deixar os filhos levarem brinquedos para a sala de aula, ele não vai levar, pois sei que essa é uma regra interna da escola (sim, porque até nisso a gente sofre, pela falta de educação dos outros que sempre respinga na gente).

Ensinar ao Pedro que brincar na rua até tarde não é legal, apesar de todos os coleguinhas brincarem. Que falar palavrão é feio, muito embora ele esteja sempre escutando algum. Que, ao contrário do que o tio e o pai dele falam, homens usa sim roupas cor de rosa. Que, ao contrario do que a maioria das pessoas fala, homem pode casar com homem e mulher com mulher, pois as pessoas são livres para casarem com quem elas quiserem, ou ainda, não casarem com ninguém (assim como eu, a mamãe dele). Que a birra dele não vai me ganhar, pelo contrário, quanto mais birra, mais longe ele fica do objeto de desejo. Que nem tudo o que ele pede eu posso comprar. Que nem tudo o que eu posso comprar, eu devo comprar. E que, a gente conquista as coisas com o nosso comportamento. O mundo é uma troca.

É complicado. É um ensinamento diário, sem interrupções. Você vira a página e a outra já está ali, prontinha pra ser escrita. Você ensina uma coisa e logo tem outra para ser ensinada. Não tem recesso na educação Mãe & Filho. Saber dosar as coisas, nem demais e nem tão pouco. Saber falar no tom certo, nem gritar e nem sussurrar. Saber ser enérgica sem ser violenta. Saber conter o descontentamento e explicar o porquê do “castigo”.

E, de quebra, nunca esquecer que a criança é ele. Eu sou uma adulta de 36 anos de idade. A sabedoria de vida é minha. Quanto a ele... Ele é um diamante precioso que me foi confiado para lapidar dia-a-dia.

É garotão, estamos juntos nessa. Eu não dou moleza, preciso fazer de você um grande ser humano. Esse compromisso eu assumi quando, por minhas atitudes, trouxe você ao mundo, numa situação atípica. Sou uma só, mas valho por mil, você sabe disso. Não cobro nada de ninguém, puxei para mim as rédeas de sua educação e vou conseguir o meu objetivo. Você será um grande homem! Um ser humano livre e feliz.

Nunca me canso de parabenizar as mulheres que, como eu, educam sozinhas os seus filhos. Parabéns!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

E Então, "Ser" ou "Ter"?


(by Cinthya)

Há dias um pensamento tem me acompanhado, martelando na minha cabeça, teimoso. Um pensamento sobre o que eu tenho feito da minha vida, sobre quem eu sou, o que realmente quero, se vivo aquilo que defendo ou se me perdi no mar da hipocrisia. Tenho cuidado para não ser encaixada no slogan “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Gosto de praticar aquilo que eu acredito ser o melhor. Embora eu não tenha garantia nenhuma, certeza alguma de que estou certa.

Tenho reparado que há algum tempo venho me deparando diante de bifurcações com placas “ser” e “ter”. Sem nenhuma outra opção. Até agora, eu tenho seguido na estra do “ser”. E tenho reparado que isso implica em muitas negações. Muitas portas se fecharam a minha frente quando minha escolha foi feita. E não é tão fácil seguir por esse caminho, principalmente pela solidão com que se caminha.

E eu descobri que é muito mais trabalhoso viver da verdade, que é muito mais delicado escrever sua história apostando nos valores, apostando nos laços, na pureza, na emoção, no que toca a alma, no impalpável. Que muitas vezes eu me pergunto se não estaria louca em optar sempre por esta estrada quando a grande multidão segue pelo outro caminho.

Mas... Em verdade, eu não sei ser de outro jeito. Nem sei se quero ser de outro jeito. Por que no dia em que eu deixar de apostar nos meus valores, sinceramente, não serei mais eu. Eu pinto cabelo, viro loira, emagreço, engordo, cabelo longo, cabelo curto. Mudo de endereço, tenho um filho, mudo de emprego... Mudo muita coisa, sou praticamente uma metamorfose ambulante, mas jamais mudei a minha essência. Sou a mesma Cinthya de 20 anos atrás, aperfeiçoada, com mais amigos e conhecimento de vida.

Acumulei desenganos, perdi muitas apostas, chorei. Mas nada disso conseguiu mudar o meu eu mais profundo. Eu ainda acredito nas pessoas. Eu ainda acredito no amor (na sua mais pura forma). Eu ainda tenho o sonho de ser reconhecida como escritora. Eu ainda faço da minha liberdade o meu mais valioso tesouro. E gosto muito mesmo de colocar a minha cabeça no travesseiro e sentir-me leve, de coração limpo, de consciência tranquila.

A minha opção me privou de muitas conquistas materiais, isso é verdade. Mas tudo na vida é uma questão de escolhas. Você tem que saber o que é prioridade para você. Sabendo, você trilha seu caminho e aprende a lidar com a falta do que perdeu por conta das escolhas que fez. E a minha prioridade continua sendo O Amor... Pela vida, pelos amigos, pelas pessoas, pelo meu filho.

Com as minhas escolhas, é certo, não poderei deixar para meu filho grandes bens materiais, mas ficarei imensamente feliz se ele lembrar que a mãe dele sempre optou pelo caminho do “Ser” e, com isso, sempre recebeu em troca os maiores tesouros que dinheiro nenhum no mundo compra: Liberdade e Amor. Eu não me corrompi! E esse é o meu maior legado para o meu filho. 

É claro que quero ter grana pra ir à Itália, viajar para Salvador e Recife, pelo menos uma vez por mês, ter um carro. Não sou hipócrita. Claro que eu quero. No entanto, não admito passar por cima de meus valores para conseguir tal façanha. Eu sou assim. Se o preço for a minha paz, eu não tenho disposição nenhuma de pagar. Eu prefiro apenas SER eu mesma, na minha simples felicidade, com a minha paz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Espera De Um Milagre


(by Cinthya)

Vez ou outra me pego questionando se 'amor e racionalidade' não poderiam andar de mãos dadas, se as coisas não seriam mais fáceis se assim acontecesse. Se a gente não buscasse no azul a cor amarela que ele não tem. Se a gente não esperasse água de uma chama acesa, ou frio de uma larva vulcânica.

Analisando, com a 'racionalidade acionada', percebo que muitas vezes somos nós mesmos os causadores de nossas desilusões. Porque insistimos em tapar os olhos para uma infinidade de coisas que não aprovamos e que estão ali na nossa frente, gritando e acenando pra nós. Tapamos os olhos e os ouvidos e seguimos apostando todas as fichas no improvável.

Acreditamos em promessas nunca proferidas, em mudanças jamais prometidas e seguimos confiantes. Ponteiro da racionalidade zerado, pisamos o pé no acelerador da fantasia e vamos desbravando a estrada. Cegos e surdos, mas inundados de amor, de vontade, de sede de que as coisas deem certo. De que a gente acerte o alvo, e alcance a tão almejada plenitude sonhada por uma vida inteira. 

O tempo passa, mas as promessas que nunca foram proferidas não se concretizam e as mudanças que jamais foram prometidas, não acontecem. E o gosto amargo de desilusão começa a se apresentar ao nosso paladar. A gente tira o pé do acelerador e sentamos à beira da estrada. Tiramos a venda, olhamos pra trás. Pensamentos de cobrança e de sensação de injustiça ameaçam surgir em nosso peito.

Mas a gente, num reflexo de lucidez, percebe que a outra pessoa (aquela que amamos e que insiste em nos decepcionar) continua sendo apenas ela mesma. Que não mudou, não piorou e nem melhorou. Apenas continua sendo quem ela é. E, por algum motivo, nós perdemos o dom de ouvir as promessas não ditas e não enxergar os defeitos gritantes. Como num passe de mágica, a gente recebe uma dose cavalar de realidade e se vê num mar de desencontros.

Realidade x sonhos! E a gente já não consegue apostar em nada que não seja real. É. Tudo sempre esteve como está, mas por um motivo ou outro a gente não quis enxergar. A gente criou na nossa mente uma moldura e a vestiu no outro, mas o outro, em verdade, sempre foi ele mesmo, sem molduras, sem apetrechos.

E então, porque agora se surpreender com as atitudes dele? Ele sempre foi assim. As mudanças dele aconteceram apenas na nossa vontade, no nosso desejo. Fiona é feliz com o Shrek porque ela não espera dele nada além do que um Ogro possa oferecer. O amor dela anda de mãos dadas com a realidade. É um conto de fadas possível, visto por esse ângulo.

Bom seria aprender a amar na real, sem alegorias, sem fantasias. Não viver à espera de um milagre. Mas, não sei nem se isso é possível. De repente, o amor é assim mesmo... De repente, essa fantasia toda é um ingrediente necessário na formulação. Eu não sei. Em verdade, do amor eu quase nada sei.

domingo, 2 de setembro de 2012

Ela Faz A Diferença


(by Cinthya)

- Marilene? – chamo-a

- Da Silva – Ela responde, com sua voz estridente.

Marilene da Silva, ou simplesmente Leninha é uma daquelas pessoas que não “passa batido” na vida dos outros. Ela se eterniza, vira mito, traz à memória da gente inúmeras histórias divertidas.

Nos conhecemos na faculdade, quando cursávamos Letras. Ela, quando fala, nada mais consegue acontecer, a voz dela toma conta de tudo. É dona de uma personalidade forte, tem uma paixão declarada por roupas, sapatos e tudo o mais que brilhe. Dona de cabelos bem loiros, costumávamos chamá-la de Joelma (do Calypso), pois de fato elas se parecem fisicamente.

Leninha passou muito tempo tentando engravidar, fez inúmeros tratamentos e nada surtiu efeito. Então ela decidiu que, em vez de ficar deprimida, simplesmente ia esquecer o suposto filho. “Corri muito atrás dele, agora, se ele quiser, ele corra atrás de mim.” E não demorou para que isso acontecesse.

Professora concursada pelo estado, ela assumiu uma sala de aula numa escola em condições precárias. Tentou conseguir com os diretores e responsáveis o básico para que o seu trabalho acontecesse, mas foi tudo em vão. Todos já estavam tristemente acostumados com a situação.

As paredes sujas, a cantina em péssimas condições de higiene, salas sem lixeiro, cadeiras quebradas e um aspecto de tristeza e descaso reinavam naquela escola que, na verdade parecia qualquer coisa, menos uma escola.

Percebendo que não conseguiria mudar nada se apostasse suas fichas na diretoria ou secretaria de educação, arregaçou as mangas e fez acontecer. Pediu ajuda de empresas privadas: material de construção, panelas, marcenaria, papelaria e voluntários. Pintou sua sala de aula, repôs o estoque da cantina, conseguiu material extra para as crianças,inclusive alimentos e outras coisas para várias feiras de ciência que ela organizou na sua turma.

Conheceu os Pais, passou-lhes a cobrar que fizessem sua parte na educação das crianças. Se algum aluno chegava à sala de aula com um comportamento diferente, logo Leninha percebia e corria atrás do que tinha acontecido para que a criança ficasse daquele jeito. Em grande parte dos casos o problema vinha da família e Leninha ia até o fim para promover o bem estar de seus alunos.

De início ela causou incômodo nas outras professoras da escola, mas logo as pessoas perceberam que agindo como ela, as coisas aconteciam de forma muito mais positivas e produtivas e logo logo Leninha conquistou todo mundo.

Depois dela, a escola, as famílias e, muito principalmente, as crianças tornaram-se melhores. Leninha provou que as coisas nem sempre nos chegam fáceis, nem sempre são como deveriam e nem sempre quem deveria se preocupar em resolver, de fato se preocupa.Mas que isso não impossibilita que a gente corra atrás, una forças, meta a cara, faça a nossa parte(e, porque não, a parte do outro) até que tudo se modifique. Até que a mudança aconteça, até que a gente consiga melhorar um pouco do que parecia perdido.

A sociedade agradece o esforço de Marilene da Silva que, com certeza, plantou sementes boas nos corações daquelas crianças.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ei, A Educação Mandou Lembrança!



(by Cinthya)

A educação deveria ser algo que se desenvolvesse de forma natural nas pessoas. Deveria ser algo nato (ou será que ela é, e as pessoas se desvirtuam no decorrer da caminhada?). Não me refiro a educação escolar, a diplomas, títulos. Não. Para mim o mais importante numa pessoa não é, nem de longe, o grau de instrução que ela traz.
Não há pessoa mais agradável e desejável do que a pessoa educada. A educação é fina. Aquela educação que a gente aprende em casa quando a nossa mãe diz “Acabou de comer? Retire o prato da mesa” ou “Não pegue esse brinquedo porque ele não é seu. Peça permissão primeiro.” E tantas outras coisas simples que vão fazer uma diferença imensa na formação da criança.
É incrível como existem pessoas mal educadas no mundo. Chega a ser lastimável porque eu acredito piamente que muitas mazelas poderiam ser evitas se as pessoas tivessem um pouco mais de educação, um pouco mais de gentiliza e consciência do coletivo em que vivem. Se cada um tivesse a certeza de que o mundo não é o seu quintal, ou ainda, que mesmo que o mundo fosse o seu quintal, deveria estar limpo e organizado.
O pai sai com a criança e compra dois picolés. O pai tira o papel do picolé e joga no chão. A criança, é obvio, copia o pai e faz o mesmo. E vai crescer achando que isso é correto, normal, afinal de contas o Herói de Sua Vida assim o faz. Sempre fez. E nisso surgem as pessoas no ônibus coletivo jogando espigas de milho pelas janelas, crianças fazendo xixi nas calçadas, com o consentimento das mães. Mães que, trocando as fraldas dos filhos, deixam a fralda suja ali mesmo, no chão. Seja na calçada, seja no restaurante, seja onde for. Não importa. Elas simplesmente não podem procurar o lixeiro mais próximo ou ainda colocar a fraldinha suja numa sacola para se desfazer dela quando em casa chegar. E as crianças vão crescendo dentro desses conceitos torpes.
O resultado de tudo isso são adultos sem a menor noção de espaço. Adultos indisciplinados, avessos a regras, “profissionais” difíceis de se adaptarem em empresas que exijam o cumprimento de normas internas. Pessoas que vivem para si próprio, e acham que o correto é tirar proveito da situação, sempre.  Sentem orgulho por serem tão “espertos”. Mas na verdade, não têm noção do tamanho de sua pobreza.
E não há nada mais lamentável do que um ser humano pobre de espírito. A falta de educação em casa, aquela educação de “bom dia”, “boa tarde, “boa noite”, “com licença”, “desculpa”, “por favor”, “obrigada”... Aquela educação de guardar o brinquedo depois da brincadeira, de calar quando os pais estão falando, de entender o que é limite e aprender a viver com ele. De saber ouvir um “não” e saber que ele é a resposta e pronto.... É essa a educação que faz tanta falta no mundo!
Por que um Doutor formado em Harvard que não pede desculpas por ter esbarrado em alguém, que estaciona o carro na vaga para deficientes, que falsifica documentos para tirar vantagem em algum negócio, que come hambúrguer e joga o resto no chão, que fuma em ambiente coletivo, que entra nos locais sem cumprimentar as pessoas, que vê um idoso cheio de sacolas e não oferece ajuda, que (tendo oportunidade) usufrui do dinheiro público em benefício próprio... Uma pessoa dessas, sinceramente, em nada vai ajudar a melhorar o mundo. Em nada.
O mundo precisa de pessoas educadas. As pessoas precisam de educação e isso começa em casa. Não com teorias e conceitos. A gente forma filhos com exemplo, limites e comprometimento. Que sejamos os melhores amigos dos nossos filhos.
Senhores Pais, pelo amor de Deus, cuidem de suas crianças! Por que, muito mais do que pessoas com diploma, o mundo precisa de pessoas com moral. Primeiro a moral, a índole, a educação (bons modos), o respeito ao próximo, os valores. Sem isso, de nada valerão os diplomas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu Morri e Continuei Vivendo...



Eu morri de rir quando mainha me contou uma façanha que ela aprontou na ultima viagem que vez. Ri até minha barriga doer e ao retomar o fôlego senti como se tivesse renascido. Como é bom libertar o corpo e a alma numa deliciosa gargalhada.

Eu morri de arrependimento quando eu recusei aquela viagem dos sonhos. Um final de semana em uma praia maravilhosa ao lado daquele cara que eu acreditava ser maravilhoso. Ganhei a vida quando descobri que na verdade tinha pulado uma fogueira. O tal cara não era tão maravilhoso assim e a viagem estava mais pra pesadelo que sonho.

Eu morri de orgulho quando minha amiga me contou que recebeu uma proposta de emprego de uma grande empresa e deixaria o emprego mediano em uma lojinha de pequeno porte no comércio local. Vivi para ver que as vezes é necessário recuar para poder avançar.

Morri de raiva quando presenciei uma das maiores injustiças da minha vida, (esse assunto merece um post) mas recebi uma lufada de vida quando o injustiçado deu a volta por cima e o injusto se arrependeu. As lições foram inúmeras.

Morri de pena quando tomei conhecimento que uma pessoa próxima está pondo fim em sua vida e em sua carreira brilhante, enveredando por um caminho sombrio e tortuoso e quanto mais se aproxima das trevas, se afasta da luz e a volta vai ficando mais difícil. Vou permanecer viva, agarrada a esperança de ver essa pessoa renascer.

Morri de vontade de comer aquelas guloseimas deliciosas e pôr abaixo todo esforço da dieta. Vivi e venci o desafio de não cair em tentação, morri de orgulho de mim mesma pela força e dedicação. Vivi para ouvir vários elogios.

Morri de gratidão quando alcancei uma graça que nem esperava. Deus é infinitamente maravilhoso comigo e por mais que eu não mereça Sua Misericórdia é grande. Então, surgiu em mim a necessidade de nascer de novo. Novos hábitos, nova postura, nova visão sobre a vida. Sinto como se uma nova vida tivesse sido dada a mim.

Ao longo desse caminho de morte/vida eu percebo que nosso renascimento é constante e intermitente. Descobri que a cada vitória uma nova chance de vida recebemos e a cada derrota, idem!

Quando morremos, matamos em nós muita coisa que nos atrapalham nesse processo de evolução. Matamos nossos medos, nossos preconceitos, nossas frustrações, nossas desconfianças...
Recebemos novas e intermináveis chances. Chance de começar de novo, chance de ver a vida por um outro prisma, chance de se arrepender, chance de pedir perdão, chance de perdoar...

Muitas mortes e várias novas vidas é o que eu quero para a minha vida.

Verônica

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

29 de Agosto


(by Cinthya)

Dos meus trinta e seis anos, apenas quatro eu vivi sem ela (pois é justamente essa a nossa diferença de idade) e, tenho certeza absoluta, que eu não era tão feliz. Nós somos as filhas do meio de uma prole de quatro filhos. O mais novo e o mais velho são homens e nós, além de termos nascido mulher (lá na região e na cabeça do meu pai, isso é uma desvantagem), ainda nascemos no meio, ou seja, mérito nenhum. Somos quase o nada do nada.

Também por isso nos tornamos parceiras, amigas, unidas. Nunca na nossa vida de irmãs chegamos a uma discussão, a um “bate boca”. Nunca ficamos de mal com a outra. Jamais existiram agressões físicas ou verbais entre nós. E nem somos tão parecidas assim! Temos muitas diferenças, muitas mesmo. Mas isso não é motivo para desavenças entre nós, pois desde muito cedo aprendemos a respeitar as escolhas da outra.

Nem tudo que eu faço ela aprova, nem tudo que ela aceita eu aceitaria. Mas temos a clara certeza de que somos, apesar de unidas, dois seres distintos, com vontades distintas, com medos distintos. Cada uma tem um sonho, cada uma tem uma meta e cada uma tem seus medos e sua bagagem. Entendemos isso e seguimos em frente, juntas.

Conheço-a muito. Basta que eu a olhe para saber que ela não está bem. Não precisa nem falar nada. Eu a conheço. Sei quando ela está inquieta, sei quando está feliz. E que sorriso lindo ela tem, aliás, o seu sorriso merece um texto à parte, sim. Porque quando ela sorri tudo ao seu redor recebe luz. Ela tem um sorriso largo, os olhos se fecham e a beleza dela aumenta ainda mais. Ela é linda!

Crítica, chata, organizada, ciumenta, desconfiada, ela sempre se dá bem em matérias exatas. Tem um raciocínio lógico muito apurado. É uma menina inteligente. Mas ela também é frágil e quando se dedica a alguém, faz isso de corpo e alma. Se sofre uma decepção, não é do tipo que esquece. Não, definitivamente, ela não esquece. E ai de quem decepcioná-la.

Tem sempre uma resposta na ponta da língua e não importa pra quem seja: o pai, o namorido, o chefe, não importa. Se a cutucarem, ela vai responder. Isso é certo. Ela é assim. Se a razão estiver com ela, não adianta, ela vai defender até o final. E, creia, ela não se cansa. É dura na queda.

Ela é a minha irmã amada e querida. Por vezes ela é minha filha, por vezes ela é minha mãe. Tudo o que é meu, é dela também. É a madrinha do meu filho. Não há frescura entre nós. Se existem outras vidas, tenho certeza que em todas elas nós estivemos juntas, porque o laço é muito forte. Tenho uma vontade imensa de protegê-la e brigo por ela, se preciso for.

Sempre nos divertimos, na riqueza e na pobreza. Se a gente sai junta, a gente vai se divertir, não importa se o dinheiro vai faltar, se a chuva vai cair. Não importa. Nós sempre achamos um jeito de dar risada, aliás, damos muita risada quando estamos juntas. A gente se entende.

Irmã, eu te amo e isso vai além, muito além de tudo que é palpável e/ou explicável.

Feliz Aniversário!