sábado, 4 de dezembro de 2010

Com Vocês, A Loucura!



(by Cinthya)

E sobre aqueles que vivem como querem viver e são como querem ser, a Loucura diz:

...Todo mundo zomba dessas extravagâncias, e aqueles que as cometem são vistos como loucos, como de fato o são. Mas eles pouco se importam. Satisfeitos consigo mesmos, nadam num mar de delícias, saboreiam em grandes goles os amáveis prazeres; em suma, gozam da felicidade que lhes ofereço. Os que acham tudo isso ridículo que me digam se não é preferível passar assim a vida numa loucura deliciosa, do que pensar em todo instante em enforcar-se! É verdade que todos esses loucos são desonrados aos olhos do público; mas que lhes importa? A desonra é um desses males que eles não sentem, ou, se o sentem às vezes, conseguem logo expulsar seu sentimento desagradável. Uma pedra cair sobre a cabeça, eis um mal! Mas a vergonha, a infâmia, a desonra, as injúrias só prejudicam os que as admitem. Um mal não é um mal para quem não o sente. Todo povo te vaia; que te importa, se tu mesmo de aplaudes? Ora, é somente a Loucura que faz aplaudir-se a si mesmo.” (trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam)

Quantas e quantas vezes nos pegamos fingindo ser o que não somos, ou fazendo algo de que não gostamos somente para não fugir das convenções? Quantos sorrisos forçados, quantos acenos sem graça, quantas e quantas mentiras sustentadas. Casamentos de fachada, namoros sem amor, amizades falsas... Um trabalho que suportamos pelo simples salário, uma vida com a qual não sonhamos, mas aceitamos, nos acomodamos.
Sonhos engavetados, versos poéticos perdidos no tempo porque nunca tivemos coragem de recitá-los ou, simplesmente, jogá-los ao papel.
Quantas oportunidades perdidas porque deixamos o comodismo tomar conta de nós. Quantas vezes esmagamos a nós mesmos em prol do que agrada aos outros?
Vestimos roupas ridículas porque algum famoso usou uma igual. Parecemos zumbis sem alma e sem vontade próprias.
Que mundinho de merda criamos para nós...E ainda nos vangloriamos de tudo como se tivéssemos algum real motivo para comemorar.
Tristes os que vivem a espera da aprovação alheia. Esses não vivem. Aprova tu mesmo as tuas escolhas e decisões, ora. Sede sábio.
Àqueles que fogem dessa teia pegajosa da mentira, chamamos de loucos... Mas, como disse Erasmo “é preferível passar assim a vida numa loucura deliciosa, do que pensar em todo instante em enforcar-se!
Viva a autenticidade! Viva quem não vendeu sua alma! Viva quem não esmagou seus sonhos!
Viva os loucos!

Ilustração: Quadros de um louco que eu adoro: Van Gogh. (Auto Retrato e Os Girassóis)

2 comentários:

Carla disse...

Oi Cinthya !!

Posso então me considerar louca, pois não me adequo a regras, não me sujeito a modas e modelos. Sou eu até onde posso me alcançar. Vivo do meu jeito e por mim. Se sou louca? Prefiro.

Ps: Amo Van Gogh e seus delírios viajantes ...


Beijos

Igor disse...

Gostei do texto.

Acho que a vida é muito simples. Complicamos ela para poder dar "sentido" ou para acalentar aspirações de outros.

Loucos são aqueles que se deixam levar pelos proprios sonhos de vida.