sexta-feira, 18 de março de 2011

Meus Oito Anos!

Conforme prometido, sempre que pudesse deixaria um poema, ou um texto para o deleite dos nossos queridos leitores. Eis aqui um dos meus favoritos. Eu li na minha infância em um dos muitos livros que a minha mãe tinha e me apaixonei pois me identifiquei muito. Vejam só vocês aos dez anos eu sentia saudade dos meus oito anos, acreditam?! Mas eu sabia, tinha a certeza de que ainda estava na melhor fase da minha vida, estava na minha infância.

As cicatrizes que trago no corpo revelam a menina levada  e travessa que fui, as lembranças que trago na memória me mostram a criança feliz e abençoada que fui.

Respeitável público. O Divã Dellas orgulhosamente apresenta O Mestre! Com vocês: Casimiro De Abreu.

Boa leitura!



Verônica




 

 

 

 

 

 

Meus Oito Anos



Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

 Casimiro de Abreu

4 comentários:

Ursula disse...

Verônica querida, eu AMO, AMO, AMO esse poema. Amo demais.
Beijos querida
ursulaferraricoach.wordpress.com

Liberdade. disse...

bom dia meninas!
Esse poema é lindo!me fez recordar
tanta coisa boa.obrigado!

RafadeOliveira disse...

Também adoro esse poema! Gosto dele desde que tive que fazer um trabalho sobre o Casimiro de Abreu quanto estava no sexto ano.

Bjs
Rafa
rafadeoliveira-tudosobrequalquercoisa.blogspot.com

Mirys disse...

Verô:

Que saudade da infância!!!
Também adoro esse poema, desde sempre!!!

Hoje, meu pequeno (6) adora brincar de rimas. Então, obrigada por me lembrar dessas! Quem sabe ele se apaixone, também?

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com