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A criança que fui me tornou a mulher que sou. Eu era inventiva, questionadora, peralta, teimosa, ativa e comunicativa. Tinha a inocência que é privilégio das criança, tinha sonhos e muitos planos. Quis ser astronauta, jornalista, professora. Queria conhecer a França, ter um carro preto, uma cozinha toda branca. Sonhava ser casada com um médico e ter três filhos, ter uma chácara e um cachorro. Ah, queria uma tatuagem, uma estrela na nuca.
Quando eu era criança eu tinha medo de bruxa, tive pesadelos horríveis com elas. Pra ser bem sincera, ainda não vou muito com a cara delas. Tenho várias cicatrizes no corpo que mostram que eu não fui uma criança fácil. Eu era encrenqueira. Sim! Eu fui muito encrenqueira. Mas, eu era mole. Quando eu via que ía partir pras vias de fato eu corria e chamava meus irmãos maiores. Eu era encrenqueira, pirracenta e teimosa, mas nunca fui boba.
Eu fui uma criança teimosa, mas quando minha mãe falava, ou melhor, gritava, eu corria e ficava pianinha. Como eu já disse, boba eu nunca fui. Não podia arriscar. Já dei muito trabalho pra minha mãe, pras minhas professoras do colégio e pra professora de catecismo, depois pra professora da escolinha dominical. As professoras que eu mais lembro são: Celene, Gracinha, Angélica e das estagiárias: Leila e Josenilda. Ah que saudade!! Sempre tive um quê de liderança e de tomar a frente das coisas. Sempre me destacava dos meus coleguinhas em qualquer dinâmica que fosse. Por isso, já levei várias marteladas.
Tudo que vi e vivi me transformou na mulher que sou hoje. Mudo de idéia sem titubear, desde que tenha convicção disso. Até bem pouco tempo atrás queria porque queria ser advogada, mas quando vi que essa não era a minha praia, mudei de idéia rapidinho e hoje estou apaixonada pela contabilidade. Eu quis um carro preto, depois um vermelho, agora, eu quero um branco. Até chegar o dia de comprá-lo posso mudar de idéia sem peso na consciência. A vida é assim, um vai e vem sem fim, a mobilidade é muito grande. Com as idéias não pode ser diferente. Resgatando a criança um dia fui, consigo entender a mulher que sou.
Verônica





