(by Cinthya)
De Ferro!
É muito bonito a gente desenvolver uma teoria sobre as coisas que nos rodeiam, sobre como devemos levar a vida, sobre como devemos agir diante de determinadas coisas. É legal defender nosso ponto de vista em relação àquilo que nos move, que nos atinge, que nos eleva ou nos rebaixa. Ter firme dentro de nós a força que precisaremos usar quando o chão nos faltar por um ou outro motivo.
A gente passa para os outros aquilo que achamos ser o correto. Mas um dia o problema chega pra gente, inesperado, indesejado. Chega e abala as estruturas que vinham, até então, sustentando nosso eu e dando firmeza aos passos. Mantendo-nos retos na estrada da vida. A gente vai pisando com passos fortes, até que, de repente, os nossos pés não encontram mais o chão.
E então? Desespero ameaça chegar no pedaço e a gente até estremece, mas lembra imediatamente de tudo aquilo que sempre defendeu, que sempre pregou. E vê-se obrigado a seguir à risca as suas próprias propostas. Como se fosse a aula prática de uma teoria escrita detalhadamente numa grande enciclópedia.
E se alguém pensa que na casa dessa ferreira o espeto é de pau, engana-se plenamente. Aqui se faz o que se fala. Se o chão faltou e precisarei cair no abismo, cairei tendo a certeza de chegar em algum lugar e que nesse lugar terei toda chance de recomeçar do zero, (re)construir, (re)organizar, (re)fazer, (re)modelar. Se o sol se pôs bem ali na minha frente, esperarei o luar e me encantarei com ele, na mesma proporção de alegria e euforia que me encantei com o brilho e calor do sol.
Faço questão de usar minhas situações “desfavoráveis” como laboratórios para minhas ideias de vida, de felicidade, de superação. Fechou-se uma porta, abriu-se, em algum lugar, uma janela, uma outra porta, uma fresta que seja. Qualquer raio de luz já me serve para guiar-me no novo rumo que terei que tomar. Se o leite derramou, eu posso até chorar, mas choro com um pano nas mãos, limpando o fogão e lavando a panela. Nada de bagunça.
Aqui é casa de ferreiro e o espeto é de ferro, da melhor qualidade. Eu não me entrego fácil. Meu sorriso é teimoso que só ele. Não baixo a cabeça. Problema aqui é pra ser resolvido e não idolatrado. Se algo não deu certo, mudo o ângulo, escolho outro foco, troco de óculos, faço o que precisar fazer para ver o lado bom que, eu sei, existe.
Vou dar leveza. Não vou desanimar. Tá pra nascer um problema pra derrubar essa "Negalôra". Eu escolhi ser forte. Se acabou uma coisa boa, é porque, tenho plena convicção, outra melhor está para acontecer e eu não vou permitir tristezas atrapalhando o andar da minha carruagem.
Tenho compromisso firmado com a felicidade!