sexta-feira, 1 de junho de 2012

Das Escolhas Que Eu Fiz


(by Cinthya)

Enxergando a minha vida pelas lentes da lógica, entendo que não posso reclamar de muita coisa. Isso não implica, é claro, em dizer que tudo me agrada ao ponto de eu não querer mudar, melhorar, aprimorar. Não, não é isso. O que quero expor aqui é que eu escolhi estar aqui, tendo o que tenho e sendo quem sou.

Na verdade eu sou simplesmente o resultado das minhas escolhas. Nada mais, nada menos que isso. Eu poderia ter investido na minha carreira numa multinacional, ainda que para isso eu sufocasse minha vida pessoal, mas eu escolhi ganhar menos e ter mais tempo para curtir e criar o meu filho. Abri mão do status em prol de algo mais importante. Que pra mim tem um valor maior. De lá pra cá passei por varias empresas, muitos perrengues, apertos, mas... Consegui ter livre o tempo que o salário alto me tirava.


Eu poderia agora estar casada com um homem que diz me amar, morar próximo ao mar, viver de festas e shows, numa vida que muito me agrada, mas eu escolhi a minha liberdade. Escolhi não viver algemada por um ciúme sem fim, uma desconfiança desnecessária. Preferi continuar sozinha, mas livre, decidindo a minha vida e optando pelo que me agrada.


Eu poderia viver com o pai do meu filho. Poderia ter aceitado a sua aproximação, poderia ter me conformado com sua vida inconstante e instável. Eu poderia sim dizer para todos que questionam sobre o assunto que eu e o pai do meu filho estamos juntos, mas eu preferi não me submeter a uma relação pela metade, com carinhos pela metade, com entrega pela metade (isso existe?). Não. Não tenho talento para fazer de conta. E escolhi deixá-lo à deriva. Segui nas minhas águas, sozinha, mas com a dignidade inteira.


Então é assim que funciona. Eu escolhi ainda morar com os meus pais aos trinta e seis anos. Escolhi ter um filho aos trinta e dois. Eu escolhi estar solteira, da mesma forma que escolhi ser loira. Eu escolhi ser magra. Optei por comprar primeiro a cama e deixar o armário para depois, escolhi me dedicar a escrever para um blog, sem garantia alguma de que isso daria certo. Escolhi publicar um livro e engavetar outro. Escolhi ouvir mais do que falar. Escolhi sufocar muita coisa pelo simples fato de não querer magoar.


O que eu tenho e o que eu não tenho são apenas frutos das escolhas que eu fiz e que eu faço a cada instante da minha vida. Não posso culpar ninguém. Não posso chorar o leite derramado ou me vangloriar pelos resultados positivos porque as escolhas não param. A todo instante as várias opções surgem em minha frente e eu, cautelosamente, escolho o que melhor me parecer.


A nossa responsabilidade sobre as nossas vidas são muito maiores do que imaginamos. E é nosso o poder de escolha. Eu continuo apostando nos meus valores: Amor. Amor. Amor.


Eu escolhi escrever na tentativa de fazer as pessoas entenderem que a felicidade passa o dia quase todo esperando darmos uma brecha para que ela aconteça. Que as coisas simples têm um poder incrível de mudar as nossas vidas. Que os nossos filhos, na maioria das vezes, são espelhos onde refletem os nossos valores e os nossos atos. Que a vida vale a pena. Que o respeito é necessário. Que o amor é a finalidade e o meio.


Eu escolhi ser assim. Algumas vezes reclamo, sinto falta do que não tenho, claro. Mas no fundo,no fundo eu tenho consciência de que eu quis assim, de que em algum lugar eu optei por isso. E se existe agum algoz nessa história, com certeza eu não o encontrarei fora de mim.

E o mais legal de tudo é que, a qualquer momento, posso mudar o rumo, trocar a rota, fazer novas escolhas e apostar mais fichas. Crescer com os enganos, aprender com o comodismo passado.

Agora eu escolho crescer. Sim. É isso que eu escolho. Quebrar as barreiras e mergulhar de vez na minha arte.

6 comentários:

Debby disse...

Cinthyaaaaaaaaa
Arrasou...arrasou
Perfeito o seu texto
Adorei
Esse contxto todo sobre nossas escolhes é tudo de bom e de verdadeiro mesmo.
Bjs
Debby :)

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Muito lindo o texto. Mergulha com vontade que vai dá certo.
Beijos!
Selma.

Flávia Flores disse...

Gostei muito do seu texto... Em alguns trechos me senti totalmente exposta... E me fez ter certeza de que ninguém me obrigou a está onde estou... com quem estou... quem escolheu foi eu! E que não estou presa nisso... a qualqeur instante posso fazer outra escolha... A MINHA VIDA ME PERTENCE!

Anônimo disse...

Muito bom e me identifiquei com muitas coisas que voce escreveu.A vida é feita de escolhas!!

Anônimo disse...

A vida é feita sim de escolhas, e essas escolhas são fruto de decisões nossas... até aí tudo bem... mas permita-me discordar de algumas coisas... quando vc diz que prefere a liberdade... a estar com alguém que te aprisiona... talvez tenha faltado amor... ou pelo menos tenha faltado intensidade nesse amor.... porque nenhuma liberdade é mais importante que estar com quem se ama muito...de verdade ...e pra sempre....
espero que entenda meu ponto de vista... afinal... é só um ponto de vista de um desconhecido...

Ass: Rodrigo.

O Divã Dellas disse...

Então, Rodrigo. Acredito piamente que quando há amor, não há prisão. Ninguém ama ou se sente amado, sentindo-se preso. Por isso, optei pela liberdade... Coisa que muita gente não faz. As pessoas vivem infelizes em relacionamentos amorosos apenas para não ficarem só. Eu não. Escolhi ser livre a viver uma relação de ciúmes. É nesse sentido... Abraço e apareça sempre, ok?
Cinthya