sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ei, A Educação Mandou Lembrança!



(by Cinthya)

A educação deveria ser algo que se desenvolvesse de forma natural nas pessoas. Deveria ser algo nato (ou será que ela é, e as pessoas se desvirtuam no decorrer da caminhada?). Não me refiro a educação escolar, a diplomas, títulos. Não. Para mim o mais importante numa pessoa não é, nem de longe, o grau de instrução que ela traz.
Não há pessoa mais agradável e desejável do que a pessoa educada. A educação é fina. Aquela educação que a gente aprende em casa quando a nossa mãe diz “Acabou de comer? Retire o prato da mesa” ou “Não pegue esse brinquedo porque ele não é seu. Peça permissão primeiro.” E tantas outras coisas simples que vão fazer uma diferença imensa na formação da criança.
É incrível como existem pessoas mal educadas no mundo. Chega a ser lastimável porque eu acredito piamente que muitas mazelas poderiam ser evitas se as pessoas tivessem um pouco mais de educação, um pouco mais de gentiliza e consciência do coletivo em que vivem. Se cada um tivesse a certeza de que o mundo não é o seu quintal, ou ainda, que mesmo que o mundo fosse o seu quintal, deveria estar limpo e organizado.
O pai sai com a criança e compra dois picolés. O pai tira o papel do picolé e joga no chão. A criança, é obvio, copia o pai e faz o mesmo. E vai crescer achando que isso é correto, normal, afinal de contas o Herói de Sua Vida assim o faz. Sempre fez. E nisso surgem as pessoas no ônibus coletivo jogando espigas de milho pelas janelas, crianças fazendo xixi nas calçadas, com o consentimento das mães. Mães que, trocando as fraldas dos filhos, deixam a fralda suja ali mesmo, no chão. Seja na calçada, seja no restaurante, seja onde for. Não importa. Elas simplesmente não podem procurar o lixeiro mais próximo ou ainda colocar a fraldinha suja numa sacola para se desfazer dela quando em casa chegar. E as crianças vão crescendo dentro desses conceitos torpes.
O resultado de tudo isso são adultos sem a menor noção de espaço. Adultos indisciplinados, avessos a regras, “profissionais” difíceis de se adaptarem em empresas que exijam o cumprimento de normas internas. Pessoas que vivem para si próprio, e acham que o correto é tirar proveito da situação, sempre.  Sentem orgulho por serem tão “espertos”. Mas na verdade, não têm noção do tamanho de sua pobreza.
E não há nada mais lamentável do que um ser humano pobre de espírito. A falta de educação em casa, aquela educação de “bom dia”, “boa tarde, “boa noite”, “com licença”, “desculpa”, “por favor”, “obrigada”... Aquela educação de guardar o brinquedo depois da brincadeira, de calar quando os pais estão falando, de entender o que é limite e aprender a viver com ele. De saber ouvir um “não” e saber que ele é a resposta e pronto.... É essa a educação que faz tanta falta no mundo!
Por que um Doutor formado em Harvard que não pede desculpas por ter esbarrado em alguém, que estaciona o carro na vaga para deficientes, que falsifica documentos para tirar vantagem em algum negócio, que come hambúrguer e joga o resto no chão, que fuma em ambiente coletivo, que entra nos locais sem cumprimentar as pessoas, que vê um idoso cheio de sacolas e não oferece ajuda, que (tendo oportunidade) usufrui do dinheiro público em benefício próprio... Uma pessoa dessas, sinceramente, em nada vai ajudar a melhorar o mundo. Em nada.
O mundo precisa de pessoas educadas. As pessoas precisam de educação e isso começa em casa. Não com teorias e conceitos. A gente forma filhos com exemplo, limites e comprometimento. Que sejamos os melhores amigos dos nossos filhos.
Senhores Pais, pelo amor de Deus, cuidem de suas crianças! Por que, muito mais do que pessoas com diploma, o mundo precisa de pessoas com moral. Primeiro a moral, a índole, a educação (bons modos), o respeito ao próximo, os valores. Sem isso, de nada valerão os diplomas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu Morri e Continuei Vivendo...



Eu morri de rir quando mainha me contou uma façanha que ela aprontou na ultima viagem que vez. Ri até minha barriga doer e ao retomar o fôlego senti como se tivesse renascido. Como é bom libertar o corpo e a alma numa deliciosa gargalhada.

Eu morri de arrependimento quando eu recusei aquela viagem dos sonhos. Um final de semana em uma praia maravilhosa ao lado daquele cara que eu acreditava ser maravilhoso. Ganhei a vida quando descobri que na verdade tinha pulado uma fogueira. O tal cara não era tão maravilhoso assim e a viagem estava mais pra pesadelo que sonho.

Eu morri de orgulho quando minha amiga me contou que recebeu uma proposta de emprego de uma grande empresa e deixaria o emprego mediano em uma lojinha de pequeno porte no comércio local. Vivi para ver que as vezes é necessário recuar para poder avançar.

Morri de raiva quando presenciei uma das maiores injustiças da minha vida, (esse assunto merece um post) mas recebi uma lufada de vida quando o injustiçado deu a volta por cima e o injusto se arrependeu. As lições foram inúmeras.

Morri de pena quando tomei conhecimento que uma pessoa próxima está pondo fim em sua vida e em sua carreira brilhante, enveredando por um caminho sombrio e tortuoso e quanto mais se aproxima das trevas, se afasta da luz e a volta vai ficando mais difícil. Vou permanecer viva, agarrada a esperança de ver essa pessoa renascer.

Morri de vontade de comer aquelas guloseimas deliciosas e pôr abaixo todo esforço da dieta. Vivi e venci o desafio de não cair em tentação, morri de orgulho de mim mesma pela força e dedicação. Vivi para ouvir vários elogios.

Morri de gratidão quando alcancei uma graça que nem esperava. Deus é infinitamente maravilhoso comigo e por mais que eu não mereça Sua Misericórdia é grande. Então, surgiu em mim a necessidade de nascer de novo. Novos hábitos, nova postura, nova visão sobre a vida. Sinto como se uma nova vida tivesse sido dada a mim.

Ao longo desse caminho de morte/vida eu percebo que nosso renascimento é constante e intermitente. Descobri que a cada vitória uma nova chance de vida recebemos e a cada derrota, idem!

Quando morremos, matamos em nós muita coisa que nos atrapalham nesse processo de evolução. Matamos nossos medos, nossos preconceitos, nossas frustrações, nossas desconfianças...
Recebemos novas e intermináveis chances. Chance de começar de novo, chance de ver a vida por um outro prisma, chance de se arrepender, chance de pedir perdão, chance de perdoar...

Muitas mortes e várias novas vidas é o que eu quero para a minha vida.

Verônica

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

29 de Agosto


(by Cinthya)

Dos meus trinta e seis anos, apenas quatro eu vivi sem ela (pois é justamente essa a nossa diferença de idade) e, tenho certeza absoluta, que eu não era tão feliz. Nós somos as filhas do meio de uma prole de quatro filhos. O mais novo e o mais velho são homens e nós, além de termos nascido mulher (lá na região e na cabeça do meu pai, isso é uma desvantagem), ainda nascemos no meio, ou seja, mérito nenhum. Somos quase o nada do nada.

Também por isso nos tornamos parceiras, amigas, unidas. Nunca na nossa vida de irmãs chegamos a uma discussão, a um “bate boca”. Nunca ficamos de mal com a outra. Jamais existiram agressões físicas ou verbais entre nós. E nem somos tão parecidas assim! Temos muitas diferenças, muitas mesmo. Mas isso não é motivo para desavenças entre nós, pois desde muito cedo aprendemos a respeitar as escolhas da outra.

Nem tudo que eu faço ela aprova, nem tudo que ela aceita eu aceitaria. Mas temos a clara certeza de que somos, apesar de unidas, dois seres distintos, com vontades distintas, com medos distintos. Cada uma tem um sonho, cada uma tem uma meta e cada uma tem seus medos e sua bagagem. Entendemos isso e seguimos em frente, juntas.

Conheço-a muito. Basta que eu a olhe para saber que ela não está bem. Não precisa nem falar nada. Eu a conheço. Sei quando ela está inquieta, sei quando está feliz. E que sorriso lindo ela tem, aliás, o seu sorriso merece um texto à parte, sim. Porque quando ela sorri tudo ao seu redor recebe luz. Ela tem um sorriso largo, os olhos se fecham e a beleza dela aumenta ainda mais. Ela é linda!

Crítica, chata, organizada, ciumenta, desconfiada, ela sempre se dá bem em matérias exatas. Tem um raciocínio lógico muito apurado. É uma menina inteligente. Mas ela também é frágil e quando se dedica a alguém, faz isso de corpo e alma. Se sofre uma decepção, não é do tipo que esquece. Não, definitivamente, ela não esquece. E ai de quem decepcioná-la.

Tem sempre uma resposta na ponta da língua e não importa pra quem seja: o pai, o namorido, o chefe, não importa. Se a cutucarem, ela vai responder. Isso é certo. Ela é assim. Se a razão estiver com ela, não adianta, ela vai defender até o final. E, creia, ela não se cansa. É dura na queda.

Ela é a minha irmã amada e querida. Por vezes ela é minha filha, por vezes ela é minha mãe. Tudo o que é meu, é dela também. É a madrinha do meu filho. Não há frescura entre nós. Se existem outras vidas, tenho certeza que em todas elas nós estivemos juntas, porque o laço é muito forte. Tenho uma vontade imensa de protegê-la e brigo por ela, se preciso for.

Sempre nos divertimos, na riqueza e na pobreza. Se a gente sai junta, a gente vai se divertir, não importa se o dinheiro vai faltar, se a chuva vai cair. Não importa. Nós sempre achamos um jeito de dar risada, aliás, damos muita risada quando estamos juntas. A gente se entende.

Irmã, eu te amo e isso vai além, muito além de tudo que é palpável e/ou explicável.

Feliz Aniversário!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Uma História de Amor


Eles estavam saindo do teatro quando os olhares se encontraram.

A troca de olhar intensa durou pouco segundos, o bastante para acender uma chama em ambos.
Puta que pariu! Que gata!!! pensou ele.
Nossa que homem incrível!! pensou ela.

Continuaram andando em direção ao estreito corredor que dava acesso a saída e vez ou outra um dos dois olhava.

Se ela olhar de novo é porque também quer. Que mulher gostosa, vou pedir o telefone dela.
O pensamento dele foi instantâneo.

Ele deve ter uns trinta e poucos anos, daria um excelente pai de família. Acho que teríamos filhos lindos. Ela não pôde segurar o sorriso, se imaginando vestida de noiva entrando na igreja para dizer sim àquele deus grego.

E assim eles continuaram a passos lentos se aproximando um do outro.

Mas como é que eu vou chegar nela? - Oi, me dê seu telefone? Ela vai me achar um mané. Preciso ser esperto, não posso dar bobeira. Mas como ela é gostosa... puta merda! Ele pensava preocupado.

Onde será que ele mora, do que ele gosta? Acho que ele é do tipo caseiro, ao menos é culto e vem ao teatro sozinho. Humm que homem interessante. Será que ele vai gostar de mim? Será q também me achará interessante e inteligente? Ela também estava preocupada.

Chegaram ao corredor central e se colocaram lado a lado. Os ombros dela na altura do braço dele. Não conseguiram sentir o perfume um do outro, mas a proximidade entre eles criava uma atmosfera envolvente.

Preciso bolar um plano antes da porta de saída. Se ela olhar de novo eu vou sorrir. Mas, se ela sorrir também eu vou dizer o quê? Já sei! Vou chamá-la pra tomar uma cervejinha e quem sabe poderemos conversar mais à vontade lá no meu cafofo. Eu acho que ela é do tipo safadinha. Conjecturava ele.

Nossa, como ele é alto. Daria um super namorado, do tipo protetor. Ele poderia me chamar de minha pequena. Ao sairmos ele bem que poderia me convidar para jantar. Poderíamos passear de mãos dados no centro histórico apreciando a arquitetura barroca. Poderíamos marcar algo para o final de semana. Eu o levaria para conhecer meus pais. Sonhava ela.

Mas, e se ela for do tipo grudenta? Se ela for daquelas que fica ligando, pegando no pé porque quer um relacionamento sério? Xiii é melhor não arriscar. Mulheres que vêm ao teatro são carentes e mal amadas. Se apegam fácil e dão um trabalhão. Além do doce que fazem pra dar no primeiro encontro. Esse negócio de vir ao teatro pra pegar mulher é a maior roubada. Tô fora. Essa foi a constatação dele.

E se ele for aquele tipo de homem que não quer namorar sério e só quer dar uma por curtição? Eu não quero isso. E se ele for do tipo ciumento e controlador? É melhor eu não pensar em nada. Se nos encontrarmos de novo, talvez poderemos conversar, mas hoje eu nem vou dar bola pra ele. Essa foi a decisão dela.

Chegaram ao final do corredor estreito, alcançaram a porta da rua e cada um seguiu para um lado da rua sem olhar para trás. Assim, eles viveram uma linda história de amor, em seus respectivos pensamentos e foram felizes para sempre em suas convicções.

Verônica

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ela é Venenosa



(by Cinthya)

Uma coisa que sempre me intriga e me deixa inquieta é me deparar com uma pessoa negativa, pesada, carrancuda. Gente que vive para reclamar de tudo o que tem e de tudo o que não tem também. Gente que enxerga primeiro as desvantagens, os defeitos. Gente que não sabe sorrir com a alma, que não sabe conquistar amigos fieis, leais e sinceros. Gente que vive à margem da felicidade. Gente azeda, amarga e, consequentemente, só.
Vez ou outra o destino me traz uma pessoa assim para o meu convívio diário e é um choque de realidade quando comparamos nossas vidas. Hoje eu tenho uma erva venenosa dessas no meu jardim e tem me dado trabalho essa convivência. Ora sinto dó dela por desperdiçar a vida com tanta coisa ruim guardada no coração, ora sinto raiva e vontade de dar uma sacudida pra ver se ela acorda e se livra de tanta maldade.
Tudo nela é maldoso. Se eu posto uma foto no Facebook ela lança lá um comentário maldoso, se alguém chega aqui e me abraça, me chama de amiga ou algo assim, ela solta o veneno dizendo “Quanta falsidade!”, se eu recebo elogios, ela acha um jeito de dar sua alfinetada, enfim. Ela é a negatividade em forma humana.
Ela não se acha bonita tanto quanto queria ser. Ela não tem a quantidade de amigos que gostaria de ter. Ela é amarga, definitivamente. Ela é amarga e seu fel consegue atingir quem está pelas redondezas. Ela tem uma áurea pesada, uma coisa negativa dentro dela, uma raiva, um rancor. Deus me livre!
Se ela vê alguém bem, a inveja se manifesta imediatamente nos seus comentários envenenados.  A felicidade alheia a incomoda e isso me chama atenção. Ela fica inquieta quando vê alguém feliz. E tenta, de todas as formas,provar para essa pessoa feliz que a felicidade não existe. Que tudo não passa de ilusão.
Os casamentos dela não deram certo e por esse motivo ela critica o casamento alheio. Amaldiçoa mesmo. Outro dia “bateu boca” com outra colega que disse ter um marido fiel. O clima ficou pesado, tenso e eu tive que intermediar com uma brincadeira para que a coisa não ficasse mais séria. Poxa! Eu sou muito desconfiada quando o assunto é fidelidade masculina, mas não vou discutir com uma pessoa casada que acredita na fidelidade do marido. Cada um pensa de um jeito. O importante é estar feliz! Essa é a finalidade, o objetivo.
Ela é venenosa, amarga, mal resolvida. Ela vê maldade em tudo. E é uma pena que uma pessoa desperdice seu tempo e sua vida empenhada em não ser feliz. Sim, porque com essa atitude ela pode ser tudo, menos uma pessoa feliz. Quando a gente perde mais tempo se preocupando com a vida dos outros, acabamos não dando à nossa vida o zelo que ela merece. E assim se cultiva um campo fértil para inveja, maldade, infelicidade.
Convivo com ela, mas sempre tenho cuidado para não deixar o veneno respingar em mim. Eu sou do tipo que opto pela felicidade.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ela Se Acha



(by Cinthya)

É. Definitivamente não tem pra ninguém. Quando ela chega os holofotes se voltam para ela. Quase que automaticamente ela atrai os olhares, as pessoas, os interesses. Ela tem uma sabedoria de vida adquirida durante anos de observação e vivência. Ela aprendeu, com a vida, a ouvir, a calar, a respeitar sempre a opinião do outro, ainda que essa opinião se choque com a sua. E com isso as pessoas acabam por gostar de sua presença.
Ela foge de julgamentos e busca entender sempre os motivos que levam as pessoas a tomarem determinado rumo na vida. Ela mede suas ações por saber que as reações são certeiras e rápidas. Ela sabe o que não quer pra si e evita, com todo seu empenho. Não costuma fugir da responsabilidade. Não costuma reclamar muito do que não tem. Prefere agradecer pelo que recebeu.
Ela é do bem. Tem seu estilo próprio, tem personalidade marcante, tem uma autoestima nas alturas. Ela é alto astral, é intensa, é inteira. Ela é destemida, é resolvida e tira leite de pedra. Quando quer algo, corre atrás, vai onde tiver que ir, mas consegue. Quando ela acredita em algo, vai até o fim para que seu desejo se concretize. Ela é força.
Espontânea, ela adora deixar os homens sem jeito. Dona da situação, ela não se intimida, mete a cara e faz acontecer. Se ela quiser, vai atrás. Se não quiser, a vaca pode tossir que ela não cede. Se a festa está boa ela dança e bebe, se a festa está ruim, ela bebe e dança, e acaba descobrindo que não existe festa ruim que não possa ficar boa.
Ela é mais ela em qualquer situação e mesmo assim, ela não passa por cima de ninguém. Honesta com os seus valores, fiel aos que lhe cercam, ela encanta pela sua verdade. Não gosta de brigas, de desunião, de descaso. Não admite que lhe pisem nos calos. Ela simplesmente não permanece na situação, se não estiver se sentindo bem. Não admite viver de aparências. Escolheu viver para si e não para ser o que os outros esperam que ela seja. Narciso perderia o espelho para ela. Ela vive em lua-de-mel consigo. 
Não prende ninguém em gaiolas e, com a mesma verdade, não se permite ser presa. Alma livre, ela voa alto. Fica enquanto se sentir bem, depois busca novos ares. Ela gosta de equilíbrio, mas sempre consegue desestruturar as bases alheias. Ela mescla enigma e clareza numa mistura quase que enlouquecedora. Ela seduz.
Em verdade, ela escolheu ser feliz. E é.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vive la liberté!



Era uma tarde quente de setembro, eles estavam num campo, o que mais parecia um imenso jardim... O sol acariciava a pele de ambos. Eles eram só sorrisos. O amor que emanava deles era lindo e uma delicia de sentir.

Foi então que ela ouviu um barulho na porta que lhe despertou do seu devaneio, estava lembrando dos momentos bons que tinham vivido juntos. Ela estava deitada, fitando o teto, as persianas do quarto estavam fechadas e ela não sabia se ainda era dia, ou se já era noite. Não sabia se tinha dormido, ou se esteve o tempo inteiro acordada. Ela estava numa espécie de transe.


Olhou em volta, sem se levantar, e percebeu o ambiente estava vazio. Ele foi embora. O perfume dele ainda estava no ar e o chaveiro pendurado na porta ainda balançava. Ele se foi há pouco tempo. Sentiu uma coisa estranha dentro dela, um aperto na barriga. É agora que eu vou chorar - Ela pensou. Segundos depois percebeu que era a barriga que roncava. Um protesto por várias e várias horas sem receber alimento. Que estranho, eu não sinto a mínima vontade de chorar - constatou com espanto.

Levantou cambaleando e se dirigiu à cozinha, durante o breve trajeto foi imaginando o que queria comer. Um hambúrguer!! Um sorriso travesso brotou em seus lábios. Então se lembrou que não tinha carne de hambúrguer em casa. Talvez um miojo? Não tem miojo também! Sua frustração era visível. Pro inferno com a dieta! Vou pedir uma pizza. Se movimentou graciosa e desesperadamente até o telefone. Pedido feito. Missão cumprida. Agora é só esperar.

Depois do pedido feito, decidiu tomar um banho. Já no banheiro, percebeu que ele havia esquecido uma camiseta. Ainda estava molhada de suor consequência do treino recente. Ela sentiu uma vontade incontrolável de agarrar-se àquela pequena peça que tanto lembrava ele. Segurou a camiseta com as duas mãos e inspirou profundamente. Um cheiro forte e cortante de suor e saudade invadiu suas narinas e imediatamente se arrependeu de ter feito. Arremessou a camisa depressa no cesto de lixo.

No box, tirou a calcinha. Lavou-a com sabonete e a pendurou no chuveiro. Ele morreria se visse - o pensamento lhe ocorreu de imediato. Tomou um demorado e relaxante banho. Oh, droga! Esqueci a toalha. Foi do banheiro ao quarto deixando um rastro de água por onde passava. Ele também enlouqueceria ao me ver fazer isso. Foi então que ela percebeu o quão neurótico, obsessivo por poder e controlador ele era. Decidiu que faria tudo ao contrário. Só pra sacanear.

Vestiu sua calça de moletom e uma camisa folgada que estava esquecida no armário. Enquanto se vestia começou a lembrar-se de tudo que negligenciara em nome desse amor. Lembrou-se de tudo que teve de abrir mão e das pessoas que teve de se afastar. Quanto sacrifício para viver uma história com um homem autoritário, controlador e ditador. A primeira pessoa de quem se lembrou foi de sua mãe. Decidiu ligar pra ela.

- Alô, mãe?
- Oi, Filha! Que bom ouvir sua voz. Como você está?
- Eu estou bem, mãe! Ele foi embora.
- Oh, filha... Eu sinto muito! Você tem certeza que está bem?
- Tenho sim, mãe! Sinto-me aliviada. Não chorei e nem sinto vontade. É estranho, mas eu me sinto liberta. vou visitá-la no final de semana. Te amo, mãe!
- Eu também te amo, filha. Estou com saudades! Beijos e fique bem.

Não demorou muito e ouviu o interfone.

- Pois não?
- Entrega de pizza para a senhora - disse a voz anasalada do outro lado da linha
- Ah, pode subir.

Seus olhos brilharam ao avistar aquela pizza enorme, com aquele cheiro maravilhoso e o queijo derretido. Lembrou-se das dietas rigorosas a qual se submeteu, em busca do corpo perfeito para agradar o amado. Lembrou-se também das horas de treino, das corridas, suplementos e a quantidade de verduras que teve que ingerir. Encarnar a "Geração Saúde" não fora uma tarefa fácil, mas ela se esforçou. A obsessão dele por um corpo bem moldado, músculos rígidos e abdômen batido não conhecia limites. Era quase um treinamento militar.

Pegou sua pizza e sentou-se em frente a TV. Dexter! Que saudade! Como alguém pode não gostar de Dexter? É simplesmente genial. Ele não gostava de Dexter - ela lembrou. Depois de falar com a sua mãe, comer o que gostava, assistir o que queria ela se sentiu inundada por uma sensação de liberdade.

Percebeu que estava com saudade dela mesma e de tudo que deixou de ser. Ficou feliz em ter seu espaço de volta. Retomar seus hábitos e não se sentir pressionada. Nem obrigada a fazer o que não queria. Celebrou o dia mais feliz de sua vida, até então. Esse é apenas o primeiro - foi seu ultimo pensamento antes de adormecer.


Verônica

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Fogo



(by Cinthya)

Nunca chegamos “aos finalmente”, o máximo que aconteceu entre nós foi um beijo rápido, quase roubado (por mim, claro) depois de uma “cervejada” descontraída. Mas basta que a gente se veja para que os olhos se busquem numa cumplicidade incomum a quem não sabe curtir da vida o que de melhor a vida oferece.
Ele pode até estar carrancudo, brigando com Deus e o mundo, mas basta que me veja para que o sorriso se abra em seus lábios, seu rosto ganhe leveza e seu corpo retome uma postura de quem está aqui apenas para ser feliz. Se o meu telefone toca e é ele do outro lado da linha, pronto! É o suficiente para o alerta soar.
A cada dia que passa os nossos abraços são mais demorados. A cada reencontro os olhares são mais solícitos e tudo fica mais explícito. O cheiro dele eu reconheço de longe. O meu cheiro, ele adora. Os meus cabelos lhe encantam, o sorriso dele me desmonta. Ele adora os meus textos e eu sou fã da sua voz e do seu jeito de andar. Ele viaja nos meus devaneios e eu, adoro deixa-lo sem jeito com minha espontaneidade. Ele abre espaço, eu invisto, ele recua. Sempre aparece um TCC para analisar, uma prova para estudar ou trabalho para concluir. Sempre existe um remédio para tomar, um sono irreparável e um cansaço quase mortal. É. Esse é, definitivamente, um jogo gostoso de se jogar, porque aqui não existem perdedores.
Quando nos tocamos, as faíscas acendem. Um aperto de mãos é o suficiente para esquentar tudo aqui dentro. E quando estamos no mesmo ambiente é impossível um desencontro entre nossos olhares. A gente se dá bem. Conversamos por horas e nem percebemos passar o tempo. É tudo muito encaixado. Afinidades e diferenças mescladas numa empatia imediata.
É assim. Nunca chegamos a algo mais concreto. Mas é muito bom sentir o corpo entrar em curto circuito quando ele se aproxima. E a isso, meus caros amigos, eu chamo VIDA. E mergulho nela, sem medo algum de ser feliz.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Você Está Grávida?? Eu Sou Muito Novo Pra ser Pai!



Eles se conheceram numa festinha lá em casa. Ele amigo do meu primo. Ela prima da minha amiga.

Quando os vi juntos pensei: Que lindos! Formam um belo casal! E formavam mesmo. A química foi perfeita e envolvimento começou naquele dia. Eles se completavam. Ora tão parecidos, ora tão diferentes eram a tampa e a panela.

O namoro já estava bem sério e ela começou a pensar no futuro e constatou que não tinha certeza se queria constituir um futuro com ele. Ela só estudava não trabalhava. Ele só trabalhava não estudava. Na época ela com 17 e ele com 19. Ela resolveu então terminar o namoro para desespero dele.

Não foram poucas as vezes que os pais o viram chorando pelos cantos com saudade da amada. Ele não disfarçava mesmo a tristeza, e deixava bem claro que a amava e estava disposto a reconquistá-la. A comoção foi geral, esse menino se desesperou e mobilizou a família inteira. A família dele e a dela. Todos iam levar uma palavra de conforto e ele pedia que intercedessem junto a ela. Fizesse ela reconsiderar a decisão e voltar pra ele. A vida dele não teria sentido sem ela. Drama típico de um adolescente.

O importante é que funcionou! Ela voltou e ele ficou feliz da vida. Numa dessas voltas que o mundo dá, o destino se encarregou de preparar uma peça pra ambos. O pai dele, funcionário federal, foi transferido para outro estado. Mais uma vez ela resolveu terminar, mais uma vez ele fez das tripas coração para removê-la da idéia. Continuaram o namoro mesmo a distância, fazendo planos de casar e constituir uma família. Agora ela com 19 e ele com 21.

Em mais um girar de ponteiros, o destino caprichoso que só ele, aprontou mais uma e ela engravidou. Peraí, culpar o destino por isso é sacanagem! Vou refazer a frase: por falta de cuidado e proteção e por vacilo de ambos ela engravidou. Agora, o moço antes tão apaixonado, aquele mesmo cuja vida não teria sentido sem a amada, aquele que chorou e mobilizou a família, não sabe se a quer. Não tem certeza dos seus sentimentos, dá pra acreditar?

O pai dela, muito rigoroso e conservador, fez o que qualquer pai ignorante e desinformado faria: virou as costas e a expulsou de casa. A mãe, fez o que qualquer mãe submissa faria: para não se indispor com o marido, não quis contrariá-lo, mesmo sofrendo, acatou a vontade do chefe da família e deixou a menina partir. A família tomou a frente e a acolheu. Tias e primos fazem hoje o papel dos pais e irmãos. O pai dele ao saber de tudo, fez o que qualquer homem honesto e honrado faria: Deu um chega pra lá no filho ireesponsável e o obrigou a arcar com o ônus já que do bônus ele já tinha usufruido.

Agora, a responsabilidade do moço é com ela, porque não trabalha e dependia do pai que lhe virou as costas e com o bebê que dependerá inteiramente dele. O dinheiro antes gasto em roupas de marca e ingressos de festas, será gasto agora com leite e fraldas. As noite de sono perdidas nos bares da vida, agora serão perdidas ninando o bebê.

O clima não está dos melhores. A postura dele não foi a esperada. A reação dos pais dela, embora já fosse a prevista, não foi a mais correta. Mas, como o destino adora mudar tudo de uma hora pra outra eu espero que a paz volte a reinar e que a criança seja concebida num lar repleto de amor e harmonia.

Verônica

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Preço



(by Cinthya)

Carlos Eduardo trabalha numa conceituada empresa de um grupo multinacional. Mas nem sempre foi assim. Há algum tempo, quando ele foi contratado, a empresa era familiar e só depois de alguns anos uma potência do ramo a comprou. A transição foi conturbada e Carlos Eduardo assistiu muitos de seus amigos serem demitidos ou pedirem demissão por conta do assédio moral que aconteceu nesse período turbulento.
Na época, um dos “pais” da empresa foi uma das maiores vítimas de perseguição e foi muito triste para todos os funcionários antigos perceberem o rumo que as coisas tomaram. O grande idealizador do projeto, o criador de todas as máquinas se viu a mercê de um bando de desentendidos que se satisfaziam em humilhá-lo. E, como era esperado, eles acabaram por demiti-lo.
Por conta de todo o assédio moral sofrido, esse fundador da empresa recorreu à justiça, tentando rever algo do que perdera lá dentro, inclusive alguns direitos que deixaram de ser pagos no ato da sua rescisão. E todos os empregados antigos sabiam desses fatos, presenciaram as humilhações e as perseguições às quais o fundador fora submetido. Tanto que, certa vez, o Carlos Eduardo adentrou a sala do fundador e disse ser uma vergonha e uma injustiça o que estavam fazendo a ele.
O tempo passou. Carlos Eduardo galgou muitos degraus dentro da organização. A sua vida melhorara bastante, isso é verdade. Mas os seus amigos já haviam saído em outras direções. Não tiveram estômago para aceitar calados a situação a que foram submetidos seus líderes e eles próprios. Tomaram as dores e decidiram rumar para outros ares. Mas Carlos Eduardo escolheu ficar.
Então, certo dia, sentado na recepção da Justiça do Trabalho, o fundador aguardava a audiência onde requeria seus direitos, requeria uma indenização por conta de tantos e tantos momentos de humilhação, de tanta perseguição e injustiça a que fora submetido. E eis que chega a empresa e traz uma testemunha para desmentir tudo. Para afirmar que nunca houve humilhação, que nunca houve perseguição, que nunca e jamais o fundador fora tratado com desrespeito.
A testemunha entra e ao olhar nos olhos do seu antigo líder, estremece. Sente um calafrio lhe percorrer a espinha, sente um buraco no estômago. Os olhos do fundador se enchem de lágrimas. Lágrimas de decepção. Na mesma hora lhe vem à mente a imagem do Carlos Eduardo entrando na sua sala e lhe dizendo que sentia muito por tudo o que estavam lhe fazendo, pela injustiça e pelas humilhações...
Carlos Eduardo estava ali para testemunhar a favor da empresa e jamais pensou que sentiria tanto nesse reencontro. Não conseguiu mais olhar nos olhos do seu antigo líder. Queria sair dali o mais rápido possível, queria fugir, correr, dizer que era verdade tudo o que o fundador reclamava e que, na verdade, ele merecia ganhar essa ação e muito mais, pois nada apagaria de sua vida as humilhações sofridas.
Carlos Eduardo calou-se, não correu, engoliu a seco e fez o seu papel de funcionário exemplar. E nesse momento ele entendeu, finalmente, porque vários dos seus amigos acabaram por pedir demissão. Chega uma hora na vida em que a gente precisa escolher entre caráter e poder.

sábado, 18 de agosto de 2012

A mulata, o vestidinho e a celeuma

Créditos da imagem Leandro Francisca


A mulata é uma mulher de temperamento forte e pavio bem curtinho. Explode rápido. Tem um namorado ciumento e louco por ela. Namorado de mulher bonita e de gênio forte tem que andar pianinho. Pode se espalhar muito não pra não atiçar a fera.

Dia desses, a mulata e o namorado iam para uma roda de samba, caprichosa que só ela, vaidosa indo e voltando, a mulata se empiriquitou toda: botou um vestidinho, uma maquiagem bafônica, mais cheirosa que filho de barbeiro. Namorado ciumento e cismado, quando viu quele mulherão com as pernas expostas endoidou.
"Vá tirar esse vestido agora, namorada minha não anda semi-nua!" Disse ele aos berros.

A mulata, muito da desaforada não deixou por menos.
"Namorado meu não manda em mim. Namorado pede. Se pedir direitinho eu até faço, mas se mandar eu faço o contrário só pra pirraçar." Foi a resposta da mulata, resposta que ela deu já se retirando e deixando o namorado com cara de pastel. Foi pro sambão com seu vestidinho micro, seu corpão e muita disposição para sambar. 

O namorado, bobo e ciumento, passou a noite bancando o guarda-gosta pra não deixar malandro nenhum tomar ousadia com sua deusa de ébano.

Moral da história 1: Ninguém é dono de ninguém. Não devemos agir como se o fosse. Ao pedir uma coisa, lembre-se: é pedir! Não exija, não imponha.

Moral da história 2: Em boca fechada não entra mosca. Se o namorado ficasse calado, não teria passado a noite brigado com a mulata.

Moral da história 3: Não devemos abrir mão de nossa personalidade para agradar ninguém. Um vestido curto não nos torna mais ou menos digna que ninguém.

Bom sábado, pessoal!!

Verônica

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Alice No País Dos Desencantos


 

(by Cinthya)


Ele existe. Eu não estava louca, ainda bem. Eu não estava sonhando perdida num mundo cruel. Não. Eu não era Alice No País Dos Desencantos! Aquela certeza que sempre esteve aqui tinha um fundamento. Não sou louca. Não sou infantil ao ponto de crer em contos de fadas e me distanciar da realidade.
Aquele amor que eu sempre sonhei existe. E eu presenciei com os meus próprios olhos. Um casal que vive junto há mais de trinta anos numa harmonia gostosa me mostrou que eu não acreditei esse tempo todo no impossível. Há mais de trinta anos eles continuam se escolhendo, todas as manhãs e todas as noites. Eles compartilham de um respeito recíproco que é de emocionar qualquer um. Eles têm uma admiração pelo outro, uma atenção, um carinho que deixam as pessoas encantadas.
Há um tempo eu venho chateada com esse lance de AMOR. Quero nem ouvir falar, me dá náuseas quando vejo um casal meloso se derretendo ao meu lado. Há um tempo eu venho me sentindo assim, completamente desacreditada. No entanto, a vida me presenteou com esse (re)encontro. Bastou um dia na companhia desses amigos, um dia envolvida em sua rotina para que eu descobrisse que o amor é do jeito que eu sonhei e que as coisas que eu encontrei pelo caminho, de repente, não poderiam ter sido tratadas como amor.
Eu não sei se existe Alma Gêmea, Almas Anfins, só sei que a cumplicidade, a intimidade, a preocupação, o afeto, o respeito que eles têm um com o outro é encantador. Enche de ideias qualquer mente poética. Eles se tratam por apelidos carinhosos (e, por incrível que pareça isso está longe de parecer falso, meloso demais ou piegas). O amor deles é concreto. É inquestionável. É transparente.
Eu recebi mais um presente da vida. Num momento onde eu estava quase que completamente desacreditada do amor, eu recebi a sorte de ver que o amor existe, da forma que eu sempre sonhei, do jeito que eu sempre esperei, idealizei. Eu não estava louca, eu não estava querendo o impossível. O amor existe, gente. E é lindo. Amor de almas, amor maduro que não perde o humor, que constrói junto, que a cada dia vê crescer a admiração pelo outro, um amor paciente. Esse amor existe, tão logo, hei de encontrar o meu e sair desse País Dos Desencantos onde joguei minha âncora.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

É Namoro ou gambiarra?



Ontem foi dia dos solteiros e eu conheço um monte de gente que vive triste por estar nessa condição. Tem gente que não sabe dar o real valor que solteirice tem. Algumas pessoas não sabem que para estar bem em uma relação é necessário estar bem consigo mesmo! Não nascemos para vivermos sozinhos, mas não dependemos, necessariamente, de outra pessoa para sermos felizes. Conheço também, outros tantos que vivem numa relação "armengada" só para mostrar à sociedade moralista e preconceituosa, que adora rotular as pessoas, que não é um solteirão ou uma titia. Diante dessa carência afetiva resolvi abordar esse assunto. Vamos a ele:


Dia desses minha mãe, se referindo ao marido de uma amiga, comentou: "... ela e a gambiarra dela..."

Quando falamos em gambiarra lembramos logo daqueles jeitinhos que a gente dá nas coisas quando  falta grana ou paciência para consertar com dignidade. É esparadrapo no controle remoto pra prender a tampinha das pilhas, é esponja de aço na antena da TV pra melhorar o sinal, é pano de prato na torneira pra conter vazamento, é tijolo pra segurar a cama, enfim... Soluções desajeitadas, improvisadas, mas que são ótimas no dia-a-dia. Não basta ser pobre tem de ter criatividade!

Buscando uma das definições da palavra gambiarra percebi que minha mãe é um gênio. Significado de Gambiarra: Trabalho feito com improviso, com peças alternativas. Ou seja, não é gambiarra é arranjo técnico!

Perfeita definição para alguns relacionamentos! Quantas pessoas ao nosso redor vivem um namoro de improviso para dar um jeitinho na solidão? Quantas pessoas empurram com a barriga relações que já afundaram há tempos, mas por comodismo, ou por falta de amor próprio e até de dignidade continuam insistindo, querem a qualquer custo "ajeitar" a carência. Quantas relações que mal começaram e está na cara que não vai dar em nada, mas ainda assim, as pessoas querem fazer com que dêm certo para parecer bem aos olhos dos outros e conter o "vazamento" de comentários? Várias!

Gambiarra é uma solução temporária. É um improviso. Dá certo por um tempo, mas, mais cedo ou mais tarde terá de ser substituída pela solução definitiva, ou uma nova gambiarra terá de ser feita. Ou arranjo técnico, como queiram.

Quem não tem aquela amiga amarga que vive há anos numa relação desajeitada, desajustada, improvisada só para passar recibo de felicidade? Quantos sapos ela tem que engolir por uma pessoa que nem é lá essas coca-colas todas? E o pior, está longe de ser um príncipe. Mas, é preciso engolir a lebre para se ter um gato no telhado, né? Feliz da vida? Magina! Só aparência... Realizada? Não mesmo. Pura obra de fachada!

Quando minhas amigas estiverem se enrolando com alguém, vou perguntar logo: é namoro ou gambiarra? Porque gambiarra pode ser uma solução aparantemente boa, só que a curto prazo. Se demorar muito, o problema volta e ainda mais grave do que foi da primeira vez.

Então, amadas: Se o sujeito deu defeito e não teve conserto descarta logo! Nada de gambiarras!
Qualquer coisa vamos procurar os direitos do consumidor.

Verônica

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Que Vale Mais Para Você?

(by Cinthya)

Um dia o meu diretor me falou sobre esse discurso. Fui atrás e encontrei várias versões. Acabei por escolher essa pois é uma idéia que tem muita ligação com o que eu penso e com o jeito que eu escolhi para viver a minha vida. Vamos refletir?

"Imagine a vida como um jogo em que você esta fazendo malabarismos com cinco bolas no ar."

Estas são:

- Seu trabalho,
- Sua família,
- Sua Saúde,
- Seus amigos e
- Sua vida espiritual.

E você tem que manter tudo isso sempre no ar!

Logo você vai perceber que o trabalho é como uma bola de borracha...
Se deixar cair ela rebaterá e irá saltar de volta.
Mas as outras quatro bolas: família, saúde, amigos e vida espiritual são frágeis como vidro.
Se você deixar cair um destas, irrevogavelmente serão lascadas, marcadas, cortes a danificando ou mesmo a quebrando.
Nunca serão as mesmas.
Temos de entender isto: Apreciar e se esforçar para alcançar e cuidar do mais valioso.
Trabalhar de forma eficaz nas horas normais de trabalho e deixar o trabalho a tempo.
Dê o tempo necessário para sua família e amigos.
Exercite-se, comer e descansar adequadamente.
E acima de tudo ... Crescer na vida interior, espiritual, que é o mais importante, porque é eterna.
Shakespeare disse: Eu sempre me sinto feliz, sabe por quê? Porque eu não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói.
Os problemas não são eternos, sempre têm soluções.
A única coisa que não resolve é a morte.
A vida é curta, por isso, adoro isso!
Viva intensamente e lembre-se:
Antes de falar... Ouça!
Antes de escrever... Pense!
Antes de criticar... Examine-se!
Antes de ferir... Sinta-se!
Antes de orar... Desculpe!
Antes de gastar... Ganhe!
Antes de desistir... Tente!
ANTES DE MORRER... VIVA!

Brian Dyson (ex-presidente da Coca-Cola Co.)

Ele Não Está Afim de Você

Cena do Filme Ele Não Está Afim de Você


No final de semana em uma conversa franca com uma amiga e ouvindo os relatos dela sobre o relacionamento que ela não tem, embora gostaria muito de ter, ela me confidenciou algumas coisas que me deixaram ainda mais convicta das minha idéias.

Ela é apaixonada por um rapaz que já foi apaixonado por ela e agora namora outra menina. Na época em que ele corria atrás ela, ela era apaixonada por outro rapaz que tinha namorada. O encanto por esse outro rapaz passou e ela pôde perceber as qualidades daquele que sempre a cortejou. Mas quando ela se deu conta já era tarde demais. A frustração por não ter vivido o que poderia viver e o arrependimento de ter feito a escolha errada hoje a consomem e servem como incentivo para correr atrás do moço.

Segundo ela, ele é muito sincero e já deixou bem claro pra ela que não pode prometer nada. Está bem com a namorada e não quer envolver uma terceira pessoa na história. Ele afirma também, segundo relatos dela, que a consideração que os envolve é muito grande e não quer colocá-la em posição de amante, não ela. Ela não merece. E outras coisitas más...

Depois de ouvir tudo isso, eu disse o que penso.
1- Ele não está afim de você.
2- Homem quando não tem certeza se quer ou não é porque não quer. Homem quando quer uma coisa ele vai atrás mesmo.
3- Ele está te cozinhando em banho-maria. Não dispensa de vez porque não se sabe do dia de amanhã. Homem prefere perder um braço num ônibus em movimento do que dizer a uma mulher que não a quer. Ele quer sempre deixar uma porta aberta.
4- O que ele tem pra te oferecer são apesas migalhas de um sentimento que já está todo comprometido e devotado a outra pessoa.

Não digo que o moço é ruim, sacana ou é desonesto, não, não é isso... Ele não é ruim, mesmo quando diz que vai ligar pra ela e não liga. Ele não é sacana mesmo quando marca e não aparece. Ele não é desonesto mesmo quando não deixa claro pra ela que não a quer.
Ele até gosta dessa minha amiga, mas o sentimento não passa de carinho e amizade.

Homem nenhum deixa de se envolver com uma mulher para não machucá-la. Não, eles não são tão generosos e altruístas assim. Eles são egoístas demais para pensar na outra pessoa e sempre terão uma razão para justificar seus atos por mais sacanas que tenham sido.


Essa minha amiga diz que as atitudes do moço a confundem porque ela sente que ele gosta dele e a quer...
Mulher apaixonada enxerga até o que não existe, né? E uma atitude ou situação ela tende a interpretar de maneira que se encaixe com o que ela espera. Assim, cria situações que só existem na sua cabeça, fazem planos irreais e espera do outro sentimentos que nunca virão.

Acorda, menina! Ele não está afim de você.


Verônica

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Impressão Que Causei



(by Cinthya)

Eu sempre tive uma atração muito forte pela paz. Fico bem em me dar bem com todo mundo. Gosto de pessoas felizes. Gosto de sorrisos. Sinto-me atraída por ambientes onde a alegria role solta. Na minha casa é assim, a harmonia é nossa velha companheira e com isso acabamos atraindo para nosso seio pessoas queridas que findam fazendo parte de nossas vidas.
O respeito pelo outro, a gentileza, a educação, a humildade, são coisas que estão sempre em evidência no meu trato com as pessoas. Então não importa se eu cumprimento um Diretor Executivo de uma multinacional ou um funcionário da empresa que recolhe o lixo da minha cidade, não importa. O meu cumprimento será o mesmo. O meu respeito será o mesmo, a minha simpatia será a mesma. E por que não haveria de ser, não é mesmo?
O retorno que eu recebo das pessoas é o mais positivo possível. Sempre sou bem recebida, sempre sou bem tratada e muitas vezes essa impressão boa que eu causei me salva de situações embaraçosas ou me dá, de alguma forma, prioridade em muitas coisas. Nesse sentindo, eu sinto o gostinho saboroso de saber que estou colhendo os frutos  das sementes que plantei.
É muito bom deixarmos uma marca positiva por onde passamos. Saber que as pessoas, ao lembrar de nós, abrirão um sorriso, se sentirão bem. Isso não tem preço. Saber sermos desejada em todos os lugares onde os amigos se reúnem para jogar conversa fora. Saber que a sua simples presença já é motivo de alegria das pessoas, ainda que você não tenha grana para “rachar” a conta. Ainda que você esteja num dia down os amigos te buscam e fazem questão de sua companhia, porque sabem que você é “sangue bom”.
Muitas portas se abrem quando a gente anda pelo caminho do bem. É natural. E é natural também que mais à frente a gente venha a precisar das pessoas que hoje precisam de nós. Como dizem na novelinha “está tudo conectado” e fazer bem a sua parte é o que importa. Deixar sempre a melhor das impressões é um pensamento grande, deixar as portas sempre abertas, deixar as pessoas sempre sorrindo, ser agradável, gentil e humilde. Ser educado.
Pessoas de sucesso sabem disso. Pessoas que têm sucesso na vida descobriram essa fórmula mágica. E o que é ter Sucesso na Vida? Para mim é simplesmente viver do que se acredita, de suas ideias, conceitos e valores. Ser respeita pelo que se é e jamais pelo que se tem. Sentir sinceridade nas pessoas quando elas lhe reencontram e dizem “Que coisa boa encontrar você!”. Isso é sucesso.
Cuide da impressão que você deixa nas pessoas. Ela é um passaporte valiosíssimo que, mais cedo ou mais tarde, você precisará.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cadê o Pai?



(by Cinthya)

Hoje em dia a gente não precisa andar muito para se esbarrar numa mãe solteira a criar seu filho, seja por opção, seja por deslize, seja por cafajestagem, não importa o motivo, muitas são as mulheres que metem a cara no dia-a-dia e dão sangue para fazer de seus filhos pessoas de bem.
Comigo não é diferente. Conheço à fundo a maternidade solo e sei como ninguém o que é criar um filho sem a presença do pai. Muitas e muitas vezes eu me sinto esgotada porque tenho que fazer os dois papéis, o do pai que impõe, que regra, que diz em bom e alto tom o que é certo e o que é errado e o da mãe amorosa que abraça carinhosamente e ensina pelas leis do amor e da ternura.
Eu reclamo com o meu filho de forma séria e eu mesmo sinto doer no peito a dor que toda mãe sente quando vê alguém arrancar lágrimas de seu filho, seja por qual motivo for. Se a festa é do Dia das Mães, lá estou eu a chorar de emoção com meu rapazinho cantando pra mim. Se a festa é do Dia dos Pais lá vou eu chorar também em meio aos pais “normais”. E assim vamos levando nossas vidas.
A figura do pai na vida do meu filho é apenas ilustrativa, um telefonema, uma fotografia, encontros mensais. No dia-a-dia o pai sou eu. Quem constrói os degraus da moral do meu filho sou eu e quem fiscaliza para ver se ele está subindo direito a escada da evolução, também sou eu. Se ele cair e se machucar, quem vai cuidar do seu machucado sou eu e, depois de sarado, quem vai dar a velha lição de moral nele também sou eu.
Então eu trago em mim a rigidez moral que um pai tem que ter e amorosidade que é nata das mães. E uma coisa que foi difícil no início foi justamente saber controlar o coração materno quando a praticidade e rigidez paternas precisaram tomar a cena, quando o NÃO precisou ser a palavra da vez, quando precisei ser enérgica e, por que não, vestir a “insensibilidade” masculina. Foi difícil conciliar isso dentro de mim, mas aprendi. Se é para impor, eu imponho. Se é para cobrar, eu cobro. Se é para abraçar, eu abraço. E nessa dança da vida eu vou alternando os papéis na busca incansável de entregar ao mundo o melhor que eu puder fazer: Um Homem De Bem!
E eu vou inovando em mais esse assunto na minha vida. Diferente do dito “normal” eu vou seguindo em frente e fazendo a diferença com as armas que eu tenho em mãos: Amor, Moral, Dignidade, Boa Vontade e a certeza de que vencerei m ais essa. Certeza de que eu tenho capacidade de fazer bem feito, que eu estou no caminho certo na criação do meu filho, até porque não existem cartilhas, a base é e sempre será o equilíbrio.
Então todas as felicitações do Dia dos Pais serão merecidamente minhas. Em vez de cuecas para presente, compra-se uma lingerie, afinal de contas, além do papel de pai e da missão de mãe, eu sou Mulher! Uma mulher inteligente o bastante para saber que a vida não para, que o tempo me espera para fazer acontecer.
Feliz Dia dos Pais para todas as mães solteiras que, com maestria, assumem os dois papéis.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Limites



Nos dias atuais está cada vez mais difícil educar uma criança. A rotina super corrida, a jornada dupla, as vezes até tripla impossibilitam os pais de acompanhar a educação e orientação dos seus filhos, acabam tranferindo a responsabilidade para os professores, babás e as vezes até algum parente próximo...

Muitos se tornam pai e mãe sem querer, por um "acidente" de percurso e a falta de experiência é atribuída ao fato de não estarem preparados. Como se houvesseum curso que ensinasse a ser pai ou mãe. Alguns buscam desesperadamente uma fórmula ou um programa que possam ajudá-los nessa tarefa nada fácil, outros nem se dão conta de que precisam de ajuda. Frequentemente tenho me deparado com situações no mínimo embaraçosas, onde os filhos dominam totalmente os pais e fazem exatamente o que querem. Pais que não orientam, não ensinam, não impõe regras e limites. Não ensinam o que é se ter obediência e respeito aos mais velhos. 

Crianças que crescem sob a condecendência e permissividade dos pais. Pais que permitem coisas absurdas por não quereren contrariar o filho ou só para não ouvir o choro insitente e melindroso da criança. Não foram poucas vezes que eu senti vergonha alheia, por ver crianças dominando a situação e botando pra quebrar nos pais. Esses, reclusos à inércia e à omissão, assistem e aceitam passivamente o chilique dos filhos sem o menor remorso. Nem imaginam que a conta vem depois. Sempre vem.

Criança que cresce achando que pode tudo, quando se tornar adulto vai fazer o que lher der na telha. Não terá discernimento para julgar certo e errado, mesmo que tenha não usará, a arte de ponderar não fará parte da sua vida e não se enquadrará as leis e às normas impostas pela sociedade. Valores que não aprenderam na infância, não levarão para a vida adulta, óbvio! Vivemos uma realidade onde os valores morais estão em declínio, há uma distorção nesses valores. É necessario que se tenha muito cuidado ao educar uma criança.

Aí os mais questionadores podem indagar "Que embasamento você tem para discorrer sobre esse assunto se não é mãe?" E pacientemente eu respondo: Não precisa ser mãe para saber o que está certo e errado. Não precisa ser mãe para ter a sensibilidade de notar que algo não está dando certo ao nosso redor. Não precisa ser mãe para ter valores morais e éticos aprendidos ainda na infância.

Dando toda a orientação ao filho, mostrando a ele o caminho que leve ao certo ou ao errado, ensinando pra ele que devemos respeitar as pessoas e às suas diferenças, deixando claro que não pode pegar o lápis do coleguinha sem que esse permita, sendo firme ao dar um não, impondo regras e limites... Fazendo todas essas coisas, não temos garantias de que ao crescer ele se tornará um cidadão de bem, imagina se não o fizermos?

Verônica

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sem Garantias




(by Cinthya)

O amor é, sem dúvidas, um dos sentimentos mais poderosos que já vi, ouvi, senti. Não existe exatidão de nada. Não adianta buscar uma certeza concreta e indissolúvel quando o campo é o amor. Não é aconselhável vasculhar tudo à procura de coisas estáticas, imutáveis e que não possam se transformar.
A gente entra num relacionamento, aceita o outro e assume junto com ele o compromisso de construir algo, uma história, uma vida. Entramos com a cara, a coragem, o amor e mais nada. Nada de certeza de que dali há uma semana ainda seremos um casal. Nada de exatidão quanto a durabilidade da relação, do amor, da vontade de ficar lado a lado.
Ninguém pode garantir que os sentimentos se congelem e permaneçam como estão, sem arranhões, sem machucados, sem lágrimas. Nada e nem ninguém pode nos confirmar que as coisas não mudarão. Que o arco-íris não perderá a cor, que o inverno frio não vá chegar trazendo junto dele tempestades com ventos fortes.
Ninguém pode me dar um documento assinado com firma reconhecida em cartório, informando que me é garantido que jamais irei acordar numa certa manhã, olhar para o lado e ver que não é mais naquele leito que meu coração quer repousar, que não me encontro mais naqueles olhos ou que aquele abraço não mais me aquece.
Não existe a certeza de que o desejo vá permanecer aceso por toda a vida, de que a vontade de andar de mãos dadas na beira da praia traga o rosto dele agregado a si, de que os planos e sonhos e loucuras compartilhados continuem tendo validade, vigor e vontade de acontecer. Que a parceria se perpetue e a química não se desfaça. Não. Não busque essa certeza.
Ou você ousa e se joga, se permitindo viver o que der pra viver, o que for possível viver, ou você se encolhe num canto e deixa as oportunidades passarem enquanto você permanece no seu campo seguro. A escolha é sua: ou se vive o improvável e incerto e assim enche a vida de cores, histórias e amores, ou se permanece presa nas grades de uma certeza que, por muitas vezes, pode parecer acinzentada e sem vida.
Se tiver coragem, se joga, vive, cresce, ama. Mas, jamais espere do amor o que ele não pode dar. O amor não tem garantias.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Abundância de Escassez



A vida dele, olhando assim de longe, parece perfeita. Aos olhos dos desavisados chega a ser a vida que todo homem pediu aos céus.

Ele ostenta um padrão de vida elevado, cercado por belas mulheres e vários amigos, é inteligente, descolado e divertido. Frequenta os melhores lugares e está presente em todas as festas. É a imagem perfeita do homem conteporâneo.

Coleciona histórias de amor com pessoas sem rosto, extrai e doa altas doses de prazer a mulheres que dias depois sequer lembra-se do nome. Beija bocas de mulheres que são incapazes de pronunciar uma palavra que o faça sentir melhor. Ele é extenso e raso como um rio assoreado que está com seus dias de existência contados.

Há quem diga que ele é frio, superficial e egoísta não gosta de ninguém a não ser dele mesmo, eu acho que ele é vítima das próprias escolhas. Possui um coração desabitado e despreparado para o amor, seus sentimentos mais sinceros e profundos caíram em desuso.

Vestiu a fantasia de homem insensível e vive encenando uma peça criada por ele mesmo no teatro da existência. A rotatividade sob seus lençóis é inversamente proporcional ao número de pessoas que conseguem alcançar seu coração.

As horas de diversão ao lado de pessoas que mal sabem a sua história ou seus gostos são apagadas pelas horas de tristeza, solidão e vazio que sente ao chegar em casa e se dar conta da sua real situação.

Ele é sozinho em meio a multidão. Vive permanentemente em um excesso de falta. Rodeado e espremido por um infindável vazio.

Verônica

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um tempo Para O Amor



(by Cinthya)
Há poucos dias eu falei aqui no Divã sobre o caso de uma aluna minha que sofria por não ter do pai a atenção que gostaria, por ter recebido em toda sua vida apenas um único abraço dele e que nesse dia ficou tão emocionada que sentiu seu coração pequeno pra tanta emoção. E é isso mesmo o que acontece. A gente convive com as pessoas que nos cercam, que moram em nossos corações, que amamos, mas... Que muitas e muitas vezes esquecemo-nos de falar, de expressar, de dizer o que sentimos.
Amamos em silêncio e acreditamos que o simples fato de amarmos é o suficiente para a pessoa sentir-se bem, querida, protegida. Acreditamos que, embora venhamos a dar atenção a outras coisas, as pessoas que amamos saberão o tamanho de sua importância em nossas vidas. E nisso o tempo vai passando. Outros assuntos vão se infiltrando entre nós e as pessoas que amamos. Assuntos urgentes, prioritários e que acabam por tomar todo o nosso tempo e nossa atenção. Mas nos nossos corações estão vivos aqueles que amamos. Embora não o vejamos, não tenhamos tempo para eles, não tenhamos o hábito de falar sobre esse amor.
A gente chega em casa tão exausto e sugado pelos assuntos prioritários do trabalho e da correria da vida externa que acabamos por sabotar mais uma vez a chance de darmos afeto a quem de fato merece e carece. E nesse ciclo, os dias vão passando apressados e levando com a mesma pressa todas as chances que tínhamos para declarar nosso amor. O silêncio se torna rotina. Até que, a vida dá o golpe fatal e nos tira a chance de rever o que realmente tem importância, o que de fato, tem peso e consistência no nosso caminho.
E depois da partida, deve ser imenso o desespero por não termos dito o “eu te amo” que sentimos. Por não termos dado o abraço que tanto foi desejado, o beijo no rosto que muitas e muitas vezes passou em branco e ficou no desejo apenas. Depois da partida perceberemos que nem a despedida foi possível e o choro e ador, certamente, tomarão proporções imensas. E nos tornaremos vítimas de nossas escolhas.
Abrace quem você ama. Beije quem você ama. Diga “Eu Te Amo” a quem você ama. Não há correria nesse mundo que mereça mais atenção do que as pessoas que Deus lhes deu de presente para proteger, cuidar, amar. Não há nada maior do que o elo familiar, do que a importância de quem nos quer bem, apenas por sermos quem somos e como somos.
A vida é uma caixinha de surpresas e essas surpresas nem sempre são agradáveis, mas trazem sempre com elas algum aprendizado. Então, antes que a vida lhe faça aprender com a dor, saia de casa somente depois de abraçar, beijar e dizer “eu te amo”. Dessa forma, pode ter a mais absoluta certeza, o seu dia vai começar muito melhor. E você vai fazer o dia do outro ter um melhor início também.
No final das contas o que levamos conosco é apenas o que somos e o que temos dentro de nós. Então, por que não nos emprenharmos e ter mais tempo para o amor, e assim, juntarmos tesouros interiores?

sábado, 4 de agosto de 2012

Ter Fé




Ter fé não é uma tarefa fácil, num mundo cético onde as pessoas acreditam apenas no que vêm, não é fácil crer no invisível, no sobre natural.

Mas, para quem tem fé o Autor da existência, tem recompensas incríveis.

Vou relatar um fato que aconteceu na minha casa.

Há uns meses atrás, minha mãe sofreu um pequeno acidente doméstico, ela caiu numa calçada e machucou o joelho. Tratou com alguns paliativos, mas esse joelho continuou doendo. Com a idade avançada, quase 65 anos, o excesso de peso e a falta de atividade física eram apenas alguns dos muitos agravantes, a dor não passou. De umas semanas pra cá as dores só pioravam, a ponto de fazê-la andar puxando a perna. Foi então que ela resolveu procurar um ortopedista. Na consulta, com os exames preliminares e com sua vasta experiência o médico detectou lesão no menisco, pediu uma ressonância só para ter noção da dimensão da lesão. Mainha fez a ressonância, e numa consulta ontem levou pro médico avaliar e quando ele olhou as "fotos" e o laudo ficou surpreso. Com surpresa ele falou:
- Dona Antônia, aqui no laudo consta que a parte lesionada do seu menisco foi amputada num processo natural do organismo, é como se a senhora tivesse sido operada, fizeram o que ia fazer, não há mais nada a ser feito no seu joelho não.

Com um sorriso no rosto mainha respondeu:
- Doutor, eu fui operada. Jesus Cristo me curou! Eu orei muito e pedi a DEUS que me curasse, que operasse esse milagre em minha vida e Ele me atendeu.

O médico sorriu e assentiu.

E mainha saiu do consultório feliz da vida e liberada pelo médico para fazer caminhadas e hidro ginástica!

Estávamos tão apreensivos! Por mais simples que seja, uma cirurgia requer uma dose extra de cuidado, quando se trata de uma paciente já idosa então... A felicidade foi geral lá em casa, claro! Não podia ser diferente! Ver o poder de DEUS se manifestar em nossas vidas é uma graça e tanto!

Isso se chama FÉ. Ou você tem, ou você não tem!

Independente da orientação religiosa que você tenha, independente da religião que siga, acredite que há uma Força maior que pode mais que nós. Que cura nossas feridas e resolve nossos problemas. A fé move montanhas!

Obrigada, Senhor!!!

Verônica


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Convite



(by Cinthya)

Então deixa eu te explicar uma coisa, a vida é linda e jamais perdeu o brilho. Ela continua intensa da mesma forma que era quando você gozava os anos de sua juventude. A vida não mudou, pode acreditar em mim. Se algo está diferente é o que está dentro de você e não o que está ao seu redor. Talvez a sua forma de agir e reagir ao que lhe acontece tenha feito você sofrermodificações, talvez você tenha se endurecido diante de algumas tribulações, talvez você tenha se frustrado com alguns fracassos sofridos. Mas a vida em si, continua a pulsar da mesma forma e com a mesma intensidade.
Talvez você tenha acumulado tantas funções, tanto trabalho, galgado montanhas tão altas que agora não consegue se livrar da agenda e simplesmente se jogar no mar, sem que seja preciso um planejamento de meses de antecedência. Talvez você tenha se doado demais ao trabalho e tenha se esquecido dos amigos. Talvez as reuniões de negócio tenham lhe tomado todo o tempo que antes você dedicava à família, mas que agora, não existe mais (não?).
O trabalho traz o dinheiro e o dinheiro traz a vontade de ter mais dinheiro e é bom ter dinheiro. Quanto mais se trabalha, mais dinheiro se acumula. E então, a gente procura o tempo para curtir o que essa grana toda pode nos proporcionar e .... Não encontramos esse tempo, porque continuamos trabalhando para ganhar mais e mais dinheiro que nunca usaremos como deveríamos. Esse é um ciclo vicioso e viciante.
A proposta é que você reflita sobre o que te acontece, o que te cerca, o que tem te deixado tão vulnerável, o que tem te levado a precisar de medicamentos para manter um equilíbrio e domínio sobre você mesmo. Por que não voltar a ser irresponsável de vez em quando? Sair sem hora pra voltar e sem lugar certo para ir. Apenas sair, caminhar, conversar, dar risada. Ficar na companhia de alguém eu te faz bemsem precisar ter um cronograma montado para esse encontro.
Sair de noite pra tomar suco (já que os remédios não te deixam beber) e comer pastel de queijo, ou comer pipoca, sentados na praça do coreto, jogando conversa fora, sem olhar para o relógio, sem pensar no que tem que ser feito amanhã, nas reuniões ou viagens inadiáveis. Apenas viver o momento, percebendo como é gostoso sentir a brisa tocar o rosto, emaranhar os cabelos.
Falar, falar e falar reviver coisas que ficaram guardadas no passado, mas que fazem bem pra alma sempre que são relembradas. Momentos importantes, pessoas importantes, aventuras da mocidade. Falar de um tempo onde você viva uma plenitude que se perdeu, uma liberdade que se esvaiu, escorrendo entre seus dedos. Dos amigos que dividiram com você momentos de uma juventude bem vivida onde a falta de dinheiro não significava falta de vida, de alegria e diversão.
O convite é para que você dê leveza aos fatos, atenção a quem te cerca. Que você se presenteie com um mergulho no mar, que você aprenda a esvaziar a cabeça que vive cheia de problemas e volte a sorrir com vontade, a gargalhar com a alma. Que você trabalhe quando estiver no trabalho e, fora dele, que você viva pra você. Que você volte a priorizar o que te faz bem e sinta a paz retornando ao seu íntimo.
O convite é para que você se permita ser feliz.