sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Atravessando a Fronteira do Bom Senso



Como usuária de redes sociais há muito, eu já vi e li tanta coisa nessa internet que é de assombrar, é de embrulhar o estômago. São muitos irresponsáveis que se escondem atrás de perfis fake para disseminar piadas sádicas de mau gosto e mentiras deslavas. Até aí tudo bem, a gente ignora, bloqueia, deixa de seguir e pronto, ta tudo certo! Não somos obrigados a ver nem compactuar com essa palhaçada desumana.

Mas ultimamente o que te me chamado a atenção é a quantidade de pessoas que perderam o bom senso, a solidariedade e a capacidade de se colocar no lugar do outro respeitando a dor do momento, sem ter o mínimo de consideração pelo sofrimento que as pessoas próximas das vítimas e, mais ainda, os familiares estão vivendo. A tragédia que aconteceu essa semana com o Presidenciável Eduardo Campos  mais seis pessoas foi o estopim para a minha revolta. Eu já fiz uma faxina nas minhas redes sociais. Descartei um monte de pessoas que se comportaram feito lixo diante de uma tragédia, diante da dor de várias famílias e diante da consternação de milhares de brasileiros no País afora.

São piadas de mau gosto, teorias conspiratórias, chacotas sem o menor pudor e o pior, vi isso de pessoas que eu conheço. Existem os canalhas que fazem e os não menos canalhas que curtem e compartilham essa total falta de noção. Não são fakes querendo 5 minutos de fama, são pessoas reais, assim como eu e você, que têm família, filhos, marido, esposa, pai, mãe... As pessoas simplesmente perderam a noção do respeito ao ser humano. Pensam que na internet pode tudo. Acho que algumas pensam que o mundo real é um e o mundo virtual é outro, mas não é! O que você faz e compartilha na internet só mostra o seu caráter. Mostra se você é um cretino ou um cidadão de bem. As pessoas estão perdendo o discernimento e estão mostrando uma leviandade sem tamanho.

Hoje se acontecer um acidente as pessoas correm para cima da carnificina, não para buscar sobreviventes ou ajudar nas buscas, correm pra tirar fotos e fazer vídeos para espalhar para os contatos no Whats App, ou compartilhar no Facebook ou Instagram. Aí eu me pergunto: Qual é a vantagem disso? Que tipo de prazer você sente saindo na vanguarda da propagação da dor?

Na Bíblia em: 1 Coríntios cap. 10 vers. 23 diz: Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica.

Não é porque seu celular tem um bilhão e duzentos milhões de mega pixels que você precisa tirar uma foto de um acidente que aconteceu. Não é porque sua internet é 3G turbinada que você vai enviar essa mesma foto pro parente que mora lá em outro continente. Eu não sou médica legista. Eu não preciso e NÃO QUERO ver corpos em pedaços. Eu não sou perita, eu não preciso ver os destroços do avião que caiu, ou do carro que capotou, ou da moto que entrou embaixo do caminhão. Tenho certeza que assim como eu, muitas outras pessoas também não querem. Acorda, gente! Trata-se da vida de outro ser humano, poderia ser você ou um dos seus.

Outra coisa irresponsável que tem se espalhado na internet é a quantidade de piadas sem graça, com montagens bizarras acompanhadas de teorias mirabolantes de um caso de sabotagem e etc. Parem de ser irresponsáveis, deixem que a polícia investigue. 

Respeitem a dor dos familiares de quem se foi. Não é engraçado, é mórbido! Não é inteligente, é leviano! Não é revelador, é bizarro! É nessa sociedade que nos transformamos? É esse legado que deixaremos para nossos filhos? Não permita que a incapacidade de se colocar no lugar do outro te transforme em um bárbaro.


Verônica

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Encontro Literário de Gigantes


Esse ano de 2014, definitivamente, não está sendo um ano bom para a literatura mundial e não está sendo bom, sobretudo, para as minhas referências literárias.  Estou perdendo meus faróis na praia escura da vida. Em abril perdi Gabriel García Marquez, agora em Julho já perdi João Ubaldo Ribeiro dia 17, Rubem Alves dia 18 e Ariano Suassuna dia 23. Certamente está acontecendo um encontro literário de gigantes no céu, e os melhores estão sendo convocados

Falo “perdi”, no singular, porque infelizmente nem todos conhecem esses escritores, suas obras e a grandiosidade delas. Ouviram falar e sabem que é importante porque a TV enfatiza a manchete, ou porque tem um filme, ou minissérie, ou algum outro programa, tipo: novela “inspirada na obra”. Mas nunca se encantaram com as poesias, se emocionaram com as histórias, pararam para refletir sobre a crônica ou riram dos contos. O que, sinceramente, é uma pena. Compartilhar dessas experiências e contemplar tanto conhecimento promove uma elevação absurda, tanto intelectual, como espiritual. Me sinto uma felizarda.

Eu não digo que estou órfã, embora me sinta, porque esses que se foram estão no Olimpo dos escritores e os deuses são imortais, assim como as suas obras. Mas, me sinto desamparada, e uma sensação de desalento me toma. É como se eu tivesse perdido meu norte, ao menos, perdi quatro pontos de referências que costumava seguir os passos. Continuarei seguindo, ou pelo menos tentando, embora o caminho deles já tenham tido um ponto. Ainda que de continuação.

Com Gabriel, inquieto, irreverente e polêmico que só ele, aprendi “Que tudo é uma questão de despertar a alma...” Aprendi também que muitas vezes “É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos da razão. O importante é aproveitar o momento e aprender a sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.” Gabriel era assim: prático e objetivo. Não se vitimizava, nem transferia responsabilidades. Sua coragem e ousadia me ensinaram muito. Um exímio amante da vida. Foi meu mestre.

Já Ubaldo, ah o bom baiano de voz grave, sorriso largo, gargalhada alta e alma tranquila. Nunca teve a pressa como companhia. Era um rubro-negro apaixonado (Vitória nosso amor!) e um boêmio daqueles que dava gosto de ver. Polêmico, não fugia de uma boa celeuma (A Casa dos Budas Ditosos que o diga). João Ubaldo era jornalista, roteirista, professor e encantador de pessoas. Ele era do tipo de gente que deixa a gente melhor, sabe? Nesse mundo fútil, ranzinza e cheio de ranço que nos dá até desgosto de ver, ele servia para mostrar que a vida é simples, bonita e com calma e boa vontade tudo se resolve. Quanto do seu pensamento ora clareou o meu, ora desordenou tudo. Quantos bate-bocas imaginários tivemos e como eles me deixaram mais esperta. Quantas vezes concordei. Quantas e tantas discordei. Mas, sempre o admirei. Sempre quis ser, pelo menos, parecida com ele.
João uma vez disse: “Faço tudo que me dá na cabeça, não quero saber de limitações. Eu não pequei contra a luxúria. Quem peca é aquele que não faz o que foi criado pra fazer.” Ele era um homem de coragem. Aí eu pergunto: Como não amá-lo? Como não admirá-lo?

Quando eu decidi escrever sobre Rubem Alves eu me perguntei: De quem devo falar? Do professor? Do psicanalista? Do teólogo? Do ativista político? Do poeta? Ou do coerente escritor? Fiquei numa dúvida danada e não consegui me decidir. Aí eu decidi falar do homem simples, doce e de mente brilhante que tantas vezes me inspirou. Rubem era do tipo apaziguador. Quem lê suas obras é envolvido por uma paz sem igual e percebe que muitas vezes é só parar pra analisar com calma aquela situação que tudo fica mais simples. É só esperar a cólera se dissipar. Quem conhece Rubem Alves é colocado a se questionar sobre a vida, sobre as ações e sobre os caminhos a seguir. Como ele mesmo disse “toda alma é uma música que se toca.” Agora Rubem se foi, mas sua obra não se cala. Ela permanece viva e cheia de mensagens subliminares a nos passar. Pra mim fica apenas a saudade. Mas ele me ensinou que: “A saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.” Eu queria voltar no tempo. Parar o tempo e ter o mestre sempre aqui. Hoje posso dizer que “Amo a minha vocação que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem o amor, mas não tem o poder.” Obrigada, Rubem Alves!

Ariano Suassuna é mais e maior que o Alto da Compadecida e toda confusão e acusação de plágio que ela envolve. Ariano é poesia, é orgulho. Amo-o e admiro-o por tudo que ele foi e fez. Ele foi o paraibano mais pernambucano que conheci. Mas, ele poderia ser cearense, baiano, sergipano ou qualquer outro “ano” da vida porque ele era nordeste. Carregava nossa bandeira com o afinco dos grandes guerreiros. Com ele aprendi que nunca devia “trocar meu oxente, pelo ok de seu ninguém”. O nordeste é uma região linda, tem um povo guerreiro, sofrido e feliz. Guarda riquezas e grandezas incalculáveis. Abençoado aquele que tem a honra de nascer numa região assim. Foi Ariano que me mostrou isso. Com ele aprendi também que não importa o quão tensa seja a situação, sempre cabe uma pitada de humor e de amor. Esses dois elementos cabem em qualquer lugar. Ariano era doce e ácido ele dizia que Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.Agora, para nossa tristeza, esse homem bom: “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.”


Vejam bem, meus queridos mestres, os quatro, prestem o máximo de atenção, vocês me mostraram que viver é mais suave, mais fácil e mais belo porque vira e mexe Deus envia gente como vocês para aprontar das suas aqui embaixo. Tem tanta obra maravilhosa de vocês espalhadas por aqui que a saudade que já existe, e é enorme, quase não vai apoquentar tanto. Porque vocês são do tipo de gente que nasce, vive e não morre nunca mais.

Verônica

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Solteira Sim. Mas, Isso Não É da Sua Conta!



A vida de uma mulher solteira gera muita curiosidade e muitos comentários. As pessoas se incomodam com isso achando que o fato de estar sozinha torna a mulher pior que as outras, encaram as solteiras como infelizes, quando na verdade a situação é bem diferente. Existem aquelas pessoas que desejam que a mulher continue exatamente assim. Também existem aquelas que torcem para que a mulher arrume logo alguém, como se estar solteira fosse uma maldição.

Outra curiosidade que rola com freqüência é sobre a vida sexual de uma mulher solteira. Há quem queira saber se ela anda com o sexo em dias, ou se está na seca desde que terminou o último relacionamento. Eu confesso que me incomodo com esse patrulhamento. Já fui rude em algumas vezes, mais ou menos assim como no título do texto, e em outras oportunidades eu procuro me esquivar suavemente dessa conversa que em nada me acrescenta.

Eu costumo repetir sempre, não como um mantra, mas por ser uma filosofia de vida, que eu prefiro estar sozinha que mal acompanhada. Admiro as pessoas corajosas que abrem mão de um status de “Em um relacionamento Sério” numa rede social em prol da felicidade. Lamento por aquelas que continuam com seus relacionamentos falidos por se acharem incapazes de recomeçar a vida amorosa ou apenas pra ter alguém pra apresentar à família nas festas de fim de ano.

As cobranças são intermináveis, por mais que você faça, elas sempre existirão. Se você é solteira, acaba sendo bombardeada com perguntas do tipo: “Já está namorando?” “Vai ficar pra titia mesmo?” Aí você começa a namorar, as perguntas mudam, mas lá estão elas, tão desagradáveis e desnecessárias quanto: “Vão casar quando?” “Quem está enrolando quem?” Aí você casa, e na primeira reunião de família, lá vem mais perguntas: “E cadê o menino?” “Não pensam em ter filhos não?” Então, a mulher dá a luz ao seu primeiro filho, e as tias fofoqueiras e incansáveis na arte de incomodar continuam com as famigeradas indagações: “Vai ficar só nesse mesmo?” “Pensam em ter mais filhos não?” E quando o casal opta por ter três ou quatro filhos, por exemplo, os comentários mudam: “Vocês são corajosos!” “Como é que num mundo desse vocês têm esse tanto de filho.” É por aí... Porque pra essas pessoas, pouco importa se você está feliz ou não, o importante mesmo é azucrinar. E as questões familiares só mudam de endereço e de nome, mas em regra, são as mesmas.

A vida de uma mulher solteira é tranquila e descomplicada, claro que existem problemas como na vida de todo mundo. Ser solteira não significa ter menos problemas, significa apenas, sustentar uma opção de vida, com todas as consequências que isso poderá trazer. Existem mulheres que estão solteiras e sozinhas, porque querem estar assim. Priorizaram outras coisas na vida, como trabalho, carreira acadêmica, liberdade... Ou porque sofreram alguma decepção e não se sentem, ainda, preparadas para recomeçar. Existem outras que estão nessa condição, mas não vêem à hora de achar a tampa da sua panela, e até se agarram com o que aparece pela frente só pra suprir a carência. Quem se aproxima de uma mulher solteira precisa saber identificar os dois tipos.

Além de lidar com toda essa expectativa que gira em torno da condição de solteira, a mulher precisa lidar com homens que não aceitam ouvir não. Ao paquerarem uma mulher solteira, em busca de sexo sem compromisso, ou tentando iniciar uma relação mais duradoura, acham, em
sua minoria, graças a Deus, que as mulheres devem aceitar o xaveco. Nem sempre estar solteira significa estar disponível. Ocorre que os homens estão equivocados e não sabem como tratar uma mulher nessa condição. Será que eles nunca pararam pra pensar, que a prioridade daquela mulher, pelo menos naquele momento, pode ser outra? O fato é que homem carente cansa. Homem convencido cansa. Homem insistente cansa. A menos que a mulher seja grosseira ou mal educada, nada justifica que um homem fique “chateadinho” porque foi dispensado. Tenha santa paciência, né? Isso demonstra uma total falta de maturidade. E se um cara não sabe ouvir um “não” ou não tem a paciência necessária para conhecer a mulher e para que ela o conheça melhor, respeitando o seu tempo, que tipo de namorado ele vai ser? Sinceramente, o tipo que não me interessa.

É fato bíblico e histórico que o ser humano é um ser sociável e não nasceu para viver só. Embora isso seja perfeitamente possível. Que me perdoe o mestre Tom Jobim. O que difere as pessoas é que algumas não estão com a menor pressa. Priorizam a felicidade independentemente de estarem ou não com acompanhadas. Todo mundo quer um sapato velho pra pôr os pés cansados, todo mundo sonha com sua meia, ainda que furada, pra aquecer os pés gelados nas noites frias. Mas, nem todas estão na mesma sintonia. Há de respeitar o espaço, o tempo e o limite de cada um.

Quem me conhece sabe que não faço apologia à solteirice, não sou machista, nem feminista. Se incentivo o individualismo é por achar que a pessoas têm de se amarem e se bastarem, para ter um relacionamento saudável, sem carências e sem cobranças em demasia. O amor próprio é o primeiro amor que o ser humano precisa descobrir e precisa ser primordialmente cultivado pelo bem da relação.

Filha de pais separados, presenciei a infelicidade da minha mãe num casamento falido por muito pouco tempo. Meu pai foi convidado a se retirar da vida dela, quando eu ainda era bem pequena e cresci vendo minha mãe guerreira e batalhadora criar seus sete filhos sozinha. Tive o exemplo em casa, de que o amor próprio deve ser posto em primeiro lugar e que mulher nenhuma precisa de homem pra viver. O homem tem que estar numa relação porque merece estar ou porque quer estar não porque a mulher precisa dele. O respeito é mais importante que a presença.

Os psicólogos defendem a lógica de que a presença da figura paterna é indispensável na criação dos filhos. Pode até ser, mas no meu caso, não fez falta nenhuma. Minha mãe cumpriu muito bem os dois papeis e nunca deixou a peteca cair. Graças a Deus, nem eu, nem meus irmãos tivemos problemas de ordem psicológica, ou desvio de caráter porque meus pais se separaram cedo. Assim como minha mãe, vejo muitos outros exemplos de mães solteiras que dão a vida por seus filhos e cumprem muito bem o papel de ser pai e mãe ao mesmo tempo.

E para finalizar, deixo aqui o meu recado: Quem me conhece e está preocupado com a minha condição de solteira, eu afirmo: não se preocupe. Está tudo sob controle!

Se você não me conhece, mas está solteira(o) recebendo críticas e sentindo pressionada(o), vá por mim: Não entre nessa pilha! As cobranças sempre existirão!

Sozinho ou acompanhado, priorize a sua felicidade! Essa é a melhor escolha que você poderá fazer.

Verônica

terça-feira, 1 de julho de 2014

A Corneta Nossa de Cada Dia


Antes do inicio da Copa do Mundo, o temor era que as manifestações populares, e a famigerada violência que a acompanha, nos envergonhassem, assim como ocorreu no ano passado, durante a Copa das Confederações. Graças a meu Bom Deus e ao bom senso dos envolvidos, tudo não passou de ameaças. Depois, surgiram rumores de que não haveria Copa. A Copa não só está acontecendo como já ganhou o Status (no mundo) de melhor Copa de todos os tempos! Em termos de alegria, receptividade, organização, público, etc, etc... Agora, o que ecoa nas redes sociais é de que um grande esquema foi montado e o resultado da Copa já está definido. Dizem por aí que essa Copa foi comprada para que o Brasil fosse o Campeão. Bom, se isso realmente aconteceu, só esqueceram-se de avisar aos jogadores do Chile, porque no último sábado eles quase colocaram água no nosso chope. É muita falação!

Há quem pense que se você enxerga defeito em tudo e critica seja lá o que for, quem for e não importa se sua reclamação tem algum fundamento, você é inteligente. O importante é criticar pra ficar bem na fita! O que está parecendo é que ser do contra virou moda, se você critica a Copa, a Seleção, o governo, o vizinho, o trânsito, reclama do calor, do preço da gasolina, da novela, do chefe... Você fica respeitado, bem visto! Recebe 20 mil curtidas e 400 compartilhamentos. E isso faz de você uma pessoa importante.

Com a popularização das redes sociais e o poder de comunicação ainda mais extenso, vide que um número infinitamente maior de pessoas vê sua queixa, você vai receber o status de “Sujeito Culto”, o cara que é ligado, bem informado, aquele que não se deixa levar por qualquer conversa. Ledo engano! Você não será levado a sério se criticar as leis, reclamar da violência no trânsito, mas tem o hábito de ultrapassar outro carro em faixa contínua, anda acima da velocidade permitida, joga lixo na rua enquanto dirige, dirige embriagado, estaciona na vaga dos idosos e deficientes e não respeita a faixa de pedestre.

Não é justo execrar os políticos, a corrupção e o desvio de verba pública, se você fura fila, fica com o troco que a caixa do supermercado te deu a mais por uma falta de atenção, ou se aproveita da greve da PM pra saquear lojas de eletrodomésticos pra ter aquela TV de 50’’ que sempre sonhou, mas nunca teve condição de comprar. Você não está fazendo isso certo! Até para reclamar, ou melhor, principalmente para reclamar, você precisa ter o mínimo de embasamento.

Eu fiz uma breve pesquisa e descobri que na Copa de 1970, éramos 90 milhões de técnicos de futebol. Hoje, com as redes sociais em efervescência, descobri que somos 200 milhões de cientistas políticos, analistas econômicos, críticos de artes, mestres em lingüística, doutores em neurociência... E ainda há quem diga que o Brasil não investe em educação! rs é um país de pessoas muito “sabidas” que falam demais e nem sempre agem de acordo com o que pregam.

São muitas sandices que falam por aí, criticam a Seleção e o futebol meia-boca que eles têm apresentando. Nisso eu concordo em partes. Quem já viu Bebeto, Romário e Ronaldo Fenômeno em campo, aturar Fred é sofrido! Mas, é o que temos...  Então... Vamos apoiar! Pelo menos na minha casa, eu não tolero torcedor do contra. Apenas boas energias e correntes positivas são bem-vindas.

O que está claro nessa Copa do Mundo é que não existe jogo fácil. A atual campeã, e favorita ao título foi embora ainda na fase de grupos. Quem diria? Enquanto eu escrevia esse texto, a toda poderosa Alemanha, a Tri Campeã Mundial tomava um sufoco da inexpressiva Argélia. Mais cedo, a temida França (que cá pra nós não mete medo em mais ninguém) quase viu sua vaga ficar com a Nigéria que dominou boa parte do jogo. Então, não é exclusividade nossa passar no aperto. Que seja assim até a final e que fiquemos com a Taça!

Que o Brasil se una ainda mais e que as pessoas, parem de reclamar. Mau humor é chato de tolerar, ranzinzice é cansativa e cornetagem é irritante. Desejo que a única corneta que seja ouvida seja aquela bem barulhenta e que representa alegria. Que milhares de cornetas ecoem na comemoração de mais gols e na conquista do titulo de Hexacampeão Mundial.

Vai que dá, Brasil!!


* Na Bahia, corneta, corneteira e afins são gírias usadas para claissificar pessoas reclamonas que só sabem criticar.

Verônica

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Reencontro



Hoje tinha tudo para ser mais um dia na correria diária da vida. Acordei indisposta, como de costume nas sextas-feiras, nada de maquiagem e uma sapatilha rasteirinha, não estava com coragem de encarar saltão. Hoje é um dia daqueles que a gente não está afim de nada. 
Fui resolver um problema em uma repartição pública, como já fui outras vezes, nenhuma novidade. Até que ao sair da sala da menina que me atendeu percebi que hoje seria um dia especial.

Ele estava sentado na sala de espera. Ao vê-lo, titubeei por um momento, acho que frações de segundos eternos se passaram até eu conseguir perceber que era ele que estava ali. Trocamos um abraço apertado e dois beijos carinhosos. A quanto tempo não nos víamos... falamos amenidades, e por um momento eu não prestei atenção em nada que ele estava falando, só conseguia observar aqueles lindos olhos azuis brilhando e o contorno daquela boca tão bonita falando naquela voz macia. O rosto liso continua lindo e o cabelo desgrenhado de quem parece ter acabado de acordar me encanta como há... puxa vida! Acabei de me dar conta... há quase cinco anos. Nos conhecemos há um tempão!

Nós não fomos namorados, sequer ficamos. Mas, tivemos uma aproximação incrível! Uma atmosfera de carinho, admiração, respeito e uma deliciosa atração sempre permeou nossa amizade. Horas a fio de conversas no extinto msn. Olhares insistentes e atenciosos, nas poucas vezes que estivemos nos mesmos eventos. Morávamos na mesma cidade, mas nos víamos muito pouco. Estávamos sempre a um passo, ou a frente, ou atrás, de nos encontramos. Sempre com a impressão de "essa foi por pouco." Poderia intitular a nossa história de: "Eu, Você e o Quase!"

Na nossa breve e gostosa conversa ele me perguntou como vai a vida, perguntou pelo Vitória (meu time do coração) e me cobrou postagens aqui no Divã. Elogiou minha facilidade de escrever e me incentivou. Fiz um resumo da minha vida em poucas palavras, perguntei onde está morando, como vai a família e o filhinho dele. (Sim, ele casou-se!) Prometi que voltaria a escrever e cumpri. Hoje mesmo no dia do nosso reencontro. Ele me inspirou! 

Olhando assim, não parece nada de mais, pra quem está de fora. Mas, pra mim, que já gostei e ainda gosto, embora de uma maneira diferente, foi sensacional. Nos despedimos com mais um abraço, dessa vez bem mais demorado e eu lhe disse sinceramente: Foi muito bom revê-lo! Fui embora sorrindo e só então me dei conta de que não estava vestida de maneira apropriada para um reencontro tão especial. Que droga! Tô feia, sem maquiagem, meu cabelo desarrumado e sem salto! Me arrependi amargamente de ter saído de casa assim!

Não nos despedimos, foi só um até breve, como se fôssemos nos encontrar logo, logo. Mas, ele não mora mais aqui na cidade. Não sei que dia chegou, nem até quando fica. Não faço a menor ideia de quando nos veremos outra vez. Até acho que foi melhor assim, despedidas são deprimentes. O bom é que cheiro dele ficou em mim o resto do dia e meus olhos brilham ao lembrar daquele momento tão especial.

Verônica

sábado, 26 de abril de 2014

Problemas no Coração



Dia desses comecei a me sentir muito mal e vi que precisava ir ao médico, tinha de encontrar alguém que resolvesse meu problema e me desse um analgésico para aliviar a minha dor. Enchi-me de coragem e fui e busca de socorro.
Chegando ao consultório, o médico me indagou:

- Olá, minha jovem! O que lhe traz aqui?
- Eu estou sentindo uma dor muito grande, doutor. Preciso de sua ajuda!
- Que tipo de dor? Onde é essa dor?
- É uma dor muito forte. No coração. Eu tenho cura, doutor?

O profissional iniciou os procedimentos e começou a me examinar para descobrir o que me afligia. Nesse momento comecei sentir um ligeiro incômodo. Deu-me vergonha ao cogitar a possibilidade de o médico descobrir que meu problema é proveniente do mau uso e de hábitos nocivos. Ele veria as marcas causadas por desilusões sofridas, perceberia as cicatrizes que os ferimentos passados deixaram. Eu entreguei meu coração a quem não cuidaria dele. Eu confiei em pessoas que não deveria confiar. O pobrezinho foi machucado, pisoteado e desprezado. É claro que estava bem estava desgastado e a culpa é toda minha. Já faz um tempo que eu mudei meus hábitos e passei a cuidar melhor do meu coração. Eu não confio nas pessoas, nem as deixo se aproximar dele. Cuido para que ninguém o machuque mais, me esforço para que nada o perturbe. Ele vai se recuperar!

Enquanto eu viajava em meus devaneios o médico continuava trabalhando, debruçou-se sobre o meu coração examinando-o minuciosa e delicadamente.

Ao final do exame veio o diagnóstico:

- Minha jovem, você não sabe amar, você não sabe viver. Você está usando seu coração de maneira errada!
- Eu sei doutor! Eu entreguei meu coração a quem não deveria, ele foi muito maltratado. Está muito machucado.

Foi quando ele me surpreendeu com a prescrição:

- Não! Engano seu! Seu coração está comprometido pelo desuso. Faltam-lhe sonhos! Você trabalha para pagar contas, dorme para acordar no dia seguinte, come para matar a fome, estuda para terminar a faculdade. Isso não é viver. É sobreviver! Viver é se arriscar, é amar a pessoa errada, ao menos uma vez, e se permitir o devaneio. É perder-se tentando se encontrar. É ter medo de perder ao arriscar, arriscar assim mesmo e acabar perdendo, você recupera depois. É rir das próprias bobagens, é dar um jeito de ver algo positivo em tudo, por mais obscuro que possa parecer. Viver é ter uma Idéia, defendê-la a qualquer custo e abandoná-la quando julgar ser necessário. Permita-se! Viver é exercitar o afeto, a confiança, a gentileza, a paciência e, sobre tudo, o sonho! Você é jovem demais, bonita demais, saudável demais para se preocupar tanto, para se privar tanto, para desconfiar tanto. Permita-se! É bobagem procurar sentido para a vida quando já se tem cinco. Aprecie o pôr-do-sol, sinta o cheiro de uma flor, ouça o som dos pássaros, coma a sua fruta preferida, acaricie o rosto de uma criança! Permita-se! Viva! Se entregue! Seu coração está novinho em folho e ansiando novas emoções. Não o prive disso. Permita-se!

Saí daquele consultório disposta a repensar minhas atitudes e rever meus conceitos. Eu vou me permitir! Comprometi-me a voltar lá quando começasse a seguir as orientações médicas. Ranzinzice mata. Mau-humor também!

Verônica



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Meu Rítmo



Todos os dias em minhas orações, eu peço ao Pai que me ajude a lidar com as coisas miúdas. Já que as grandes sempre requerem um pouco mais de cautela, e quase nunca agimos no impulso dos acontecimentos, então, com essas não costumo me embaralhar tanto. As coisas pequenas tendem a nos cegarem, ainda que momentaneamente. Não conseguimos enxergar, de imediato, as conseqüências de uma resposta mal criada ou de uma atitude atravessada. Ou de uma colocação mais dura, por exemplo.

Eu peço sabedoria para entender, reconhecer e respeitar o fato de que as pessoas não são obrigadas a pensarem igual a mim, e não têm o dever de acompanhar meu raciocínio e nem meu passo. Preciso de traquejo e jogo de cintura pra saber conviver em grupo, respeitando as diferenças e recuando quando necessário. Peço intercessão e a benção de Nossa Senhora da Paciência todo santo dia!

Eu vivo num ritmo frenético e sou altamente imediatista. Não consigo adiar decisões e nem deixo pra depois o que preciso fazer agora. Aliás, o agora é o meu tempo. Ás vezes nem chegou a hora e eu já estou me antecipando, ou pelo menos, me preparando. Minhas decisões sempre são lastreadas em informações que adquiri pesquisando e analisando, ou por instinto. Nem adianta me dizer o que fazer, ou como agir, se eu não concordar vai ser em vão. O meu hábito de atropelo, às vezes funciona como um catalisador de problemas gera o caos e que depois precisam ser resolvidos. Eu sei que não deveria ser assim, que não estou otimizando o meu tempo e acabo criando situações desagradáveis. Mas, infelizmente, nem sempre consigo frear antes de acelerar.

Eu não sou a pessoa mais indicada pra dizer se sou uma pessoa de fácil ou de difícil convivência. 

Tenho consciência das minhas qualidades e, sobretudo dos meus defeitos. Sei que uma palavra doce num momento tenso pode mudar o rumo da discussão e sei que é possível ser dura sem ser grosseira. Mas, me acho altamente intolerante. Tenho a paciência curtinha, curtinha. Estresso-me fácil e às vezes falo coisas que não devia, falo sem pensar, sem ponderar. Arrependo-me depois, mas nem sempre me desculpo. Não que eu ache o ato de se desculpar uma demonstração de fraqueza, longe disso! Só acho que pedir desculpas demais acaba abalando a credibilidade. Não costumo pedir, nem costumo desculpar. Ah, mais um fato que vale ser ressaltado: eu sou rancorosa e não esqueço fácil. Não sou de perdoar, e se perdoar, não esqueço.

Eu tenho inveja das pessoas que são cabeças frias. Queria ser como elas e não me envolver tanto, não me preocupar tanto, não me desgastar tanto. Minha mente não para, até quando preciso dormir, (principalmente quando preciso dormir) ela fica girando, processando coisas que já aconteceram, remoendo fatos, repassando resposta, relembrando situações. Passo horas a fio remontando cena, ou sofrendo por coisas que ainda vão acontecer. Perco o sono por coisas bobas. 

Tenho uma profunda inveja de quem é manso e tolerante por natureza. Eu sou uma fera brava e um vulcão prestes a entrar em erupção. Eu queria ser como as pessoas que parecem viver de férias, conheço pessoas, que de fato, vivem de férias. Tiraram férias dos problemas e decidiram não se consumirem mais. Tenho inveja, e não nego, das pessoas que delegam dores de cabeça, que transferem responsabilidades e consumições. Se não fizer bem, elas estão passando a diante. Ah, como queria ser assim! Queria ser como aquelas pessoas que vão adiando uma situação desagradável, adiando, adiando até não precisar se preocupar mais.

Acho que as pessoas mais tranquilas são mais felizes, têm a pele é mais viçosa, o cabelo é mais brilhoso, o brilho no olhar é diferente, é um brilho calmo, é o reflexo da alma. Tenho inveja de quem não se deixa abalar por um problema, quem não conta as horas, os dias, as calorias, as moedas, as conseqüências. Queria ver e não me envolver. Se fosse possível escolher, eu, certamente, teria escolhido o lado de lá. Às vezes, sinto dores musculares, sem ao menos, ter levantado um peso. Só por carregar o peso das minhas escolhas, só pelo fato de levar nas costas o fardo pesado de quem tem a o gênio forte e a alma sensível. Compadeço-me, me entristeço, me aborreço e reconheço. É assim que sou e não se muda a essência. O que a gente consegue, com muito esforço, é melhorá-la para conviver em harmonia com as pessoas a nossa volta. Mas, não é fácil!



Verônica