quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Café Forte




(by Cinthya)

O prazo está correndo e o serviço parece que nem rende mais tamanho é o cansaço da minha mente. Olho para a pilha de papel que não para de crescer. Olho para os resultados que nunca casam da forma que eu necessito que aconteça. E o ramal“tiirinta”. E a chefe chama no bate-papo. E o celular toca no mesmo instante. Tudo ao mesmo tempo agora.
O corpo entra numa onda tão acelerada que dá a impressão de que é questão de tempo para o curto-circuito acontecer. O raciocínio trava, as ideias se esbarram umas nas outras numa dança descompassada, sem ritmo certo. Aliás, parece mesmo que cada coisa dentro de mim anda num ritmo diferente.
Antes que a explosão aconteça eu saio um pouco dessa turbulência. Uma volta pela empresa, uma visita na sala ao lado, uma ida ao banheiro. Qualquer coisa serve nessa tentativa de recuperar o mínimo que seja do meu equilíbrio. Qualquer coisa relaxante que possa servir de apoio e não me deixe ser sugada por essa tempestade de problemas.
Passando pela copa me vem uma ideia: Vou fazer um café! E, por um momento, volto minha atenção para essa nova tarefa. Uma tarefa mais amena, menos corrida. Sem pressa levo a água ao fogo, enquanto preparo os demais itens. Tudo organizado, tudo na medida certa. Despejo o açúcar e depois o pó do café (preparo café à moda da minha avó). E então o cheiro delicioso invade o ambiente.
Aquele cheiro de paz, de aconchego, de silêncio. Não sei por que acho que café tem “cheiro de silêncio”. Um momento só meu. Por segundos me vem à memória a minha vozinha fazendo café no final de tarde, enchendo a casa de cheiro. Por instantes eu me liberto da correria e curto um pouco de paz. Uma paz só minha. Imagino que o pó retido no coador simboliza os atropelos e o líquido que desce para a garrafa é o resultado de tudo: eu.
Parece que isso funciona como um reset na minha mente. Tudo se aquieta. O estresse se desmancha, a tormenta se acalma, a ventania sossega. Não demora muito para o cheiro percorrer o corredor e adentrar as outras salas. Logo os colegas de trabalho são atraídos pelo perfume saboroso de paz. E cada um se serve desse sossego, na mesma tentativa minha de resgatar o equilíbrio.
O meu café, assim como eu, é forte e doce. Tudo bem que algumas vezes eu erro e ele sai amargo, ou doce demais. Mas sua característica principal não muda. Ele é forte. Quem gosta, saboreia. Quem não gosta, prepara o seu, ao seu modo. E sigamos em frente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

T P M




Tô Pra Matar um...


Há quem diga que TPM é frescura, mas não é... Se engana quem pensa assim. TPM é uma disfunção hormonal que provoca efeitos notáveis no organismo das mulheres.

Há quem passe ilesa por essa fase, há quem nem perceba... Em outras mulheres (vide euzinha) ela vem acabando com tudo. Quando meu grau de irritabilidade está elevadíssimo, minha sensibilidade acentuada e minha intolerância se sobrepondo eu já sei... É a TPM.

As vezes demoro um pouco pra perceber, mas as pessoas que estão ao meu redor não.

Ontem tive uma discussão boba com uma amiga amadíssima de longas datas, por bobagem... Acho que ela também está de TPM. Fui desabafar com minha amiga, companheira, conselheira e orientadora Cinthya e ela me alertou com as seguintes palavras: "Parça, ou minha chatice te contaminou ou você está com TPM. Se não for isso temos que descobrir o foco do problema. Intolerância e irritabilidade nunca foram características suas, você é a pessoa mais doce e mediadora que eu conheço, a que tem mais facilidade de se adaptar as pessoas, logo, a de mais fácil convivência. Você entra em vários mundos e vive bem em cada um deles, embora, sejam todos muito diferentes um do outro. Isso te torna positivamente diferente da maioria das pessoas. Se você está assim, irritadiça é porque algo está fora dos trilhos."

Depois da nossa conversa eu pude perceber que ela tem toda razão. Geralmente quando estamos assim, intolerantes, magoamos as pessoas que mais amamos. Coisas simples que normalmente passam batidas, nessa época tendem a cair como uma bomba. Domingo eu me irritei com minha mãe, porque ela é costureira e artesã no sábado ela trabalhou o dia inteiro pra dar conta de várias encomendas e as caixas de linhas e tecidos estavam pela casa, nas cadeiras da varanda, e no sofá da sala. É assim desde que eu me entendo por gente e domingo me irritou muito. Ainda bem que segurei minha onda e não a magoei eu não me perdoaria.

Sabe aqueles dias que tudo irrita? TUDO! Até o toque do telefone da minha mesa de trabalho.
Estou assim e espero que passe logo.

Se você está lendo esse texto e recebeu uma resposta atravessada minha, por favor me perdoe. Semana que vem estarei melhor.

Verônica

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Primeiros Erros



(by Cinthya)

E se eu pudesse voltar ao passado, ao início de tudo e ter a oportunidade de reescrever a minha história? E se me fosse dada a chance de mudar os acontecimentos da minha vida, de voltar a certos instantes e ter outra atitude, fazer escolhas diferentes e, consequentemente, mudar o rumo dali pra frente.
Hoje eu seria outra pessoa, teria outra história. Talvez tivesse chorado menos (ou não), talvez tivesse tido menos desilusões (ou não). Talvez eu estivesse em outro lugar, com outros amigos. Talvez na minha vida não existisse um filho. Talvez eu fosse mais feliz do que sou hoje (ou não).
A verdade é que se eu pudesse voltar no tempo e reescrever a minha história, pouca coisa eu mudaria, aliás, acrescentaria. Não sou refém das minhas escolhas, não alimento remorsos dentro de mim. Sou bem resolvida com o que escolhi ser, ter. Sou fruto dessas minhas escolhas, não poderia ser diferente. Essa é a minha essência. É assim que sou.
Para cada escolha que fiz, precisei abrir mão de algo. Mas sempre escolhi o que acredito ser o melhor, o mais verdadeiro, o mais enriquecedor, o mais parecido comigo. Sempre soube tirar das situações um aprendizado para me fazer crescer. E dessa forma, ainda que eu perca, eu ganho. Por que um ser humano se faz de risos e lagrimas.
Então se eu pudesse voltar aos meus primeiros “erros “, eu erraria tudo de novo. Diria mais “eu te amo”, sonharia ainda mais alto, abraçaria mais pessoas. Mas os erros, eu os cometeria de novo, porque tem sido saboroso folhear a cartilha da vida e eu estou satisfeita com o que me tornei e jamais teria chegado aqui se não tivesse errado tanto quanto errei.
Sou fruto das minhas escolhas sejam elas certas ou erradas. Mas não sou escrava delas. Existe sempre a opção “mudar” que pode ser acionada a qualquer momento. Sou livre para seguir o caminho que escolher e errar tanto quanto for preciso para não deixar nenhuma folha em branco nesse livro chamado VIDA.
Os meus erros estão aqui comigo, assumo todos eles... E, quem me garante que, em verdade, eu não esteja confundindo as coisas e rotulando de “erros” os melhores acertos da minha vida? Fiz o melhor que poderia ter feito.

sábado, 29 de setembro de 2012

A arte de dizer: Eu Te Amo!



Entre os irmãos nunca foi muito comum a arte de se declarar. Nós brigamos como alguns brigam, somos uma família grande e as diferenças surgem mesmo, é inevitável... Quando morávamos todos na mesma casa já protagonizamos sonoros arranca-rabos, mas... Tudo isso não passava de arroubos da juventude.

Sempre tivemos uma base familiar muito forte, sempre tivemos a união e o companheirismo muito arraigados. Nossa mãe nos ensinou a contarmos sempre um com o outro e assim o fizemos.

Nunca tivemos o hábito de nos declararmos. Eu confesso que morro de vergonha de dizer pros meus irmãos ou pra minha irmã que os amo. Mas, eles sabem. Nós todos sabemos. Temos um jeitinho bem peculiar de dizermos um ao outro (mesmo sem palavras):  Olha, eu amo você e estou aqui pro que der e vier. Conte comigo sempre.

Lá em casa sempre foi assim: mexeu com um. Mexeu com todos. A gente toma as dores mesmo, compra a briga mesmo e ficamos ainda mais unidos pra resolver a questão, seja ela qual for. Com as voltas que mundo dá acabamos nos afastando, geograficamente falando. Tenho dois irmão morando em SP, um mora no Recife, mas trabalha no RJ e fica mais tempo por lá, e o outro morava em SP e voltou recentemente pra Petrolina. Como se não bastasse esse tanto de gente espalhado, minha irmã resolveu voltar pra Bahia e ficamos só eu e mainha aqui em Petrolina numa casona.

Pois bem, há muito pouco tempo eu conheci uma parte da família que eu sabia que existia, mas não tinha contato algum. Essa reaproximação despertou em mim uma sensação de proteção, de amparo que me fez muito bem. Aí é que eu me toquei que estava carente de carinho de família. Estava necessitada de colo e amparo. Decidi então mudar minha postura em relação aos meus irmãos e às pessoas que eu amo. Vez por outra, leia-se quase todos os dias, eu mando um sms com uma palavra de apoio acompanhada de uma declaração. Isso tem me gerado frutos incríveis. Ontem recebi ligação de dois dos meus irmãos que falo muito pouco. Me senti tão bem... percebi o quão gostoso é essa reaproximação e fiquei me perguntando porque eu não faço isso sempre. Porque eu não fiz antes? Mas, ainda bem que não foi tarde pra recomeçar.

Eu falo por experiência própria, é muito doloroso, mas muito doloroso mesmo você sentir vontade de dizer pra uma pessoa que a ama e não poder. Quando meu irmão morreu eu fiquei puxando na memória, uma única vez que eu tivesse dito a ele (com palavras) o quanto o amava e não consegui me lembrar. Eu sei que ele tinha consciência de quanto era amado, ele sabia que eu o amava, demonstrava de outras formas, mas eu deveria ter dito. Agora não posso mais.

Um conselho que eu deixo é: NUNCA perca a oportunidade de dizer a alguém o quanto você ama. Seja quem for. Diga! Quando algumas coisas acontecem, isso já se torna impossível aí já é tarde demais.

Então, deixo aqui meus recadinhos: meus irmãos, eu amo vocês!

Vanessa, apesar das nossas runhas você é mais que especial pra mim! Te amo!

Mainha, a senhora é minha heroína! Te amo!!

Faça feliz a quem você ama e seja feliz por isso!

Verônica

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu Dependo De Você (?)

 
(by Cinthya)
Nenhum tipo de dependência me atrai, na verdade, todo e qualquer tipo de dependência me assusta, me assombra, me dá calafrios. Acho extremamente triste uma pessoa algemada num vício, seja ele qual for. Pessoas que perderam as rédeas de sua vida, de sua vontade. Pessoas que anularam a sua identidade, zeraram os arquivos em prol de algo que para elas se tornou vital (vital?). E, apesar de tudo, a dependência está mais presente do que se possa imaginar.
Quando falo em dependência não me refiro apenas a dependência química ou alcóolica. Existe um outro tipo de dependência que, ao meu ver, é tão triste e perigosa quanto essas. Existem pessoas que sofrem de dependência emocional. Pessoas que se tornam reféns de seus sentimentos e fazem em volta de si e da pessoa “amada” uma teia perigosa.
Pessoas dependentes emocionais não constroem seus próprios castelos, seus sonhos. Elas depositam no outro todas as suas expectativas, todos os seus desejos, toda a sua sede de felicidade. Tudo dela é o outro, está no outro, depende do outro. Ela projeta no outro o que ela quer pra si. E aos poucos sua identidade se perde em meio a tanta “entrega”.
Quantas mulheres casadas deixam de viver e passam a ser a sombra do marido. Quantos homens não se conformam com o fim do relacionamento e dão cabo da vida da parceira. Quantos crimes são cometidos em nome de um “amor” rompido. É triste, mas as pessoas acreditam mesmo que podem ser donos de outras pessoas. Que não podem viver sozinhas, serem largadas. Que suas vidas dependem completa e totalmente do ser amado.
Pessoas com essa dependência emocional tendem a ser pegajosas, grudentas. Tendem a ter um zelo fora do comum com o outro, a anular suas próprias vontades em nome da satisfação do parceiro. Pessoas assim abrem mão do que mais querem apenas para satisfazer o parceiro, que na maioria das vezes, não tá nem aí pro que ela sente ou deixa de sentir.
Eu não concordo que se intitule amor o fato de você se anular numa relação, o fato de você sepultar suas vontades em prol das vontades do outro. Para mim, ninguém que não tenha amor próprio consegue, de fato, amar alguém. Tudo começa com nós mesmos, em nós mesmos. Ninguém é feliz se anulando na vida. Ninguém. Ninguém vai muito longe na fantasia de manter um casamento feliz, tendo que abrir mão de sua identidade em nome disso.
Colocar a nossa vida, os nossos sonhos, as nossas vontades nas mãos do outro não é um ato de amor. O amor não é burro. Doar-se ao ponto de perder o contato com o chão é assinar contrato com a infelicidade, porque ninguém tem paz se não tiver firmeza, se não sentir o solo, se não souber mais que se é.
Amar é bom e necessário. Mas o amor não escraviza, não sufoca, não nos dá escritura de posse. Não podemos ser donos de ninguém. Ninguém pode fazer por nós o que cabe apenas a nós fazer. Ninguém pode sonhar por nós. Isso não existe. Um casal é formado por DOIS seres, cada um com a sua identidade, cada um com o seu jeito e os dois trabalhando juntos na construção de uma história em comum. Isso é o bonito do amor.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Traição, Recomeço, Superação e Desafios...

 
 
 
Boa tarde, meninas! Tudo bem?
 
Gostaria de contar um pouquinho da minha situação para vocês poderem me ajudar.
 
Eu me chamo Mônica e casei com o Cebolinha em 2007. Me separei em abril de 2012 porque descobri que ele estava tendo um caso com a minha melhor amiga, a Magali. Tenho um filho de 2 anos e 4 meses e apesar de ter sofrido muito com tudo isso vejo que a minha situação com o meu ex-marido esta resolvida. Ele paga pensão para o nosso filho, cumpre com as responsabilidades de pai e estamos levando numa boa nossa relação como amigos. Mantemos o respeito um pelo outro, e vivemos em harmonia, até porque temos um filho.
 
Bom, recentemente fui em uma boate aqui na nossa cidade dos quadrinhos com uns amigos, um amigo meu, o Quinzinho, me apresentou um amigo de trabalho dele. Enfim ficamos conversando na boate e acabamos ficando. Foi uma noite maravilhosa....ele se chama Chico Bento. 
 
Ele é lindo, moreno, alto, carinhoso e tem um jeitinho meio caipira... Gostei de ficar com ele. Fiquei encantada mesmo! Quando voltei para casa, o Quinzinho mencionou que o Chico era casado e era pra eu tomar cuidado com essa história pra não me machucar e Rosinha a esposa dele, era super legal. Na hora eu não fiquei preocupado pois sabia que não passaria de uns beijinhos e nada mais. Talvez nem nos víssemos mais. 
 
Não foi o que aconteceu. Ele começou a me ligar e querer me ver. Então começamos a nos encontrar. Ele me falou no começo que era casado no papel e que morava com um amigo. Só que quando a coisa começou a ficar séria ele me contou a verdade.  Ele mora com a mulher, mas, segundo ele, não rola mais nada com eles, ele só chega em casa para dormir.
 
Ele já teve outras namoradas antes de mim, e falou que a Rosinha sabe, mas ela não vai embora porquê não tem para onde ir. Eles não têm filhos, mas a irmã da Rosinha morreu e deixou 3 filhos, e quem ajuda a criar as crianças é o Chico. 
 
Quando soube disso, terminei. Ele me pediu pra ter paciência, fez mil declarações e me disse que vai sair de casa, só precisa de um tempo. Disse que essa decisão de separar já foi tomada, mas precisa fazer as coisas com calma pra não deixá-la desamparada, mas deixou claro que é muito importante que eu fique do lado dele nesse momento. Frisou a importância da minha presença nesse momento porque ele não quer me perder.
 
Então, resolvi voltar para ele porque realmente estou apaixonada, mas dei um prazo para ele resolver tudo. senão eu terminaria em definitivo e não voltaria mais.
 
Meninas, estou completamente apaixonada por ele. Ele me faz feliz demais, me faz a mulher mais realizada do mundo, ele adora meu filho e meu filho adora ele. Eu não sei o que faço. Continuo com ele e vejo se ele esta resolvendo as coisas? Termino com ele? Preciso de ajuda por favor!!!!! 
O que vocês acham que devo falar para ele?
 
Muito Obrigada! Aguardo resposta...Beijos, Mônica!
 
 
Apesar da brincadeira com a troca dos nomes, a situação é bem real. Uma leitora está vivendo esse drama e pediu nossa ajuda. Quando recebi o email fiz questão de responder porque tenho noção da dúvida que a consome. Tentei dar leveza a uma história tão carregada de sentimentos e angústia. A seguir vou colocar o conselho que dei pra ela. Gostaria de saber da opinião de vocês.
 
"Oi Mônica, boa tarde!!!
Menina, as histórias de amor (por mais malucas que sejam) sempre me encantam... A sua história é simples de resolver, vá por mim...
A primeira coisa que eu preciso saber é: Você confia nele? Você acha que ele pode estar querendo te enrolar? Se a resposta for não (e eu acho que é tá tudo resolvido).

Se você o ama, você já respondeu 80% das questões, amada. Seja feliz, viva feliz e aproveite cada momento de prazer que a vida está lhe oferecendo. Fico feliz em saber que você recomeçou, a vida é cíclica e a gente não deve parar. Você não pode desanimar. Acredite no amor e esteja preparada para
recomeçar outra vez caso as coisas não saiam como você esperou.

Essa história de "estamos no mesmo teto, mas não temo mais nada" realmente assusta. Se acabou por que não separa? Eu entendo seu receio, mas não faça nada que venha a se arrepender depois. Você está envolvida demais pra se afastar agora, fique observando-o, caso perceba que não há reciprocidade, ou seja, que ele só fala mas não age, que talvez ele não sinta por você a mesma coisa que você sente por ele... aí sim é hora de pensar em dar adeus, mas antes disso ainda há um caminho a percorrer.

O que vc tem q priorizar, Mônica, é a sua felicidade. Você precisa ser cautelosa, responsável e proteger seu coração, seus sentimentos e não deixar que ninguém os magoe. Você precisa ter a consciência de que a
responsabilidade de cuidar de você é somente sua. Você não pode esquecer que o Chico é humano, que tem defeitos e que pode te magoar. Não pode esquecer que o risco faz parte do jogo e você poderá sim se machucar, mas vai ter que levantar e seguir seu caminho. Sabendo disso, é muito pouco provável que se decepcione. Caso haja a decepção será em uma menor escala. Não causará muitos estragos.

Espero ter ajudado. Espero que você seja muito feliz e que o amor prevaleça.

Beijos!

Verônica

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Minha Bagagem


(by Cinthya)
Se eu fosse colocar a minha vida dentro de uma metáfora, talvez dissesse que sou uma andarilha a caminhar por estradas, ora empoeiradas, ora chuvosas, ora desertas, ora movimentadas. Estradas solitárias me levam não sei pra onde. Estradas perdidas dentro de um deserto escaldante onde a água não aparece nem nos meus mais loucos delírios e também estradas floridas a percorrer os mais belos e abundantes oásis.
Também é comum me deparar com bifurcações e pensar bem antes de decidir qual estrada seguir. Às vezes chove e eu não encontro abrigo. Às vezes faz sol escaldante e não encontro sombra. Mas na grande maioria dos dias o clima está agradável e a caminhada se torna prazerosa.
O que eu percebi é que nunca solto a minha bagagem. Na minha mala acumulo as experiências, ou melhor, o resultado das experiências vividas. De uma forma nem tão organizada assim trago na minha mala os sonhos de uma vida toda, as alegrias compartilhadas com amigos, as gargalhadas gostosas, as desilusões, o primeiro amor que nunca me quis porque eu era feia demais (Coitado. Até pedi desculpas a ele), as lágrimas que derramei.
Trago também um bocado de dores, um punhado generoso de fel, pitadas repetidas de medo. Medo que senti de não dar conta dos compromissos que assumi “sozinha”. Medo de não conseguir passar valores sólidos pro meu filho, de falhar na sua criação. Trago o amargo quase incurável de ter sido rejeitada na hora que eu mais precisava de apoio. Isso foi de lascar, realmente, foi de lascar com a boca do balão. Mas não foi maior que minha força. E continuei.
Tem também um bocado de lágrimas, derramadas no silêncio solitário do meu quarto. Soluços abafados que só eu sei como doíam. E o resultado de tudo isso trago na minha mala, não tenho como negar. As dores passaram, eu sobrevivi, pulei as barreiras, escalei as montanhas, optei por não entregar os pontos.
Mas de cada situação sobrou uma reflexo, um sentimento que, eu querendo ou não, respinga em tudo o que eu faço. Então senhores e senhoras, não me julguem. Eu sei as dores que eu trago, eu sei onde o punhal entrou e sei quanto tempo demorou para cicatrizar o corte. Eu sei o preço que tive que pagar para hoje saber ser completa indiferente de qualquer coisa.
Hoje eu aprendi a ser dura e a lutar com unhas e dentes para não deixar ninguém destruir o que eu construí sozinha. O templo é meu. A paz conquistada é minha. O equilíbrio chegou e eu zelo pelo meu templo interior. Não é qualquer um que vai ter o inenarrável prazer de adentrar a minha paz.
Um dia eu tive que escolher o que fazer com as pedras que eu recebi. Eu poderia arremessá-las de volta nos algozes. Mas, iria contra minha natureza. Achei mais sábio usá-las na construção do meu castelo e hoje sou a Rainha da Minha Vida. No meu país mando eu. Querendo agregar, chegue junto. Querendo tomar as rédeas de minhas mãos, pode passar. Não quero.
É assim. A minha metáfora é essa. Uma andarilha a percorrer a pé várias estradas, sempre com sua bagagem recheada de sensações que, inevitavelmente, se tornaram o resultado de mim... Ou eu me tornei o resultado delas.
E você o que traz na mala?