segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Perdão e Liberdade

(Por Cinthya)

Um dia fomos agraciadas por um leitor que, com muita sabedoria, descreveu comentários profundos e interessantes em nossas postagens. Nos chamou a atenção a sua veia filosófica e o seu ponto de vista em relação aos assuntos aqui abordados.

Não me contive e o convidei a escrever um texto a ser publicado aqui. E, como ele mesmo disse, passou de estilingue a vidraça. E aceitou nosso convite.

Um texto profundo, verdadeiro e que vai fazer muita gente refletir sobre o poder do perdão.

Quim, obrigada pela preciosidade!



PERDÃO E LIBERDADE

(Por Quim)

O que significaria a palavra “Perdoar”?

Na pratica significaria agirmos deliberadamente, no sentido de desconstruirmos, de neutralizarmos um trauma, um mal e seus efeitos danosos, que alguém tenha praticado contra nós de forma voluntária, involuntária ou inconsciente, para que, através desta desconstrução passo a passo, possamos materializar aquilo que chamamos de :Perdão,e assim, possamos restabelecer o equilíbrio afetado, a relação social original, ou,uma condição semelhante, bem próxima, àquela que existia antes do ato praticado contra nós.

Em outras palavras, perdoar é agirmos voluntaria e deliberadamente para que tudo volte ao normal, a ser, se possível, como era antes entre nós e nosso desafeto.

Esta atitude,o perdão, só poderá partir da vontade e do desejo daquele que foi ofendido, magoado, agredido e não do agressor, o qual,por sua vez, ao perceber o erro, poderá se arrepender e pedir clemência por parte do ofendido. O perdão tem muito mais valor quando praticado espontâneamente, sem que tenha sido pedido pelo agressor.

Quando perdoamos alguém por um mal que este alguém nos fez , não importa qual a natureza do mal, cortamos um vinculo que este mal praticado estabeleceu entre nós e o nosso agressor, com isto, nos livramos de um peso sobre as nossas costas, nos livramos dos traumas e sofrimentos, dos sentimentos negativos, do peso da raiva, do ódio, da magoa, da tristeza e, acima de tudo, do desejo de vingança, sentimentos estes, que só nos fazem mal e nada nos trazem de bom .

Em muitas situações, perdoar nem sempre é fácil, o perdão não raro,exige de nós um esforço quase sobre humano para leva-lo a efeito, assim como exige tempo, paciência, persistência, capacidade para relevar, contemporizar, neutralizar, compreender, tolerar, etc, etc. Pode ser um processo longo,demorado,não raro, chegando a durar toda a vida de uma pessoa. Mas,seja la como for, perdoar sempre valera a pena!

Quando abrimos nossos braços para o perdão,estabelece-se em nosso intimo uma ferrenha e intensa batalha entre o bem e o mal, entre o mocinho e o bandido, batalha que teremos de fazer o bem vencer a todo custo.

Perdoar nem sempre significa esquecer, passar uma borracha, apagar tudo, embora fosse o ideal,uma vez que, esquecer, é muito mais difícil, considerando que o mal que alguém possa nos ter feito pode ter sido grave, doloroso, abrindo lacunas intransponiveis, chagas extensas, pode ter provocado perdas importantes, separações dolorosas, prejuízos materiais irreparáveis, danos psicológicos e morais muito sérios, talvez, insanáveis, provocado ferimentos profundos em nosso corpo, em nossa alma, em nosso coração.

Mas, não importa qual seja a gravidade e profundidade do mal que nos fizeram, pois sempre será necessário, para a nossa sobrevivência como um todo, que restabeleçamos a paz conosco, o nosso reequilíbrio intimo, condições que só são alcançados, quanto perdoamos nosso agressor. A grandeza e a nobreza do perdão ao nosso desafeto, será sempre, diretamente proporcional ao mal que ele nos fez. Quem perdoa,adquire poderes e um deles,talvez, o mais importante,é o poder e domínio sobre si mesmo.

Vale lembrar,que o nosso perdão tem um alcance ainda ainda mais amplo,é quando o nosso desafeto também sente seus efeitos positivos, sente -se perdoado, alcançado a paz e serenidade que ele jamais teria sem que houvesse o nosso perdão.

Quando verdadeiramente perdoamos nosso semelhante, reequilibramos uma situação intimamente perturbadora para nós , retornamos ao caminho original de nossas vidas, do qual desviamos em razão da agressão sofrida, as feridas abertas cicatrizarão mais rapidamente; sem perdoarmos, jamais retornaremos ao mesmo caminho e talvez, por conta do odio, do rancor, do ressentimento, realimentados a cada vez que nos lembrarmos do fato, possamos nos perder e nos embrenharmos por outros caminhos escuros ainda piores e sem volta e o que é mais grave: As feridas abertas continuarão sangrando cronicamente, cada vez mais e mais, nos exaurindo por completo.

O Perdão nos liberta, nos permite voltarmos a ser livres,leves e soltos, pouco importa se o perdoado mereça ou não o nosso perdão, o que importa, é fazermos a nossa parte, pois o bem que o nosso perdão concedido a ele faz a nós mesmos, é imensurável.

Perdoando nossos desafetos, nos capacitamos moralmente, para pedirmos perdão a alguém, quando formos nós os agressores, uma situação à qual também estamos sujeitos, pois igualmente aos que nos fizeram mal, também somos falíveis e imperfeitos.

Contudo, há uma face do perdão que é pouco compreendida pela maioria das pessoas, ou seja: Perdoar é também, uma forma indireta, mas, eficiente , de nos “vingarmos” do nosso agressor. Pode parecer uma contradição absurda, mas, na verdade, não é .

Eu costumo dizer para uma pessoa : Quando alguém te ofender, não importa se a ofensa praticada seja grave ou banal, se você desejar dar o trôco, se “vingar” desta pessoa sem sujar tuas mãos, você só precisará dar um único e decisivo passo, ou seja: Perdoa-la e esquecer !

Quando alguém consegue fazer isto, duas coisas acontecem,a primeira: O agredido se libertará do agressor e continuara com a sua vida, livre e sem problemas; a segunda: O agressor se vera às voltas e frente a frente com o mal que praticou, frente a frente com um processo de introspecção, de remissão de culpa, como uma espécie de “acerto de contas”, atravez do qual , ira sofrer todas as conseqüências do mal que tenha praticado a alguém; não será um castigo, embora possa parecer, pois a vida não castiga ninguem, mas , exige cobra e leva a efeito a compensação, na mesma moeda e no mesmo valor . O que não só restabelece o equilíbrio afetado ,como sera tambem, um aprendizado, uma lição de vida, para que o individuo agressor aprenda e apreenda e assim não volte mais a praticar o mesmo erro.

Porque isto acontece?

O universo é regido por leis universais, naturais e espirituais,que são impessoais, imutáveis, as quais regulam, organizam e mantem o equilíbrio e harmonia em todas as coisas. Quando uma destas leis é violada, entra em ação um mecanismo natural para que a ordem quebrada seja restabelecida. Uma destas leis, é a chamada: Lei das Causas e Efeitos; para alguns: Lei do Carma; para outros: Lei do retôrno. Quem de nós, ainda não ouviu, ou não leu em algum lugar estas frases: Aqui se faz,aqui se paga; Quem com ferro fere, com ferro será ferido; Olho por olho, dente por dente ? É por aí...

Quando perdoamos, abrimos caminho para que se manifeste esta lei das causas e efeitos, é quando o nosso agressor se vera frente a frente com a sua obra, com o mal que ele praticou, para que possa resgata-lo e se redimir dele, zerar a sua conta. Sem o nosso perdão, isto não acontece, pois impedimos que aconteça, fechamos os caminhos. Vale o mesmo para nós,quando praticamos um mal contra alguém e este alguém, para se “vingar” de nós, nos perdoa. Aí “pobre” de nós !...rsrs...

Vale ressaltar,que uma eventual vingança física da nossa parte contra o nosso desafeto, jamais teria o mesmo efeito, jamais seria tão profunda,tão eficiente e tão completa, quanto sera, se deixamos a conta para as leis Divinas fazerem o competente resgate.

Numa linguagem mais simples: Quando colocamos nosso caso nas mãos do nosso Criador, deixando para ele o peso da nossa “vingança”, tiramos das nossas costas todas as consequências que adviriam se agíssemos por nossa conta, com as próprias mãos, além, é claro, de as mantermos limpas !

Guardar ressentimentos, ódios ou magoas, só nos faz mal,envenena a nossa alma, o nosso corpo, o nosso espírito, nos adoece, atrai o Câncer, como a ciência já vem comprovando através de varias pesquisas

Guardar estes sentimentos negativos contra alguém, é o mesmo que tomarmos um copo de um poderoso veneno, desejando que o nosso desafeto morra .

Perdoar é tambem esquecer, mas, como esquecer nem sempre é possivel porque muitas cicatrizes ficam para sempre, que aceitemos então estas cicatrizes, como consequências positivas, medalhas de honra por vitorias sobre nós mesmos, obtidas através do nosso perdão, pois sem ele, sem o nosso perdão, certamente, elas continuariam chagas abertas, possivelmente, ainda sangrentas, purulentas e infectadas.

Quando poderemos ter certeza de que perdoamos verdadeiramente alguém ? Esta certeza nos vem , quando , relembrando o fato que perdoamos, não sentirmos reação negativa alguma, não sentirmos nenhuma fisgadinha no peito, nenhum incômodo no estômago, nenhum ressentimento no coração, mas, sentirmos uma sensação de alivio, de leveza, de paz,serenidade , compreensão e até mesmo, de gratidão a esta pessoa; gratidão porque o mal que ela nos fez,nos levou a descobrirmos a grandeza e nobreza do nosso ser, do nosso coração, da nossa alma.

Indiretamente, esta pessoa contribuiu para que nos fizessemos melhor, sem duvida nenhuma.

Deveremos fazer do perdão um principio fundamental em nossas vidas, deveremos perdoar sempre, a tudo e a todos, pois o perdão sempre fara de nós, pessoas infinitamente melhores, mais fortes, mais poderosas, mais felizes, mais saudaveis e mais longevos, mas, em contrapartida, o perdão também fara de nós, pessoas muito perigosas para os nossos desafetos, porque perdoando-os, levaremos de volta a eles e na integra, todo o mal que nos fizeram ou que nos causaram e tudo isto sem movermos um único dedo contra eles...

Perdoe, se liberte e viva feliz!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Gris


(by Cinthya)


Não importa o quanto de felicidade você tenha acumulado na sua bagagem, não interessa se você mantem o sorriso vivo na maior parte do seu dia (ou dos seus dias). Não importa se você cultiva lindos sonhos e planta somente sementes boas. Não faz diferença se você vive rodeado de amigos presentes, família gostosa. Não interessa se você já perdeu a conta de quantos momentos malucos e inesquecíveis você já viveu ao lado das pessoas que ama.

Não importa se você já parou apenas para admirar o sol se despedir e sentiu-se plena com isso. Não interessa se você consegue ver beleza numa florzinha pequena que nasce em meio a calçada de concreto ou se você se diverte apenas olhando as crianças conversarem com suas palavras quase indecifráveis. Não importa se o simples fato de você estar ao lado dos seus pais, sentindo o cheiro e o calor que eles emanam é o suficiente para te fazer sentir-se protegida.

Não interessa se você tem os melhores irmãos do mundo. Se os melhores amigos estão ao seu lado sempre. Não importa se você é daquelas pessoas sempre requisitadas para as reuniões de amigos, mesmo que você não tenha um real no bolso, a galera sempre faz questão da sua presença. Não importa se você foi marcante na vida de muita gente. Se viveu lindas e intensas histórias de amor.

Não importa se você deu a volta ao mundo, se consegue comprar tudo o que deseja, se esta na profissão que sempre sonhou. Não interessa se você fala quatro idiomas, se é excelente no volante, se tem o carro dos sonhos. Não importa se você é duro na queda, se conseguiu vencer grandes obstáculos, sair do fundo do poço, sentir o nariz tocar o chão e depois deu a volta por cima.

Nada disso importa. Um certa manhã você acordará e perceberá que o dia está gris. Cinzento, triste, sem vida. Essa lei se aplica a todos, inclusive a mim. Ninguém está livre dela. Dias grises são inevitáveis na vida de qualquer um. Mas engana-se quem pensa que nos meus dias grises eu vivo descabelada a chorar pelos cantos. Nunca pense! Quando esses dias chegam, eu corro a procurar a aquarela que vai encher de vida a minha vida. Pois é assim que gosto da vida: Feliz e cheia de cores!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Bilhete Premiado





Ele nem sempre foi um menino problemático, mas desde que o pai assassinado brutalmente em um assalto, ele se tornou um adolescente arredio, meio rebelde. Se escondia atrás de um temperamento violento para disfarçar a timidez.

Com dezesseis, quase dezessete anos, depois de muito bater cabeça por aí... ele conseguiu um emprego no mercadinho do senhor Jerônimo, um homem carrancudo e mau-humorado que só aceitou dar-lhe esse emprego por consideração ao falecido. Sempre ávido por informações, era muito esperto, sagaz e aprendia rápido.

Ele odiava o senhor Jerônimo e era recíproco, ele só estava lá porque precisava do dinheiro, mas não gostava nenhum pouco do trabalho pesado que fazia carregando sacos, e nem das humilhações que sofria. E o senhor Jerônimo só o mantinha lá por três motivos: 1- Ele era muito ágil no trabalho, forte e dava conta do serviço. 2- O salário era baixo, compensava. E 3- Em consideração ao amigo falecido.

Um belo dia, um colega de trabalho do menino-problema chegou com o resultado da loteria, ele foi conferir sua aposta e quase deu um infarto ao constatar que tinha ganho um prêmio. Ficou em estado de êxtase, saiu derrubando tudo que viu pela frente e não perdeu a oportunidade de ir lá dizer umas poucas e boas ao senhor Jerônimo. Agora que estava rico, não precisava mais aturá-lo, nem aturar seus desaforos e humilhações.

Quando foi retirar seu prêmio, qual não foi a sua surpresa. O valor era baixíssimo e dividido para uma porrada de gente. Percebeu que a merreca que recebeu mal daria pra pagar as contas do mês. E agora? Duro e desempregado!

Vendo a sua situação, depois de rir muito do quase-milionário o cunhado resolveu dar uma oportunidade em sua empresa de informática. Custeou seus estudos na faculdade, após exigir que ele concluísse o segundo grau. Ensinou-lhe tudo que poderia e prometeu um futuro promissor e uma carreira brilhante. Foi o pai que o menino rebelde precisava. A mão-amiga na hora certa.

Anos mais tarde tornou-se sócio da empresa e como o cunhado profetizara ficou muito rico. Tudo ía muito bem e aquela parceria que deu muito certo ía de vento em popa  O destino que não se cansa de pregar peças desagradáveis mudou o rumo das coisas. Após um trágico acidente de carro que causou a morte do cunhado, amigo, orientador e parceiro ele se viu com a difícil tarefa de tocar a empresa sozinho.

Muito talentoso, com tino para os negócios e muito bem instruído triplicou o patrimônio e construiu um império. Uma história de vida marcada por tragédias e oportunidades onde o personagem principal foi o senhor do seu próprio destino e o seu bilhete premiado foi a oportunidade que lhe foi dada.

Verônica

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Das Certezas Que Eu Não Tenho



(by Cinthya)

Algumas vezes eu me pego esperando da vida uma exatidão que ela não oferece. Uma concretude que anda longe de acontecer, uma certeza, um solo seguro onde eu possa repousar certa de que nada irá me incomodar, magoar, machucar, estremecer minhas bases.

Mas essa certeza não chega. E a sensação que por vezes predomina é justamente de estar atirando às cegas, andando de olhos vendados em terreno desconhecido, pisando campo minado onde somente a minha intuição e cautela podem me salvar das explosões. Trilhando uma longa estrada sem mapas ou GPS externos que me possam orientar. Como se eu mesma fosse a minha bússola.

Ás vezes eu sinto que estou fazendo parte de um grande ensaio, para um grande espetáculo, mas que não me entregaram o roteiro, nem as falas, nada. Esperam de mim o melhor, mas ninguém me diz como agir, como ser, como sentir. Ninguém me diz onde devo me posicionar, em que momento eu entro em cena, em que momento encerra a minha participação.

Pergunto a alguns amigos casados se eles sentiram em algum momento a certeza de terem encontrado a pessoa certa, de ter chegado a hora certa, de ser o casamento a escolha certa. Não. Eles não tiveram essa certeza. Um leque de situações os levou a essa decisão, afinidade, vontade de construir uma familiar, cobrança de um ou outro lado, vontade de ver o que aconteceria, paixão em alta, vontade de ter a pessoa mais perto. Mas a certeza em si, não existiu. Certeza pura e absoluta de que era a decisão mais certa a ser tomada.

Meu filho nasceu de uma gravidez não planejada, onde os acontecimentos foram surgindo e, de repente, uma grande mudança chegou, ficou, me agradou. Não tinha um plano de ação, não tinha traçado na minha cabeça que seria assim, que seria com ele, que seria naquelas circunstâncias. Não. Mas ainda assim aconteceu. E hoje me sinto muito confortável exercendo a maternidade, como se eu realmente tivesse nascido para isso.

Embora a certeza não tenha estado presente. Embora ainda hoje eu lute contra o medo de não conseguir dar conta do recado, de não conseguir incutir valores sólidos no meu filho, de não conseguir dar a ele a liberdade que ele precisa para ser uma pessoa feliz. Tenho que dosar liberdade e limites e eu tento, mas essa certeza de que estou certa, eu não tenho.

É como se a gente vivesse numa teia de acontecimentos que nos conduzem a um ou outro lugar sem que necessariamente a soberania seja da nossa vontade. A gente se deixa levar e quando vê, aconteceu. Pelo menos na maioria das vezes é assim.

De repente isso é a magia da vida. De repente se as coisas fossem muito claras e a gente, ao nascer, recebesse um documento contendo tudo o que nos ia acontecer, reclamássemos da falta de mistério na vida. Reclamássemos da certeza absoluta de tudo.

As coisas são incertas mesmo. E, quem sabe, o maior encanto seja justamente esse friozinho na barriga por não saber o que me aguada daqui a uma hora, um minuto, um segundo. Quiçá esteja eu, num futuro não muito longe, a escrever meus pensamentos, sentada em meio a um agradável jardim da Toscana, ouvindo Pavarotti, tomando um bom vinho, sentindo uma paz inexplicável. Hoje eu não tenho condições de realizar isso, tenho apenas a vontade. Mas já que nessa vida tudo é tão incerto... Quem garante que eu não esteja lá um dia?


A vontade não garante a certeza. A minha vontade me move, me faz correr atrás do que eu quero e acredito. Sou determinada, tenho minhas metas. Mas a certeza de que estou certa, de que dará certo, de que é assim que tem que ser, de que serei feliz ao chegar lá... Ah... Essa certeza eu não tenho. 

Para mim, a maioria das coisas é incerta. Mas isso não me impede de sonhar, de querer, de lutar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Doutor e o Matuto




O doutor foi cheio de pose perguntar pro matuto o que ele achava do texto que acabara de produzir. O doutor olhou pro matuto pensando por dentro Acho muito pouco provável que esse matuto consiga assimilar a mensagem implícita contida nessas linhas.  Já o matuto pensava consigo: Esse texto tá fraquinho, fraquinho... Mais parece um caldo de coentro.

Do alto do seu pedestal e do centro da sua ilha particular de puro orgulho o doutor esperava um posicionamento do matuto que por sua vez, pensou, ponderou e pra não ser grosseiro se limitou a dizer: Veja bem Doutor, esse texto tá fraco. Necessita de uma sustância. Não sei se entendi o que o senhor quis dizer. Aliás, não achei aqui o que o senhor quis dizer. Tá fraco!

É óbvio que você não assimilou o que eu quis dizer. Você não é instruído o suficiente. Onde eu estava com a cabeça quando vim pedir a opinião desse ignorante. Pensava o doutor. Mas, seguindo a diplomacia do matuto e disfarçando a soberba que lhe é peculiar se limitou a dizer: Talvez o senhor não tenha instrução o bastante para compreender um texto com alto nível de complexidade, como é esse. Lhe peço desculpas. Vou procurar alguém que possa me dar uma colaboração mais significativa. 

E o matuto, sabido que só ele, disse apenas: É, talvez eu não tenha o tanto de instrução que o senhor tem, mas não precisa ter uma dúzia de diploma pra ver que esse seus escritos aí precisam mesmo é de um caldinho de mocotó.

No meio do caminho o doutor desistiu de ir buscar outra opinião e foi atrás dos ingredientes do tal caldo de mocotó pra incrementar seu texto xoxo. 


Moral da história: É bom ouvir a voz da sabedoria.


Verônica

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Plantar E Colher

(by Cinthya)

Quando a gente tem um objetivo na vida e esse objetivo é mais que um sonho simples, mais que um desejo qualquer, mais que uma vontade... Quando esse objetivo se torna uma meta, um desafio a ser vencido, um sonho maior a ser realizado a gente se empenha para chegar lá.

Em algum momento da vida, em algum ponto da estrada um estalo acontece e agente parece que ganha super poderes e vai atropelando tudo que há de problemas que possam atrapalhar a nossa jornada. A gente se sente maior que os obstáculos. Na verdade nós temos o tamanho da nossa vontade.

É certo que muita coisa tenta nos puxar pra trás, que muitas pedras machucam os nossos pés e, estando em dias de luz, a gente tira isso de letra. No entanto, se essas pedras nos alcançam em dias nublados, as dores parecem imensas, o incômodo nos tenta a deixar tudo de lado, esquecer a meta e adotar como objetivo apenas a volta pra casa, a busca pela cama, pelas cobertas, pela mesmice.

Ninguém consegue manter a alegria o tempo todo. Ninguém consegue estar forte todos os dias, não é possível manter a mesma disposição diante de tantos atropelos, de tantas coisas inesperadas que chegam na tentativa de atrapalhar o meio de campo e nos tirar o foco. Mas uma pessoa determinada enxerga esses dias nublados e os enfrenta mantendo dentro de si as cores que precisam existir para que o sonho não morra.

E talvez seja justamente nessa hora que se destaca o campeão. Na hora da dificuldade ele não entrega os pontos, pois a sua vontade de vencer é tão grande, mas tão grande que todos os pontos negativos se tornam menores. O brilho dos seus olhos não se perdem. O seu coração não se entrega.

O foco não pode mudar para quem quer alcançar o sucesso de sua vida. Um sonho para ser realizado requer de nós muita dedicação, muita determinação, muito empenho e disciplina. Não tem outro jeito de se chegar lá. Não existe fórmula mágica. Não existe uma varinha encantada para fazer as coisas acontecerem do dia pra noite. Infelizmente isso não existe.

Então, arregaço as mangas, chuto as pedras para fora do caminho, me agarro aos troncos fortes das grandes e velhas árvores para que a ventania não me leve. Envergo, sinto o cheiro do chão, piso na lama. Mas retomo rápido a estrada. Eu sou guerreira.

Meu sonho é o meu objetivo e eu vou chegar lá. Não cheguei até aqui para morrer na praia. As dificuldades cansarão diante de minha determinação. Sou teimosa. Estou no caminho certo. Talento, dedicação e vontade não me faltam. Semeio minha vontade de crescer e a colheita será breve e farta.

sábado, 3 de novembro de 2012

Quem Faz Suas Escolhas?

E hoje o Divã recebe uma visita bem especial. O amigo Mário Pires nos presenteia com uma crônica pra lá de interessante!

Seja bem-vindo, Mário... Afinal de contas, o Divã também é Delles!

Cinthya

Quem Faz Suas Escolhas?

Por Mário Pires (*)


“E Deus criou o homem à sua imagem, semelhança... e lhes deu a dádiva do livre-arbítrio”, Gênesis 1:26. Calma! Não sou Teólogo. Essa é só uma breve avaliação sobre as suas, nossas, escolhas.


De acordo com o dicionário, a palavra livre-arbítrio, significa: substantivo masculino, decisão dependente apenas da vontade; alvedrio; vontade própria e independente; domínio ou poder absoluto. Porém, tal significado nem sempre tem influencia em nossas vidas. Algumas pessoas vivem sem o domínio sobre suas próprias decisões, permitindo que outrem determine seus passos. Mas afinal: quem faz suas escolhas?


O tempo, a idade e, às vezes, a maturidade não são garantias de que seremos independentes, donos dos nossos narizes. Em algumas ocasiões, verdadeiros cordões umbilicais não são cortados, ou até mesmo, passamos a viver sob as escolhas de outros, tipo: namorados/as, esposos/as, parentes e até mesmos amigos, quando esse último tem influência sobre a amizade. E aí, novamente pergunto: Quem faz suas escolhas?


Ainda segundo a Bíblia, uma das escrituras mais sagradas no mundo, que representa a Palavra de Deus, no “juízo final” - para quem acredita, “cada um responderá por seus atos”. Então por que, em alguns casos, pessoas vivem na “dependência” de ordens ou obrigações alheias?


Chegamos a este mundo por intermédio de nossos pais, os quais buscam nos conduzir à sermos pessoas de bem, para que, adequadamente, na nossa maioridade, possamos ter a capacidade de administrar nossos atos. E por que isso muitas vezes não acontece?


Augusto Cury - médico, psiquiatra, psicoterapeuta e um dos escritores mais conhecidos no Brasil, quiçá do mundo – já que suas obras estão publicadas em mais de 60 países, “o destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos”. Mais uma vez pergunto: quem está fazendo a sua história? Quem está fazendo suas escolhas? Quem está escrevendo seus próprios caminhos?


Vivemos um mundo que nos impõe escolhas a todo instante. Passamos um dia inteiro com a obrigação de tomar tantas decisões, seja ela cotidiana, emocional, e/ou racional. Até ler esta crônica, você escolheu. Talvez o tema tenha lhe chamado à atenção, e a partir fizeste a escolha de ler. Pode ser que você não esteja gostando, mas, ainda assim, você escolheu.


Entretanto, escolher ler um texto é uma ação simples. Claro! Mas, e as principais decisões da sua vida? Quem tem as “rédeas” deste “livre-arbítrio”? Quem escreve a sua história? Quem toma a decisão de seus atos e atitudes?


No âmbito racional, a maioria de nós, escolhemos seguir determinadas “regras” impostas pela sociedade. Mas há quem não queira seguir, a exemplo dos hippies que cultuam a “Paz e o Amor”, respeitando as questões ambientais, a natureza, a prática de nudismo e a emancipação sexual, fazendo assim, também, as suas escolhas.


Emocionalmente, para Erich Fromm, filósofo e sociólogo alemão, “Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, dependência, etc”. Então, você se sente livre para fazer suas as escolhas e diminuir essa tal a infelicidade diagnosticada por Fromm? Qual o caminho que você está seguindo? Você controla seu destino, ou controlam por você?


Para o publicitário Artur Bender, pós-graduado em Literatura Brasileira, com 20 anos de experiência, “quase tudo pode ser planejado (escolhido, digo eu). As duas únicas exceções são a morte e o amor”. Ou seja, todo o restante, você pode escolher.


Não quero fazer apologia à loucura. Não! Não vá sair pelado/a na rua gritando “eu sou livre e faço minhas escolhas!”. Calma! Isso é atentado ao pudor. Lembre-se, vivemos em sociedade. Nem diga depois que ler este texto “eu escolho ser rico”. Tenha bom senso. Isso não vai acontecer da noite para o dia. Mas se você escolher buscar esta riqueza, quem disse que não podes conseguir? Tente! Escolha o que acredita ser o melhor para você. Se der errado, você tentou. Se der certo, foram méritos da sua tentativa. A vida é assim. Erros e acertos. Basta escolher!


Muitas das vezes temos o medo e a dificuldade de enfrentar o passado e encorajar o futuro. O medo também é saudável. Só não podemos deixá-lo nos dominar. “Façamos do medo uma escada e do sonho uma ponte”, diz Fernando Sabino. E fazendo minha, as palavras do meu xará, Quintana: “Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo”. Pense nisso!


Faça suas escolhas! Bom dia e boa reflexão!



(*) Gestor de Marketing, cronista, poeta e compositor.