sexta-feira, 11 de julho de 2014

Solteira Sim. Mas, Isso Não É da Sua Conta!



A vida de uma mulher solteira gera muita curiosidade e muitos comentários. As pessoas se incomodam com isso achando que o fato de estar sozinha torna a mulher pior que as outras, encaram as solteiras como infelizes, quando na verdade a situação é bem diferente. Existem aquelas pessoas que desejam que a mulher continue exatamente assim. Também existem aquelas que torcem para que a mulher arrume logo alguém, como se estar solteira fosse uma maldição.

Outra curiosidade que rola com freqüência é sobre a vida sexual de uma mulher solteira. Há quem queira saber se ela anda com o sexo em dias, ou se está na seca desde que terminou o último relacionamento. Eu confesso que me incomodo com esse patrulhamento. Já fui rude em algumas vezes, mais ou menos assim como no título do texto, e em outras oportunidades eu procuro me esquivar suavemente dessa conversa que em nada me acrescenta.

Eu costumo repetir sempre, não como um mantra, mas por ser uma filosofia de vida, que eu prefiro estar sozinha que mal acompanhada. Admiro as pessoas corajosas que abrem mão de um status de “Em um relacionamento Sério” numa rede social em prol da felicidade. Lamento por aquelas que continuam com seus relacionamentos falidos por se acharem incapazes de recomeçar a vida amorosa ou apenas pra ter alguém pra apresentar à família nas festas de fim de ano.

As cobranças são intermináveis, por mais que você faça, elas sempre existirão. Se você é solteira, acaba sendo bombardeada com perguntas do tipo: “Já está namorando?” “Vai ficar pra titia mesmo?” Aí você começa a namorar, as perguntas mudam, mas lá estão elas, tão desagradáveis e desnecessárias quanto: “Vão casar quando?” “Quem está enrolando quem?” Aí você casa, e na primeira reunião de família, lá vem mais perguntas: “E cadê o menino?” “Não pensam em ter filhos não?” Então, a mulher dá a luz ao seu primeiro filho, e as tias fofoqueiras e incansáveis na arte de incomodar continuam com as famigeradas indagações: “Vai ficar só nesse mesmo?” “Pensam em ter mais filhos não?” E quando o casal opta por ter três ou quatro filhos, por exemplo, os comentários mudam: “Vocês são corajosos!” “Como é que num mundo desse vocês têm esse tanto de filho.” É por aí... Porque pra essas pessoas, pouco importa se você está feliz ou não, o importante mesmo é azucrinar. E as questões familiares só mudam de endereço e de nome, mas em regra, são as mesmas.

A vida de uma mulher solteira é tranquila e descomplicada, claro que existem problemas como na vida de todo mundo. Ser solteira não significa ter menos problemas, significa apenas, sustentar uma opção de vida, com todas as consequências que isso poderá trazer. Existem mulheres que estão solteiras e sozinhas, porque querem estar assim. Priorizaram outras coisas na vida, como trabalho, carreira acadêmica, liberdade... Ou porque sofreram alguma decepção e não se sentem, ainda, preparadas para recomeçar. Existem outras que estão nessa condição, mas não vêem à hora de achar a tampa da sua panela, e até se agarram com o que aparece pela frente só pra suprir a carência. Quem se aproxima de uma mulher solteira precisa saber identificar os dois tipos.

Além de lidar com toda essa expectativa que gira em torno da condição de solteira, a mulher precisa lidar com homens que não aceitam ouvir não. Ao paquerarem uma mulher solteira, em busca de sexo sem compromisso, ou tentando iniciar uma relação mais duradoura, acham, em
sua minoria, graças a Deus, que as mulheres devem aceitar o xaveco. Nem sempre estar solteira significa estar disponível. Ocorre que os homens estão equivocados e não sabem como tratar uma mulher nessa condição. Será que eles nunca pararam pra pensar, que a prioridade daquela mulher, pelo menos naquele momento, pode ser outra? O fato é que homem carente cansa. Homem convencido cansa. Homem insistente cansa. A menos que a mulher seja grosseira ou mal educada, nada justifica que um homem fique “chateadinho” porque foi dispensado. Tenha santa paciência, né? Isso demonstra uma total falta de maturidade. E se um cara não sabe ouvir um “não” ou não tem a paciência necessária para conhecer a mulher e para que ela o conheça melhor, respeitando o seu tempo, que tipo de namorado ele vai ser? Sinceramente, o tipo que não me interessa.

É fato bíblico e histórico que o ser humano é um ser sociável e não nasceu para viver só. Embora isso seja perfeitamente possível. Que me perdoe o mestre Tom Jobim. O que difere as pessoas é que algumas não estão com a menor pressa. Priorizam a felicidade independentemente de estarem ou não com acompanhadas. Todo mundo quer um sapato velho pra pôr os pés cansados, todo mundo sonha com sua meia, ainda que furada, pra aquecer os pés gelados nas noites frias. Mas, nem todas estão na mesma sintonia. Há de respeitar o espaço, o tempo e o limite de cada um.

Quem me conhece sabe que não faço apologia à solteirice, não sou machista, nem feminista. Se incentivo o individualismo é por achar que a pessoas têm de se amarem e se bastarem, para ter um relacionamento saudável, sem carências e sem cobranças em demasia. O amor próprio é o primeiro amor que o ser humano precisa descobrir e precisa ser primordialmente cultivado pelo bem da relação.

Filha de pais separados, presenciei a infelicidade da minha mãe num casamento falido por muito pouco tempo. Meu pai foi convidado a se retirar da vida dela, quando eu ainda era bem pequena e cresci vendo minha mãe guerreira e batalhadora criar seus sete filhos sozinha. Tive o exemplo em casa, de que o amor próprio deve ser posto em primeiro lugar e que mulher nenhuma precisa de homem pra viver. O homem tem que estar numa relação porque merece estar ou porque quer estar não porque a mulher precisa dele. O respeito é mais importante que a presença.

Os psicólogos defendem a lógica de que a presença da figura paterna é indispensável na criação dos filhos. Pode até ser, mas no meu caso, não fez falta nenhuma. Minha mãe cumpriu muito bem os dois papeis e nunca deixou a peteca cair. Graças a Deus, nem eu, nem meus irmãos tivemos problemas de ordem psicológica, ou desvio de caráter porque meus pais se separaram cedo. Assim como minha mãe, vejo muitos outros exemplos de mães solteiras que dão a vida por seus filhos e cumprem muito bem o papel de ser pai e mãe ao mesmo tempo.

E para finalizar, deixo aqui o meu recado: Quem me conhece e está preocupado com a minha condição de solteira, eu afirmo: não se preocupe. Está tudo sob controle!

Se você não me conhece, mas está solteira(o) recebendo críticas e sentindo pressionada(o), vá por mim: Não entre nessa pilha! As cobranças sempre existirão!

Sozinho ou acompanhado, priorize a sua felicidade! Essa é a melhor escolha que você poderá fazer.

Verônica

terça-feira, 1 de julho de 2014

A Corneta Nossa de Cada Dia


Antes do inicio da Copa do Mundo, o temor era que as manifestações populares, e a famigerada violência que a acompanha, nos envergonhassem, assim como ocorreu no ano passado, durante a Copa das Confederações. Graças a meu Bom Deus e ao bom senso dos envolvidos, tudo não passou de ameaças. Depois, surgiram rumores de que não haveria Copa. A Copa não só está acontecendo como já ganhou o Status (no mundo) de melhor Copa de todos os tempos! Em termos de alegria, receptividade, organização, público, etc, etc... Agora, o que ecoa nas redes sociais é de que um grande esquema foi montado e o resultado da Copa já está definido. Dizem por aí que essa Copa foi comprada para que o Brasil fosse o Campeão. Bom, se isso realmente aconteceu, só esqueceram-se de avisar aos jogadores do Chile, porque no último sábado eles quase colocaram água no nosso chope. É muita falação!

Há quem pense que se você enxerga defeito em tudo e critica seja lá o que for, quem for e não importa se sua reclamação tem algum fundamento, você é inteligente. O importante é criticar pra ficar bem na fita! O que está parecendo é que ser do contra virou moda, se você critica a Copa, a Seleção, o governo, o vizinho, o trânsito, reclama do calor, do preço da gasolina, da novela, do chefe... Você fica respeitado, bem visto! Recebe 20 mil curtidas e 400 compartilhamentos. E isso faz de você uma pessoa importante.

Com a popularização das redes sociais e o poder de comunicação ainda mais extenso, vide que um número infinitamente maior de pessoas vê sua queixa, você vai receber o status de “Sujeito Culto”, o cara que é ligado, bem informado, aquele que não se deixa levar por qualquer conversa. Ledo engano! Você não será levado a sério se criticar as leis, reclamar da violência no trânsito, mas tem o hábito de ultrapassar outro carro em faixa contínua, anda acima da velocidade permitida, joga lixo na rua enquanto dirige, dirige embriagado, estaciona na vaga dos idosos e deficientes e não respeita a faixa de pedestre.

Não é justo execrar os políticos, a corrupção e o desvio de verba pública, se você fura fila, fica com o troco que a caixa do supermercado te deu a mais por uma falta de atenção, ou se aproveita da greve da PM pra saquear lojas de eletrodomésticos pra ter aquela TV de 50’’ que sempre sonhou, mas nunca teve condição de comprar. Você não está fazendo isso certo! Até para reclamar, ou melhor, principalmente para reclamar, você precisa ter o mínimo de embasamento.

Eu fiz uma breve pesquisa e descobri que na Copa de 1970, éramos 90 milhões de técnicos de futebol. Hoje, com as redes sociais em efervescência, descobri que somos 200 milhões de cientistas políticos, analistas econômicos, críticos de artes, mestres em lingüística, doutores em neurociência... E ainda há quem diga que o Brasil não investe em educação! rs é um país de pessoas muito “sabidas” que falam demais e nem sempre agem de acordo com o que pregam.

São muitas sandices que falam por aí, criticam a Seleção e o futebol meia-boca que eles têm apresentando. Nisso eu concordo em partes. Quem já viu Bebeto, Romário e Ronaldo Fenômeno em campo, aturar Fred é sofrido! Mas, é o que temos...  Então... Vamos apoiar! Pelo menos na minha casa, eu não tolero torcedor do contra. Apenas boas energias e correntes positivas são bem-vindas.

O que está claro nessa Copa do Mundo é que não existe jogo fácil. A atual campeã, e favorita ao título foi embora ainda na fase de grupos. Quem diria? Enquanto eu escrevia esse texto, a toda poderosa Alemanha, a Tri Campeã Mundial tomava um sufoco da inexpressiva Argélia. Mais cedo, a temida França (que cá pra nós não mete medo em mais ninguém) quase viu sua vaga ficar com a Nigéria que dominou boa parte do jogo. Então, não é exclusividade nossa passar no aperto. Que seja assim até a final e que fiquemos com a Taça!

Que o Brasil se una ainda mais e que as pessoas, parem de reclamar. Mau humor é chato de tolerar, ranzinzice é cansativa e cornetagem é irritante. Desejo que a única corneta que seja ouvida seja aquela bem barulhenta e que representa alegria. Que milhares de cornetas ecoem na comemoração de mais gols e na conquista do titulo de Hexacampeão Mundial.

Vai que dá, Brasil!!


* Na Bahia, corneta, corneteira e afins são gírias usadas para claissificar pessoas reclamonas que só sabem criticar.

Verônica

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Reencontro



Hoje tinha tudo para ser mais um dia na correria diária da vida. Acordei indisposta, como de costume nas sextas-feiras, nada de maquiagem e uma sapatilha rasteirinha, não estava com coragem de encarar saltão. Hoje é um dia daqueles que a gente não está afim de nada. 
Fui resolver um problema em uma repartição pública, como já fui outras vezes, nenhuma novidade. Até que ao sair da sala da menina que me atendeu percebi que hoje seria um dia especial.

Ele estava sentado na sala de espera. Ao vê-lo, titubeei por um momento, acho que frações de segundos eternos se passaram até eu conseguir perceber que era ele que estava ali. Trocamos um abraço apertado e dois beijos carinhosos. A quanto tempo não nos víamos... falamos amenidades, e por um momento eu não prestei atenção em nada que ele estava falando, só conseguia observar aqueles lindos olhos azuis brilhando e o contorno daquela boca tão bonita falando naquela voz macia. O rosto liso continua lindo e o cabelo desgrenhado de quem parece ter acabado de acordar me encanta como há... puxa vida! Acabei de me dar conta... há quase cinco anos. Nos conhecemos há um tempão!

Nós não fomos namorados, sequer ficamos. Mas, tivemos uma aproximação incrível! Uma atmosfera de carinho, admiração, respeito e uma deliciosa atração sempre permeou nossa amizade. Horas a fio de conversas no extinto msn. Olhares insistentes e atenciosos, nas poucas vezes que estivemos nos mesmos eventos. Morávamos na mesma cidade, mas nos víamos muito pouco. Estávamos sempre a um passo, ou a frente, ou atrás, de nos encontramos. Sempre com a impressão de "essa foi por pouco." Poderia intitular a nossa história de: "Eu, Você e o Quase!"

Na nossa breve e gostosa conversa ele me perguntou como vai a vida, perguntou pelo Vitória (meu time do coração) e me cobrou postagens aqui no Divã. Elogiou minha facilidade de escrever e me incentivou. Fiz um resumo da minha vida em poucas palavras, perguntei onde está morando, como vai a família e o filhinho dele. (Sim, ele casou-se!) Prometi que voltaria a escrever e cumpri. Hoje mesmo no dia do nosso reencontro. Ele me inspirou! 

Olhando assim, não parece nada de mais, pra quem está de fora. Mas, pra mim, que já gostei e ainda gosto, embora de uma maneira diferente, foi sensacional. Nos despedimos com mais um abraço, dessa vez bem mais demorado e eu lhe disse sinceramente: Foi muito bom revê-lo! Fui embora sorrindo e só então me dei conta de que não estava vestida de maneira apropriada para um reencontro tão especial. Que droga! Tô feia, sem maquiagem, meu cabelo desarrumado e sem salto! Me arrependi amargamente de ter saído de casa assim!

Não nos despedimos, foi só um até breve, como se fôssemos nos encontrar logo, logo. Mas, ele não mora mais aqui na cidade. Não sei que dia chegou, nem até quando fica. Não faço a menor ideia de quando nos veremos outra vez. Até acho que foi melhor assim, despedidas são deprimentes. O bom é que cheiro dele ficou em mim o resto do dia e meus olhos brilham ao lembrar daquele momento tão especial.

Verônica

sábado, 26 de abril de 2014

Problemas no Coração



Dia desses comecei a me sentir muito mal e vi que precisava ir ao médico, tinha de encontrar alguém que resolvesse meu problema e me desse um analgésico para aliviar a minha dor. Enchi-me de coragem e fui e busca de socorro.
Chegando ao consultório, o médico me indagou:

- Olá, minha jovem! O que lhe traz aqui?
- Eu estou sentindo uma dor muito grande, doutor. Preciso de sua ajuda!
- Que tipo de dor? Onde é essa dor?
- É uma dor muito forte. No coração. Eu tenho cura, doutor?

O profissional iniciou os procedimentos e começou a me examinar para descobrir o que me afligia. Nesse momento comecei sentir um ligeiro incômodo. Deu-me vergonha ao cogitar a possibilidade de o médico descobrir que meu problema é proveniente do mau uso e de hábitos nocivos. Ele veria as marcas causadas por desilusões sofridas, perceberia as cicatrizes que os ferimentos passados deixaram. Eu entreguei meu coração a quem não cuidaria dele. Eu confiei em pessoas que não deveria confiar. O pobrezinho foi machucado, pisoteado e desprezado. É claro que estava bem estava desgastado e a culpa é toda minha. Já faz um tempo que eu mudei meus hábitos e passei a cuidar melhor do meu coração. Eu não confio nas pessoas, nem as deixo se aproximar dele. Cuido para que ninguém o machuque mais, me esforço para que nada o perturbe. Ele vai se recuperar!

Enquanto eu viajava em meus devaneios o médico continuava trabalhando, debruçou-se sobre o meu coração examinando-o minuciosa e delicadamente.

Ao final do exame veio o diagnóstico:

- Minha jovem, você não sabe amar, você não sabe viver. Você está usando seu coração de maneira errada!
- Eu sei doutor! Eu entreguei meu coração a quem não deveria, ele foi muito maltratado. Está muito machucado.

Foi quando ele me surpreendeu com a prescrição:

- Não! Engano seu! Seu coração está comprometido pelo desuso. Faltam-lhe sonhos! Você trabalha para pagar contas, dorme para acordar no dia seguinte, come para matar a fome, estuda para terminar a faculdade. Isso não é viver. É sobreviver! Viver é se arriscar, é amar a pessoa errada, ao menos uma vez, e se permitir o devaneio. É perder-se tentando se encontrar. É ter medo de perder ao arriscar, arriscar assim mesmo e acabar perdendo, você recupera depois. É rir das próprias bobagens, é dar um jeito de ver algo positivo em tudo, por mais obscuro que possa parecer. Viver é ter uma Idéia, defendê-la a qualquer custo e abandoná-la quando julgar ser necessário. Permita-se! Viver é exercitar o afeto, a confiança, a gentileza, a paciência e, sobre tudo, o sonho! Você é jovem demais, bonita demais, saudável demais para se preocupar tanto, para se privar tanto, para desconfiar tanto. Permita-se! É bobagem procurar sentido para a vida quando já se tem cinco. Aprecie o pôr-do-sol, sinta o cheiro de uma flor, ouça o som dos pássaros, coma a sua fruta preferida, acaricie o rosto de uma criança! Permita-se! Viva! Se entregue! Seu coração está novinho em folho e ansiando novas emoções. Não o prive disso. Permita-se!

Saí daquele consultório disposta a repensar minhas atitudes e rever meus conceitos. Eu vou me permitir! Comprometi-me a voltar lá quando começasse a seguir as orientações médicas. Ranzinzice mata. Mau-humor também!

Verônica



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Meu Rítmo



Todos os dias em minhas orações, eu peço ao Pai que me ajude a lidar com as coisas miúdas. Já que as grandes sempre requerem um pouco mais de cautela, e quase nunca agimos no impulso dos acontecimentos, então, com essas não costumo me embaralhar tanto. As coisas pequenas tendem a nos cegarem, ainda que momentaneamente. Não conseguimos enxergar, de imediato, as conseqüências de uma resposta mal criada ou de uma atitude atravessada. Ou de uma colocação mais dura, por exemplo.

Eu peço sabedoria para entender, reconhecer e respeitar o fato de que as pessoas não são obrigadas a pensarem igual a mim, e não têm o dever de acompanhar meu raciocínio e nem meu passo. Preciso de traquejo e jogo de cintura pra saber conviver em grupo, respeitando as diferenças e recuando quando necessário. Peço intercessão e a benção de Nossa Senhora da Paciência todo santo dia!

Eu vivo num ritmo frenético e sou altamente imediatista. Não consigo adiar decisões e nem deixo pra depois o que preciso fazer agora. Aliás, o agora é o meu tempo. Ás vezes nem chegou a hora e eu já estou me antecipando, ou pelo menos, me preparando. Minhas decisões sempre são lastreadas em informações que adquiri pesquisando e analisando, ou por instinto. Nem adianta me dizer o que fazer, ou como agir, se eu não concordar vai ser em vão. O meu hábito de atropelo, às vezes funciona como um catalisador de problemas gera o caos e que depois precisam ser resolvidos. Eu sei que não deveria ser assim, que não estou otimizando o meu tempo e acabo criando situações desagradáveis. Mas, infelizmente, nem sempre consigo frear antes de acelerar.

Eu não sou a pessoa mais indicada pra dizer se sou uma pessoa de fácil ou de difícil convivência. 

Tenho consciência das minhas qualidades e, sobretudo dos meus defeitos. Sei que uma palavra doce num momento tenso pode mudar o rumo da discussão e sei que é possível ser dura sem ser grosseira. Mas, me acho altamente intolerante. Tenho a paciência curtinha, curtinha. Estresso-me fácil e às vezes falo coisas que não devia, falo sem pensar, sem ponderar. Arrependo-me depois, mas nem sempre me desculpo. Não que eu ache o ato de se desculpar uma demonstração de fraqueza, longe disso! Só acho que pedir desculpas demais acaba abalando a credibilidade. Não costumo pedir, nem costumo desculpar. Ah, mais um fato que vale ser ressaltado: eu sou rancorosa e não esqueço fácil. Não sou de perdoar, e se perdoar, não esqueço.

Eu tenho inveja das pessoas que são cabeças frias. Queria ser como elas e não me envolver tanto, não me preocupar tanto, não me desgastar tanto. Minha mente não para, até quando preciso dormir, (principalmente quando preciso dormir) ela fica girando, processando coisas que já aconteceram, remoendo fatos, repassando resposta, relembrando situações. Passo horas a fio remontando cena, ou sofrendo por coisas que ainda vão acontecer. Perco o sono por coisas bobas. 

Tenho uma profunda inveja de quem é manso e tolerante por natureza. Eu sou uma fera brava e um vulcão prestes a entrar em erupção. Eu queria ser como as pessoas que parecem viver de férias, conheço pessoas, que de fato, vivem de férias. Tiraram férias dos problemas e decidiram não se consumirem mais. Tenho inveja, e não nego, das pessoas que delegam dores de cabeça, que transferem responsabilidades e consumições. Se não fizer bem, elas estão passando a diante. Ah, como queria ser assim! Queria ser como aquelas pessoas que vão adiando uma situação desagradável, adiando, adiando até não precisar se preocupar mais.

Acho que as pessoas mais tranquilas são mais felizes, têm a pele é mais viçosa, o cabelo é mais brilhoso, o brilho no olhar é diferente, é um brilho calmo, é o reflexo da alma. Tenho inveja de quem não se deixa abalar por um problema, quem não conta as horas, os dias, as calorias, as moedas, as conseqüências. Queria ver e não me envolver. Se fosse possível escolher, eu, certamente, teria escolhido o lado de lá. Às vezes, sinto dores musculares, sem ao menos, ter levantado um peso. Só por carregar o peso das minhas escolhas, só pelo fato de levar nas costas o fardo pesado de quem tem a o gênio forte e a alma sensível. Compadeço-me, me entristeço, me aborreço e reconheço. É assim que sou e não se muda a essência. O que a gente consegue, com muito esforço, é melhorá-la para conviver em harmonia com as pessoas a nossa volta. Mas, não é fácil!



Verônica

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Se Não Somar Não É Amor!



Quando paramos para pensar no amor, muitas coisas são questionadas, nos perguntamos e ponderamos tanto, no final constatamos que eles vêm e se vão, nunca, ou quase nunca são eternos. 
Mas são essenciais, são vitais. Todas as pessoas que passam por nossas vidas, deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Moldam-nos ou transformam-nos dependendo da situação. Tudo que nos tornamos ao longo da vida, é a soma de experiências adquiridas durante anos de caminhada, tombos e continuações.

É injusto dizer que aquele namoradinho de adolescência não agregou em nada, e a experiência mágica do primeiro beijo? É injusto afirmar também que seu ultimo relacionamento não te ensinou coisa alguma, acho muito pouco provável, talvez quando a mágoa passar você verá que deixou sim, mas é uma particularidade que cada um terá que reconhecer sozinho. No mínimo, ficou a experiência, e possíveis erros cometidos não serão repetidos nos próximos relacionamentos. Amores não possuem prazo de validade, mas duram exatamente o tempo que precisam durar.

A gente nunca passa ileso ao amor. Se você se envolveu, se relacionou ou compartilhou algo com alguém e tem a estranha sensação do vazio sinto informá-lo de que não foi amor. Ninguém passa nas nossas vidas em vão, não importa a quantidade de tempo que a pessoa tenha estado com você, algum papel ela teve. Alguma coisa ela te ensinou e de alguma forma colaborou para o que você se tornou hoje.

Trazemos nos peito uma coleção de cicatrizes, algumas ainda doem, outras são feias e até assustam, você olha e pensa “até hoje não sei como sobrevivi a isso”, outras, você olha e sente orgulho de si mesma, algumas dão gosto de ver e te fazem sorrir até hoje, até machucou, mas fez um bem danado e te ensinou muita coisa. Por vezes nossos corações foram humilhados, pisoteados e machucados, mas é bom olhar e ver que, apesar das marcas do tempo e das amassaduras decorrentes dos acontecimentos, hoje eles estão novinhos em folha e mais fortalecidos. Vê-los assim, nos dar a falsa sensação de “Estarmos Prontos!”

Nunca estaremos prontos. Nem para a sua chegada, muito menos, para a sua partida.
Senhoras e senhores, gostaria de dizer: “apresento-lhes o amor! É isso mesmo! É esse emendar-se e reinventar-se. É essa mistura de alegria e dor branda e gostosa. É essa sensação de aprendizado constante. É essa incerteza desconcertante!” Mas eu não seria capaz e nem justa. Justa comigo ou com vocês. Eu não sei o que é o amor.

Tanta gente boa por aí já escreveu sobre o amor, eu já li tanta coisa. Tantos relatos, tantos contos e tantas mensurações do que possa vir a ser o amor e só chego a uma conclusão: Eu nunca vou saber, de verdade, o que é amor e nunca vou me sentir pronta. Ainda tenho muito que aprender e a experimentar!


Verônica

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ela e Eles dois




Ela sempre teve dificuldade de se relacionar, altamente exigente e desconfiada ao extremo, nunca encontrou o par que considerasse ideal. Mas o destino é uma criança travessa e lhe pregou uma bela peça. Pôs em seu caminho dois belos homens que eram completamente opostos, mas que pareciam se completar. E olha que eles nem se conheciam.

Um mais velho que ela cinco anos, excessivamente carinhoso, apaixonado desde o primeiro encontro, tinha tudo que ela sonhara: estabilidade financeira e planos de casar.

O outro, mais novo que ela dois anos, um ar de incerteza e uma sinceridade desconcertante. Ele não escondia o que pensava, mas tinha mistério no fundo do olhar. Caso alguma pergunta fosse feita, a resposta com certeza seria a mais sincera possível, mas algo precisava ser decifrado. Esse também tinha a segurança financeira que ela esperava, mas compromisso, definitivamente, não fazia parte dos seus planos.

A referência quanto às idade, era só mais um parâmetro que ela usava pra tentar sanar as dúvidas que a corroíam. Porque o mais novo se mostrava mais maduro e mais confiável que o mais velho que oferecia o céu e a terra. Deve ser justamente por isso, um promete demais, inclusive o que não pode dar. O outro nada prometia, então o que viesse era lucro. Mas isso eram só conjecturas. Sinceramente, ela não possuía nada, nem as promessas de um, nem as perspectivas do outro.

Um prestava atenção em tudo que ela dizia, e fazia questão de relembrar, nos momentos mais inusitados, alguma conversa que eles tiveram. Eles conversaram por horas, compartilhando ideias e rindo de casos que acontecia com ambos. A conversa fluía tão natural.
O outro, sempre envolvido em sua mundo, por vezes a interrompia para contar um caso. Fazia a mesma pergunta diversas vezes e parecia não prestar atenção em nada. A conversa não era tão agradável, ele se mostrava um narcisista. Isso realmente a incomodava. Relacionamento é parceria e uma parceria segura só é firmada com longas e boas conversas.

Seria possível uma mulher estar apaixonada por dois homens completamente diferentes? O que fazia muitas declarações não inspirava confiança alguma, o que nada prometia, mal falava, se declarava no olhar. Um era muito previsível e pouco confiável, o outro que carregava o ar de mistério, trazia uma sinceridade inexplicável. Certeza ela não tinha nenhuma, em nenhum dos casos.

Quando estava com um, sentia falta da segurança do outro. Quando estava imersa num mar de proteção, sentia falta da insensibilidade sincera que o outro lhe ofertava naturalmente.

A decisão de optar por um ou por outro parecia cada vez mais difícil. Ela não conseguia se decidir, então, chegou à conclusão de que algo estava errado e decidiu se afastar dos dois.

Verônica