domingo, 27 de fevereiro de 2011

Há Três Anos...



(by Cinthya)

Era 27 de fevereiro de 2008. Eu já estava em trabalho de parto, mas como não sentia dores, contrariei todos e fui trabalhar normalmente. Mas o negócio apertou e eu interfonei para o meu gerente:

- Você pode nos ceder a chave do carro?

- Para quê?

- Preciso ir alí, "ter menino"!

Ele saiu da sala, abandonou a reunião e veio sem uma gota de sangue... Todo mundo nervoso, apressado, tenso. Eu era a única que mantinha a calma (contrariando tudo, como sempre). Me levaram para o ocnsultorio do meu médico. Depois do toque, fui em casa apanhar as malas, almoçar e seguir para o hospital. Mais um toque e então eu chorei porque o parto não seria normal. Eu queria normal. O médico disse que seria cesariana. Como ele tem mais poder e conhecimento do que eu, a voz dele prevaleceu.

Nunca vi nada tão tranquilo como a cirugia a que fui submetida. Tudo deu certo. Foi tudo muito rápido. A mão do pai segurando a minha, a voz dele me acalmando (mas ele estava muito mais nervoso que eu).

De repente uma pressão na minha barriga (nada de dor) e ele me faz um sinal de positivo, demora um pouco e eu escuto o choro. A voz do meu filho ecoou naquela sala, invadiu cada milimetro de espaço. Adentrou meus ouvidos, invadiu minha alma, preencheu-me de tudo de bom que há no mundo... E o trouxeram para mim, eu não me movia, mas o beijei, senti seu cheiro, vi seu rosto. E eu chorava, chorava um choro tão diferente, as lágrimas inauguravam a nova etapa da minha vida, aliás, a minha nova vida que seria completamente diferente. Completamente completa.

Tudo agora era diferente, a começar pelo tamanho do absorvente e da calcinha... Caramba!!! Eu não era mais a mesma, e estava muito confortavel nessa minha nova vida. Os meus seios  começaram a encher e encher quase que automaticamente (o sutiã também era bem diferente, bem diferente). 

Na primeira noite eu não dormi. Passei a noite toda olhando para o bercinho, para meu filho... Eu tinha medo de dormir e depois acordar e ver que tudo aquilo era apenas um sonho. Eu não podia perder tempo dormindo, tinha que viver tudo. Eu me sentia plena. Era como se eu tivesse nascido já esperando aquele momento. Sai do hospital levando meu filho nos braços, nem parecia que eu estava "costurada (aliás, costurada não, colada!)".

"Eu sou mãe (eu levava essa placa num sorriso)!"

Chegar em casa com o meu filho nos braços foi outro momento marcante. Era adentrar a minha vida antiga trazendo o novo comigo. Foi uma emoção destacada essa! E daí pra cá, tudo é aprendizado. Todas as etapas, as descobertas que vivemos juntos. As dificuldades de ser mãe solteira, os prazeres de ser mãe solteira, as delícias da maternidade, os medos, as incertezas. Ver o mundo sob a ótica do meu Pequeno Príncipe, entender  cada fase dele, saber conversar de igual para igual, receber todas as declarações de amor que uma mãe pode receber (e todo dia ouvir que sou a mulher mais linda do  mundo, mesmo estando descabelada). Ser criança de novo, abraçar o novo e saber que posso reinventar tudo, mudar as cores e melhorar cada vez mais o mundo a nossa volta.

Ensinar os príncipios ao meu filho com o meu exmplo, fazer dele um ser humano digno e amoroso é a missão de minha vida e eu luto a cada dia para alcançar isso. Se eu puder colocá-lo na melhor escola, o colocarei. Se eu puder pagar a melhor faculdade, pagarei. Mas o que tenho como obrigação é fazer dele uma pessoa feliz, livre e que saiba valorizar na vida o que, de fato, importa. Desde o ventre nós conversamos sobre isso. Sobre os valores, sobre ele amar as pessoas e ser uma pessoa diferente, fazer o bem.

Eu não sei se estou conseguindo, mas quando pergunto se ele é feliz, ele responde:

-Não. Sou é MUITO feliz!

Pedro é o presente meu para o mundo!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Apanhador de Desperdícios

Final de semana é sempre muita diversão. Farra, curtição ou descanso. O mais importante é aproveitar com prazer cada hora do sagrado e merecido final de semana. E eu me divirto muito lendo. E vou tentar, sempre que possivel, dividir com vocês uma leitura que me agrade e me atinja de alguma forma.

O texto é a seguir é explêndido e me fez refletir muito. Espero que, assim como tocou em mim, toque a cada um de vocês. Beijos e ótimo final de semana.

Verônica



O Apanhador De Desperdícios
Por: Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sua Vida Precisa De Você!


(by Cinthya)
Gente e como é gostoso executar com as nossas próprias mãos as tarefas da nossa vida... Quantas vezes compramos as coisas feitas, prontas, acabadas apenas por comodismo ou pela velha justificativa de “falta de tempo”. Quantas vezes entramos na loja em busca de sonhos embalados em papel de presente, ali expostos na prateleira prontos para serem vividos. Buscamos prazer exposto na vitrine apenas esperando que a gente passe o cartão de crédito. Quantas crises de identidade, crises de relacionamento, crises emocionais (crises de toda e qualquer natureza) são “curadas” com o “Volte Sempre” pronunciado pelos operadores de caixa das lojas de roupas dos shoppings por aí afora.
A gente não tem mais paciência para nada. Não temos mais paciência para viver, não temos mais paciência para amar. Entender o outro é algo totalmente fora de cogitação, afinal o tempo corre (rápido demais). Tarefa escolar do filho? Tirar dúvidas sobre determinada matéria da escola? Aula de banca é a solução. Paga-se uma terceira pessoa para cumprir com o papel que os pais não cumprem por estarem sempre muito apressados e sem tempo para nada.
Lembro de algumas festas de aniversário que fui com o meu filho e fiquei a observar as outras famílias. Os pais vão com os filhos e levam a babá. Então ficam sentados à mesa com os amigos e as babás com as crianças no parque ou correndo pela festa. Até nisso a gente acha mais prático pagar uma pessoa para cumprir o dever de dar atenção e participar da vida de nossas crianças. Eu vou pra festinha para me divertir com o meu filho, no mundo dele e depois a gente senta, come, conversa, dança e ri muito. E isso é tão gostoso, nos aproxima tanto, dá vida à relação Mãe & Filho. Não digo que é errado ter uma babá (é bem necessário). Apenas atento para os laços que a gente não firma com os filhos porque não temos tempo para dedicar a eles, porque correr no parque cansa, porque criança chorando é chato, porque dominar as manhas deles é trabalhoso. E a gente finda pagando alguém para fazer isso por nós.
Uma professora da faculdade me fez chorar contanto que certa vez estava trabalhando e recebeu uma ligação da babá do seu filho dizendo que a criança tinha caído e se machucado e que estavam indo para o hospital. A professora saiu louca pra lá e quando chegou o médico estava terminando o atendimento. O menino chorava muito e quando o médico terminou de atendê-lo a professora foi apanhá-lo no colo e ele se esquivou e pediu o colo da babá e ficou abraçado ao pescoço da babá pedindo que ela curasse o dodói dele. A professora disse que lhe faltou o chão naquele momento e chorou o dia e a noite e depois daquele episódio ela repensou a relação com os filhos.
A gente se acostumou tanto a pagar pra ter tudo pronto que se não temos dinheiro suficiente para comprar o ‘pronto’, simplesmente não executamos o plano. Não nos passa pela cabeça comprar o que der pra comprar e fazermos nós mesmos o serviço. No ano que eu pude, encomendei uma baita festa pro meu filho. Apenas chegamos ao local e estava tudo pronto. Tudo muito bonito (o ego da mãe vai lá nas alturas... eu sei, eu sei!). No ano que não pude, comprei o material e fiz eu mesma as lembranças, os enfeites, enchi os balões, fiz os doces e creiam, nos divertimos muito mais na segunda opção. O meu filho participou de tudo, e disse pros amiguinhos: “Minha mãe fez toda a minha festinha. Minha festa ficou linda!”. Para ele, não é o glamour da ornamentação que importa. Ele enxergou "além" porque ainda é uma criança e as crianças são puras, sábias e felizes.
Confeccionar sonhos é tão prazeroso, vê-los sendo moldados pelas nossas próprias mãos e sentindo todo o nosso amor sendo depositado ali dá uma sensação de alegria, de sentido, de se sentir vivo. Vamos meter a mão na massa e moldar a nossa vida ao nosso jeito, tirando daqui, colocando ali, mas sempre participando, construindo, vivendo, enfim... Se puder unir "$" no bolso e vida bem vivida, ótimo. Se não tiver como unir os dois, vamos sendo felizes do jeito que dá. O que não podemos é fazer de nossas vidas um livro de rascunhos rabiscados às pressas (que nem a gente mesmo consegue ler depois) e contendo 'algumas muitas' páginas em branco (pelo simples fato de o autor não ter tido tempo de escrever nelas). Vamos viver de verdade, interagir com nosso destino. Isso não há cartão de crédito que pague e a nossa vida precisa, urgentemente, da nossa presença!

PS: Foto retirada do site www.olhares.com

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As Músicas Que Marcaram A Minha Vida




Hoje é quinta-feira, mas bem que podia ser sexta, né? Meu corpo cansado, agradeceria imensamente. Já que eu não tenho o poder de alterar os dias da semana eu posso modificar a maneira de vê-lo, certo? Certo! Pois é isso mesmo que eu vou fazer...

Hoje será a minha quinta-feira com gosto e jeito de sexta. E pra deixá-la perfeita vou remexer nas minhas memórias musicais e citar músicas que marcaram épocas na minha vida.

Começo pela infância, a música que marcou a minha infância foi O Menino da Porteira. Eu tô falando sério. Claro que teve a Xuxa, a Angélica, a Mara Maravilha e a Eliana. Mas a minha infância e pré-adolescência foram marcadas por Sérgio Reis, minha mãe ouvia muito (e me obrigava a ouvir) eu obviamente odiava.

Lembro de um fato engraçado que aconteceu, ela tinha comprado um CD novo na época e pediu que eu colocasse, o detalhe é que quando eu colocava os CDs no aparelho eu já o colocava pra tocar no mínimo da faixa 8 em diante, só pra acabar logo. Ela ocupada nos afazeres domésticos, muitas vezes nem percebia. Nesse dia deu zebra, ela estranhou porque O Menino da Porteira era a primeira faixa do tal álbum e quando foi conferir viu que estava na décima música. Ficou uma fera comigo e meu plano até então infalível, acabara de ir por água a baixo. Desse dia em diante eu teria de arrumar outro plano pra me livrar daquela tortura. Pois bem, não arrumei e de tanto ouvir acabei gostando. Assim também foi com o nosso saudoso Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Reclamava tanto, bradava tanto, mas acabei me apaixonando a ponto de conhecer Exú (A Terra Natal do Mestre Lula) antes mesmo da minha mãe.

Voltando ao tema...

Em 1996 ano que Renato Russo morreu, eu tinha 13 anos, foi bem nessa época que ele virou mito e lenda. Me encantei por suas músicas e "Hoje a noite não tem luar " Foi a música que me fez suspirar e me fez sonhar dormindo e acordada durante a adolescência. rs

Essas foram as épocas de maior foco. até aí foram essas duas que mais se destacaram, daí em diante uma mistura de rítimos e sons. Uma infinidade de músicas que me trazem doces recordações e fazem brotar um sorriso gostoso no canto dos lábios até hoje. De Djavan, Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia à Ira, O Rappa, Capital Inicial a lista é imensa. Claro que o Rei Roberto Carlos não poderia ficar fora, né? Acreditem, a relação de preferidas e longa, muito longa.

Não vou me aprofundar no tema, mas queria deixar aqui registrado em especial o meu apreço por Pétala e Samurai de Djavan.

E como filosofia de vida (a minha filosofia de vida em vários momentos) eu tenho essa canção. E compartilho com vocês.

Beijos e boa quinta/sexta cheia de música!

Verônica



Tocando em Frente
 Almir Sater
Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

"Palavras Ao Vento"



(by Cinthya)

Ele, com suas mãos firmes, me segurou pelos ombros e disse:
- Fale comigo!
Eu apenas me esquivei e saí.
Ele me seguiu e me encontrou sentada na varanda.
- Fale comigo!
- Amanhã eu falo. Agora preciso ficar em silêncio.
Ele não gostou da resposta. Queria que eu falasse sobre o que ele fez e me desagradou, me magoou. Queria discutir e expor as razões dele. Queria que eu defendesse os meus motivos, queria que ficássemos ali nos desgastando em palavras pesadas e desnecessárias, simplesmente jogadas ao vento. Ele estava nervoso, tenso com algum problema que eu desconhecia.
Calei.
Em outros tempos talvez eu tivesse descarregado a metralhadora de sentimentos confusos, que ferviam junto com o meu sangue. Talvez eu tivesse falado, chorado, xingado ("eu não tenho nada a ver com os seus problemas"). E assim, acionaria o gatilho da dor e deixaria vir à tona todas as mágoas passadas mesmo que nenhuma delas tivesse relação com o fato presente. E deixaria tudo sair e acertá-lo como um punhal. E depois, por mais que pedisse desculpas e por mais que ele desculpasse, as palavras continuariam existindo e, vez ou outra, acenderiam em sua mente.
Os meus 34 anos (quase 35) me fizeram perceber que muitas coisas não precisam ser ditas, que muitas discussões podem ser evitadas e que na verdade elas não resolvem nada, apenas inflamam uma situação que já é delicada.
Quando a gente se irrita a tendência é percorrer (para dentro) o caminho de toda e qualquer mágoa que tenhamos contra aquela pessoa e aí o negócio vai longe. É desarmonia que não acaba mais.
Nessas horas o silêncio se encaixa perfeito. Você, simplesmente, cala para não ferir. Cala por saber que o que tem pra dizer naquela hora não é exatamente o que poderia resolver a situação, muito pelo contrário, apenas a tornaria mais desagradável. Ter a consciência de que palavras ferem (e muito). Que palavras proferidas têm o poder de tornarem-se eternas. Sendo boas, ótimo! Sendo ruins, péssimo!
O silêncio é um dom. E é uma sabedoria exercê-lo. Para silenciar você precisa se despir do orgulho e do sentimento mais primitivo da raiva. Ao tempo em que, silenciar não significa ser omissa, não significa abafar o que se sente, ser submissa. Apenas saber a hora certa de falar, saber o que precisa, de fato, ser falado e como isso se dá. Respeitar o momento de irritação do outro (ou nosso) e esperar o vendaval passar para então, conversar.
Quando se aprende o valor do silêncio, se aprende a viver mais tempo dentro da harmonia, aprende a conhecer-se melhor e a conhecer melhor todos que nos cercam. E em nome do amor, silêncio para todos (na hora certa)!
Voltando ao início do post, ele entendeu que eu calei porque o amo. E se, naquela noite, dormimos envolvidos no silêncio, foi porque o amor ganhou mais uma!
No dia seguinte então, sentamos e conversamos calmamente sobre o ocorrido. Cada um assumiu a parcela de culpa que lhe cabia e pronto. Assunto resolvido. E sem as palavras jogadas ao vento na hora em que os nervos estavam à flor da pele.
“Apague a luz,
E sabia que te amo”
(Renato Russo)


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quando Eu Te Der Um Sorriso... Você Retribui Com Um Sorriso.


Um dia eu ouvi de um poeta anônimo que a melhor maneira pra encurtar a distância entre as pessoas é com um sorriso. Refleti muito a respeito, e não é que o danado tem razão? Na prática eu percebi a diferença.
Pois bem, quem me conhece sabe que sempre fui uma pessoa espontânea e comunicativa, logo, fazer amizades nunca foi muito difícil pra mim.
Bom, isso eu achava antes de me mudar pra Petrolina.

Levei um choque térmico quando vim, com a minha mãe, tentar a vida por aqui. Acostumada com o calor acolhedora na Bahia, onde em 15 minutos de papo você vira amiga de infância daquela pessoa que está ao seu lado no ponto de ônibus, ou, em uma viagem de uma cidade pra outra você fica sabendo da vida daquela pessoa até a terceira geração. Percebi que as coisas por aqui são bem diferentes.
Aqui as pessoas são comedidas e introspectivas. Fazer novas amizades não é uma tarefa muito fácil. Não digo que um povo é melhor que outro, ou que um estado é isso e o outro é aquilo. Falo de diferença cultural, vista claramente.

Mas o foco desse post não é a diversidade cultural do nosso país. Prometo falar em outra oportunidade.
Hoje eu quero falar da chave que abre muitas portas, o gesto que diminui qualquer distância: O sorriso. É sim, o sorriso... Ele mesmo. Aquele visto, compreendido e percebido por todos independentemente da cultura ou idioma.

Pode ser clichê, mas é correto: "gentileza gera gentileza" um gesto sutil, porém delicado, com uma demonstração singela de simpatia você pode transpor barreiras que jamais imaginou. Falo por mim que já tive experiências incríveis, apenas sendo simpática. Tive o privilégio de conhecer pessoas maravilhosas que agregaram tantas coisas boa à minha vida. É a famosa lei do retorno, você planta o bem e colhe o bem, você trata bem e é bem tratado. É como um círculo num processo de constante rotação.

A prova do que eu estou falando é o nosso baby blog. Hoje completamos exatos 93 dias de vida e já reunimos mais de 100 seguidores, temos uma média de 100 acessos diários e já conhecemos pessoas incríveis através desse canal de comunicação. Tudo que nós (Eu e minha parceirona Cinthya) fazemos aqui é com muito amor, cada detalhe é bem pensado, cada tema desenvolvido é feito com muito carinho e cuidado, para tocar o leitor de alguma forma e para agregar algum valor ou experiência à quem está lendo. Confesso, com o coração cheio de felicidade, que nosso objetivo tem sido alcançado. Os números acima, servem para confirmar as minhas afirmações. Nós percebemos que todo amor que depositamos aqui recebemos de volta e em dobro em forma de comentário, email e etc...

Experimenta passar um dia de cara amarrada e mordendo o vento pra ver o que te acontece. No mínimo vai ter um dia de vida perdido.
Se você nunca tentou, faça agora, faça hoje, se permita, dê um sorriso a um estranho, tente ser mais leve e simpático. Você vai ver que experiência incrível você terá. Eu sei que para os tímidos essa missão será um pouco mais difícil, mas não custa nada tentar.

Eu posso afirmar por experiência própria o quão gratificante é essa sensação. Agradeço a Deus todos os dias por ser uma pessoa tão abençoada. Por ter pessoas tão maravilhosas que fazem parte do meu dia-a-dia. Presente de Deus, eu sei. Mas eu sei também que essas pessoas só chegaram a mim, porque eu permiti.

Até vocês que estão por aqui todos os dias, comentando, dando ideias, deixando suas opiniões e acima de tudo, nos cobrindo com tanto carinho são muito especiais, verdadeiros presentes de Deus para essas duas ousadas metidas a escrevedoras de coisas. Nós agradecemos imensamente. E não há melhor maneira de agradecer do que nos dedicando cada dia mais e mais para merecer tanto carinho.

Por tanto, deixo muitos beijos acompanhados de sorrisos à todos.

Verônica

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"A Arte De Sorrir Cada Vez Que Mundo Diz NÃO"


(by Cinthya)

Nem sempre alcançamos o objetivo traçado. Desenhamos tudo na nossa cabeça, todos os caminhos que serão percorridos, todas as falas que serão ditas, todos os planos B, C e D para o caso de o A não dar certo. Até podemos sentir a euforia de tudo que nos acontecerá a 'ansiedade se antecipa', o corpo viaja se adianta e sofre os efeitos colaterais de uma situação de emoção (boa ou ruim).

Com o mapa da situação debaixo do braço seguimos adiante rumo ao “fazer acontecer”. Daí, apesar de nossa vontade e intenção, o plano A não funciona, o plano B vai por água abaixo, o plano C desaba ao chão e o D é levado pelo vento. A gente quer, a gente exige. O mundo não deixa. Simplesmente, nos barra.

E aí? O que fazer?

Você tem duas opções: xingar tudo e todos, se revoltar, se encher de raiva e, mais tarde sofrer com essa raiva pipocando no seu organismo (sim, porque ela vai pipocar. É questão de tempo). Passar a ver tudo cinza, não enxergar lógica no que aconteceu. Reclamar que Deus não te ama como filho, que o mundo é um poço de injustiça e, de tanto reclamar, ver as pessoas se afastando de você (ninguém merece uma pessoa que só reclama!).

A outra opção é você parar, respirar e entender (aceitando) que as coisas nem sempre acontecem como queremos, que infelizmente (ou felizmente) não temos um total controle da nossa vida e que, muitas vezes teremos que “baixar a crista” quando a Força Maior tiver planos distintos dos nossos. Entender que se não deu certo o plano A, o B, o C e o D, o alfabeto não é composto de 04 letras apenas... Se todas as demais letras também não funcionarem, ainda existirão os números e esses são infinitos.

A vida, até onde temos certeza (superficial, é claro), é uma só e por isso cada dia que passamos aqui é único, não volta. Cada dia que passa é um passo que damos ao encontro do final da jornada. E cada vez mais vamos nos limitando de determinadas coisas que podemos fazer hoje, mas daqui a alguns dias, meses ou anos não poderemos mais.

Tanta coisa pra ser vivida. Tanta gente pra ser amada. Tanto sonho pra ser sonhado e realizado. Tanto defeito pra ser trabalhado, tanta virtude para ser exaltada e você vai ficar aí de cara amarrada esperando a morte chegar?

Se olha no espelho e vê como você fica péssimo de cara amarrada. Arrisca um sorriso, coloca a música preferida e dança. Dança sozinho, pula, canta alto, se solta e solta todas essas bruxas que te condenam. Você fica mais bonito quando é feliz. Se a vida te fez de palhaço use isso como motivo para sorrir, afinal de contas, você já viu palhaço triste?

Se você se prende ao que não deu certo, finda não enxergando as infinitas portas que, a todo instante, se abrem para você

Relaxa, muda o foco, e aprende “a arte de sorrir cada vez que mundo diz não”.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Se Eu Tivesse Uma Casa No Campus...

O Texto a seguir é fantástico, um show de conhecimento, trate-se de uma obra prima, na minha humilde opinião. Foi desenvolvida pelo brilhante Julio Cesar de Oliveira, Estudante de filosofia da UFMG, que ficou em primeiro lugar no consurso Coração de Estudante. Não o conhecia, agora, faço questão de compartilhar com vocês.
Eu Fiquei fascinada pelo texto, espero que vocês gostem.

Beijos e bom final de semana!

Verônica




Se eu tivesse uma casa no Campus

Por: Júlio César de Oliveira

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Eu, que nunca fui um aluno exemplar,
Talvez fosse um estudante mais brilhante, ou, pelo menos mais feliz.
Estudaria menos e aprenderia mais,
Pois ergueria minha casa lá onde mora o conhecimento,
E então todo lugar onde estivesse seria um lugar de aprender,
Como quem brinca, como quem curte, como quem vive.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Aprenderia com a convivência, a igualdade e a diferença,
Numa sempre dinâmica e verdadeira universidade.
Aprenderia, talvez, a fazer todas as coisas que ainda só sei saber.
E saberia que saber é viver e viver é mais que conhecer,
Pois a sabedoria freqüenta a ciência, mas vive solta pela vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Daria uma festa de arromba na inauguração.
Convidaria para a farra a razão e a poesia,
A arte e a filosofia, a loucura e a lucidez.
Comeria com Platão no bandejão
E beberia na cantina com Rimbaud,
Brindaria com Voltaire nos corredores
E dançaria com Isadora pelos pátios.
Dormiria com Minerva, sonharia com a utopia e acordaria com você,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Fundaria a Sociedade dos Poetas Imortais,
Conheceria Fernando em pessoa e Moliére em persona,
Seria amigo de Quintana, vizinho de Beethoven,
Confidente dos Inconfidentes, filho de Gandhi,
Irmão do Henfil e companheiro de Che Guevara.

Se eu tivesse uma casa no Campus, ouviria os sonhos de Jung,
Os segredos de Hermes e os mistérios de Clarice.
Plantaria meus sonhos com Nietzsche
E colheria com Marx os frutos do meu trabalho.
Iria ao cinema com Charlie Chaplin e voltaria com Glauber Rocha.
Transformaria a sala de aula em sala de estar
E a sala de estar em sala de ser.
Penduraria uma lua crescente em meu quarto minguante,
Te tomaria pela mão e saltaria do telhado para o alto do Everest,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
Pela torneira da banheira passaria um afluente do Amazonas
E desaguaria no inconsciente Freudiano,
Onde eu mergulharia para salvar Salvador Dali.
Soltaria pipa no gramado da reitoria,
Roubaria uma maçã no pomar de Isaaac Newton,
Cercaria de horizontes o corcel da liberdade
E estudaria a veterinária dos medos e a geografia dos desejos
Para chegar mais perto do selvagem coração da vida.

Se eu tivesse uma casa no Campus,
De pau a pique, tijolo ou sapé
Eu seria o senhor de meu castelo e servo de minha hóspede, a esperança.
Apresentaria o Pequeno Príncipe a Maquiavel,
Mataria aula de vez em quando para ir pro ceu com Santos Dummond
E aprenderia muito com isso, pois todas as aulas que matei
Com certeza foram pro ceu.
 
Se eu tivesse uma casa no Campus,
Onde o quadrado da hipotenusa não caísse em círculo vicioso,
Duas linhas paralelas se encontrariam no infinito,
E talvez fosse mais isósceles o nosso triangulo amoroso,
Eu, você e o sentido da vida,
...Se eu tivesse uma casa no Campus.

E mesmo que nada disso que imagino viesse realmente a acontecer,
Se eu tivesse uma casa no Campus, ainda assim, tudo seria mais legal,
Pois eu pelo menos teria uma Casa, uma casa singela, uma casa bacana,
...Uma Casa no Campus.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ridículos E Apaixonados

(by Cinthya)

Eu namorava um rapaz e era apaixonada por ele. A gente tinha muita afinidade. Sabe aqueles relacionamentos onde você passa um bom tempo dando risada (aliás, risada não, gargalhadas)? A gente ria de tudo, inclusive de nós mesmos. A gente era 'pobre pobre' (na verdade eu continuo sendo até os dias de hoje) e jantávamos sempre hambúrguer (que ele comprava pra pagar no final do mês) e cajuína. E creiam, não tinha jantar mais romântico (porque eu acendia velas, claro).

A gente gostava das mesmas músicas, dos mesmos escritores e do mesmo gênero de filme. Todos os outros amigos queriam sair em nossa companhia, pois sempre fazíamos piada de tudo e todo mundo ria junto com a gente. Eles nos batizaram de "Idi" e "Ota"!

Passamos coisas inesquecíveis juntos, tipo dormir em baixo da mesa da cozinha. Namorar no chão do quarto e só depois perceber que a porta tinha uma brecha de quase um palmo de altura do chão (em outras palavras, quem estivesse na sala via tudo o que não devia ver). Enfim, eu gostava mesmo dele.

Mas... O nosso relacionamento foi mudando, ele foi me evitando até que um dia cheguei de surpresa numa festa na casa dele e o vi com outra garota. Procurei o chão e não encontrei. Sai de lá correndo aos prantos pelas ruas da cidade. Ele saiu correndo atrás de mim, me gritando:

- Cinthya! Cinthya! Me espera.

Até que me alcançou (eu estava correndo mesmo) e me puxou pelo braço. E eu aos prantos:

- Me solta! Se não me quer, então me deixa ir embora com a minha dor.

E todo mundo na rua assistindo a palhaçada. Eu me senti uma atriz de cinema. Joguei todo o meu sentimento na cena e ela ficou perfeita (ridícula, mas perfeita). Até o "The End" do nosso relacionamento foi engraçado. Ele acabou deixando a outra garota lá na casa e foi me acompanhar até o ponto de ônibus (a gente era pobre mesmo), contando piadas (tão sem graça) na tentativa de me fazer parar de chorar. Ele dizia:

-Ôh Thynthia, não chora! Por que você chora assim sem parar?

- Choro porque você não me quer e eu ainda gosto de você.

E chorava tudo de novo.

Nunca mais ficamos juntos como namorados. Ele foi embora para outro estado, casou e tem filho. Mas temos uma amizade boa e hoje conversamos bastante e damos muita risada do passado.

Eu respeitei a vontade dele de seguir sem mim. O toco que ele me deu foi o mais infundado que já recebi, mas até disso eu dou risada hoje.

Vale muito a pena a gente dar leveza aos fatos que nos acontecem. E, sinceramente, de quase tudo dá pra se curar... E depois, é só cair na risada (aliás, risada não,  gargalhada).

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores...



Pra não dizer que não falei das flores, também conhecida como "Caminhando e Cantando" é uma canção escrita e interpretada por Geraldo Vandré no ano de 1968. Teve sua execução proibida na época da ditadura permanecendo por anos sem poder ser tocada. A mensagem implícita nos seus versos de rimas fáceis e sua melodia em ritmo de hino facilitando a memorização caindo então nas graças do povo. O sucesso da canção foi tão grande, que passou a ser cantada nas ruas de maneira inocente, mesmo que nas entrelinhas incitasse a resistência. Não deu outra, a afronta levou os militares a proibirem-na com o pretexto de "ofensa" à instituição.

Geraldo Vandré teve na época duas coisas que faltam a muita gente hoje. Primeiro, coragem de passar uma mensagem sabendo ser proibida, porém necessária. Não se intimidou, não se curvou à repressão e desabafou. Soube expor seu ponto de vista e o deixou subentendido. Segundo, ele teve inteligência e maestria para passá-la nas entrelinhas. Sabia que não poderia exagerar e escancarar, tão pouco deveria calar-se ou deixar-se abater. De um jeito simples e discreto, se lançou, arcando com as consequências depois, mas assim o fez.

Houveram vários outros ícones da música que também tiveram canções censuradas. Corajoso tal qual o Vandré foi o Chico. "Apesar de Você" foi só mais uma na lista de proibidas. Ao todo, 32 músicas se não me engano. E não foi só Geraldo Vandré e Chico Buarque que foram os "premiados" e perseguidos, não mesmo! Foram muitos outros. (Mas isso é assunto para outro post)

Pois é, o heroísmo e a sabedoria que sobravam nesses homens à frente de seu tempo, faltam a muitos hoje. O que há é uma escassez de inteligência e atrevimento. Covardia e omissão se fazem presentes até nos gestos mais simples. Fazer vista grossa e adotar o "não é da minha conta" é tão normal. Ah, que saudade que tenho dos heróis disfarçados de homens daquela época. Tão diferentes dos covardes e omissos de hoje.

Mas, pra não dizer que não falei das flores, exponho aquela, a mais bela das flores, a que brota entre as pedras nos lugares mais inusitados, ressalto a fidelidade, a honra, a solidariedade e o senso de justiça que ainda vejo por aí. Raros, mas persitentes, diria até que são sobreviventes.

Lembrando que não existem parâmetros usados por mim para fazer tais afirmações, as faço aleatoriamente e irresponsavelmente. Falo apenas do que vejo e percebo, baseado na minha própria história e analisando as pessoas que me cercam. A sua realidade pode ser outra, e você pode ser um privilegiado(a) que vive rodeado(a) de horóis, se assim for, meus parabéns!

Verônica

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Qual A Tua Prioridade?


(by Cinthya)

Eu tinha um emprego de 08 anos em uma conceituada empresa. Confesso que já estava cansada, precisando de tempo pra mim. Eu morava na empresa, praticamente. Saia de casa muito cedo e chegava muito tarde. Muitos sábados e domingos foram trabalhados para dar conta de entregar tudo dentro do prazo. É certo, nunca perdi um prazo, mas perdi as minhas horas que poderiam ter sido usadas para mim, para o meu filho, para a minha vida. Recebi promoção, mas a insatisfação continuava.
Eu saia de casa e deixava meu filho dormindo (saia muito cedo). Algumas vezes eu ligava pra casa pedindo para minha mãe não deixá-lo dormir antes da minha chegada. Eu me sentia uma monstra. Eu vivia irritada, trancada, carregada de um estresse maldito que não me deixava ver o brilho das coisas.
Um dia as coisas chegaram num ponto que eu parei e perguntei para mim mesma: o que eu estou fazendo da minha vida? Meus dias estão passando, meu filho está sendo criança e eu não estou vendo isso. Ele só será criança uma vez na vida. Eu não o levo pra escola, eu não o pego na escola, eu não dou as refeições dele. O que eu sou dele, então? É justo para nós dois?
Foquei num objetivo. Procurei e encontrei outra oportunidade de emprego, ganhando a metade em relação a salário, mas com muito mais tempo para mim e para minha vida. Pedi desligamento da senzala e saí de lá muito mais leve.
Hoje eu levo o meu filho para a escola todos os dias. Tenho muito tempo para brincarmos, para conversamos. Hoje eu sorrio com muito mais freqüência e com muito mais freqüência eu visito amigos, eu alimento sonhos. Algumas vezes saio com o meu pequeno apenas por sair, para andar, ver gente e descobrir coisas novas que para ele são o máximo (tipo sentar na calçada e ficar vendo os carros passarem na lombada ou comer pastel na pracinha do bairro).
Muitos me taxam de louca por ter dito não a uma multinacional. Mas eu me sinto feliz por ter dito SIM a mim mesma.
PS: Continuo procurando um jeito de ter ainda mais tempo para mim! Por que daqui a pouco, a minha vida chega ao fim e eu não quero levar comigo a sensação de não ter vivido tudo o que eu podia, de não ter amado tanto quanto devia. Enfim. Eu quero levar uma história linda, cheia de amor. Eu quero levar o máximo de lembranças, deixar o mínimo de lacunas. O que me sustém é “vida” e não status.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tempo, Tempo, Tempo...


Tempo. O engolidor de pessoas... Será?

-  Gatinha, você nunca mais me ligou...
- Oi, gatinho! Pois é, é o tempo...

Ou

- Verônica, você fez o que eu te pedi?
- Não, mainha. Não deu tempo.

Mentira! Não fiz porque esqueci... E no diálogo com o gatinho, não liguei porque não me interessei e não senti vontade de ligar.

Essa desculpa de "Oh, eu ando tão sem tempo" é balela, conversa fiada, desculpa esfarrapada. Eu mesma ando mentindo pra mim, de vez em quando. Repito isso pras pessoas e na frente do espelho na vã tentativa de conseguir me enganar. Posso até enganar meu interlocutor, mas a mim eu não engano mesmo. Sempre há tempo para fazer o que se tem vontade. Há em alguns casos, raras exceções, que o tempo é definitivamente escasso, mas, repito: raras exceções. É só colocar na cabeça que quer e a gente faz.
 Quando a vontade é pouca, o tempo entra como protagonista da cena que vamos inventar para tentar convencer a outra pessoa e a nós mesmos de que aquela mentira é uma verdade.

Organizar uma agenda e se possível um cronograma diário, enumerar, relacionar de acordo com a prioridade as coisas que se tem a fazer é muito eficaz, sobretudo no trabalho. Mas na vida pessoal no cotidiano e na relação com os familiares, por mais que tentemos, não conseguimos, essa precisão. Até pra ser metódicos tem um limite a alcançar.

Então, paremos já de culpar o tempo por nossa omissão e negligência, chega dessa conversa pra boi dormir, essa não cola mais.

E pro deleite de todos, deixo uma das minhas músicas favoritas:

Agora, deixa eu correr que eu tô atrasada.

Beijos!!

Verônica


 

Oração Ao Tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Prazer Depois Do Prazer

(by Cinthya)

O tesão pinta e o sexo acontece. E aí entramos naquele processo tão conhecido por todos (e tão deliciosamente curtido por todos). Corpos procuram-se, unem-se, invadem-se. Quanto maior a cumplicidade e afinidade do casal, maior o grau de gostosura do sexo.

Daí o orgasmo chega para um... Chega para o outro... E o sexo acaba.

Epa! Epa! Para tudo! Não é nada disso!!!

Para muitos (inclusive esse é o meu caso) é justamente aí que tem início uma parte interessantíssima do ato sexual: O Depois Do Prazer! E são várias as delícias dessa hora. Sentir o pulsar dele ainda dentro da gente (aquele homem tão amado é tão nosso nesse instante!), o abraço forte, o beijo suave e demorado, o estremecer do corpo, os inúmeros beijinhos na pele (sempre tão doces!), o silêncio poético, o afagar de cabelos, o sorriso de satisfação (o corpo todo sorri), o “eu te amo” olho no olho, a sensação de gratidão pelo prazer recebido e de poder pelo prazer proporcionado.


Em poucos momentos na vida de um casal se vê tanto entrosamento. É um emaranhado no outro. Nessa hora não são corpos penetrados ou penetrando. Nessa hora são almas e áureas que se envolvem e se misturam numa atmosfera de amor que inebria nosso ser.

E tudo o que a gente quer é encostar a cabeça no peito dele e senti-lo acariciando nosso corpo, nosso rosto. Nessas horas sempre tenho a sensação de que nada nesse mundo me fará mal. Acho até que é instinto de fêmea ao se ver protegida pelo seu macho após o acasalamento.

A conversa do "após sexo" é sempre suave, sempre agradável, sempre otimista. O estresse foi descarregado, jogado fora do corpo. As angustias foram expelidas, exorcisadas. Não se pensa em trabalho, ou em obrigações. Acho que a sensação é de plenitude e gratidão.


E ali, corpos abraçados, suados e suaves, adormecem mergulhados nas delícias do depois do prazer. Aliás, “depois” nada... Na continuidade do prazer.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Eu Sou Louca Por Ele, E Daí?

(by Cinthya)

- E então, vocês estão juntos?
- Oi? Hã? Como? (rsrsrs)
- Vocês estão juntos? Estam namorando?
- A gente tá se curtindo...
- Se curtindo?
- É. Por que o espanto?
- Vocês têm um filho e ainda estão se curtindo?
- Ah! E não pode?
- Pense bem... Pense no que você está fazendo da sua vida.
- Olha, a gente tá se curtindo. Mas se um dia eu o ver com outra mulher ou ele me ver com outro homem... Aí, minha amiga. Traga as grades de cerveja, as caixas de uísque e todos os cds de B&M.
- (risos). E isso significa o que mesmo?
- ... (Silêncio. Coração aos pulos)
- Hein, isso significa o que mesmo?
- QUE EU SOU LOUCA POR ELE!

Pronto. Esse diálogo de msn entre amigas mostra uma coisa bem interessante do mundo feminino. A gente tem mania de guardar mágoas. Alguém que nos feriu no passado, que nos fez chorar um monte, por quem tomamos vários porres, que não atendeu aquela nossa ligação, que faltou ao encontro e nos deixou só a esperar. Aquele alguém que sumiu justamente na hora em que a gente mais precisava de sua presença.

Tá, o cara fez tudo isso com você e você o odeia, certo?

Errado. Ele fez tudo isso com você, mas você ainda o ama. E aí, cadê a coragem de assumir isso pra nós mesmas? Cadê a coragem de olhar pra dentro de nosso coraçãozinho ferido e dizer: Ei, não deixo ele sair daí. E a gente segue na estrada, mascarando o sentimento. Mergulhadas num orgulho bobo que nos impede de viver momentos felizes, de escrever páginas lindas no nosso Livro da Vida.

O cara vai se chegando, depois da tormenta. Vai se aproximando, tentando (quem sabe) se redimir das merdas passadas. E você vai deixando porque, afinal de contas, você tira proveito disso. Mas o coração não é santo (e Madre tereza não tem covinhas na bochecha, como disse uma amiga), e você se vê numa vingança diária, uma vingança em coisas sutis que só uma mulher ferida sabe fazer. Você assume a postura do "bate e depois assopra"... E o coração fica tonto sem saber a qual comando atender: amar ou odiar?

Tudo é uma grande confusão porque o orgulho cega a gente e é inimigo assumido da nossa felicidade. Chega uma hora em que você, percebendo-se perdida, pede ajuda de quem está de fora. E aí escuta o que a amiga tem a dizer e então enxerga como as coisas são claras. Enxerga que não é feio e nem errado você continuar amando uma pessoa que te magoou no passado. Você lembra que muitas vezes você o tem magoado no presente e que mesmo assim ele continua ali, tentando te agradar.

É verdade o que ele demonstra, o que ele sente? Você não sabe. Você só sabe o que está dentro de você. Você só sabe que esse sentimento vai crescendo, vai te sufocando até que você o assume.

E ai tudo se tranquiliza. Você decide deixar as mágoas saírem. Você permite que a chuva caia e renove seu íntimo. Afinal, a vida é sua. O amor é seu. Você sorri, e efim, sente o alívio e a delícia que é "se permitir". Você se joga nos braços dele, no amor dele, na vida dele. Olha nos seus olhos e diz: Meu Amor, eu sou louca por você!

Um brinde à vida!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Garçom, Uma Cerveja Bem Gelada, Por Favor!



Existem dias na vida da gente que tudo que queremos, tudo que precisamos é desaparecer, jogar tudo pro alto, pegar a bolsa no meio do expediente e correr pra casa, ou, largar tudo e ir ao bar mais próximo tomar alguma coisa pra relaxar...

Mas, felizmente ou infelizmente nem sempre isso é possível, pelo contrário, quanto mais o nó aperta mais firmes temos de permanecer. É impressionante, durante um período em algum momento da vida tudo começa a desandar, é briga em casa por besteira, é trabalho que não rende e o patrão pega no pé cobrando resultados (nada mais justo diga-se de passagem), parece que até os amigos ficam meio chatos. É exatamente nesse momento que temos vontade de enfiar o pé na jaca, chutar o pau da barraca, torcer o rabo do porco, encarcar o dente na marvada e coisas semelhantes...

Essa semana, estava aqui no trabalho e de repente uma amiga me chama no msn:

- Vel?
- Oi!
- Me ajuda!
- Que foi?
- Preciso de um emprego novo.
- Você também? Acredite, você não é a única.

Essa conversa foi em plena segunda-feira de manhã. No dia seguinte outra amiga me chama, com queixas semelhantes, hoje quarta-feira, (quinta-feira, quando você estiver lendo essa postagem, certamente esse número já deverá ter subido) eu já acumulei na minha lista de reclamações cinco amigas, isso mesmo, cinco amigas com exatamente as mesmas queixas, todas insatisfeitas com seus respectivos empregos, ao menos eu não sou a única. Aí pensei: só há uma solução, tomar uma pra esquecer os problemas.

Por isso o post de hoje é dedicado a você que ta de saco cheio com vontade de mandar tudo às favas e precisa de algo pra relaxar. Chegue mais e sinta-se à vontade. Semana passada no twitter, a Cássia sugeriu um cowboy duplo, mas, como aqui no nordeste é muito quente para o consumo desse tipo de bebida em plena luz do dia eu vou de Antártica estupidamente gelada. Quem me acompanha?

Se você não bebe álcool, não se preocupe, você não ficará de fora do nosso grupo, puxe sua cadeirinha e peça seu refrigerante, contanto que ele esteja BEM gelado, ou quem sabe, uma água de côco esperta.

Afinal, o intuito desse manifesto não é fazer apologia ao álcool, muito menos excluir quem não o consome, pelo contrário, a ideia é juntarmos todas nós com nossas queixas e insatisfações numa grande e animada roda de bate papo para caçoarmos dos problemas e esquecê-los...

Afinal de contas, meu bem, se nada der certo vire o copo. Chega dessa história de virar puta ou hippie. Aqui a gente vira o copo e ainda mantém a pose.

Álcool, o melhor remédio para os problemas.  Pelo menos me faz esquecê-los por alguns instantes...

PS 1: E que fique claro, eu não bebo tanto assim não. Só um pouco!

PS 2: A foto acima foi na festa de confraternização aqui da empresa no dia 05/02/11.

Verônica

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Mudaram As Estações"


(by Cinthya)
A gente entra numa relação afetiva e se entrega de forma tão gostosa. É tudo tão harmonioso. As coisas simplesmente fluem. A gente chega a pensar... Aliás, a  gente não chega a pensar que um dia aquilo pode, simplesmente, acabar. E seguimos vivendo e curtindo as delícias de se entregar e de receber.
Até que o tempo se encarrega de acidentar os caminhos, de erodir os sentimentos.  O que era bonito, já não é mais. O que era gostoso, já não tem sabor. E a gente vê a euforia de outrora se transformando, dia após dia, numa angustia. O coração fica pesado, receoso. Ou atacamos ou nos defendemos. Não há diálogo. As trocas de palavras resumem-se em ataque e defesa.
A gente procura um lugar para ficar só, pra deixar vazar essa dor que aperta aqui dentro. E choramos e soluçamos ali sozinhas no nosso cantinho. E são tantas perguntas sem respostas “onde nos perdemos?”, “será que não tem jeito de arrumar tudo de novo?”. Pensamos nas tantas brigas, tantas palavras desnecessárias foram jogadas para fora fazendo sangrar um amor, machucando um ego. E nosso choro não passa, mas à medida que avança, o choro vai nos tranqüilizando, nos lavando por dentro.
Os olhos pousam na mala e a gente busca forças para retirar nossas coisas do armário onde já não nos cabe mais. Parece que alguém enfia as mãos em nosso peito e vai arrancando pedaço por pedaço. Mas a gente permanece firme e segue.
Os dias passam, ou melhor, se arrastam. A gente sofre, come o pão que o diabo amassou. Quer sumir de tudo. Quer se esconder de todos. Se pudesse não mais falar, nem sorrir, nem acordar. Mas a gente não pode. E tem que seguir.
De repente (Tá! Nem tão de repente assim!) olhamos no espelho e sentimos aquele estalo. A mudança começa. A gente se permite viver novamente. A gente busca acreditar de novo, sorrir de novo, sonhar sonhos novos.
De coração refeito outra história aparece e a gente se vê limpa e pronta para amar. E pensamos que valeu enfrentar a dor e ser mais forte que ela.
Um dia, uma música nos faz voltar no tempo... E aí percebemos que aquele amor acabado tornou-se uma lembrança. Foi uma parte de nós. Uma lição. Um pedaço de nossa história. Foram páginas escritas de um livro chamado “Minha Vida”. Páginas que precisaram ser escritas, pois nelas nós crescemos, amadurecemos, vivemos coisas boas e ruins, mas, o mais importante de tudo é que VIVEMOS, preenchemos o tempo de nossa existência, de fato, EXISTINDO.
E assim sorrimos, enfim, certas de que histórias são pra sempre. Sem esquecer, claro, que o “Pra Sempre” sempre acaba e nós existimos além dos nossos amores.
Sejamos felizes e, quem sabe, nos vemos na estrada... Estou indo de volta pra casa (pra minha casa).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ele Era Só Dela E Fim. Ela Era Só Dele E Fim.



Outro dia, conversando com uma amiga, ela me relatou uma linda história de amor, narrada por um homem. Para tudo! Um homem narrando uma linda história de amor??? É sim! Um homem, e quem ver a história através de uma visão masculinamente sensível também vai se encantar. Vamos aos fatos:

Ele era um menino tímido e de poucos amigos, e como toda criança tímida sofria  muita chacota das demais crianças. Ela, uma menina espontânea e muito extrovertida, popular e querida por todas as crianças. Cresceram unidos e ela se tornou uma espécie de protetora pra ele. Eram mais que amigos, eram parceiros e cúmplices. A adolescência chegou e a amizade permaneceu, como  na infância descobriram muitas coisas juntos, na adolescência descobriram o amor. Começaram a namorar. Um namoro de juventude que durou 10 anos e em seguida veio o casamento. Que vai muito bem, obrigada! São quase 8 anos de casamento num relacionamento total de mais de 30 anos, somando amizade, namoro e casamento.

O que diferencia esse casal de muitos outros é que ele nunca teve outra mulher na vida, e ela por sua vez, nunca conheceu nenhum outro homem. São felizes e satisfeitos com a relação que construíram ao longo dos anos  e diferentemente do que julgam outras pessoas, eles não precisaram ter outros amores para valorizarem o que possuem. O que eu achei mais fascinante foi a forma como ele descreve esse amor, e como ele demonstra satisfação ao contá-la. De fato, é um troféu a ser exibido.
Parece um conto de fadas, não parece? Parece uma história irreal, mas não é. É muito real e acontece aqui, bem pertinho de nós.

Achei linda, sóbria e incomum essa história. Mais ainda por vivermos num mundo tão volúvel de amores tão superficiais e passageiros. Onde a infidelidade parece ganhar cada dia mais espaço nos lares e nas vidas dos casais.

Peço a Deus que abençõe esse super casal e desejo vida longa ao amor dos dois.

Verônica

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Bom Pra Caralho, Porra!"


(by Cinthya)

Depois da maternidade as noites de festa tornaram-se quase inexistentes na minha vida. Não que eu não possa mais sair, mas é que para me tirar de perto do Pequeno Príncipe, tem que ser algo que realmente valha a pena.

Pois bem, noite de sexta-feira e Capital Inicial tocando na cidade (coisa muito rara por aqui, diga-se de passagem). As amigas animadíssimas para o show, Papis na área e eu, enfim, saindo do casulo.

Lindamente pronta. Vamos pra night!

Acabei não encontrando as amigas, mas a noite foi maravilhosa. Como é gostoso curtir música boa. Como me permito viajar nas melodias ricas, nos acordes bem tocados. Eu fecho os olhos e ninguém me segura.

Uma onda de energia gostosa percorre meu corpo e eu entro numa sintonia tão perfeita com o Universo que penso: “Cara, que coisa maravilhosa é a vida!”. E como eu agradeço a Deus nessas horas. Alcanço o ápice sem precisar de droga alguma. Entro e saio do Paraíso quantas vezes quiser, de alma limpa de corpo limpo. Pulo, grito, danço, canto, aplaudo e agradeço por eu ser assim do jeito que sou: “Complicada e Perfeitinha” como cantou o Dinho Ouro Preto e o Papis confirmou.

No palco, a música que eu adoro, ao meu lado a presença do grande parceiro, dentro de mim uma alma que nasceu para a liberdade, para ser poesia, para ser simples, para ser feliz, pra ser repleta.

Eu gosto de ser livre, eu gosto de respeitar a liberdade alheia. Não nasci pra infernizar ninguém, nasci pra ser feliz e fico feliz com quem chega pra agregar, pra somar. Sou feliz comigo mesma e isso contagia e atrai pessoas boas para perto de mim.

Costumo agir assim: “A tua sentença é a liberdade que te dou. Voltas se quiseres. Se voltares irás me encontrar livre como sempre fui.”

A arte me faz viva! Renasço dela!

Nesses meus momentos de nirvana (como quando ouvi o Dinho cantar), sinto os acordes vibrarem no mesmo compasso do meu coração, do bombear do meu sangue e penso em como a vida é mágica, penso em tudo de bom e belo que trago dentro de mim. Penso em tudo que eu consegui construir e em como sou rica de valores, de amores, de sabores.

E como disse o Dinho: Foi bom pra caralho, Porra!

“Não procures saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende...”

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Naquela Rua Mora Uma Fada...


(by Cinthya)

A minha infância foi uma delícia! A nossa rua, naquela cidade pequena, era recheada de outras crianças que compartilhavam comigo as brincadeiras tantas. Apenas a escola, as refeições e a hora de dormir conseguiam nos tirar da rua e de nossa incansável maratona de jogos, corridas, estórias. Éramos meninos e meninas na rivalidade peculiar àquela fase. Um não podia interferir na brincadeira do outro.

As tardes eram deliciosas. Lembro do cheiro do café, da broa, do 'filhóis' (ninguém vai saber o que é isso!) que minha mãe preparava pra gente. Me recordo também com clareza da hora em que o sol ia embora e que meu pai chegava do trabalho, cansado, mas sempre pronto para nos abraçar. Ele era o dono da família.

Tinha, porém, uma pessoa naquela rua que fazia toda diferença. Uma mulher com alma de moleca. Uma mulher encantadora que tinha uma casa que servia de abrigo para grande parte das nossas brincadeiras. Ela se juntava a nós e a diferença de idade se desfazia nesse instante. Brincávamos de igual para igual. Se havia algum fato mais sério para resolvermos com nossos pais, ela era mediadora, era a nossa advogada (e era uma excelente advogada!). Lembro de um dia em que o meu dente estava molinho, prestes a cair e eu estava sozinha em casa. Corri pra casa dela e ao vê-la me joguei em seus braços aos prantos pedindo que ela me protegesse. 

Ela organizava uns eventos na sua varanda, onde todas as crianças apresentavam algum número de dança, mágica ou alguma outra coisa que encantasse o público. Sim, isso mesmo: tínhamos platéia! Numa dessas apresentações eu fui She-ra (morram de inveja!)!. Só não sei de onde saiu essa She-ra com sobrecarga de melanina, mas tudo bem! O importante é que com ou sem melanina, ganhei o primeiro lugar no concurso.

O tempo passou, a gente cresceu. Fui embora da cidade. Passamos muitos anos sem nos ver. Nesse intervalo eu escrevi um livro e nesse livro tinha uns versos que fiz para ela. Na época da publicação eu lhe enviei um exemplar. Mas não tive notícias ou retorno.

Há uns seis anos voltei na cidade e fui até a casa dela. O cheiro da saudade arrepiou minha alma, atiçou minha emoção. Avistei a casa e entrei. Pedi que a chamassem, mas não me identifiquei. Ela me olhou demoradamente até que me reconheceu. Choramos de emoção. O rosto dela já não era mais o mesmo. Era como se as rugas tentassem em vão esconder a alegria que iluminava aquele semblante tão amado. O seu corpo já apontava o peso dos anos e eu já não era mais a criança levada que fora outrora. Nos abraçamos demoradamente e deixamos aquele cheiro de saudade invadir nosso íntimo. Ela segurava meu rosto com as duas mãos e me olhava com os olhos mergulhados. E eu senti uma vontade tão grande voltar no tempo e vê-la revigorada.

Passada a emoção do reencontro, sentamos. Em nossa conversa eu soube que ela havia tido uma crise depressiva e que foi nessa época que o meu livro chegou às suas mãos. Ela me disse que ao ler os versos caiu num choro tão sentido e que aquele choro lavou sua alma, fez ela entender que a vida tinha muitas coisas boas, lembranças boas e que as crinças dela cresceram, partiram, mas ela permanecia nos nossos corações. Aquilo a ajudou a se reerguer.

Era o mínimo que eu poderia fazer por alguém que fez dos meus primeiros anos um conto de fadas.

Casa de Eutima

Na casa de Eutima eu vivia
Os sonhos mais doces da minha infância.
Era um labirinto de alegria,
Um castelo cheio de esperança.

Lá eu passava quase todo o dia.
Não só eu, mas eu e tantas crinças,
Que Dona Eutima pacientemente acolhia,
Com muita festa e comilança.

Uma reforma por ano ela fazia,
E esperávamos com implicância,
Todas as horas, dias após dia,
Para saber qual seria a mudança.

Virava cozinha o quarto onde ela dormia,
E sala, o quarto das crianças.
Mas a varanda permanecia,
O palco das nossas festanças.

Ah, Dona Eutima, que alegria!
Foi um sonho ser criança.
E a senhora quem diria,
Foi a Fada da Minha Infância.