segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Alô Crush!



(by Cinthya)

Um dia você cansa de dar com a cara na parede. Eu, particularmente, tenho minhas desconfianças naquela afirmativa de que “os opostos se atraem”. Aliás, eles até se atraem, mas não passa disso. Uma hora as diferenças gritam alto e o barulho incomoda ao ponto de você ir buscar seu silêncio em outros ares. Buscar melodias que se encaixem na sua letra; passos que caibam na sua dança; letras que preencham suas páginas. Não se sustenta uma relação sem harmonia.

Então, todas as suas amigas decidem (entre elas, que isso fique claro) que você precisa de alguém. Não tem condições nenhuma de você ficar só. Não é saudável uma mulher tão inteligente e interessante não encontrar um par. E começam a desenterrar defuntos mumificados ou trazem novidades totalmente fora de seu contexto. E tanto cobram que você começa a pensar que, de fato, pode estar ocorrendo algum problema.

Então você vai recebendo as indicações das amigas e descartando-as uma a uma: “Esse não. Nada a ver!”, “Vixe, deixa quieto”, “Esse é até legal, mas gosta de tudo oposto”, “Com esse tinha química, mas só isso”, enfim. PAREM por favor. Não tem coisa mais insistente do que amigas querendo desencalhar alguém. Elas não cansam. São empenhadas.

Um dia, como num sopro ao seu ouvido, vem o nome daquele Crush. Um sussurro que te faz perder o folego porque vocês têm muita coisa em comum. Mas, você empolga-se pra logo em seguida conter-se, porque apesar de lindo, existem obstáculos consideráveis no caminho. E você começa a observá-lo de forma mais atenciosa, até porque desafios sempre lhe atraem. Inicia-se um processo gostoso de descobrimento. Parece que ele estava coberto com um manto que, de repente, foi retirado. Como você nunca o havia visto com esses olhos de desejo?

Dizem que “gato escaldado tem medo de água fria” e com você, que é gata, não seria diferente. Então você avança quatro passos pra recuar dois. Sempre na espreita, no cuidado. Procura nele uma reciprocidade mínima que seja, mas que exista. Caso contrário, será só mais um nome pra lista das “tentativas”.

Sabe aquela famosa afirmação de que “o universo conspira a favor daquilo que tem que acontecer”?  Pois não é que isso é fato! De repente, você se percebe recebendo sinais de todas as partes. Sinais de que esse interesse não é algo aleatório, sinais de que aquele sussurro no ouvido não foi acaso. Aliás, você descobre que acaso é algo totalmente descartado.

E você acorda pra Jesus e vê que aqueles olhos te olham de forma diferente, olham com palavras, com sentimentos. Olhos com frases presas. Parecem sufocar algo que precisa ser dito. Você estremece e, mesmo assim, se mantem quieta. Pode ser que esteja entendendo errado. Mas aí vem o Universo e manda um outro sinal. Descobre que ele gosta daquele cantor que só você (no seu ciclo de convívio) gostava até então. Que ele gosta daquela música que você canta todo dia, vibrando e achando linda. Que ele leu aquele livro que é o seu preferido. Que ele comunga das mesmas crenças.

Você descobre também que sua mão cabe perfeitamente na mão dele, e que a mão dele tem um calor aconchegante, que você ficaria ali por horas, sem reclamar. Você percebe que a presença dele lhe traz segurança, que o timbre de voz dele faz você acalmar-se. As situações vão trazendo você e ele para uma valsa, um círculo que vai se apertando e cada vez mais vão ficando próximos.

Ainda existem dúvidas? Chega aquele medo de fazer papel de trouxa? Você recua. Mas, os sinais se acentuam. E você se percebe atenta. Percebe-se querendo. Percebe-se receptiva. Descobre que existe algo maior e mais forte. E, apesar das circunstâncias e dificuldades, você sabe que vai acontecer. Onde? Quando? De que forma? Não se tem conhecimento. Você nem tem pressa. O que você sabe é que aquele Crush lhe quer. Você tem convicção e talvez aqueles olhares, aquele calor nas mãos, aqueles sinais... Talvez isso sirva de prova. Talvez.