(by Cinthya)
Tenho muita história para contar. Graças a Deus, sou abençoada de lindas, cômicas e quase inacreditáveis histórias. Talvez por não ter medo de viver, talvez por saber ser feliz com o que tenho (ainda que seja pouco) coleciono pessoas encantadoras que passaram por minha vida e encantaram um pedacinho dela, tornando-se um pedacinho de mim.
Tenho muita história para contar. Graças a Deus, sou abençoada de lindas, cômicas e quase inacreditáveis histórias. Talvez por não ter medo de viver, talvez por saber ser feliz com o que tenho (ainda que seja pouco) coleciono pessoas encantadoras que passaram por minha vida e encantaram um pedacinho dela, tornando-se um pedacinho de mim.
Era carnaval em Salvador e eu, claro, estava lá. Era a última noite de festa. Depois de 4 dias inteiros de sol, eu estava com uma pele que não era minha, creiam. Hoje quando revejo as fotos, além da saudade me pego indignada de como me deixei tostar daquele jeito (?!?).
Enfim, voltando ao começo, era carnaval e eu estava com as amigas no Pelourinho (nunca tive grana pra sair em bloco), brincando, pulando, dando muita risada ("e hoje, sou feliz é te ver, com dinheiro ou sem dinheiro, eu me viro em fevereiro"). Sempre gostei muito de carnaval e não importa se brinco em Olinda ou em Salvador, me divirto do mesmo jeito. Estava eu pulando quando uma amiga me mostra um rapaz muito bonito, branco (quase transparente), estatura mediana, olhos firmes a me olhar. Mas ele me olhava muito fixamente. Não demorou e estávamos conversando, ou pelo menos tentando conversar (ele não falava português).
Ciclista, italiano de Trentino-Alto Ádige (uma região bela no nordeste da Itália), calmo, ele estava a passeio e encantado com o que via. De cara percebemos uma grande afinidade e a conversa se estendeu noite afora. Enquanto os blocos passavam, eu e ele conversávamos sobre Dante Alighieri e sua Beatrice, sobre Rafael, Michelangelo e tantos outros assuntos que me encantam, e a ele também. Quando percebemos, o dia já tinha amanhecido. O Bloco da Limpeza já banhava nossos pés com água e sabão e nós ainda estávamos ali, sentados numa das calçadas do Pelourinho a discorrer sobre a odisséia de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso.
Marcamos de nos ver na praia, mais tarde. Disse apenas a praia que iria e a cor do biquíni que usaria. Não deu outra, ele me encontrou e a conversa teve continuidade. Agora já não apenas trocávamos palavras, mas também beijos e carinhos, aliás, coisa muito normal para uma afinidade tão grande.
O final da tarde chegou e nos encontrou caminhando pela areia molhada. Era Quarta-feira de Cinzas e nós de mãos dadas ("andar de mãos dadas na beira da praia por esse momento eun sempre esperei"), sorriso nos lábios gravávamos na memória tudo o que podiámos gravar daquele encontro. A noite ameaçava cair e precisamos dizer 'Adeus'. Eu pegaria o ônibus naquela noite de volta para casa e ele o vôo de volta à Itália. Entrei no coletivo e o deixei ali, acenando. Lindo. Ele é lindo de corpo e de alma. Inteligente, sensível e engraçado.
Isso aconteceu há uns 6 ou 7 anos. Ontem recebi um e-mail dele dizendo que o tempo passou... Muito tempo passou, mas ele nunca esqueceu daqueles momentos tão agradáveis e sensíveis que fizeram a viagem dele valer a pena.
Foi um Amor de Carnaval, é verdade. Mas um amor diferente, puro e bom o suficiente para ser recordado sempre.
Enfim, um viva para as Histórias que compõe o nosso Livro! Pedacinhos de felicidade dispostos num mosaico chamado VIDA!






