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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E Agora, Mãe?


(by Cinthya)

Vida de Mãe Solteira não é fácil.  A gente vai tirando de letra, é fato. Mas sei que sequelas vão se aglomerando dentro de nosso emocional e a gente finda por moldar-se, mesmo que inconscientemente. De repente a gente se vê presa em pensamentos e atitudes que antes não condiziam conosco. A gente vai aprendendo a conhecer um lado da vida que antes era totalmente desconhecido. E você descobre nas pessoas a admiração por você e também o asco e o preconceito que muitos te lançam. E isso, por mais que a gente não dê bola, machuca e fica guardado em algum lugar aqui dentro.

Meu filho está dodói. Há duas noites eu não durmo bem, cuidando dele, verificando a temperatura, pondo remédio para desobstruir o nariz, tentando acalmá-lo. Pela manhã o deixo chorando: "Mãe, porque você tem que ir trabalhar? Por que você não fica pra cuidar de mim?". E saio. Com o coração despedaçado, mas com a certeza de que tenho que ir, tenho que ganhar o nosso pão.

No trabalho, poucas pessoas se importam se você está 100% ou 10%, o trabalho tem que ser feito e os resultados são cobrados. Você trabalha, cansada, sonolenta e preocupada, mas trabalha e consegue atender à demanda. Louca pra chegar em casa você se desmancha em zelos com o filho. Cuida, vê se a medicação foi ministrada corretamente, vai ao médico novamente, conta o dinheiro pra ver se dá pra comprar os demais remédios.

Você nem tem tempo pra chorar ou se sentir fraca. É tudo muito intenso e tudo sobrecai sobre você mesma. Então, não dá pra pensar muito. É agir ou agir. Não temos escolha. Se o filho chora, é você quem tem que acalentar, mesmo com o coração em pedaços, você tem que ser forte e acalentar. Se ele te pergunta "Mamãe, porque tá doendo?" é você quem tem que engolir à seco e procurar a melhor resposta para dar pra ele.

Quando enfim ele adormece nos seus braços você desmorona. É o único momento em que você pode chorar sem que ninguém veja. É o momento onde você sente o reflexo do peso das emoções do dia. É o momento no qual você se despe da roupa de Mulher Maravilha e chora como uma simples mortal.

Aí você olha pro filho, tão inocente, tão dependente de você e vê que a vida te deu um laço que nunca, em hipótese alguma será desfeito. Um amor tão grande e tão forte que chega a doer. Um misto de sensações de poder e impotência tomando conta do mesmo ser, ao mesmo tempo.

À todas as Mães em Carreira Solo (assim como eu), o meu abraço, o meu respeito e a minha admiração. E, que Deus proteja os nossos filhos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Olha o Passarinho!

(by Cinthya)

Vida de Mãe Solteira é bem diferente da vida de um casal que convive junto e junto cria o(s) filho(s). Primeiro porque, quando se é Mãe Solteira, se traz agregado a você um slogan “Não me quiseram!”, ou pelo menos é isso que parece, visto a cara com que te olham em cada local onde todas as mulheres, menos você (claro!) chegam com os respectivos maridos.

Pois bem, como já falei aqui o pai do meu filhote não mora na mesma cidade que eu e apenas o vê quando vem a trabalho. Praticamente todos os meses ele está aqui, mas as datas não dependem da vontade dele e sim do calendário que o patrão impõe. Dessa forma, ele raramente está presente em datas comemorativas tipo, aniversário do nosso filho, batizado, natal, etc.

E dessa forma o nosso álbum de família é composto por fotos faltando pedaços. Em todas as fotos das datas do Pedro, com exceção do nascimento (sim, pois pude contar com ele segurando minha mão não hora que nosso filho veio ao mundo) o espaço do pai está vazio. Apareço eu e o Pedro e.... Só! Então sempre que alguém vai olhar o álbum eu tenho que ficar explicando a mesma história: que o pai não mora aqui, que do Rio de Janeiro pra cá é muito chão para ele vir tirar uma foto e voltar, etc, etc, etc. E todos, sem exceção, me olham com aquela cara de quem diz: “Coitada, tão bonitinha e ainda assim não a quiseram”.

É engraçada a cara do fotógrafo esperando o pai para então fazer a foto. Eu e o Pedro abraçados, lado a lado e o fotógrafo esperando o terceiro elemento que nunca chega. Daí eu tenho que dizer sempre: Já completou. Pode fazer a foto!

Normalmente eu tiro de letra, pelo menos na hora do ocorrido. Falo uma piada, faço uma brincadeira. Mas, bem lá no fundo essa futucada incomoda. Incomoda porque por mais que eu não deva satisfação da minha vida para pessoas de fora, essas pessoas cobram uma tradição que não aconteceu comigo. Não estou na estatística da normalidade, do comum. Comigo acontece diferente e pronto! Nem por isso eu não posso ser feliz, nem por isso eu não posso ser uma boa mãe e formar um grande ser humano.

Enfim, olha o passarinho!