segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mal Acostumado


Recebi e-mail de um amigo querido. Um e-mail lindo, cheio de emoção, lembranças... Impossível não partilhar com vocês. 
Cinthya

Li seu texto falando do Ara Ketu, e achei triste e engraçado, pois a minha relação com eles é bem intima.
Eu sou apaixonado por eles, mas muito por causa de umas férias que passei com meu pai, dos momentos que passamos juntos ao som deles, dos ensaios que fomos, ouvimos o CD deles umas mil vezes, e ao ler o seu texto, fiquei meio , putz...

... Em todas os momentos que estive com meu pai, seja em barzinho, seja no carro, ele sempre colocava o Cd deles, e sempre as mesmas musicas...Mal Acostumado, Oh meu Pai (ele dizia que era a minha cara pedindo para ir pro ensaio), e O pout porri romântico...

... O texto em anexo, escrevi em outubro...

Depois de muitos anos, recebo a ligação que nunca quis receber e a voz do outro lado, apenas dizia “Seu pai foi internado e não está bem”, nesse momento a minha memória ficou perfeita, todos os momentos felizes juntos voltaram a ela, o dia que jogamos futebol juntos, ele me ensinando a dirigir, uma bronca que ele me deu para eu sempre fazer o certo,  ele dando a sua versão sobre a música que tocava no som do carro, mandando colocar a mão para fora da janela, e me mostrando como é bom sentir o vento, tudo voltou, e voltou principalmente as primeiras férias que passei com ele. Foram férias especiais, pois já era um rapaz, e pude ficar vários dias com ele em Salvador/BA. Ao chegar, fui ao encontro dele numa agencia bancária, e ao entrar, ele levantou e gritou “Meu filho chegou”, a agencia inteira olhou para mim, apenas tive vontade de correr e voltar para casa, fui apresentado a todo mundo (parecia filho de banqueiro...rsrsrs). E assim iniciou as férias perfeitas. No ultimo dia, no caminho para a rodoviária, apenas o silencio falava, o único diálogo que tivemos foi “Quer comer alguma coisa? Não”.
E o silencio continuou a reinar.

Entrei no ônibus e chorei, mas chorei muito, e ao tentar achá-lo do lado de fora, não o encontrei, e pensei “Ele já foi”. E assim que o ônibus fez a curva, lá estava ele, encostado chorando, como eu.

Eu evitei ir vê-lo no hospital, até que minhas férias chegaram e enfim, criei coragem, no avião programei muita coisa, palavras a dizer, um abraço a dar, falar dos problemas e pedir sua opinião, mas ao chegar lá, quando ele me viu, apenas disse “Meu filho chegou”, lágrimas rolaram e tentei ser forte, para que ele fosse forte, fiquei . Foram os piores dias da minha vida, e a comparação entre as férias, foi inevitável, e me recordo, que mais novo, nas primeiras férias, as pessoas vinham falar comigo, e diziam, seu pai tava ansioso lhe esperando, “Você só pode ser o Diego”, e agora a cada enfermeira que entra no quarto, a mesma afirmação “Seu pai estava ansioso para lhe ver”, “Você deve ser o Diego”.

E hoje alguns dias depois de voltar, com a saúde dele ainda debilitada, dou de cara com um cartaz*, que me fez parar o carro, e recordar as férias, que me fez escrever esse desabafo sem lógica, que me fez lembrar das nossas musicas preferias.

Diego

“Mal acostumado
Você me deixou
Mal acostumado
Com o seu amor
Então volta
Traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz”


*Outdoor anunciando os Ensaios do Ara Ketu na cidade.

Um comentário:

Gui - Descrevendo a vida, assim como ela é... disse...

Impossível não se emocionar com esse texto lindo...

"Mal acostumado você me deixou, mal acostumado com o seu amor, então volta."