sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aí a gente para pra pensar...



Quando acontece alguma coisa muito séria na nossa vida, a gente para pra pensar. Geralmente quando alguém se vai, aí a gente começa a fazer uma auto-análise e surgem os questionamentos: “Será que eu fui um bom amigo?” “Será que eu fiz tudo eu poderia fazer por esse amigo que se foi?” “Será que se eu tivesse conversado mais, se eu tivesse mais presente, se eu tivesse enviado mais torpedos, ligado mais ou o tivesse visitado mais isso poderia não ter acontecido?”  

Questionamentos que ficarão sem resposta. Agora, que o nosso amigo se foi, as únicas coisas que ficaram foi a saudade, as lembranças dos momentos bons e o remorso por não ter feito mais. A lição de vida também fica. E outros questionamentos surgem: “O que você está fazendo da sua vida?” “Você diz ‘eu te amo’ para as pessoas que você ama? Com que freqüência?” “O que você acha que escreveriam na sua lápide caso você morresse hoje?

Ao longo dos anos, nos tornamos seres altamente individualistas e capitalistas. Nos deixamos levar pelo corre-corre do dia-a-dia e esquecemos de cultivar coisas boas, sentimentos bons, amizades agradáveis. Optamos pela praticidade. Os colegas do trabalho ou da faculdade já estão ali presentes todos os dias, então, nada mais natural que estes sejam os mais próximos. A gente esquece os antigos amigos. Esse meu amigo que se foi era tão sensacional que mesmo depois de sua partida nos deixou lições incríveis e todos que estiveram ao seu redor tornaram-se pessoas diferentes, certamente melhores, depois de sua partida.

Reclamamos diariamente da falta de tempo, mas achamos tempo para irmos ao velório chorar sobre um caixão contendo um corpo inerte de alguém que um dia foi especial para nós. Nossa vida é muito corrida, mas todo mundo acha tempo, força e coragem para ir à missa de sétimo dia daquele amigo tão querido que se foi. A gente só se reúne em momentos ruins, difíceis. Tudo errado.

Deveríamos nos reunir para comemorar. Para celebrar a vida, para falar de coisas boas, desfrutar de boas companhias e apreciar aquele vinho que a agente gosta, ou relaxar ao som daquela canção que a gente tanto gosta, batendo um bom papo com aquele velho e querido amigo que a correria teima em afastar de nós.

É hora de repensar nossas atitudes e ver o que, realmente, tem importância.

É na morte que descobrimos o real sentido da vida. É quando alguém morre que a gente consegue perceber o que tem importância. A gente começa a se perguntar: o que é que a gente vai levar dessa vida? O poeta uma vez disse, e ele tem toda razão, “o que a gente leva da vida, é a vida que a gente leva.”

Que tipo de vida você está levando? Eu já decidi que vou mudar a minha, enquanto ainda há tempo. Aproveite o final de semana e vá visitar uma pessoa que você ama e não vê há tempos. Ligue para um amigo que está afastado de você. Reconstrua as pontes que te uniam as pessoas boas que cercavam sua vida, mas a enxurrada de trabalho e afazeres derrubou. Ligue para a pessoa que você ama. O amanhã pode nem chegar. Aí você se verá triste, sozinho e com remorso. Aproveite enquanto é tempo. Nenhum torpedo que me enviam fica sem resposta. Nenhum e-mail. A ligação que eu não puder atender, eu retorno logo em seguida. Certamente, eu não sou mais a mesma do dia 14 de julho pra cá.

Verônica

 

Ai de quem ama

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

Vinícius de Moraes

Um comentário:

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi flor...

Além da presença, quando estivermos juntos, com quem amamos, devemos ir além do seu olhar.

Prestar atenção por inteiro...

Eu digo sempre que amo. Digo até demais. Já ouvi da minha mãe que chego a sufocar com tanta ligação, atenção e cuidado.

E sei que sufoco. Mas é que só de pensar que um dia vou perder, me da medo.

Beijos

Selma